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8 de março de 2018

Pr Cláudio Duarte 2018 | Aprenda a lidar com você mesmo


PASTOR BRASILEIRO QUE ESTÁ REVOLUCIONANDO A MANEIRA DE MINISTRAR A PALAVRA. ELE CONSEGUE SER SIMPLES, DIRETO E MUITO LEVE, SEMPRE DEIXANDO A ALEGRIA DO SENHOR PERMEAR SUA MENSAGEM. CLÁDIO DUARTE CONSEGUE ANDAR LIVREMENTE PORQUE ELE FOI LIBERTO DO FANTASMA DO AMOR PRÓPRIO E DA BATALHA PELA PRESERVAÇÃO DO EGO.. TRAÍDO PELO ESPOSA, ELE CONSEGUIU PERDOAR E RECOMEÇAR A VIDA AO LADO DE SUA AMADA




Pr Cláudio Duarte 2018 | Aprenda a lidar com você mesmo

6 de abril de 2013

JOSÉ MANUEL DA CONCEIÇÃO - O padre que virou pastor


 

JOSÉ MANUEL DA CONCEIÇÃO
O primeiro pastor ordenado no Brasil
 
 


O primeiro pastor brasileiro foi um padre, que converteu-se ao protestantismo tornando-se pastor da igreja presbiteriana, o primeiro nacional ordenado para tal serviço, o que resultou sua excomunhão pela igreja católica, sentença publicada em um jornal paulista, acompanhada depois da defesa do já então, pastor Manoel da Conceição. Os dois documentos foram depois publicados juntos em uma brochura, no ano de 1867. É este opúsculo que está disponível para download no blog ALMANAQUE DE HISTÓRIA

Este padre católico brasileiro  nos idos de 1864, passava por uma profunda crise espiritual, exatamente a da questão da salvação e do valor meritório das obras. Como Lutero, condenava as indulgências que proporcionavam uma falsa paz, acusando a Igreja pelo seu "sistema de comutação" que "implica e explica a negação da graça de Jesus". Não lhe sendo possível continuar no exercício do ministério, quis abandoná-lo, tendo sido, por sua vontade, dispensado apenas de suas funções propriamente sacerdotais, após o que foi viver como simples particular, em uma pequena casa de campo nos arredores de Rio Claro. Aí foi encontrá-lo o missionário americano Blackford, atraído pela fama do "padre protestante". Este acabou por ceder às suas exortações, batizando-se na Igreja Presbiteriana do Rio em 23 de outubro de 1864.
     

 Eis aqui uma descrição das duas últimas reuniões, feitas por Blackford e conceição, que nos mostra o modo como eram realizadas e como se criou em Brotas o primeiro núcleo protestante verdadeiramente brasileiro: "Na segunda-feira 13 (de novembro) reunimo-nos em casa de Antônio Francisco de Gouvêa, no sítio, com o objetivo de organizar uma igreja. O Sr. Conceição pregou a mais de 30 presentes, após o que fizeram pública profissão de fé e receberam o sacramento do batismo . Era a primeira vez que qualquer deles participava desse sacramento, ou o via. Foram horas de júbilo para o coração dos que participaram e de profunda impressão para os que presenciaram.
      Gradualmente a comunidade de Brotas desenvolveu-se de maneira extraordinária. Em 1867 possuía 61 membros professos, em 1871, 116 (e 123 crianças); em 1874, 140 membros. "Gente da vila e gente dos sítios: . Gente de várias procedências e diversas famílias, espalhadas num raio de dez a quinze léguas por aqueles sertões. A igreja de Brotas foi, durante muito tempo uma das maiores igrejas protestantes do Brasil, ao lado da do Rio.

 
 

Frases

"e temos confiança, e ansiosamente desejamos vê-la progredir, concorrendo com quanto houver em nossas poucas forças para que mais e mais Jesus Cristo ganhe almas para sua glória".


"Nossas poucas forças". Conceição havia dito também "A continuar como nos últimos tempos, antevejo que pouco poderei prestar".
Acabava, realmente, de fazer cinco grandes viagens no decurso de um ano. Seus companheiros de jornada

 

– missionários como Blackford, Chamberlain, Schneider, Simonton, e ainda jovens evangelistas brasileiros ou portugueses como Miguel Torres, Modesto Perestrelo de Barros, Antônio Pedro, José Rodrigues, Carvalhosa – revezavam-se cada vez, à administração, e bem cedo à burocracia. Continuou no seu ministério de apóstolo itinerante.

