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22 de junho de 2021

ANDREW MURRAY - HUMILDADE É A BELEZA MAIOR DO CRISTÃO

 

 

HUMILDADE - A BELEZA DA SANTIDADE

 Título do original em inglês: Humility - The Beauty of Holiness

livro de Andrew Murray


Não é apenas porque a conexão entre a humildade e o pecado seja tão abundantemente destacada em todo ensino religioso, mas porque creio que para a plenitude da vida cristã é indispensável 

que a proeminência seja dada a este outro aspecto. Se Jesus deve realmente ser nosso exemplo em Sua humildade, precisamos entender os princípios em que isso é baseado e nos quais encontramos o terreno comum no qual estamos com Ele.

Humildade é estar revestido com a própria beleza e bem-aventurança do céu e de Jesus. Veremos que, assim como Jesus encontrou Sua glória tomando a forma de um servo, então, quando disse: "Quem quiser tornar-se grande entre vós, esse será o que vos sirva", Ele simplesmente nos ensinou a verdade abençoada de que não há nada tão divino e celestial como ser um servo e ajudador de todos.

 O servo fiel que reconhece sua posição encontra um prazer real em suprir os desejos do mestre ou de seus convidados. Quando vemos que a humildade é algo infinitamente mais profundo do que contrição, e a aceitamos como nossa participação na vida de Jesus, então, começaremos a aprender que ela é nossa verdadeira nobreza, e que provar isso sendo servos de todos é o mais elevado cumprimento de nosso destino como homens criados à imagem de Deus.

Quando olho para trás, em minha própria experiência religiosa, ou olho ao redor para a Igreja de Cristo pelo mundo, fico preocupado ao considerar quão pouco a humildade é buscada como aspecto distintivo do discipulado de Jesus. Na pregação e no viver, no convívio diário do lar e da vida social, na comunhão mais especial com cristãos, na direção e execução da obra de Cristo, ah! quanta prova há de que a humildade não é considerada a virtude principal, a raiz da qual as graças podem crescer, a única condição indispensável da verdadeira comunhão com Jesus.


O fato de os homens poderem dizer que a afirmação daqueles que dizem estar buscando uma santidade mais elevada não vem acompanhada de um aumento em humildade é um sonoro desafio para todos os cristãos sérios –

A mansidão e humildade de coração são as marcas essenciais pelas quais devem ser conhecidos os que seguem o manso e humilde Cordeiro de Deus.HUMILDADE: A GLÓRIA DA CRIATURA: "E depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as cousas Tu criaste, sim, por causa da Tua vontade vieram a existir e foram criadas" (Apocalipse 4.10c, 11). Quando Deus criou o universo, Ele o fez com o único objetivo de tornar a criatura participante de Sua perfeição e bem-aventurança e, assim, mostrar nela a glória do Seu amor, sabedoria e poder.

A criatura não tem somente de olhar para trás, para a origem e para os primórdios da existência, e reconhecer que todas as coisas vêm de Deus; seu principal cuidado, sua virtude mais elevada, sua única felicidade, agora e por toda a eternidade, é apresentar a si mesma como um vaso vazio, no qual Deus possa habitar e manifestar Seu poder e bondade.


 

 A humildade, o lugar da plena dependência de Deus, é, pela própria natureza das coisas, a primeira obrigação e a virtude mais elevada da criatura, e a raiz de toda virtude.

 

 O orgulho, ou a perda dessa humildade, então, é a raiz de todo pecado e mal. Foi quando os anjos agora caídos começaram a olhar para si mesmos com autocomplacência que foram levados à desobediência, e foram expulsos da luz do céu para as trevas exteriores.


E também foi quando a serpente exalou o veneno do seu orgulho, o desejo de ser como Deus, no coração de nossos primeiros pais, que eles também caíram da sua posição elevada para toda a desgraça na qual o homem está, agora, afundado. No céu e na terra, orgulho — auto-exaltação — é a porta, o nascimento e a maldição do inferno .

Por isso, nossa redenção tem de ser a restauração da humildade perdida, o relacionamento original e o verdadeiro relacionamento da criatura com seu Deus.

 E, portanto, Jesus veio trazer a humildade de volta à terra, fazer-nos participantes dessa humildade e, por ela, nos salvar. Nos céus, Ele se humilhou para tornar-se homem. Nós vemos a humildade Nele ao descer até nós: "a Si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte".


Jesus Cristo tomou o lugar e cumpriu o destino do homem, como uma criatura, por Sua vida de perfeita humildade. Sua humildade é nossa salvação. Sua salvação é nossa humildade. Assim, a vida dos salvos, dos santos, tem necessariamente de exibir o selo de libertação do pecado e plena restauração do seu estado original; todo seu relacionamento com Deus e com o homem tem de ser marcado por uma humildade que a tudo permeia.

 Sem a humildade, não se pode permanecer verdadeiramente na presença de Deus ou experimentar do Seu favor e o poder do Seu Espírito; sem ela não há fé, ou amor, ou regozijo ou força permanentes, a falta de humildade é a suficiente explicação de todo defeito e fracasso. A humildade não é apenas uma graça ou virtude como outras; ela é a raiz de todas, pois somente ela toma a atitude correta diante de Deus, e permite que Ele faça tudo.

