16 de abril de 2015

Gerônimo Savonarola O monge católico que desafiou o papa




 Desde garoto, Savonarola era uma pessoa marcada por Deus. Era muito contemplativo e passava horas em oração. A Itália do seu tempo era dominada por pequenos tiranos e sacerdotes corruptos, e pelas lutas políticas entre duques e papas. Sua alma se entristecia com a maldade, com o luxo e desperdício de uns em contraste com a extrema pobreza da maioria. Emoções fortes já ferviam no seu interior. A oração era seu único consolo. Um dia, ele viu uma visão do céu aberto, e todas as futuras calamidades da igreja passaram diante de seus olhos. A voz de Deus depois o encarregou de advertir o povo. Daquele momento em diante, sentiu profunda convicção de seu chamado profético. 

Sermão de Jerônimo
      Desejo compartilha-lo com todos vocês, e a minha oração é que o Senhor levante outros Jerônimos em nossa geração!


"Nestes dias, prelados e pregadores estão acorrentados à terra pelo amor às coisas terrenas. O cuidado pelas almas não é mais sua preocupação. Estão contentes com sua renda financeira. Os pregadores pregam para agradar os príncipes e serem louvados por eles. Fizeram pior que isso. Não só destruíram a igreja de Deus, mas construíram uma nova igreja segundo seu próprio padrão. Vá a Roma e veja! Nas mansões dos grandes prelados, não há interesse senão por poesia e oratória. Vá até lá e veja! Verá todos com seus livros de ciências humanas, dizendo uns aos outros que podem guiar as almas dos homens por meio de Virgílio, Horácio e Cícero... Os prelados antigos tinham muito menos mitras e cálices de ouro, e os que possuíam eram quebrados e repartidos para aliviar as necessidades dos pobres. Mas nossos prelados, a fim de obter tais cálices, roubam os pobres do seu único meio de sustento. Não sabem já o que lhes relato? O que fazes, ó Senhor? Levanta-te e vem para libertar tua igreja das mãos de demônios, das mãos de tiranos, das mãos de prelados iníquos." Jerônimo Savonarola ( padre católico )



O povo de toda a Itália afluía, em número sempre crescente, a Florença. O pregador, Jerônimo Savonarola, abrasado com o fogo do Espírito Santo e sentindo a iminência do julgamento de Deus, trovejava contra o vício, o crime e a
corrupção desenfreada na própria igreja. O povo abandonou a leitura das publicações torpes e mundanas, para ler os sermões
do ardente pregador: deixou os cânticos das ruas, para cantar os hinos de Deus. Em Florença, as crianças fizeram procissões,coletando as máscaras carnavalescas, os livros obscenos e todos
os objetos supérfluos que serviam à vaidade. Com isso formaram
em praça pública uma pirâmide de vinte metros de altura e atearam-lhe fogo. Enquanto o monte ardia, o povo cantava hinos e os sinos da cidade dobravam em sinal de vitória.


Se o ambiente político fosse o mesmo que depois veio a ser na Alemanha, o intrépido e devoto Jerônimo Savonarola teria
sido o instrumento usado para iniciar a Grande Reforma, em vez de Martinho Lutero. Apesar de tudo, Savonarola tornou-se um dos ousados e fiéis arautos para conduzir o povo à fonte pura e às verdades apostólicas registradas nas Sagradas Escrituras.




Jerônimo era o terceiro dos sete filhos da família. Nasceu de pais aristocratas e  de grande influência. Seu avô paterno era um famoso médico na corte do duque de Ferrara e os pais de Jerônimo planejavam que o filho ocupasse o lugar do avô. No colégio, era aluno esmerado. Mas os estudos da filosofia de Platão e de Aristóteles, deixaram-lhe a alma sequiosa. Foram, sem dúvida, os escritos de Tomaz de Aquino que mais o influenciaram (a não ser as próprias Escrituras) a entregar
inteiramente o coração e a vida a Deus. Quando ainda menino, tinha o costume de orar e, ao crescer, o seu ardor em orar e
jejuar aumentou. Passava horas seguidas em oração. A decadência da igreja, cheia de toda a qualidade de vício e pecado, o luxo e a ostentação dos ricos em contraste com a profunda pobreza dos pobres, magoavam-lhe o coração. Passava
muito tempo sozinho, nos campos e à beira do rio Pó, em contemplação perante Deus, ora cantando, ora chorando,
conforme os sentimentos que lhe ardiam no peito. Quando ainda jovem, Deus começou a falar-lhe em visões. A oração era a sua grande consolação; os degraus do altar, onde se prostrava horas
a fio, ficavam repetidamente molhados de suas lágrimas.