 

 Os missionários, que, enviando os jovens evangelistas brasileiros a estudar no Rio, haviam-no privado de seus companheiros habituais, tinham outras coisas a fazer que seguir esse nativo, tão independente quanto psicologicamente incompreensível. E assim, daí por diante, Conceição fazia suas viagens de pregação só, como havia feito no começo, quando o acreditavam louco (não se estava, aliás, voltando a essa idéia?).
Nessa divergência, entretanto, havia algo mais profundo que diferenças de temperamento ou técnica missionária. Conceição, cuja experiência religiosa muito se assemelhava à de Lutero, tinha, com relação a questões eclesiásticas, uma posição vizinha à do Reformador. Saído de uma igreja cujo principal defeito fora talvez deixar-se dominar pela organização, sentia bem pouco a necessidade de uma contra-Igreja organizada. Rompendo com Roma como Lutero, almejava, como Lutero, difundir a mensagem de salvação, sem se preocupar muito em destruir instituições para elevar outras. Seu último biógrafo transcreve, a esse respeito, uma página notável que é necessário reproduzir na íntegra: "Se queremos imprudentemente comunicar a homens sem preparatório algum, verdades que lhes são absolutamente incompreensíveis, empregadas desta sorte, falsa e prejudicialmente, não promoveremos assim a ilustração. Ilustrar é conduzir o homem pensador à meditação, para faze-lo valoroso, e capaz de poder por si mesmo descobrir a verdade, que lhe comunicamos.
"Tanto seria loucura, se os pais quisessem insinuar a seus filhos malcriados e fracos as verdades que sabem; quão fátuo querer imbuir adultos sem prévia e conveniente disposição de coisas e princípios, que lhes é impossível compreender".
"Tudo tem seu tempo".
"Há muitos homens incultos que são crianças a muitos respeitos, que devem ser doutrinados com grande circunspecção. Porque o exterminar certos prejuízos e costumes úteis, usos que muitas vezes substituem a verdade mesma, por nenhum modo é isso ilustração; porém leviandade desumana, crueldade inexcedível".


"Respeitem-se, portanto, os costumes e usos antigos do povo, que, em falta de mais profundos esclarecimentos são aptos para guiá-los e contê-los no bem".


"Ó meu Deus! Eu respeitarei a religião do ignorante – a fé daqueles que não tem tantas ocasiões de conhecer-vos, de venerar-vos de um modo mais digno. Jamais servirei à vaidade e presunção, de tal sorte que abale a fé piedosa dos outros com palavras e ações inconsideradas".


Estas palavras, como se disse, "embora dirigidas àqueles que pregam o materialismo em nome da ciência, evidentemente estabelecem um princípio geral de conduta bem definido. Princípio que se opunha ao método dos missionários estrangeiros, preocupados em destruir, como supersticiosos e idólatras, os hábitos religiosos encontrados entre o povo brasileiro – enquanto o primeiro dentre eles, Kidder, fora capaz de receber que esses hábitos denunciavam, e mesmo sustentavam, a existência de uma fé ignorante, mas profunda e sincera.

 

Manifestava-se no Brasil, uma vez mais – depois de Feijó e Kidder – a visão de uma Reforma realmente brasileira, harmonizada com o temperamento e os hábitos do país, visão que, aliada ao seu apego à evangelização itinerante, iria fazer dele "um desconhecido" para seus companheiros e amigos missionários, "que desejavam ajudá-lo, mas não sabiam como".


Não tinha havido um rompimento entre ele e seus companheiros, mas sua missão não era o ministério organizado e a propaganda confessional, à qual se dedicavam então os missionários; nem mesmo se dedicava mais à evangelização itinerante, com auditórios relativamente grandes e representantes de todas as classes. O antigo cura, de boa família, possuidor de grande cultura, dedicava-se agora ao ministério de caridade e instrução religiosa entre os mais humildes. O insigne teólogo, que estava a par da literatura espiritual de toda a Europa, comprazia-se com os mais modestos conselhos de higiene como meios de obter a paz da alma. Comovente declínio de um homem que experimentara até o paroxismo, todas as lutas do espírito. Essa mesma humildade levava-o a viver essa "vida pobre" que se aproxima de São Francisco de Assis, e da qual o protestantismo brasileiro guardou admirativa memória, mesclada de alguma surpresa.


"Chegando a um sítio, diz o major Fausto de Souza, se resolvia a ter aí alguma permanência, ele procurava alguma choça ou telheiro que lhe servisse de abrigo, às vezes mesmo edificado por suas mãos e coberto de ramos; se, porém, sua demora era passageira, ele pedia hospedagem em qualquer casa, preferindo as de modesta aparência; e, antes de sair dela, procurava dar um sinal de seu reconhecimento, servindo de enfermeiro a algum doente, consolando tristezas ou mesmo prestando vários serviços humildes, como varrer, lavar, etc., etc.


"... Sua frugalidade era tal que com qualquer coisa se satisfazia durante o dia inteiro: uns ovos, leite, um pouco de farinha de milho ou de mandioca, ervas, café e açúcar, constituíam quase sempre o seu alimento. Desses gêneros, os que lhe davam agradecia com humildade; mas se assim não acontecia, também não os pedia, mas comprava-os em pequena quantidade, à proporção que deles necessitava, porque, conformando-se com a ordem dada por Jesus Cristo aos apóstolos, ele não possuía alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem calçado, nem bordão, e mesmo o dinheiro que levava para o seu parco sustento limitava-se a alguns tostões".


Esta vida de pregador solitário durou quatro anos. Quatro anos durante os quais Conceição pregava aos arrieiros e viajantes que encontrava, aos pobres em cuja casa residia e dos quais cuidava, vítima muitas vezes de sevícias por parte de populações fanáticas, outras vezes considerando taumaturgo e obrigado a subtrair-se a uma espécie de culto.


Tendo agradecido aos que o haviam socorrido, pediu que o deixassem "só com seu Deus" e morreu, tendo adormecido, ao que parece, por volta do fim da missa da noite de Natal.


