10 de janeiro de 2014

John Tauler místico católico pré -reforma







O período da Igreja, vivido pelos préreformadores, ficou conhecido como a fase da “Igreja Deformada”. Nesse ínterim, surgiram homens que exerceram grande influência sobre os reformadores. John Tauler foi um deles. E alguns consideram que ele foi protestante antes mesmo do protestantismo.

John Tauler (1300-1361)
Tauler nasceu na cidade de Strasbourg Alemanha por volta de 1300. Entrou para a ordem dominicana local aos quinze anos de idade. Sua compreensão das realidades do mundo espiritual e da alma humana era profunda e por volta de 1325 foi ordenado padre dominicano.
.
Só em 1498 seus sermões forma publicados em Leipzig, sendo  que a edição impressa em Augsburg em 1508 foi lida por Lutero. Ele admirava sua defesa de uma completa submissão à vontade de Deus e suas notas sobre os sofrimentos que atormentam as almas devotas.
O fundamento da vida, para Tauler, é a essência de nossa alma e é o lugar onde vamos ter contato direto com a Divindade. Enfatiza que neste nível profundo somos guiados por uma fome insaciável por Deus e uma predisposição para recebê-lo. Os textos enfatizam também que devemos abandonar o egoísmo e nossa vontade própria se queremos nos unir a Deus, e Tauler dá a maior relevância ao papel de Cristo neste processo. A atitude que devemos aprender é essencialmente a passividade, deixando Deus trabalhar em nós.
De fato, em geral Tauler creditava o imenso valor espiritual das tribulações diárias, e como estas servem para distinguir a verdadeira da falsa testemunha. Tauler demonstra uma grande compreensão de nossos períodos de fraqueza e falha.
Lutero, entendeu a doutrina da justificação por meio das Sagradas Escrituras, mas foram os escritos de Tauler que corroboraram para que isso fosse possível. A influência principal dos escritos de Tauler ocorreu por conta de sua sistematização empenhada nessa doutrina: a justificação.
Os considerados pré-reformadores foram intelectuais que manifestaram suas insatisfações espirituais por não encontrarem na igreja romana, espaço para que pudessem exercitar sua fé. Essas insatisfações não tinham por objetivo criar uma nova igreja, mas, sim, fazer que a igreja romana voltasse à orientação da Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Dessa maneira, a Reforma deve ser vista como um movimento interno por parte de “católicos” comprometidos com a Palavra de Deus.




Sermão de Johann Tauler: os cinco pórticos da piscina Betesda.


No Evangelho de São João (João 5:1-11), lemos que Jesus foi a Jerusalém num dia de festa dos Judeus. Havia uma piscina com cinco pórticos, onde um grande número de enfermos jazia esperando que um anjo do Senhor descesse e agitasse as águas da piscina. A primeira pessoa que mergulhasse na água depois de ela ser agitada seria curada de sua doença. Havia um homem cuja doença durava já trinta anos. Quando o senhor Jesus o viu e soube que ele lá jazia por tanto tempo, Ele disse: “Queres ser curado?” O doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me lance na piscina, tão logo a água seja posta em agitação; e, enquanto eu vou, outro desce antes de mim.” Nosso Senhor disse: “Levanta-te, toma a tua enxerga e anda.” Ele foi perguntado logo depois, mas ele não sabia se fora Jesus que tinha feito aquilo por ele. Mais tarde, contudo, nosso Senhor o encontrou e disse: “Eis que ficaste curado. Não tornes a pecar, para não te suceder coisa pior.”

Essa piscina de água significa o Filho, nosso querido Senhor Jesus Cristo, e as águas que se agitam na piscina significam o Precioso Sangue do Filho querido de Deus, que é Deus e homem. Ele nos lavou totalmente em Seu precioso sangue, e em Seu amor Ele lavará todos os que vierem a Ele até o final dos tempos. O grande número de enfermos que esperavam, nas margens da piscina, a agitação das águas significa, em certo sentido, toda a raça humana. Eles esperaram por toda a vida, sob a Lei Antiga, até que o Precioso Sangue nessa adorável piscina pudesse se agitar para curá-los; pois até que isso acontecesse, eles nunca conseguiriam recuperar sua saúde e ser salvos. Mesmo atualmente, quando nossa salvação já foi forjada, ninguém pode ser salvo, ou recuperar a saúde, exceto por meio da maravilhosa água da piscina, isto é, do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. E o doente que não vier a ela, deve morrer e perecer eternamente.