Houve um tempo em que Jerônimo começou a namorar certa moça florentina. Mas quando ela mostrou ser desprezo
alguém da sua orgulhosa família Strozzi, unir-se a alguém da família de Savonarola, Jerônimo abandonou para sempre a idéia
de casar-se. Voltou a orar com crescente ardor. Enojado do mundo, desapontado acerca dos seus próprios anelos, sem achar uma pessoa compassiva a quem pudesse pedir conselhos, e cansado de presenciar injustiças e perversidades que o
cercavam, coisas que não podia remediar, resolveu abraçar a vida monástica.

Ao apresentar-se no convento, não pediu o privilégio de se tornar monge, mas rogou que o aceitassem para fazer os serviços mais vis, da cozinha, da horta e do mosteiro.Na vida do claustro, Savonarola passava ainda mais tempo em oração,
jejum e contemplação perante Deus. Sobrepujava todos os outros monges em humildade, sinceridade e obediência, sendo apontado para lecionar filosofia, posição que ocupou até sair do convento.


Depois de passar sete anos no mosteiro de Bolongna, frei Jerônimo foi para o convento de São Marcos, em Florença. Grande foi o seu desapontamento ao ver que o povo florentino era tão depravado como o dos demais lugares. (Até então ainda não reconhecia que somente a fé em Deus salva o pecador.)
Ao completar um ano no convento de São Marcos, foi apontado instrutor dos noviciados e, por fim, designado pregador
do mosteiro. Apesar de ter ao seu dispor uma excelente biblioteca, Savonarola utilizava-se mais e mais da Bíblia como
seu livro de instrução.
Sentia cada vez mais o terror e a vingança do Dia do Senhor que se aproxima e, às vezes, entregava-se a trovejar do
púlpito contra a impiedade do povo. Eram tão poucos os que assistiam às suas pregações, que Savonarola resolveu dedicar-se inteiramente à instrução dos noviciados. Contudo, como Moisés,
não podia escapar à chamada de Deus!
Certo dia, ao dirigir-se a uma feira, viu, repentinamente, em visão, os céus abertos e passando perante seus olhos todas
as calamidades que sobrevirão à igreja. Então lhe pareceu ouvir uma voz do Céu ordenando-lhe anunciar estas coisas ao povo.

Convicto de que a visão era do Senhor, começou novamente a pregar com voz de trovão. Sob a nova unção do Espírito
Santo a sua condenação ao pecado era feita com tanto ímpeto, que muitos dos ouvintes depois andavam atordoados sem falar, nas ruas. Era coisa comum, durante seus sermões, homens e mulheres de todas as idades e de todas as classes romperem em veemente choro.
O ardor de Savonarola na oração aumentava dia após dia e sua fé crescia na mesma proporção. Freqüentemente, ao orar,caía em êxtase. Certa vez, enquanto sentado no púlpito, sobreveio-lhe uma visão, durante a qual ficou imóvel por cinco
horas, quando o seu rosto brilhava, e os ouvintes na igreja o contemplavam.
Em toda a parte onde Savonarola pregava, seus sermões contra o pecado produziam profundo terror. Os homens mais
cultos começaram então a assistir às pregações em Florença; foi necessário realizar as reuniões na Duomo, famosa catedral, onde continuou a pregar durante oito anos. O povo se levantava à
meia-noite e esperava na rua até a hora de abrir a catedral.