O protestantismo brasileiro teve, em Conceição – que abriu seus caminhos e nimbou seus primórdios de uma auréola mística – um santo. província.
Em 1844, foi ordenado padre da igreja romana, e pelo espaço de 18 anos exerceu o cargo de pároco em diversos lugares de sua província natal.


Ele possuía, em alto grau as características tão essenciais para o ministério sagrado, uma profunda e viva simpatia com seus semelhantes; e em toda parte onde andava, foi admirado e amado pelo povo. Ele foi com justiça considerado um dos maiores ornamentos da tribuna sagrada da diocese S. Paulo.
Seu espírito esclarecido e reto não podia porém conciliar os dogmas e a prática da Igreja Católica Apostólica Romana com a luz do evangelho, que seus estudos lhe traziam, e depois de uma renhida luta espiritual por alguns anos, decidiu-lhe em 1864 a tudo abandonar por amor da verdade. Em setembro desse ano participou ao bispo de S. Paulo, a sua retirada definitiva da igreja romana e a sua renúncia dos cargos que nela tinha exercido.



Em dezembro de 1865, foi ordenado ministro do Evangelho pelo Presbitério do Rio de Janeiro, reunido na cidade de São Paulo. Tornando-se o primeiro pastor Presbiteriano Nacional.
Poucos meses depois, empreendeu de motu-próprio, o que era seu trabalho predileto, andar de casa em casa e de lugar em lugar anunciando aos homens a boa nova de salvação de graça por nosso Senhor Jesus Cristo.
E até o fim de sua vida, umas vezes a cavalo outras vezes a pé, prosseguiu, como podia, nesta sua nobre missão.
Seus colegas e amigos, muitas vezes instavam com ele para aceitar algum outro emprego ou modo de trabalho mais compatível com as suas forças. Ele, porém, não quis anuir.
Muitas cidades, vilas e arraiais e milhares de pessoas nas províncias de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, foram testemunhas da fidelidade, zelo e fervor com que ele pregava Cristo crucificado como único Redentor.
Ele semeou a boa semente, da qual haverá no Brasil e no céu uma imensa colheita.


José Manoel da Conceição padecia, havia muitos anos de uma grave enfermidade, que as vezes, o incapacitava por dias e semanas inteiras para qualquer serviço.
prática do romanismo.
Boanerges Ribeiro comentando a Resposta de Conceição, resume: "É sintético, claro, elegante, vigoroso, bíblico. Atinge o romanismo no coração, a missa, que enseja o sacerdócio, o qual detém os sacramentos pelos quais manipula os benefícios da expiação feita no Calvário e conserva cativos os católicos romanos." (Boanerges Ribeiro, José Manoel da Conceição e a Reforma Evangélica, p.68).


O próprio Conceição finca as estacas: "Os pontos fundamentais desta exposição do plano da nossa redenção são três:
1º Pela morte da cruz Jesus Cristo pagou a dívida dos que se salvam, e por conseguinte estes não Têm de fazer expiação por si mesmos, nem o sacrifício de Cristo se repete.
2º A condição de alguém ter o proveito desse pagamento é de sua parte. A salvação é um dom concedido de graça aos que crêem no Filho de Deus.
3º O dom do Espírito Santo acompanha a remissão dos pecados; ele é o autor na nova vida interior em que consiste a essência do Cristianismo. Ele é o santificador; e os sacramentos, a oração, a leitura e meditação das palavras de Deus são meios cuja utilidade da sua colaboração."


Ele argumenta e prova, que a seita romana alterou fundamentalmente alguns pontos. Em sua exposição, Conceição revela o quanto ele tinha uma visão Reformada das Escrituras. Os pontos mencionados são estes: "1º Ela contesta e nega suficiência da expiação feita sobre a cruz. (...) 2º O segundo ponto alterado radicalmente, versa sobre as condições indispensáveis a fim de que os homens tenham o proveito do pagamento feito por Cristo. (...) 3º O terceiro ponto fundamental, que no ensino da Igreja Romana está radicalmente alterado é a doutrina do Espírito Santo." 

 

Segundo ele: "Não há reforma possível que não comece por reafirmar: 1º que Cristo foi crucificado uma só vez no Calvário é a única e suficiente expiação pelo pecado, e já não há mais oferenda pelo pecador; 2º que os méritos de Cristo estão ao alcance de toda a alma contrita e crente; 3º que a essência de uma vida cristã está na reabilitação do homem interior, e não há força capaz de efetuar tal transformação exceto o Espírito de Deus, com quem estamos em contato imediato. Pedindo, receberemos; buscando, acharemos; batendo, abrir-se-nos-á." (José Manoel da Conceição, Sentença de Excomunhão e Sua Resposta, p. 26).
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25 de julho de 2012