O chamado para a humildade tem sido muito pouco considerado na Igreja porque sua verdadeira natureza e importância tem sido muito pouco compreendida. Humildade não é algo que apresentamos para Deus ou que Ele concede; é simplesmente o senso do completo nada-ser que vem quando vemos como Deus verdadeiramente é, e no qual damos caminho a Deus para ser tudo.


Quando a criatura percebe que esta é a verdadeira nobreza, e consente ser com sua vontade, sua mente e seus afetos — a forma, o vaso no qual a vida e a glória de Deus estão para trabalhar e manifestar a si mesmas, ela vê que humildade é simplesmente conhecer a verdade de sua posição como criatura e permitir a Deus ter Seu lugar.

 Na vida dos cristãos sérios, aqueles que buscam e professam a santidade, a humildade tem de ser a marca principal de sua retidão. É frequentemente dito que isso não é assim. Não poderia ser uma razão para isso o fato de que, no ensinamento e exemplo da Igreja, a humildade nunca teve o lugar de suprema importância que lhe pertence?

E que isso, por causa dos anjos, por causa de Jesus, e por causa dos santos nos céus serem tão tão humildes, é  que a primeira e principal marca do relacionamento da criatura, o segredo de sua bem-aventurança, é a humildade e o nada ser que permitem que Deus seja tudo?


Tenho certeza de que há muitos cristãos que confessarão que sua experiência tem sido muito parecida com a minha nisto: que por muito tempo conhecemos o Senhor sem perceber que a mansidão e a humildade de coração devem ser os aspectos distintivos do discípulo assim como foram do Mestre.

O problema do orgulho

E, além disso, que essa humildade não é algo que virá por si mesma, mas deve ser feita o objeto de especial desejo, e oração, e fé e prática. Ao estudar a Palavra, veremos quais instruções distintas e repetidas Jesus deu a Seus discípulos nesse ponto, e como eles eram vagarosos em compreendê-Lo. Vamos, logo no início de nossa meditação, admitir que não há nada tão natural para o homem, nada tão insidioso e oculto de nossa visão, nada tão difícil e perigoso como o orgulho.

Vamos sentir que nada, a não ser uma espera determinada e perseverante em Deus e Cristo revelará como estamos carentes da graça da humildade, e quão débeis somos para obter o que buscamos. Vamos estudar o caráter de Cristo até nossa alma estar cheia de amor e admiração por Sua humildade. E vamos crer que, quando temos a percepção de nosso orgulho e de nossa impotência para expulsá-lo, o próprio Jesus Cristo virá para dar essa graça também como parte de Sua maravilhosa vida dentro de nós.

 

20 de junho de 2021

Whatchman Nee, O GRANDE LÍDER CRISTÃO CHINÊS

 Whatchman Nee

 
 
 
Watchman Nee é considerado um dos mais importantes líderes e pensadores nativos na história do Cristianismo chinês. Há poucos líderes na história do Cristianismo chinês cuja influência é tão prevalecente quanto a de Watchman Nee.
 
 
Nee produziu mais do que 40 volumes de devocionais, sermões, bem como obras teológicas. Seus escritos foram traduzidos para muitos idiomas orientais, tais como japonês, coreano, indonésio, tagalo, bem como para idiomas ocidentais, tais como inglês, francês, espanhol e português. Seus livros continuam a influenciar muitos grupos cristãos, desde grupos carismáticos renovados até igrejas tradicionais por todo o mundo.
Ele é o fundador do“Pequeno Rebanho” [Little Flock], a maior denominação cristã protestante na China na época do regime comunista em 1949. O “Pequeno Rebanho” começou em 1923 com uns poucos membros e em menos de 20 anos cresceu para se tornar uma denominação com mais de 700 congregações e 70.000 membros. Naquele tempo alguns estimam que dentre os aproximadamente 700.000 a 1.000.000 de membros da igreja protestante na China, o “Pequeno Rebanho” tinha 100.000 membros. A despeito dos números, esse movimento cristão de 20 anos de idade provou para si mesmo ser uma tremenda realização. Mesmo debaixo da opressão e perseguição comunista durante os anos 50 e 60, o “Pequeno Rebanho” continuou a crescer. E hoje, o movimento ainda está ativo por toda a China. Além do mais, a teologia, prática e espiritualidade distintiva do “Pequeno Rebanho” está enraizada em muitos círculos cristãos chineses, seja na China ou por todo o mundo.
 
 
OS PONTOS FORTES DA SUA TEOLOGIA
Cristocêntrica: Um dos pontos mais fortes da teologia de Nee é a sua ênfase sobre Cristo. “Além do mais, a ênfase de Nee sobre Cristo oferece nova esperança, força e vitalidade para os cristãos chineses que vivem debaixo de circunstâncias difíceis. Ela continuamente rejuvenesce a força deles, para que possam ser capazes de exercer sua responsabilidade cristã em meio de uma ambiente hostil”. [9]
Sola Scriptura: Durante uma época na qual a Bíblia era tratada de forma cética, os sinceros esforços de Nee para sustentar o princípio reformado do Sola Scriptura deve ser recomendado. [10]
Edificação dos crentes: Nee enfatizou grandemente a edificação dos crentes, o treinamento, o cultivo e o aprofundamento da vida espiritual dos cristãos. Como Stephen Chan escreveu: “Em minha opinião, na obra de pregação do meu tio, ele enfatizou a edificação dos crentes. Sua ênfase em treinar o cristão era igual aos seus esforços evangelísticos. Isso era o que ele e seus cooperadores tinham causado no reavivamento da Igreja Chinesa, diferentemente das características de outros reavivamentos. Outras igrejas não enfatizam a educação dos crentes (quer na verdade, quer na vida espiritual de um cristão)”[11]
O sacerdócio de todos os crentes: Ele enfatizou que, embora os presbíteros governem, ensinem e pastoreiem a congregação, o ministério da igreja é uma coordenação espiritual de todos os crentes no Espírito Santo. Nee escreve:
Deus pretende que todo cristão seja um “trabalhador cristão,...”. Os presbíteros não são um grupo de homens que são contratados para fazer a obra no lugar de seus membros; eles são apenas aqueles que supervisionam os assuntos. [12]
Nee continua:

No Novo Testamento todos salvos são sacerdotes; portanto, todos os salvos devem servir. Se numa igreja somente uma minoria ou uma parte está servindo, há algo errado dentro dessa igreja; ela ainda é fraca. Somente quando todos estiverem servindo é que a igreja será forte. [13]
Finalmente, Nee disse:

Ser um cristão é ser um sacerdote. Não espere que ninguém seja um sacerdote para você. Você mesmo deve desempenhar essa função. Visto que não temos nenhuma classe intermediária entre nós, ninguém te substituirá nas coisas espirituais. Que não haja classes especiais de tais trabalhadores criadas em nosso meio...Todos pregarão o evangelho, todos servirão a Deus. Quanto mais prevalecente for o sacerdócio, melhor a igreja será. Se o sacerdócio não for universal, fracassamos para com Deus; não temos andando corretamente. [14]


 
 
FRASES DE NEE
 
“Se um crente se recusar a aceitar os tratamentos de Deus nunca conseguirá progredir. Se apenas desejar adquirir conhecimento da Bíblia, só precisa estudar bastante e ser auxiliado por aqueles que já têm conhecimento bíblico. Mas se realmente deseja conhecer a Deus, precisa ter um encontro pessoal com Ele, pois não pode ser de outra maneira.”



“Orar é como colocar cartões de visita no prato de uma balança. Você coloca um peso de 100 gramas em um dos pratos, e vai colocando os cartões no outro. Quando joga o primeiro cartão, ele não consegue levantar o peso. Cartão atrás de cartão vão sendo colocados, sem que o peso se mexa. Até o momento que lançar o último cartão, quando ele se levanta. Assim também acontece com a oração. Oramos uma, duas, três vezes, e uma vez mais. Talvez seja essa a nossa última oração, mas então vem a resposta”




Nee polarizou o reino de Deus e o mundo (cosmos).

 

O mundo e Deus estão em oposição, com o mundo controlado por Satanás. Satanás usa todas as atividades, isto é, cultura, comércio e economia para seduzir os cristãos para o seu sistema mundial e serem os seus escravos. Todavia, porque o mundo já está condenado, os cristãos devem ser salvos do mundo.

Assim, nos ensinos de Nee, os cristãos devem se separar do mundo, cortar suas relações com o mundo, Embora os cristãos sejam a luz do mundo, isso diz respeito somente a compartilhar o Evangelho e Cristo ao mundo. Deixe-me apontar também que Nee usa um método exegético alegórico, que é não-histórico. Devido ao método exegético de Nee e sua posição escatológica pré-milenista, sua teologia para com o mundo e a cultura era passiva, especialmente durante os tempos turbulentos dos anos 20 na China.

 
Nee cria que a igreja deve ser estabelecida de acordo com sua localidade. Toda epístola na Bíblia foi endereçada à igreja de acordo com sua localização. O apóstolo estabeleceu presbíteros em cada localidade. Especialmente em Apocalipse, as sete igreja mencionadas tinham cada uma delas seu próprio candeeiro; cada igreja é autônoma e financeiramente independente uma da outra.

Nee ensinava que as igrejas em nossa era tinham esquecido os princípios bíblicos. Portanto, devemos voltar à Bíblia e servir a Deus de acordo com os princípios lançados pelos apóstolos. Devemos servir a Deus “no nome do Senhor”, sem igrejas denominacionais. No esforço de Nee para encontrar o único padrão bíblico possível para estabelecer a igreja, o “Pequeno Rebanho” foi encontrado.

 

Contudo, a busca sincera de Nee pelo modo ideal de estabelecimento de igrejas não foi somente divisiva, ele, conscientemente ou não, criou outra denominação, mais restritiva do que a maioria.

 




CONCLUSÃO A influência de Nee sobre as igrejas chinesas não está limitada à Ásia. Suas influências teológicas são vidas e bem até hoje. Sem dúvida Nee foi verdadeiramente um líder cristão dedicado que “não queria nada para si mesmo e tudo para o seu Senhor, que buscou durante toda a sua vida ser um homem espiritual até a morte”. Todavia, assim como qualquer outro líder cristão, ele não era perfeito. Devemos ser profundamente inspirados por seu amor e devoção a Cristo, e ao mesmo tempo sermos plenamente cientes dos aspectos dos seus ensinos que são extremos ao ponto de serem errôneos. Como o sobrinho de Nee escreveu: Muitos líderes espirituais têm falhado e são fracos. Contudo, a Bíblia sempre foi verdadeira, nunca cobrindo as falhas dessas pessoas a quem Deus usou. As falhas de Abraão, Moisés e Gideão estão registradas na Bíblia. Deus não colocou esses eventos para nós vermos quão grandes, bem-sucedidos e dignos de nossa adoração essas pessoas eram, mas para permitir que vejamos que Suas obras maravilhosas manifestadas através de um punhado de vasos inúteis cumprindo Sua boa vontade. Da mesma forma, meu tio teve falhas. Todavia, essas coisas não negam a verdade de como Deus o usou poderosamente. Ele está entre os humildes, os defeituosos, todavia, ele foi verdadeiramente usado por Deus de uma maneira poderosa e foi um vaso cheio do precioso tesouro
 