O corrupto regente de Florença, Lorenzo Medici, experimentou todas as formas: a bajulação, as peitas, as ameaças, e
os rogos, para induzir Savonarola a desistir de pregar contra o pecado, e especialmente contra a perversidade do regente. Por fim, vendo que tudo era debalde, contratou o famoso pregador,
Frei Mariano, para pregar contra Savonarola. Frei Mariano pregou
um sermão, mas o povo não prestou atenção à sua eloqüência e astúcia, e ele não ousou mais pregar. Nessa altura, Savonarola profetizou que Lorenzo, o Papa e o rei de Nápoles morreriam dentro de um ano, e assim sucedeu. Depois da morte de Lorenzo, Carlos VIII, da França, invadiu
a Itália e a influência de Savonarola aumentou ainda mais. O povo abandonou a literatura torpe e mundana para ler os
sermões do famoso pregador. Os ricos socorriam os pobres em vez de oprimi-los. Foi neste tempo que o povo fez a grande
fogueira, na "piazza" de Florença e queimou grande quantidade de artigos usados para alimentar vícios e vaidade. Não cabia mais, na grande catedral, o seu imenso auditório.

Contudo, o sucesso de Savonarola foi muito curto. O pregador foi ameaçado, excomungado e, por fim, no ano de
1498, por ordem do Papa, foi queimado em praça pública. Com as palavras: "O Senhor sofreu tanto por mim!", terminou a vida
terrestre de um dos maiores e mais dedicados mártires de todos os tempos.

Apesar de ele continuar até a morte a sustentar muitos dos erros da Igreja Romana, nunca fundou outra denominação. Alimentava continuamente a alma com a Palavra de Deus. As margens das páginas da sua Bíblia estão cheias de notas escritas enquanto meditava nas Escrituras. Conhecia uma grande parte da Bíblia de cor e podia abrir o livro instantaneamente e achar qualquer texto. Passava noites inteiras em oração e foram-lhe dadas revelações quando em êxtase, ou por visões. Seus livros sobre "A Humildade", "A Oração", "O Amor", etc., continuam a exercer grande influência sobre os homens. Destruíram o corpo desse precursor da Grande Reforma, mas não puderam apagar as verdades que Deus, por seu intermédio, gravou no coração do povo

Sempre com a Santa Palavra nos lábios, o grande homem de Deus ia pregando com simplicidade, e mudando, espantosa e radicalmente, os costumes do povo italiano. Às vezes, quando queria demonstrar que também sabia pregar de maneira rebuscada como os demais pregadores, surgiam em suas pregações metáforas como esta: 
     "Deixam o ouro pelo cobre, o cristal pelo vidro, as pérolas pelo barro, os que pelo barro do mundo, pelo vidro da vaidade e pelo cobre destes bens profanos e transitórios, desprezam o ouro maciço, o cristal puro e as pérolas do amor de Deus e dos bens eternos."
      Nem mesmo o clero escapou de sua sinceridade e coragem, que não conheciam limites. Savonarola atacou frontalmente os vícios dos religiosos de sua época: "Se vós soubésseis as coisas repugnantes que eu sei! - dizia ele diante da multidão que o ouvia, surpresa. E então, corajosamente, sentava a igreja dominante no banco dos réus e a julgava: 
     "Vem cá, igreja infamada! Ouve o que te diz o Senhor. Dei-te formosas vestimentas, e tu exercestes com elas a idolatria. Com os vasos preciosos tens alimentado o teu orgulho, tens profanado o que antes era sagrado; a sensualidade te precipitou na vergonha. És pior que uma besta; és um monstro repugnante...Ergueste uma casa de imoralidade e te converteste, em toda parte, numa casa de perdição. 

     "Tomaste assento no trono de Salomão e passaste a atrair o mundo às tuas portas. Quem tem dinheiro entra, e pode fazer tudo o que quer, porém quem não tem dinheiro mas deseja o bem, é desconsiderado e expulso."