GEORGE BUTLER


George W. Butler, natural da Geórgia, estudou medicina em Baltimore e chegou ao Brasil em 1883, como médico missionário da Igreja Presbiteriana do sul dos Estados Unidos. Era casado com a Sra. Rena Humphrey Butler. Após um estágio de dois anos em Recife, transferiram-se em maio de 1885 para São Luís do Maranhão. A primeira pessoa convertida e batizada pelo Dr. Butler foi uma senhora da alta sociedade local, D. Maria Bárbara Belfort Duarte, esposa de um parlamentar e tribuno do império. A igreja de São Luís foi organizada em junho de 1886 e em julho do ano seguinte foi inaugurado o seu templo. Obreiro consagrado e grande evangelista, o trabalho do Rev. Butler estendeu-se pelo interior do Maranhão e ao estado vizinho do Piauí.
Em 1893, o Rev. Butler foi transferido para Recife, substituindo-o em São Luís o Rev. Belmiro de Araújo César. No ano seguinte, o casal Butler foi residir em Garanhuns, onde a obra evangélica fora iniciada recentemente, debaixo de violenta perseguição. Em janeiro de 1895 foram batizados os primeiros conversos (quinze pessoas), entre os quais Jerônimo Gueiros. Eventualmente, muitos membros dessa importante família iriam filiar-se à igreja presbiteriana. As perseguições continuavam: a casa do Dr. Butler, onde se realizavam os cultos, era constantemente apedrejada. Sua esposa tinha de colocar os filhos debaixo de uma mesa para protegê-los das pedras arremessadas no telhado. O grande adversário dos evangélicos foi um frade salesiano, cujo secretário, Constâncio Homero Omegna, converteu-se e veio a ser grande pastor, educador e musicista na Igreja Presbiteriana.
Naquela época, houve uma epidemia de febre amarela em Ganharuns que ceifou a vida de mais de 800 pessoas. Butler desdobrou-se no atendimento aos enfermos. Quando cessou a epidemia, o missionário era estimado e respeitado por todos. Seu trabalho evangelístico produziu muitos frutos em toda a região. Garanhuns tornou-se um centro irradiador da fé evangélica. Butler construiu o templo local, uma escola paroquial (origem do Colégio Quinze de Novembro) e contribuiu para a criação de um curso teológico que mais tarde viria a ser o Seminário Presbiteriano do Norte.
Em dezembro de 1896, o Dr. Butler defendeu tese na Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia (Salvador) para poder clinicar no Brasil. Pouco depois, mudou-se para Canhotinho, a cerca de 25 km de Garanhuns, onde passaria o restante da sua vida. Em março de 1898, ao visitar a cidade de São Bento do Una, encontrou forte oposição clerical. No dia 5, quando ele e seus companheiros saíam da cidade, um homem tentou matá-lo, mas o punhal atingiu o Sr. Manoel Correia Vilela (conhecido como Né Vilela), que morreu imediatamente. Anos mais tarde, o Dr. Butler transferiu para o novo templo de Canhotinho os restos mortais daquele amigo que morrera para salvá-lo.
O trabalho missionário e médico de Butler continuou a expandir-se nos vinte anos seguintes. Sua fama de grande médico e cirurgião atraía pessoas de 500 km ao redor, a quem ele atendia mediante modesto pagamento ou gratuitamente, das 6 horas da manhã às 11 da noite. Quase todos os dias fazia cinco a dez operações, geralmente muito bem sucedidas. Era admirado como evangelista e pregador, e também como um homem de oração. Além do grande templo de Canhotinho, construiu um colégio e um hospital. O Rev. George Butler faleceu em 27 de maio de 1919. No dia seguinte, ao ser sepultado, todo o comércio da cidade fechou as portas espontaneamente. Esse homem de Deus deixou solidamente implantada a fé evangélica no Agreste pernambucano e estabeleceu em Garanhuns o grande centro irradiador onde se formaram pastores para todo o norte e nordeste do Brasil.

1 de setembro de 2011

MANOEL DE MELO


O Brasil para Cristo
O pai era João de Mello Silva, brasileiro, descendente de brasileiros; casado com Doralina Soares da Silva, brasileira de descendência holandesa.
Em meio a esta família, a 20 de Agosto de 1929, nasceu uma criança a quem foi dado o nome de Manoel de Mello e Silva, comumente chamado pelo apelido de "Neco". Manoel de Mello teve em sua infância um desenvolvimento normal e próximo aos 4 anos de idade, "Seu João", católico nominal, pensou em batizá-lo, arrumando até o padrinho para o evento. Porém, sua mãe, cristã convicta, instruía o menino no caminho de Deus.
No dia marcado pelo seu pai para o encontro com seu "padrinho", ocorreu uma surpresa a todos que estavam na imensa sala da família Mello. Quando seu padrinho perguntou a Manoel se ele estava feliz por ser batizado, ganhar um terno novo ir a Igreja à cavalo e ver a missa e o Padre, este respondeu: "O senhor meu pai sabe que eu sou quente (crente), e se me levarem para batizar eu falo pro Padre que sou quente, quente, quente, quente!!!!!.... Junto com esta declaração enfática, do menino Manoel, vieram batidas firmes de pés no chão, e um dedo apontado para o rosto do padrinho, o que criou um clima intranqüilo para seu pai e o padrinho, mas de grandesatisfação para sua mãe.

Manoel de Mello crescia e interessava-se pelas coisas de Deus. Aos 9 anos de idade foi batizado com o Espírito Santo, e já sabia de cor mais de uma centena de hinos, além de recitar vários Salmos e diversas passagens da Palavra de Deus. Depois dos 11 anos, pregava para auditórios de 100 pessoas, que eram sacudidas pelo poder de Deus que fluía de sua mensagem, o que veio a provocar certo ciúmes a pregadores mais idosos da igreja. Como pregador, suas mensagens voltavam-se de forma especial para o poder da fé e os milagres operados por Jesus e pelos Apóstolos.
Aos 14 anos de idade, Mello interessou-se em sua vida secular, pelo ofício da Construção Civil, havendo se especializado nesta área.