Havia cinco pórticos que levavam a essa piscina. Num certo sentido, eles significam as  chagas de nosso Senhor, por meio das quais e nas quais somos todos curados. Mas em outro sentido, esses cinco pórticos significam cinco virtudes que devemos praticar. Cada um de nós precisa de todas elas, mas cada um é mais particularmente doente numa parte de sua natureza que o outro e, portanto, precisa de exercitar uma particular virtude mais que as outras.

O primeiro pórtico, a primeira virtude a ser praticada, é uma profunda  humildade. Um homem deve se considerar um nada. Deve saber como subjugar-se pacientemente a Deus e a todas as Suas criaturas, e aceitar tudo, qualquer que seja sua causa, como vindo diretamente de Deus e de ninguém mais. Deve confiar em Deus com humilde temor, desprezando-se verdadeiramente em tudo que lhe ocorrer, tanto na alegria quanto na tristeza, na riqueza ou na pobreza.

O segundo pórtico é a resolução de sempre viver olhando para o interior de nossa  alma.

Meus filhos, o quanto isso é necessário para tantos homens e mulheres! Suas intenções são as melhores; mesmo assim, por não se terem posto em guarda quanto a isso, eles se afastaram dessa vida no centro de suas almas. Ocuparam-se com práticas e exercícios que parecem muito bons – coisas como ensinar ou escutar outras pessoas, conversas pias ou trabalhos mais ativos – e assim eles exercem seus sentidos e têm prazer no que é, para eles, tolices. Santo Agostinho diz que alguns vagueiam em lugares tão distantes que nunca conseguem retornar. Qualquer que seja a ocupação de um homem, qualquer que sejam os trabalhos que faz, ele nunca deve se esquecer da vida que Deus plantou no interior de sua alma, e deve fazer de tudo em seu poder para manter sua atenção firmemente lá fixada. Se ao menos fizer isso, ele conseguirá executar tantas tarefas quanto queira, sem nunca perturbar a verdadeira paz; mas se abandonar as profundezas de sua alma, ele não encontrará paz nos trabalhos exteriores, pois todas as suas atividades serão inspiradas por tolices. Por ser movido por seus sentidos e por uma indevida atenção às coisas exteriores, ele estará surdo à voz de Deus, que o inspira e o alerta desde dentro sua própria alma.

O terceiro pórtico da piscina é o verdadeiro e profundo arrependimento de nossos pecados. Se você não sabe o que é tal arrependimento, ele é um sincero afastar-se de tudo que não seja o próprio Deus, e um sincero aproximar-se de Deus com todo o seu ser; isto, e isto somente, é o núcleo e o âmago do arrependimento. Quando isso é feito, você deve mergulhar com completa confiança naquela adorável e pura bondade que é Deus. Você deve sempre permanecer com Ele e n’Ele, numa dependência amorosa d’Ele, procurando-o somente, com uma vontade completamente pronta a fazer a adorável vontade de Deus, no limite de suas forças. Filhos, isso é a própria raiz do arrependimento. Qualquer um que tenha esse arrependimento abandonará indubitavelmente todos os seus pecados; e quanto maior seu arrependimento, tanto mais completa e verdadeiramente Deus perdoará seus pecados.

O quarto pórtico é a pobreza voluntária. Filhos, devemos distinguir a pobreza externa, que é uma questão de acaso, e a pobreza interna, que é a essência da verdadeira pobreza. A pobreza externa não é para todos, nem todos os homens são chamados à pobreza externa. Mas todos somos chamados à pobreza essencial, e qualquer um que ame a Deus deseja ser pobre deste modo. Essa pobreza significa que somente Deus deve possuir as profundezas de nossas almas, que devemos não possuir nada exceto Ele, e que devemos possuir nossos bens como Deus os possui, na pobreza de espírito. São Paulo disse: “Como homens que não têm nada e possuem tudo.” Isso significa que não há nada, riqueza ou amigos, corpo ou alma, prazer ou lucro, que tais homens amem tanto que não possam alegremente abandonar à mercê da vontade de Deus, por amor a Ele e por Sua glória. Se Ele nos pede algo que possuímos, devemos entregá-lo a Ele de todo nosso coração. Nossas naturezas doentes dificilmente suportam tal coisa, mas isso não importa, contanto que nossa vontade esteja pronta para qualquer coisa. Filhos, essa é a verdadeira e essencial pobreza, a que todos os homens são chamados e que Deus pede a todos: ter um coração livre, vazio e a Ele dirigido, mantido cativo por coisa alguma, por nenhum prazer ou amor mundano, e firme em sua resolução de abandonar tudo se Deus assim o desejar. Um homem pode ainda ter essa pobreza essencial, mesmo se possuir todo um reino! Sua riqueza não precisa o impedir de receber Deus, contanto que não se demore nas coisas transitórias, e contanto que não coloque nela sua esperança de paz, mas sempre estenda as mãos de seus desejos na direção daqueles dons graciosos de pura bondade que são o Próprio Deus. Somente Deus pode satisfazer sua vontade e as profundezas de sua alma; e mesmo que em suas faculdades mais inferiores e em sua natureza animal, prazer e dor possam alegrá-lo ou deprimi-lo, isso não importa se ele sofrer tudo pacientemente e oferecer o sofrimento a Deus.