     Esse julgamento chegou ao conhecimento do papa Alexandre VI, sucessor de Inocêncio VIII, e um dos maiores responsáveis pelas desordens e a vida pecaminosa dos padres. Já há algum tempo os sermões de Savonarola vinham incomodando o Papa, que procurou lançar mão de todos os meios possíveis para fazer o monge calar. 
     Travou-se então uma luta ferrenha, que culminou na excomunhão, prisão, tortura e morte de Savonarola.
     Antes, sua sinceridade e guerra declarada à devassidão, desonestidade e hipocrisia já o haviam indisposto seriamente com alguns dos grandes senhores da Itália. Um dos casos mais sérios ocorreu durante uma de suas pregações em Bolonha, quando a mulher de Bentivoglio, um dos homens mais importantes dessa cidade, entrou na igreja provocadoramente, com o intuito de perturbar o pregador e fazê-lo perder o controle do sermão. 
     Imediatamente, e sem medir consequências, Savonarola bradou do alto do púlpito:
     - Vejam aí, irmãos, eis o demônio que vem perturbar a Palavra de Deus.
     A frase ecoou por todo o recinto como uma chicotada. Imediatamente os guardas de João Bentivoglio empunharam as espadas e investiram contra o pregador, mas foram interceptados pela maioria dos que ouviam a pregação. 
     Savonarola escapou milagrosamente de morrer naquele instante. Porém, apesar dos conselhos que lhe deram para que fugisse imediatamente de Bolonha, ele permaneceu na cidade até pronunciar ali o seu último sermão, quando, no mesmo lugar onde o haviam ameaçado de morte, falou desafiadoramente:

     "Partirei esta tarde para Florença, sem outra companhia além do meu bordão de peregrino. Alojar-me-ei em Pianora. Se alguém quer ajustar contas comigo, que venha antes de minha partida. Entretanto, eu não morrerei em Bolonha, mas em outro lugar". 

12 de abril de 2015

João Wycliffe “A Estrela da Manhã da Reforma”.

João Wycliffe é chamado pelos mais respeitados historiadores de “A Estrela da Manhã da Reforma”. Sua vida e obra testificam esta menção honrosa. É impossível compreender a Reforma Protestante sem antes conhecer a vida deste homem.

VIDAWycliffe nasceu, provavelmente, no ano de 1330, em Yorkshire, Inglaterra. foi estudar na Universidade de Oxford, lá ele passou a maior parte da sua vida, estudando e lecionando. Chegou a ser famoso por sua lógica e erudição. Aos 31 anos foi ordenado pela igreja católica, mesmo tendo os estudos como eu principal labor. Em 1372, com 42 anos, recebeu seu doutorado em teologia, já como um reformador doutrinário. Suas convicções e seus escritos causaram inquietação em Oxford. A oposição foi tão forte que em 1381 ele precisou sair de lá, retirando-se para sua paróquia em Lutterworth.




 




  Seu tempo foi extraordinariamente turbulento, não havia nada de pacífico ou sossegado. A Inglaterra estava em guerra com a França. A       peste bubônica tinha devastado um terço da população européia, só em Londres foram mais de cem mil mortes. A igreja católica estava contaminada por imoralidade e obsessão pelo poder. Foi o século chamado de “Cativeiro Babilônico da igreja”, quando o papa residia em Avignon, na França. No final do século, ocorreu o chamado “Grande Cisma”, momento em que houve dois papas ao mesmo tempo, e depois três, cada um alegando ser o papa legítimo e o autêntico sucessor de São Pedro. Tudo isso certamente cooperou para a inquietação de Wycliffe.


Wycliffe desiludiu-se profundamente com o poder, as riquezas, a corrupção e os abusos de autoridade por parte dos líderes da igreja. Portanto, passou a escrever folhetos atacando as autoridades eclesiásticas. Isto agradou a coroa inglesa, que o colocou a seu serviço. Ele defendeu os direitos da Inglaterra em manter suas rendas dentro de suas próprias fronteiras. Insistiu também que se os clérigos não vivessem em um estado de graça, poderiam ter seus dotes removidos pelo poder civil.
 
DOUTRINAS

Muitas foram as contribuições de Wycliffe.

Em primeiro lugar, atacou a autoridade do papa. Ele negou o supremo poder papal da igreja, negou o domínio do papa nas nações, negou o poder do papa em perdoar pecados e, de fato,

Em segundo lugar, se opôs a doutrina da transubstanciação, a qual afirma que o pão e o vinho transformavam-se no corpo e sangue de Cristo no momento da consagração. Ele ensinou a “presença real” de Cristo no Sacramento da Ceia do Senhor, algo que mais tarde foi igualmente defendido por Calvino. Isso causou um tremendo alvoroço e inquietação aos sacerdotes da igreja.
 