Aos 18 anos de idade, Manoel de Mello viajou para a cidade de São Paulo, onde de início já passou por algumas dificuldades. Porém, fez amizades lá, e vencendo as barreiras, agregou-se na Igreja Evangélica Assembléia de Deus, onde foi consagrado Diácono. De dia trabalhava como Mestre de Obras, e à noite, pregava nos templos daquela denominação.
Mas, Deus tinha planos para a vida daquele homem que ele sequer imaginava! Com o decorrer do tempo, o Diácono Manoel de Mello, foi sendo aquecido pelo Espírito Santo em sua fé. Com 22 anos, em 1951, casou-se com Ruth Lopes, e dessa união nasceram Boaz Alberto e Paulo Lutero.
Em 1952, Manoel de Mello foi surpreendido por uma enfermidade mortal (paralisia intestinal), que em menos de uma semana fez com que seus parentes e amigos o considerassem como morto. Mas ele foi ungido com óleo, conforme a ordenança bíblica de Tiago 5.14-15, e após a oração da fé, foi milagrosamente curado, tendo sua saúde restabelecida por Deus. Este acontecimento fortaleceu a sua fé, e o tornou convicto da operosidade dos dons espirituais, característica marcante que acompanhou todo o seu ministério, principalmente na área de cura divina e sinais e maravilhas.

Depois de ter sido curado da paralisia intestinal, Manoel viu-se impedido de continuar suas atividades seculares, e passou a dedicar-se exclusivamente à pregação do Evangelho e ao ministério. Muitos levantaram-se tentando impedi-lo de sua iniciativa, inclusive dentro da própria denominação que pertencia. Alguns por não concordarem com sua linha doutrinária de pensamento, baseada nos dons do Espírito Santo, e nos milagres operados por Jesus e os Apóstolos, e outros por ciúmes.
Hoje, vários pastores nos contam, segundo a tradição oral, que muitas vezes na igreja, durante campanhas de missionários e pregadores famosos, muitos dos quais estrangeiros; no momento da oração, o povo muitas vezes clamava: "Nós queremos a oração do Diácono Manoel de Mello!". E, quando ele orava, os milagres aconteciam de forma extraordinária. Manoel de Mello também passou a ser perseguido por muitos de fora, incrédulos do poder de Deus e motivados pelo inimigo.
A intensa perseguição o levou a realizar períodos de intensos jejuns e orações que entravam pelas madrugadas. Estudou a vida de famosos pregadores e analisou detalhadamente os grandes movimentos de reavivamento espiritual ocorridos no mundo. Foi ordenado ministro pela Corporação Evangélica Four Square, com sede nos Estados Unidos, e em 1955 teve uma visão de Deus que o próprio Manoel de Mello narra: "Em 1.955 tive uma visão espiritual na qual o Senhor Jesus me apareceu e me deu ordens para começar, no Brasil, um movimento de Reavivamento Espiritual, Evangelização e Cura Divina, e o Senhor Jesus mesmo deu-me o nome: "O BRASIL PARA CRISTO". Obedeci a ordem. Aleluia!

Comecei o movimento. Companheiros e companheiras do mesmo ideal do Evangelho uniram-se a mim na grande jornada. Naquela visão Jesus me revelou que todos que cooperassem comigo na Obra que iria fazer de maneira nenhuma perderiam seu galardão, então abrimos milhares de igrejas de norte a sul do Brasil..."
Sem dúvida alguma começava no Brasil o maior movimento de Evangelização e Reavivamento Espiritual de toda a América Latina, o movimento chamado de: "O BRASIL PARA CRISTO", uma das maiores expressões da Igreja Pentecostal no Brasil.
O Missionário Manoel de Mello firmou-se então como autêntico líder do Pentecostalismo no Brasil, chegando a reunir em suas campanhas até 200.000 pessoas em algumas reuniões, fato que lhe custou alto preço - Foi preso 27 vezes, acusado de curandeirismo pelas curas que aconteciam em seus cultos, por causa do seu ponto de vista não conformista e especialmente por seus pronunciamentos proféticos.
O Ministro Evangélico Manoel de Mello foi um líder popular de grande penetração entre as massas, promoveu grandes concentrações evangelísticas em todos os estados do Brasil, principalmente em São Paulo. Chegou até mesmo a lotar o Estádio do Pacaembu, numa gigantesca concentração. Em abril de 1.976, na Sexta-Feira da Paixão, reuniu cerca de 30.000 pessoas nas dependências do Grande Templo.