LIVROS DE NEE
 


 
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T AUSTIN-SPARKS - MATURIDADE CRISTÃ

 

T AUSTIN-SPARKS













THEODORE AUSTIN-SPARKS sempre enfatizou ao máximo a centralidade de Cristo e da cruz na experiência cristã. Tudo o mais se deriva disso. Tudo o que TAS ensinava era para levar seus ouvintes e leitores de volta para o próprio Cristo e para Sua cruz. Nada mais importava .



EXISTEM IGREJAS NO NOVO TESTAMENTO?

Ao lado da pessoa de Jesus Cristo, a Igreja foi, e continua a ser, o grande campo de batalha da História. Tanto é verdade que um número sempre crescente de livros, jornais, periódicos, “Concílios”, “Convocações”, discursos, etc. se ocupa dessa questão como uma preocupação primária.  Efésios 3.10 e 6.12.
É PARTE DO HOMEM NATURAL PENSAR QUE VC É CAPAZ DE CONSTRUIR ALGUMA COISA PELA INTELECTUALIDADE, PELO ESTUDO. O FATO QUE NOSSA MENTE PODE CONSTRUIR  E TAMBÉM PODE DESTRUIR, MAS O QUE O ESPIRITO DE DEUS CONSTRÓI NADA E NEM NINGÚEM PODE COLOCAR ABAIXO

Na assembléia local da Igreja, podemos ter o verdadeiro significado da Igreja que lança um pouco de luz nas sombras ou na escuridão da imensa confusão existente com relação à Igreja. 

Podemos agora aceitar a possibilidade de haver verdadeiras expressões locais da Igreja do Novo Testamento?

1. Uma grande facção de cristãos tem respondido com um definitivo “NÃO”, e eles tomam como base o que chamam de “a posição de total ruína”. Eles dizem que a Igreja está em ruínas irremediáveis e, conseqüentemente, uma expressão corporativa não é mais possível. Sem dúvida, eles relacionam isso principalmente à Igreja em seu aspecto universal; no entanto, eles colocam o assunto da expressão local bem próximo disso, argumentando que no fim dos tempos tudo será individual. Eles baseiam sua argumentação em Apocalipse 2–3, onde o Senhor se dirige “ao vencedor”.


2. Depois, há aqueles cuja resposta é que a única possibilidade agora é uma expressão aproximada da Igreja. Pode haver algumas características e devemos nos basear em algumas coisas que percebemos estar no Novo Testamento. Dentre os maiores exemplos, as principais denominações representam essa posição. Os presbiterianos,  os luteranos, congregacionalistas, batistas, metodistas, irmãos unidos, etc. Para cada um deles, emprega-se o termo “igreja”. 


3. Em seguida, há a resposta expressa pelo que se pode chamar de “sublimidade”. Ou seja, a Igreja é uma concepção e idéia sublime. Ela é idealista e devemos viver no campo abstrato de uma concepção sublime e não tentar trazê-la “para a terra” nem sermos práticos e exigentes em demasia na realidade. Essa resposta e interpretação são expressas no termo “a Igreja mística”, mas não prática.


4. Existem aqueles que acabaram com toda a idéia de Igreja, dando-a tanto por impossível como por desnecessária. Elas são definitivamente instituições e organizações cristãs, mas não uma Igreja ou igrejas. A esta categoria pertencem os quacres, o Exército da Salvação e um vasto número de grupos de missões e “Missões”.


5. Finalmente, para nosso objetivo, existem aqueles cuja resposta é bastante positiva! Sim, devemos voltar ao padrão do Novo Testamento e “ter igrejas do Novo Testamento”! Eles acreditam que o Novo Testamento contém um projeto definido para igrejas locais e estão comprometidos com a “formação” dessas igrejas onde for possível.
O que diremos diante de todas estas coisas? Como observamos, todos estão mais ou menos errados ou certos (destacamos o termo “mais ou menos”, mas diríamos que alguns estão completamente errados) porque a verdadeira natureza da Igreja se perdeu ou não pode mais ser vista.



A História de Israel
A história de Israel possui muitos fatos para iluminar essa questão da Igreja. O Israel histórico foi constituído sobre os mesmos princípios eternos que a Igreja cristã. Na verdade, eles eram chamados de “a igreja no deserto” (At 7.38) e foram denominados eleitos de Deus. Pretendia-se que eles representassem no tempo, na terra, um conceito eterno e celestial, que, em tipos e símbolos, figurativa e temporalmente, engloba princípios espirituais e pensamentos divinos.
 "AS VEZES LEVA ANOS PARA O SENHOR JESUS NOS ESVAZIAR, NOS ENFRAQUECER E NOS TORNAR SUFICIENTEMENTE PEQUENOS, ENTÃO, E SÓ ENTÃO NÓS PODEMOS LEVAR A SUA GLÓRIA EM NOSSAS VIDAS" 