Em terceiro lugar, Wycliffe entendeu que “as Sagradas Escrituras são a suprema autoridade para todo cristão e o padrão de fé e de toda a perfeição humana” (OLSON, p. 368). Esta afirmação foi extremamente ousada, pois a igreja católica medieval considerava que a tradição tinha a mesma autoridade das Escrituras, e que a palavra do papa era a própria Palavra de Deus. Se a autoridade saísse das mãos do papa e da tradição, todo o sistema eclesiástico romano ruiria.

Mas ele não parou por aí, afirmou também que as Escrituras são infalíveis, livres de qualquer erro, interpretam a si mesmas, e que o Espírito Santo ilumina a mente dos leitores enquanto lêem e estudam. A crença da época era de que apenas a igreja podia interpretar a Bíblia, tanto que a Escritura permanecia em latim, sendo entendida apenas pelos sacerdotes.

Wycliffe foi o primeiro, em séculos, a ensinar a absoluta autoridade da Escritura, em contraste com o erro papista sobre a autoridade da igreja” (HANKO, p. 122).
A TRADUÇÃO DA BÍBLIA


Por entender que a Bíblia pertence ao povo de Deus, este precisa conhecê-la e estudá-la. Mas o povo não tinha acesso, por não saber o latim e pela escassez de cópias. Resoluto, Wycliffe se empenhou na primeira tradução do Novo Testamento para o inglês. Ele não tinha conhecimento das línguas originais (hebraico, aramaico e grego), portanto usou a versão em latim “Vulgata Latina” para a tradução.

Obviamente, a tradução para o inglês foi proibida e condenada pela igreja. Num Concílio posterior à sua morte, foi decretado que todos os seus escritos fossem queimados.

 
LOLARDOS
As idéias de Wycliffe ganharam adeptos, que foram chamados de lolardos, este grupo começou ainda na Universidade de Oxford. Suas doutrinas eram claras, taxativas e revolucionárias. A Bíblia deveria ser colocada na mão do povo, na linguagem do povo. Eles entendiam a pregação como a principal função dos ministros. Condenaram o celibato, alegando que este produzia imoralidade, aberrações sexuais, abortos e infanticídios. Declararam que o culto às imagens, as peregrinações, as orações em favor dos mortos e a doutrina da transubstanciação não passam de pura magia e superstição.

Foram amplamente perseguidos e queimados. Porém nunca foram completamente aniquilados. Mais tarde, os lolardos misturaram-se com os primeiros protestantes.
 O bispo Courtenay foi um perseguidor atroz de Wycliffe e mais tarde dos lolardos, mas o pré-reformador jamais se intimidou diante das ameaças da igreja de Roma. Em 1381 compareceu novamente diante da corte para ser inquirido por suas declarações contrárias às práticas da igreja. Doze de suas teses reafirmavam que a igreja havia abandonado as escrituras e que conduzia erroneamente seus negócios. As autoridades de Oxford instituíram uma corte formada por 12 mestres para tratar da questão da Eucaristia, e sem sequer mencionar o nome de Wycliffe, condenaram os que declaravam que afirmavam que o pão e o vinho continuavam a ser pão e vinho depois de consagrados, e de que o corpo de Cristo se faz presente apenas figuradamente na eucaristia. Wycliffe, apesar de tudo, continuou a pregar e a lecionar na universidade, mas quando apelou para o concílio real  o duque de Lancaster posicionou-se contra ele e o proibiu de falar sobre a questão da ceia do Senhor na universidade de Oxford. Ele então declarou: “Creio que no fim a verdade prevalecerá”.

MORTE
Dois anos após o seu primeiro derrame, Wycliffe teve outro derrame e morreu, em dezembro de 1384. A igreja não conseguiu condená-lo em vida. No entanto, em 1415, o Concílio de Constança o condenou por 260 pontos de heresia. Foi este Concílio que ordenou que seus escritos fossem queimados.
Por ele ter sido enterrado em solo sagrado, em 1428 o papa ordenou que seus corpo fosse exumado, seus ossos queimados e suas cinzas espalhadas no rio Swift.
Os historiadores Phillip e David Schaff, sobre este fato, escreveram:
“Queimaram seus ossos até as cinzas e as lançaram no rio Swift, um ribeiro vizinho que corre próximo. E assim o ribeiro levou suas cinzas para o Avon; o Avon para o Severn; o Severn para os mares estreitos; e estes para o grande oceano. E então as cinzas de Wycliffe vêm a ser o emblema de sua doutrina que agora é difusa pelo mundo afora” (LAWSON, p. 464-5).