O quinto pórtico é o oferecimento a Deus de tudo o que recebemos d’Ele, e d’Ele apenas; referir à fonte e às profundezas de onde tudo nos vem. Queridos filhos, que coisa maravilhosa seria se real e verdadeiramente conseguíssemos entrar por este pórtico! Contudo, há muitas almas privilegiadas neste mundo que pensam que estão fazendo isso, enquanto, com efeito, estão perdidas no caminho. Deus as concedeu vários grandes dons que deviam se constituir no começo de uma nova vida para elas, mas elas se tornaram presas a eles. Ao invés de referirem tudo imediatamente ao Doador, elas usufruem o prazer que lhes trazem os dons e os usam para mantê-los para si próprias como se eles fossem suas propriedades, e desse modo elas causam a si mesmas danos incontáveis. Se tais pessoas estivessem procurando a Deus por Ele mesmo, elas não seriam tão gananciosas com o que Ele lhas deu.

Havia inúmeros doentes à beira da piscina, e aquele que chegasse primeiro às suas águas, depois de estas terem sido agitadas, se curava imediatamente. Essa agitação das águas significa a descida do Espírito Santo sobre o homem, tocando seu mais recôndito coração e causando lá uma grande convulsão, a fim de que o coração se vire e se mova na direção de Deus. Quando isso acontece, as coisas que antes deliciavam o homem não mais lhe dão prazer, e as coisas que costumavam causar-lhe tribulação são agora uma alegria; desprezo, miséria, esquecimento, abandono, a vida interior, humildade, humilhação e renúncia de todas as coisas criadas; tudo isso é agora a maior felicidade para ele. Quando essa convulsão acontece, o homem enfermo, isto é, o homem exterior, emprega sua força para chegar à piscina. Lá ele se lava em Cristo, em seu mais Precioso Sangue, e pela força que vem desse toque, ele é verdadeiramente curado. Como a Escritura diz em outra parte: “Todos que O tocavam eram curados.”

Às vezes nosso Senhor, em Seu grande amor, deixa as pessoas jazendo com se fossem enfermas quando estão real e completamente curadas. Elas não sabem disso, e passam toda a vida como sofredoras. Nosso Senhor faz isso porque Ele sabe que se elas percebessem que estavam completamente curadas e bem, ficariam muito satisfeitas consigo mesmas; e assim, em Seu grande amor, Ele as deixa lá por toda a vida, em ignorância e temor, lutando, se humilhando e ainda assim sempre se recusando a agir contrariamente à vontade de Deus, sem se importarem com o que as aprisionou ou  com o que ainda lhas está reservado. Mas quando o dia glorioso vier, quando Deus em Seu amor as chamar para a casa ao Seu encontro, quando a morte lhes colher, então, filhos queridos, Ele as recompensará pela ignorância e escuridão que suportaram. Ele as consolará como um pai. Às vezes mesmo antes da morte Ele lhas permitirá saborear o gozo eterno que as espera, e então elas morrerão em grande paz. Àqueles que penaram continuamente nessa escuridão Ele recebe imediatamente em Seu inexprimível e eterno amor, e eles mergulham em Sua divindade. Estes são os mortos de quem se fala: “Bem-aventurados são os mortos que morreram em Deus.”