 Para o objetivo de nosso estudo, temos de limitar toda a questão aos principais princípios envolvidos na história de Israel. Dividimos essa história em duas fases. A primeira se deu antes do cativeiro na Babilônia, os setenta anos, e para lá os levou. A razão desse cativeiro foi pura e definitivamente idolatria. O cativeiro tratou com a idolatria e, depois disso, não houve mais idolatria do mesmo gênero em Israel. Mas, então, veio — e ainda existe — a segunda, ainda pior e mais longa, fase de juízo. Essa é revelada no segundo aspecto do ministério dos profetas. É óbvio que os profetas profetizaram com relação ao futuro imediato do cativeiro na Babilônia e na Assíria, e também com relação ao futuro. Esse segundo aspecto é freqüentemente discutido no Novo Testamento e aplicado, ou apresentado para que seja aplicado, àqueles tempos e eventos, com uma característica adicional de que os tempos pós-Novo Testamento (até os nossos dias) foram vistos. Mas, por que essa segunda mais longa e mais terrível relegação ao juízo? 

Por que a confusão, fraqueza e perda da presença e poder imediatos de Deus por parte de Israel e apenas a soberania de Deus por trás de sua história? A resposta está em uma frase: cegueira espiritual. “O endurecimento veio em parte sobre Israel” (Rm 11.25). Há uma grande quantidade de referências a esse fato nos Evangelhos, e tanto os ensinamentos como os milagres de Jesus estavam voltados para essa cegueira e contra ela. A visão dada aos cegos foi um testemunho para Israel, bem como para o mundo. Essa cegueira, no entanto, estava relacionada principalmente à Pessoa, ao significado e ao propósito de Cristo. Aquela intervenção na história foi uma missão para a remissão, restauração e restabelecimento daquele conceito eterno no coração de Deus, que era como “o mistério” em Israel. Ou seja, os princípios e propósitos espirituais ocultos em sua eleição e constituição temporal, e para expressar tudo isso em uma Pessoa que devia ser reproduzida pela igreja, como o Grão de Trigo, por meio da morte, sendo reproduzido na ressurreição em um corpo de muitos membros.

Nesse ponto atingimos a essência da verdadeira natureza da Igreja. A pedra de toque da Igreja é uma percepção, por meio da revelação e iluminação divina, sobrenatural, do Espírito Santo, da verdadeira importância e significado de Jesus Cristo e Sua missão. É óbvio que o notável apóstolo do “mistério”, a Igreja, veio a conhecer e compreender a verdadeira Igreja mediante a revelação de Cristo para ele e nele (Gl 1.16).

Ter uma visão real de Cristo é ver a Igreja, e somente desse modo uma verdadeira igreja pode vir a existir. Foi somente logo após o Senhor poder dizer a respeito de Pedro que carne e sangue não revelaram a verdade de Sua Pessoa (de Cristo) que, Ele, Cristo, fez a primeira declaração pública definida sobre a Igreja: “Sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja” (Mt 16.18). Tudo isso significa que, fundamentalmente, uma verdadeira expressão da Igreja, em termos locais, não é mais, nem menos, nem outra senão a compreensão espiritual de Cristo por parte dos cristãos. A igreja, local ou universal, não é tradicional. Isso a faria perder seu caráter original e, conseqüentemente, tornar-se artificial. A Igreja não pode ser vista pelos olhos de outras pessoas2, quer seja pelos daqueles do passado (apóstolos, etc.) ou do presente (mestres).


Temos conhecimento de pessoas que vivem na presença de ensinamento por anos e se alegram nele, repetem-no e pensam que estão no melhor nível e, então, por fim, prova-se que elas não viram, na verdade, com seus próprios olhos espirituais ao contradizerem e descartarem tudo isso de modo tão fácil. Elas o viram mentalmente pela perspectiva de outra pessoa, o mestre ou o pregador. Quando Paulo viu, sua visão provocou um efeito nele que se tornou ele mesmo, e nenhuma parcela ou forma de sofrimento e frustração visível poderia fazê-lo desistir da “visão celestial” (At 26.19).

 "MINISTÉRIO CRISTÃO NÃO É SOMENTE PROCLAMAR CERTOS FATOS E VERDADES SOBRE JESUS E NEM APENAS ESTEBELECER DOUTRINAS BIBLICAS MAS É PRINCIPALMENTE DEIXAR A VIDA E A LUZ DE CRISTO FLUIREM ATRAVÉS DE NÓS "


A espiritualidade na Igreja.  .

Digamos de uma vez por todas, e com ênfase, que misticismo e verdadeira espiritualidade,  são duas coisas completamente diferentes. Elas pertencem a dois campos diferentes. 
A primeira é temperamental ou uma questão de temperamento. Possui seus graus. A simples reação à beleza ou emoção, ou, em formas mais intensas, pode ser psíquica, fanática. Pode ser induzida, pode ser instigada pelo estímulo e  por meio de repetições, como as de refrões e encantamentos. Dessa forma, quer seja de modo suave ou extravagante,  A religião se presta particularmente para o místico nessas várias formas e graus.

No entanto, a espiritualidade da Bíblia da qual estamos falando é diferente. É o resultado de um novo nascimento por intermédio do Espírito Santo. Representa uma mudança de natureza e constituição, não a libertação e intensificação do que já existe. Na verdade, é um “totalmente outro”, assim como Cristo era. Tudo isso é verdade no que se refere a cada cristão por ser “nascido do alto”3 (Jo 1.13; 3.6,7). A Igreja é o agregado desses cristãos em que o que é verdade a respeito de Cristo é verdade a seu respeito, com exceção da divindade.