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11 de abril de 2015

O pensamento de Martinho Lutero


 


O melhor nome pelo qual podemos pensar em Deus é Pai. É um nome amoroso, profundo, doce, tocante, pois o nome de pai é, por natureza, repleto de doçura e conforto inato. Assim, também precisamos confessar que somos filhos de Deus, porque por esse nome tocamos nosso Deus de forma mais profunda, já que não existe som mais doce ao pai do que a voz do filho.


Da mesma forma como vamos até o berço tão-somente para encontrar um bebê, também recorremos às Escrituras apenas para encontrar Cristo.
 

A Bíblia é viva, ela fala comigo: tem pés, corre atrás de mim; têm mãos, ela sustenta-me.

A compreensão adequada das Escrituras só ocorre por meio do Espírito Santo.

A liberdade cristã apresenta dois princípios – primeiro: O cristão é SENHOR – ele é o mais livre dos homens e não está sujeito a ninguém; segundo: o cristão é SERVO – é o Servo – é o que tem mais deveres para com os outros e está sujeito a todos. Livre de todos os homens, para ser servidor de todos, eis o fundamento da liberdade cristã. 
A mentira é como a bola de neve: quanto mais rola, tanto mais aumenta.
A música é o melhor refrigério para um desconsolado: por sua causa o coração serena, reconforta-se e renova-se.
A oração é o suor da alma.
De trabalho não há quem morra. De ociosidade sim, porque o homem nasceu para trabalhar como a ave nasceu para voar.


Deus cria a partir do nada. Portanto, enquanto o homem não se reduzir a nada, Deus não poderá fazer nada com ele.
Deus é um forno ardente tão cheio de amor que todo o céu e toda a terra estão envolvidos pelo seu calor.
Deus está mais perto de nós quando pensamos que está bastante distante. 
Deus põe a sua marca em todos quantos Lhe obedecem.
Deus é Castelo Forte e Bom.


Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para a que há de vir.
Minha consciência é escrava da Palavra de Deus. Não desanimes ante uma batalha perdida. Resta-nos sempre a força da oração de onde nascem a esperança e um espírito de resoluta resistência.
Não pode deixar de existir a desigualdade das pessoas. Algumas têm de ser livres, outras servas, umas dirigentes, outras dirigidas.
Não voltar a fazer determinada coisa é a essência do mais verdadeiro arrependimento.
Nas Escrituras, cada florzinha é uma campina.
O pecado é como a barba, reproduz-se, e é preciso cortá-lo continuamente.

Minha consciência é escrava da Palavra de Deus.
 Deve-se doar com a alma livre, simples, apenas por amor, espontaneamente!
Se o negócio do sapateiro é fazer sapatos, o negócio do cristão é orar.
Eu segurei muitas coisas em minhas mãos, e perdi todas elas, mas o que eu tenho colocado nas mãos de Deus, eu ainda possuo.

Os que se amam profundamente, jamais envelhecem; podem morrer de velhice, mas morrem jovens.”
( Martinho Lutero )


“O mundo é como um camponês embriagado; basta ajudá-lo a montar sobre a sela de um lado para ele cair do outro logo em seguida. “


“A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço.”
( Martinho Lutero )


“Jamais alguém se arrependeu de ter-se acostumado a madrugar e a ter-se casado jovem.”


“No casamento, cada pessoa deve realizar a função que lhe compete. O homem deve ganhar dinheiro, a mulher deve economizar.”
( Martinho Lutero )


“Nada se esquece mais lentamente que uma ofensa e nada mais rápido que um favor.”