Porém, Manoel de Mello, não se deteve só no Brasil, mas viajou para todos os continentes realizando conferências em 133 países, em igrejas, universidades, simpósios e convenções. Pregou para reis, rainha da Inglaterra, duas vezes para o presidente dos Estados Unidos dentro de sua própria sala, primeiro ministro da Alemanha, entre outros. Foi entrevistado pela cadeia de televisão CBS americana, BBC londrina, além de vários outros veículos de comunicação internacionais, como a televisão sueca, a alemã, os jornais "New York Times" e o "Le Monde".
Aqui no Brasil, vários órgãos da imprensa deram cobertura às suas atividades evangelísticas. Por estas mesmas atividades recebeu o prêmio de religião como o pregador que mais se destacou no ano de 1.972, concedido pela Fundação Edward Browning e representado pelo troféu Browning. Em 1.978 recebeu o título de: "O Bandeirante do Brasil Presente", concedido pelo INEC (Instituto Nacional de Expansão Cultural). Em 07 de outubro de 1.981 foi entrevistado pela revista Veja, cujo assunto foi: " Pentecostais - O Milagre da Multiplicação" (Capa da Revista). 

Era um homem avançado para o seu tempo.
Manoel de Mello sempre foi um homem voltado para a elevação do espírito, para o bem-estar do homem e principalmente a salvação que o Senhor Jesus Cristo pode proporcionar a todos quantos se entregarem a Ele. Manoel de Mello e Silva, um nome que sempre ficará gravado nos anais da história e nos corações do povo evangélico do Brasil e até mesmo do mundo, um homem que fez muito pela causa de Cristo aqui na terra mas, no dia 05 de maio de 1.990 o Senhor o recolheu.
Que possamos ter em nossos corações e em nossas mentes, o desejo e a determinação que este grande servo do Senhor tinha ao gritar nas praças de São Paulo e de todo Brasil "VAMOS GANHAR O BRASIL PARA CRISTO".
MARANATA, Ora vem Senhor Jesus. Amém!

Pastorzico.blogspot.com.br

O primeiro culto oficial do Movimento foi no dia 03 de março de 1956, no bairro de Pirituba, em São Paulo, e o objetivo era ganhar o Brasil para Cristo.
O Missionário Manoel de Mello, dotado pelo Espírito Santo de autoridade espiritual e de um carisma inigualável, atraía milhares de pessoas para ouvir a mensagem do evangelho.
Combatia a idolatria e a feitiçaria. Orava pelos enfermos e eles eram curados em nome de Jesus. Paralíticos andavam, cegos enxergavam, surdos passavam a ouvir.
Milhares de pessoas aceitavam a Jesus como seu Salvador. Foi Pioneiro no rádio e na televisão, pregando em locais antes inimagináveis no meio evangélico, como em cinemas, teatros, ginásios e estádios de futebol.
As perseguições não tardaram e como conseqüência Tendas foram queimadas e nosso Tabernáculo derrubado. O Missionário foi preso e detido diversas vezes durante a sua vida, por pregar o evangelho e por não se calar diante das injustiças. Mas o grande arrebatador de almas não se abatia. Em São Paulo lotou o Estádio do Pacaembu pela primeira vez em maio de 1958, levando milhares de pessoas a ouvirem a mensagem da Salvação.
A verdadeira revolução que o Missionário Manoel de Mello estava causando começou a chamar a atenção de pastores do Brasil inteiro, que o procuravam querendo se unir a ele, entre eles o Pastor Aldor Peterson na Bahia, o Pastor Boanerges G. Figueiredo, no Rio Grande do Norte, o Pastor Ademar de Souza Mello, no Recife, o Pastor Manoel Messias, no Sergipe, o Pastor Gildo de Araújo, no Rio de Janeiro, o Pastor Jahir Dietrich, no Paraná, o Pastor Olavo Nunes, no Rio Grande do Sul, entre dezenas de outros pastores nos diversos estados.
O Missionário empreendeu inúmeras campanhas de evangelização nos diversos estados brasileiros, reunindo sempre milhares de pessoas.
Tornou-se o pregador brasileiro mais conhecido e respeitado no exterior, onde pregou em dezenas de países. Entrevistado por famosos jornais e televisões do mundo, foi o primeiro ministro evangélico a ser capa da Revista Veja.

Levantou a sua voz contra as injustiças sociais e denunciou em fóruns internacionais os descalabros do regime militar brasileiro, o que motivou algumas de suas detenções. Com a sua influência elegeu representantes para as Assembléias Legislativas e para a Câmara Federal.
O Missionário construiu em São Paulo a Igreja da Pompéia, Sede Nacional da Obra e o maior Templo Evangélico do mundo durante muitos anos, inaugurado em julho de 1979.
Sob a sua liderança a igreja se instalou e cresceu em todo o país e na década de 60 percebeu-se a necessidade de tornar-se organização. A primeira Diretoria Oficial e o primeiro Conselho Deliberativo foram formados, sob a presidência do Missionário.
Em 1974, o Missionário convocou uma Assembléia Nacional, realizada na Sede da Pompéia, ocasião em que a Igreja passou oficialmente a ser denominada Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo.
Nessa ocasião a Convenção Nacional foi organizada e também o Conselho Deliberativo, órgão diretivo e administrativo da Convenção Nacional, ambos sob a presidência do Missionário Manoel de Mello. As Convenções Estaduais e Regionais começaram a ser implantadas a partir dessa data.
Em 1976 o Missionário nomeou o querido amigo Pastor Olavo Nunes para sucedê-lo na presidência da Convenção Nacional. Para a gestão seguinte nomeou o Pastor Ivan Nunes. Em 1986 uma nova Assembléia Nacional transformou a Convenção Nacional em Conselho Nacional e extinguiu o Conselho Deliberativo. A presidência do Conselho Nacional passou a ser eleita mediante votação, ficando o Pastor Ivan Nunes como Presidente na gestão de 1986 a 1989. O Pastor Orlando Silva foi eleito para a presidência do Conselho Nacional na gestão de 1989 a 1999. O Pastor Roberto de Lucena foi eleito para a gestão de 1999 a 2005. Em 2005, o Pastor Orlando Silva foi novamente eleito para assumir a presidência.
O Missionário Manoel de Mello manteve-se como líder espiritual da obra até 1990, quando Deus o chamou no dia cinco de maio.
Hoje a igreja está organizada em 20 Convenções Estaduais e Regionais, com milhares de membros, igrejas e pastores.
Neste ano de 2006, para a Glória de Deus, estamos comemorando juntos os nossos 50 anos de lutas e de vitórias.