Cristo e a Igreja são o significado espiritual de todos os símbolos, e Ele disse  que, com Sua vinda, a antiga ordem de representações materiais e simbólicas havia cedido todo o lugar para aquilo que eles representavam.(Jo 4.20-24), e observe que o Evangelho de João e a Epístola aos Hebreus são dois notáveis documentos da principal transição do histórico, temporal e tangível para o espiritual. 


Portanto, espiritualidade, que é uma natureza e um atributo de caráter diferente e celestial, é o primeiro princípio básico da Igreja. Repetimos que a Igreja é o vaso e a incorporação “do mistério” tantas vezes mencionados no Novo Testamento, principalmente por Paulo. O mistério era e é o significado oculto das coisas e de Israel, mas agora é revelado para e na nova ordem, o novo Israel, a Igreja. O “mistério de Cristo” é o significado de Cristo, inescrutável para todos, exceto para aqueles que têm o espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele.

Local e Sobrenatural
Quando fez a notável declaração sobre Sua Igreja: “Edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18), nosso Senhor anunciou três coisas. Primeiro, que Ele estabeleceria uma entidade definida chamada de Sua Igreja. Segundo, que essa Igreja encontraria uma força de oposição com sua hostilidade total e final. Terceiro, que esse poder seria levado ao nível máximo e seria destruído, ou seja, se tornaria incapaz de prevalecer contra a Igreja. Nessa afirmação plena, há uma indicação muito definida da natureza fundamental de Sua verdadeira Igreja. Dissemos anteriormente que a Igreja é algo essencialmente espiritual e também  sobrenatural.

A Igreja é Essencialmente Sobrenatural

A Igreja é a personificação do verdadeiro cristianismo, e o verdadeiro cristianismo é sobrenatural ou não é coisa alguma! É apenas no momento e no local em que a Igreja é completamente percebida e aceita que ela realmente existe e pode ser o poder que se pretende que ela seja.
Sobrenatural na Origem
Em primeiro lugar, o cristianismo e a Igreja (na verdade, termos idênticos) vieram do céu e ainda têm de ser continuamente recebidos e revelados a partir de lá. Essa é a própria verdade fundamental do próprio Cristo e da Igreja em todo indivíduo incorporado a ela. Esse é o ensinamento do Novo Testamento em todas as partes. A origem e a moradia de Cristo estavam no céu. 

Qualquer indivíduo que entra na Igreja  “deve nascer do alto”. Por meio desse nascimento, ele é constituído um ser sobrenatural na mais íntima realidade de seu ser — a isso Paulo chama de “nova criação”.

Então, de modo equivalente, a Igreja nasce do alto, no dia de Pentecostes. A diferença entre as mesmas pessoas antes e depois desse evento e a natureza corporativa da nova entidade são evidentes para todos os que têm olhos para ver. É sobrenatural.


19 de junho de 2021

Jessie Penn-Lewis, ELA VIU O AVIVAMENTO NO PAIS DE GALES

 





Jessie Penn-Lewis, com 21 anos, ouviu uma pregação do Sr. Evan H. Hopkins sobre a vitória do cristão por meio da cruz de Cristo. Assim, começaria o ministério de Penn-Lewis caracterizado pela "cruz como identificação do crente com Cristo no poder de Sua morte e a glória de Sua ressurreição", tema principal dos seus discursos e dos seus livros. Até aos 30 anos de idade, Penn-Lewis vivenciou experiências cristãs maravilhosas, o que habitualmente chamamos de "obras do primeiro Amor".
Penn-Lewis também foi muito influenciada pela quietista 
Madame Guyon e pelo pastor avivalista  sul-africano Andrew Murray (1828-1917), os escritos de ambos ajudaram a experienciar a vida profunda em Deus. A maturidade espiritual de Jessie Penn-Lewis e a sua experiência com o Senhor Jesus, com a Sua cruz e com a Sua Palavra influenciaram Theodore Austin-Sparks eWatchman Nee. Austin-Sparks ficou conhecido como o herdeiro espiritual e sucessor de Penn-Lewis.
Em 1895, foi convidada para pregar em uma reunião organizada pela Missão para o Interior da China, fundada por Hudson Taylor. Sua mensagem foi muito impactante e os organizadores da reunião resolveram transcrever e imprimir sua pregação sob o título "O Caminho para a Vida em Deus", que vendeu milhares de exemplares. Jessie Penn-Lewis também desenvolveu comunhão duradoura com Andrew Murray e F.B. Meyer.

Jessie Penn-Lewis foi muito atuante como Evangelista e Conferencista, viajando para a Suécia, Rússia, Escandinávia, Finlândia, Dinamarca, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, Canadá, Coréia, Índia e China. O seu trabalho missionário mais importante foi realizado na cidade de Madras ou Madrasta, atual Chennai, capital do Estado de Tamil Nadu, no sul da Índia.

Também, ministrou diversas mensagens no Reino Unido nas Convenções Keswick, MildmayLlandrindod Wells, principalmente mensagens sobre a Cruz e centradas em Cristo - Mateus 16:24, VRA "Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.".