“Cada coisa que é feita no mundo é feita pela esperança.”
( Martinho Lutero )



No cárcere, sentenciado pelo Papa a ser queimado vivo, João Huss disse: "Podem matar o ganso (na sua língua, 'huss' é ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar". Enquanto caía a neve, e o vento frio uivava como fera em redor da casa, nasceu esse "cisne", em Eisleben, Alemanha, ele recebeu o nome de Martinho Lutero. Cento e dois anos depois de João Huss expirar na fogueira, o "cisne" afixou, na porta da Igreja em Wittenberg, as suas noventa e cinco teses contra as indulgências, ato que gerou a Grande Reforma. João Huss enganara-se em apenas dois anos, na sua predição.
 


Para dar o valor devido à obra de Martinho Lutero, é necessário notar algo das trevas e confusão dos tempos em que nasceu. Calcula-se que, pelo menos, um milhão de albigenses foram mortos na França, a fim de cumprir a ordem do Papa, para que esses "hereges" fossem cruelmente exterminados. Wyclif, "a Estrela da Alva da Reforma", traduzira a Bíblia para a língua inglesa. João Huss, discípulo de Wyclif, morrera na fogueira, na Boêmia, suplicando ao Senhor que perdoasse aos seus perseguidores. Jerônimo de Praga, companheiro de Huss e também erudito, sofrera o mesmo suplício, cantando hinos, nas chamas, até o último suspiro. João Wessália, notável pregador de Erfurt, fora preso por ensinar que a salvação é pela graça; seu frágil corpo fora metido entre ferros, onde morreu quatro anos antes do nascimento de Lutero. Na Itália, quinze anos depois de Lutero nascer, Savonarola, homem dedicado a Deus e fiel pregador da Palavra, foi enforcado e seu corpo reduzido a cinzas, por ordem da Igreja Romana. Em tempos assim, nasceu Martinho Lutero. Como muitos dos mais célebres entre os homens, era de família pobre. Dizia ele: "Sou filho de camponeses; meu pai, meu avô e meu bisavô eram verdadeiros camponeses". Antes de completar vinte e dois anos, dirigiu-se ao convento dos agostinianos e bateu. A porta abriu-se e Lutero entrou. O professor admirado e festejado, a glória da universidade, aquele que passara os dias e as noites curvado sobre os livros, tornara-se irmão agostiniano! O mosteiro dos agostinianos era o melhor dos claustros de Erfurt. Seus monges eram os pregadores da cidade, estimados por suas obras entre os pobres e oprimidos. Nunca houve um monge naquele convento mais submisso, mais devoto, mais piedoso, do que Martinho Lutero. Submetia-se aos serviços mais humildes, como o de porteiro, coveiro, varredor da igreja e das celas dos monges. Não recusava mendigar o pão cotidiano para o convento, nas ruas de Erfurt. Quão grande, porém, era a sua ilusão. Depois de procurar crucificar a carne pelos jejuns prolongados, pelas privações mais severas, e com vigílias sem conta, achou que, embora encarcerado na sua cela, tinha ainda de lutar contra os maus pensamentos. A sua alma clamava: "Dá-me santidade ou morro por toda a eternidade; leva-me ao rio de água pura e não a estes mananciais de águas poluídas; traze-me as águas da vida que saem do trono de Deus!"

Certo dia Lutero achou, na biblioteca do convento, uma velha Bíblia latina, presa à mesa por uma cadeia. Achara, enfim, um tesouro infinitamente maior que todos os tesouros literários do convento. Na leitura da Bíblia achou grande consolação, mas a obra não podia completar-se em um dia. Ficou mais determinado do que nunca a alcançar paz para a sua alma, na vida monástica, jejuando e passando noites a fio sem dormir. Gravemente enfermo, exclamou: "Os meus pecados! Os meus pecados!" Apesar da sua vida ter sido livre de manchas, como ele afirmava e outros testificavam, sentia sua culpa perante Deus, até que um velho monge lhe lembrou uma palavra do Credo: "Creio na remissão dos pecados". Viu então que Deus não somente perdoara os pecados de Daniel e de Simão Pedro, mas também os seus. sua alma porém anelava pela Palavra de Deus, e pelo conhecimento de Cristo.. Sua alma ardia com o fogo dos céus; de todas as partes acorriam multidões para ouvir os seus discursos, os quais fluíam abundante e vivamente do seu coração, sobre as maravilhosas verdades reveladas nas Escrituras.