19 de agosto de 2011

João Ferreira de Almeida, o abençoado tradutor que traduziu a bíblia para o português

JOAO FERREIRA DE ALMEIDA O grande tradutor da biblia em português "Conhecido pela autoria de uma das mais lidas traduções da Bíblia em português, ele teve uma vida movimentada e morreu sem terminar a tarefa que abraçou ainda muito jovem." Entre a grande maioria dos evangélicos do Brasil, o nome de João Ferreira de Almeida está intimamente ligado às Escrituras Sagradas. Afinal, é ele o autor (ainda que não o único) da tradução da Bíblia mais usada e apreciada pelos protestantes brasileiros. Disponível aqui em duas versões publicadas pela Sociedade Bíblica do Brasil - a Edição Revista e Corrigida e a Edição Revista e Atualizada - a tradução de Almeida é a preferida de mais de 60% dos leitores evangélicos das Escrituras no País, segundo pesquisa promovida por A Bíblia no Brasil (ver número 158). Se a obra é largamente conhecida, o mesmo não se pode dizer a respeito do autor. Pouco, ou quase nada, se tem falado a respeito deste português da cidade de Torres de Tavares, que morreu há 300 anos na Batávia (atual ilha de Java, Indonésia). O que se conhece hoje da vida de Almeida está registrado na "Dedicatória" de um de seus livros e nas atas dos presbitérios de Igrejas Reformadas (Presbiterianas) do Sudeste da Ásia, para as quais trabalhou como pastor, missionário e tradutor, durante a segunda metade do século XVII. De acordo com esses registros, em 1642, aos 14 anos, João Ferreira de Almeida teria deixado Portugal para viver em Málaca (Malásia). Ele havia ingressado no protestantismo, vindo do catolicismo, e transferia-se com o objetivo de trabalhar na Igreja Reformada Holandesa local. Tradutor aos 16 anos Dois anos depois, começou a traduzir para o português, por iniciativa própria, parte dos Evangelhos e das Cartas do Novo Testamento em espanhol. Além da Versão Espanhola, Almeida usou como fontes nessa tradução as Versões Latina (de Beza), Francesa e Italiana - todas elas traduzidas do grego e do hebraico. Terminada em 1645, essa tradução de Almeida não foi publicada. Mas o tradutor fez cópias à mão do trabalho, as quais foram mandadas para as congregações de Málaca, Batávia e Ceilão (hoje Sri Lanka). Mais tarde, Almeida tornou-se membro do Presbitério de Málaca, depois de escolhido como capelão e diácono daquela congregação. No tempo de Almeida, um tradutor para a língua portuguesa era muito útil para as igrejas daquela região. Além de o português ser o idioma comumente usado nas congregações presbiterianas, era o mais falado em muitas partes da Índia e do Sudeste da Ásia. Acredita-se, no entanto, que o português empregado por Almeida tanto em pregações como na tradução da Bíblia fosse bastante erudito e, portanto, difícil de entender para a maioria da população. Essa impressão é reforçada por uma declaração dada por ele na Batávia, quando se propôs a traduzir alguns sermões, segundo palavras, "para a língua portuguesa adulterada, conhecida desta congregação". Perseguido pela Inquisição, ameaçado por um elefante O tradutor permaneceu em Málaca até 1651, quando se transferiu para o Presbitério da Batávia, na cidade de Djacarta. Lá, foi aceito mais uma vez como capelão, começou a estudar teologia e, durante os três anos seguintes, trabalhou na revisão da tradução das partes do Novo Testamento feita anteriormente. Depois de passar por um exame preparatório e de ter sido aceito como candidato ao pastorado, Almeida acumulou novas tarefas: dava aulas de português a pastores, traduzia livros e ensinava catecismo a professores de escolas primárias. Em 1656, ordenado pastor, foi indicado para o Presbitério do Ceilão, para onde seguiu com um colega, chamado Baldaeus. Ao que tudo indica, esse foi o período mais agitado da vida do tradutor. Durante o pastorado em Galle (Sul do Ceilão), Almeida assumiu uma posição tão forte contra o que ele chamava de "superstições papistas", que o governo local resolveu apresentar uma queixa a seu respeito ao governo de Batávia (provavelmente por volta de 1657). Entre 1658 e 1661, época em que foi pastor em Colombo, ele voltou a enfrentar problemas com o governo, o qual tentou, sem sucesso, impedi-lo de pregar em português. O motivo dessa medida não é conhecido, mas supõe-se que estivesse novamente relacionado com as idéias fortemente anti-católicas do tradutor. A passagem de Almeida por Tuticorin (Sul da Índia), onde foi pastor por cerca de um ano, também parece não ter sido das mais tranqüilas. Tribos da região negaram-se a ser batizadas ou ter seus casamentos abençoados por ele. De acordo com seu amigo Baldaeus, o fato aconteceu porque a Inquisição