Em 1909, aos 58 anos, fundou a revista The Overcomer (O Vencedor) principiando o Movimento Vencedor.

Jessie Penn-Lewis foi testemunha do 
Avivamento do País de Gales e associou os seus escritos com Evan Roberts, Líder do Avivamento. Na oportunidade, escreveram o clássico de batalha espiritual "Guerra contra os Santos" acerca das manifestações sobrenaturais provocadas por Satanás e recepcionadas como obras do Espírito Santo. Eles evidenciaram a batalha espiritual para o público cristão e, principalmente, para os obreiros do Senhor que constantemente contatam o mundo espiritual, portanto, precisam de discernimento.

Era uma mulher fisicamente frágil, mas sempre exercitava o seu espírito humano para contatar Deus. Seu ministério foi extraordinário, sempre destacando a importância da cruz de Cristo na vida e na experiência do cristão. Foi uma mulher de espírito humano forte e alma submissa ao mover de Deus. Atualmente, os seus escritos exercem influência direta em milhares de pessoas e indiretamente, em milhões, através dos escritos de T. Austin-Sparks,Watchman Nee, Witness Lee, dentre outros.

Durantes os anos de 1926 e 1927, três vezes Penn-Lewis foi levada para as portas da morte, mas devido às orações e coragem por causa do ministério, ela foi trazida de volta como um milagre. Seu corpo ficou muito fraco, mas seu espírito estava radiante.

Sua vida sempre esteve conectada com os gigantes espirituais de sua época:D.L. Moody, Hudson Taylor, F.B. Meyer, A.B. Simpson e Andrew Murray.

Jessie Penn-Lewis faleceu em 1927, na Inglaterra. Os presentes nos seus últimos momentos, quando ela entrou para a glória, sentiram a presença do Senhor na sala reinando num cenário de fé. Mary Garrard continuou com os trabalhos da revista The Overcomer (O Vencedor) e publicou uma biografia in memorian da Sra. Penn-Lewis.





 NA GUERRA CONTRA OS PODERES DA TREVAS, A ORAÇÕA É A PRIMEIRA E A MAIS PODEROSA ARMA, NAS DUAS FRENTES, TANTO EM UMA GUERRA AGRESSIVA CONTRA ESSES PODERES, PARA RESGATAR OS HOMENS DE SEU PODER COMO CONTRA AS HIERARQUIAS E POTESTADES QUE SE OPÕE A CRISTO E SUA IGREJA 

DEUS PODE FAZER UM GRANDE TRABALHO EM NÓS PELO SEU ESPÍRITO, TÃO GRANDE QUE TUDO O QUE ELE  MANDAR NÓS FAZER, PODEREMOS FAZER NATURALMENTE E NÃO POR CAUSA DE SENTIRMOS QUE DEVEMOS FAZER



ELE NOS MANDA SER FORTES, APENAS CONFIANDO NO ÚNICO EQUIPAMENTO QUE NOS DEIXOU: " A SUA PALAVRA OBEDECIDA E PRATICADA. ESSE FOI O EQUIPAMENTO DE CRISTO







16 de julho de 2014

MADAME GUYON

MADAME GUYON (Jeanne-Marie Bouvier de La Motte Guyon) - Escritora e religiosa mística francesa, defensora do Quietismo - 1648-1717.


OS BENEFÍCIOS DO INVERNO
Vejo o inverno como uma estação que dá excelentes exemplos do trabalho de transformação do Senhor na vida do cristão. Quando ele chega, é como se o mundo vegetal refletisse a imagem da purificação, mediante a qual Deus remove as imperfeições da vida de seus filhos.
Quando o frio tem início nas asas de uma tempestade de inverno, as árvores vão gradualmente perdendo as folhas. O verde logo é trocado pelo tom de marrom funesto; e as folhas caem e morrem. Presencia-se a perda da bonita vestimenta do verão. Que sensação experimenta você, ao contemplar essa pobre árvore? Você sente como que uma revelação.
Debaixo de todas as lindas folhas estão toda espécie de irregularidades e defeitos. Eles eram invisíveis em razão das folhas que os cobriam. Agora começam a ser revelados! A árvore já não é bonita na sua superfície aparente. Mas será que ela mudou? Não de todo. Tudo continua a ser exatamente como era antes. Tudo prossegue sendo como sempre foi! É certo que as folhas já não estão lá para esconder o que é real. A beleza da sua vida exterior apenas ocultou o que sempre estivera lá.

A mesma coisa acontece com você. O mesmo sucede com todo cristão. Nós podemos parecer bonitos... até que a vida desapareça! Então não haverá dúvida: o cristão irá mostrar-se com todos os seus defeitos. Se Deus não trabalhar para purificá-lo, você se mostrará despido de todas as suas virtudes! Contudo, dentro da árvore existe uma vida; e assim como a árvore, você não está se tornando pior; está simplesmente se vendo como realmente é! É preciso saber que no interior da árvore de inverno ainda há uma vida que produziu lindas folhas na última primavera.
Não, o cristão no mais profundo do seu ser não foi privado de sua virtude essencial. Ele não perdeu vantagens; apenas perdeu algo humano, o senso da própria bondade pessoal, e em seu lugar descobriu sua total desventura. Ele perdeu a comodidade pelo fato de seguir o Senhor. Essa comodidade nasceu mais em virtude da ignorância sobre si mesmo do qualquer outra razão.
Assim como acontece com a árvore acontece com você.
O cristão, espoliado e exposto, aparece perante os próprios olhos como algo desnudo; e todos que estão a sua volta lhe vêem pela primeira vez os defeitos - defeitos que estavam privilegiadamente escondidos, ocultos pelas graças externas.
Algumas vezes tal revelação é tão devastadora para o orgulho do cristão, que ele simplesmente nunca se recupera, decidindo ser um cristão em outro nível; ou renunciando totalmente a idéia de seguir o Senhor.
Através do inverno, longo e frio, a árvore parece estar morta, como muitas da floresta. Mas ela sabe que isso não é verdade. No momento parece que a destruição é total, mas na verdade repousa em algum lugar.
Essa árvore está se submetendo a um processo que preserva sua vida e a fortalece. Afinal, o que o inverno faz com ela? Ele faz com que seu interior se contraia. A vida que está no seu interior não vai mais ser usualmente consumida! Ela vai ficar concentrada no interior do seu tronco e na porção mais oculta de sua raiz, sendo empurrada até bem fundo. O inverno preserva a árvore - não importa o quanto ela pareça estar morta. É verdade que suas folhas caem, deixando-a deformada e exposta; no entanto, nunca esteve mais viva! Durante o inverno, a fonte e o princípio da vida ficam mais firmemente estabelecidos do que em qualquer outra estação.
Nas outras estações a árvore tem de utilizar toda sua força de vida para adornar-se e embelezar-se. Mas ela faz isso despendendo muita vida, extraindo sua vitalidade das raízes e das partes mais profundas do tronco. É preciso que exista um inverno. Ele é necessário para que ela viva, sobreviva e floresça; e volte a florescer.
A virtude tem uma maneira interior de fazer com que o cristão pense profundamente, enquanto desaparece totalmente da superfície, deicando os efeitos externos e naturais notadamente visíveis!
Se temos olhos para ver, então nos damos conta de que isso é bonito.
A graça faz exatamente a mesma coisa com a nossa vida. Deus levará as folhas. Algo fará com que elas caiam. A virtude externa entrará em colapso. Ele faz isso para fortalecer a principal das virtudes. A fonte da vida deverá ser reconstruída. Alguma coisa bem lá no interior da alma ainda funciona. Em algum lugar dentro do espírito as funções que são consideradas as mais importantes (na estimativa de Deus) nunca descansam. O que continua ainda está muito bem escondido. É a humildade.
O que está acontecendo é o puro amor. 

O que continua na parte mais interior é a renúncia e o desprezo pelo eu. O homem interior está fazendo progressos. A alma está aventurando-se para adiante, dentro do interior. Verdadeiramente, parece que as manobras de Deus estão concentradas nas partes externas do cristão, e nem por um momento se pode vislumbrar que não seja agradável á vista. No entanto, não se desenvolveu na alma nenhum novo defeito! Somente faltas antigas vieram a tona! E por estarem expostas cicatrizam mais facilmente.
Se você ousar desafiar a peregrinação espiritual, lembre-se dos dias de calamidade, do período de seca, e do tempo que o homem chamará de inverno espiritual: A vida está lá!
Se o inverno vier ...
Fonte: Livro "Aventura Espiritual" de Jeanne Guyon publicado pela Editora Danprewan - Site: clcportugal.blogspot.com




PENSAMENTOS:
Até os muros de minha masmorra são queridos, pois o Deus que amo está aqui.
Derrama o desejo de seu coração diante do Pai, e espera em silêncio diante dele. Sempre deixe um tempo em silêncio ao orar, caso o Pai celestial queira te revelar sua vontade. Venha ao Pai como um filho indefeso, ferido por diversas quedas, destituído da fortaleza para permanecer em pé, ou do poder para te limpar a ti mesmo.
Não devemos dar lugar ao desânimo. É uma tentação perigosa – uma cilada sutil das trevas. A melancolia faz o coração contrair-se e murchar, tornando-o incapaz de receber as impressões da graça. Ela exagera as dificuldades e lhes dá colorido falso, e o nosso fardo torna-se, assim pesado demais. Os propósitos de Deus a nosso respeito, e os seus métodos de realizar esses propósitos, são infinitamente sábios.
Precisamos conhecer como procurar Deus, e isto é mais fácil e mais natural que respirar. Por meio da oração podes viver na presença de Deus com tão pouco esforço, como vives com o ar que agora estás respirando.
Recomendo que nunca terminem a oração sem permanecer um tempo em respeitoso silêncio.
Se você ler rapidamente, isso lhe trará pouco benefício. Você será como uma abelha que apenas desliza na superfície de uma flor. Ao invés disso, nesta nova maneira de ler, com oração, você precisa tornar-se como a abelha que penetra nas profundezas da flor, mergulhando muito nela para retirar seu néctar mais profundo.


Uma vez que você tenha sido profundamente tocado pelo Espírito do Senhor e se distraia, seja diligente em trazer sua mente errante de volta ao Senhor. Este é o modo mais simples do mundo de sobrepujar as distrações externas. Quando sua mente vagueia, não tente forçá-la a mudar de pensamento. Veja: se você concentra-se no que está pensando, apenas irritará sua mente e instigá-la-á ainda mais. Ao invés disso, retire-se de sua mente! Retorne interiormente para a presença do Senhor. Fazendo assim, você vencerá as guerras contra sua mente errante e, todavia, nunca se envolverá diretamente na batalha!