havia ordenado que um retrato de Almeida fosse queimado numa praça pública em Goa. Foi também durante a estada no Ceilão que, provavelmente, o tradutor conheceu sua mulher e casou-se. Vinda do catolicismo romano para o protestantismo, como ele, chamava-se Lucretia Valcoa de Lemmes (ou Lucrecia de Lamos). Um acontecimento curioso marcou o começo de vida do casal: numa viagem através do Ceilão, Almeida e Dona Lucretia foram atacados por um elefante e escaparam por pouco da morte. Mais tarde, a família completou-se, com o nascimento de um menino e de uma menina. Idéias e personalidade A partir de 1663 (dos 35 anos de idade em diante, portanto), Almeida trabalhou na congregação de fala portuguesa da Batávia, onde ficou até o final da vida. Nesta nova fase, teve uma intensa atividade como pastor. Os registros a esse respeito mostram muito de suas idéias e personalidade. Entre outras coisas, Almeida conseguiu convencer o presbitério de que a congregação que dirigia deveria ter a sua própria cerimônia da Ceia do Senhor. Em outras ocasiões, propôs que os pobres que recebessem ajuda em dinheiro da igreja tivessem a obrigação de freqüentá-la e de ir às aulas de catecismo. Também se ofereceu para visitar os escravos da Companhia das Índias nos bairros em que moravam, para lhes dar aulas de religião - sugestão que não foi aceita pelo presbitério - e, com muita freqüência, alertava a congregação a respeito das "influências papistas". Ao mesmo tempo, retomou o trabalho de tradução da Bíblia, iniciado na juventude. Foi somente então que passou a dominar a língua holandesa e a estudar grego e hebraico. Em 1676, Almeida comunicou ao presbitério que o Novo Testamento estava pronto. Aí começou a batalha do tradutor para ver o texto publicado - ele sabia que o presbitério não recomendaria a impressão do trabalho sem que fosse aprovado por revisores indicados pelo próprio presbitério. E também que, sem essa recomendação, não conseguiria outras permissões indispensáveis para que o fato se concretizasse: a do Governo da Batávia e a da Companhia das Índias Orientais, na Holanda. Exemplares destruídos Escolhidos os revisores, o trabalho começou e foi sendo desenvolvido vagarosamente. Quatro anos depois, irritado com a demora, Almeida resolveu não esperar mais - mandou o manuscrito para a Holanda por conta própria, para ser impresso lá. Mas o presbitério conseguiu parar o processo, e a impressão foi interrompida. Passados alguns meses, depois de algumas discussões e brigas, quando o tradutor parecia estar quase desistindo de apressar a publicação de seu texto, cartas vindas da Holanda trouxeram a notícia de que o manuscrito havia sido revisado e estava sendo impresso naquele país. Em 1681, a primeira edição do Novo Testamento de Almeida finalmente saiu da gráfica. Um ano depois, ela chegou à Batávia, mas apresentava erros de tradução e revisão. O fato foi comunicado às autoridades da Holanda e todos os exemplares que ainda não haviam saído de lá foram destruídos, por ordem da Companhia das Índias Orientais. As autoridades Holandesas determinaram que se fizesse o mesmo com os volumes que já estavam na Batávia. Pediram também que se começasse, o mais rápido possível, uma nova e cuidadosa revisão do texto. Apesar das ordens recebidas da Holanda, nem todos os exemplares recebidos na Batávia foram destruídos. Alguns deles foram corrigidos à mão e enviados às congregações da região (um desses volumes pode ser visto hoje no Museu Britânico, em Londres). O trabalho de revisão e correção do Novo Testamento foi iniciado e demorou dez longos anos para ser terminado. Somente após a morte de Almeida, em 1693, é que essa segunda versão foi impressa, na própria Batávia, e distribuída. Ezequiel 48.21 Enquanto progredia a revisão do Novo Testamento, Almeida começou a trabalhar com o Antigo Testamento. Em 1683, ele completou a tradução do Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento). Iniciou-se, então, a revisão desse texto, e a situação que havia acontecido na época da revisão do Novo Testamento, com muita demora e discussão, acabou se repetindo. Já com a saúde prejudicada - pelo menos desde 1670, segundo os registros --, Almeida teve sua carga de trabalho na congregação diminuída e pôde dedicar mais tempo à tradução. Mesmo assim, não conseguiu acabar a obra à qual havia dedicado a vida inteira. Em 1691, no mês de outubro, Almeida morreu. Nessa ocasião, ele havia chegado até Ezequiel 48.21. A tradução do Antigo Testamento foi completada em 1694 por Jacobus op den Akker, pastor holandês. Depois de passar por muitas mudanças, ela foi impressa na Batávia, em dois volumes: o primeiro em 1748 e o segundo, em 1753.