Filhos, não devemos esquecer que o homem enfermo que nosso Senhor curou na piscina permaneceu lá por muitos anos. Esse enfermo foi criado não para a morte, mas para a glória de Deus. Oh, se pelo menos conseguíssemos manter as profundezas de nossa alma em verdadeira paciência, tal como esse enfermo esperou por trinta anos pelo Próprio Deus que veio e o curou e lhe ordenou que andasse! Quão diferente disso são as pessoas que dão os primeiros passos na vida espiritual e depois dela desistem por não se produzirem resultados maravilhosos, que se queixam de Deus como se Ele as tivesse feito algum dano. Quão poucas pessoas há que possuem essa virtude excelente, que conseguem esperar, suportar, e se manterem em seu estado presente, sofrendo a doença, o cativeiro, a tentação até que o Senhor decida curá-las. Verdadeiramente, essa é a razão porque Ele não as ordena que se levantem, andem, tomem sua cama, sejam curadas. Se conseguíssemos suportar a prisão deste mundo, nunca procurando escapar até que nosso Senhor nos libertasse, que coisa esplêndida seria, meus filhos, que força e maestria isso não nos traria. Então, com efeito, o Senhor nos diria, “Levantem”. Lá não mais jazeríamos sem esperanças, nos libertaríamos de todos os aprisionamentos, estaríamos soltos, libertos, com a liberdade de irmos embora; e verdadeiramente tomaríamos nossas camas, pois agora teríamos o poder e a força de pegar e carregar a coisa que nos estava carregando antes.

24 de dezembro de 2013

SERMÃO DE NATAL Spurgeon

Ser
SERMÃO DE NATAL 
SPURGEON
"Onde está aquele que é nascido Rei dos judeus? Porque vimos a 
sua estrela no oriente e viemos para adorá-lo" Mt 2.2 
As boas novas foram dadas a conhecer a uns simples pastores de Belém, enquanto que os doutores da lei e os estudiosos e religiosos da época não souberam nada sobre o maior de todos os acontecimentos:  O NASCIMENTO DO MESSIAS 
também para alguns sábios, uns magos que eram estudiosos das estrelas e dos antigos livros proféticos do longínquo oriente. Não seria possível dizer que tão longe se encontravam de seu país de origem; 
Poderiam ter vindo da Pérsia, da Índia, de Tártaro, ou ainda da misteriosa terra de Sinim, conhecida hoje por nós como a China. Se assim foi, estranho e ordinário deve ter sido a língua daqueles que adoravam ao redor do Menino de Belém. 
Por que o nascimento do rei dos judeus foi dado a conhecer a esses estrangeiros e não aos mais próximos da própria casa? Por que o Senhor selecionou aos que estavam a centenas de milhares de kilômetros de distância, enquanto que os filhos do reino, em cujo próprio seio nasceu o Salvador, eram estranhamente ignorantes de Sua presença? Vejam aqui, outra vez, outro exemplo da soberania de Deus.
Tanto nos pastores como nos magos do oriente que se juntaram em torno do Menino, vejo como Deus dispensa Seus favores como deseja, e, vendo-o, exclamo: “Te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste nessas coisas aos sábios e dos entendidos, e as revelastes aos pequeninos. Sim, Pai, porque isso lhe aprouve”. 
A soberania nesses casos se vestiu com as roupas da misericórdia. Foi uma grande misericórdia que considerou o humilde estado dos pastores, e foi uma misericórdia de longo alcance a que reuniu desde terras assentadas em trevas um grupo de homens feitos sábios para salvação. A misericórdia, levando suas resplandecentes joias, esteve presente com a soberania divina no humilde albergue de Belém. 
Vamos procurar aprender agora uma lição prática da história dos magos que vieram do oriente para adorar a Cristo. Se Deus o Espírito Santo nos instrui, poderemos extrair um ensino que nos conduza converter-nos em adoradores do Salvador e em ditosos crentes Nele.
Notem, primeiro, sua pergunta. Que muitos de nós nos voltamos inquisidores a respeito do mesmo assunto: “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus?” Notem, em segundo lugar, um estímulo: “porque nós vimos sua estrela.” Devido que tinham visto a estrela, eles tiveram a valentia de perguntar: “Onde Ele está?” E logo, em terceiro lugar, seu exemplo: “Viemos a adorá-lo”.
I. Consideremos SUA PERGUNTA: “Onde está aquele?

Muitas coisas são evidentes nessa pergunta. É claro que quando os magos fizeram essas pergunta, tinham em suas mentes um vivo interesse. O rei dos judeus tinha nascido, porem Herodes não perguntou: “Onde ele está?” somente depois ele  fez a pergunta com um espírito mal intencionado. Cristo nasceu em Belém, perto de Jerusalém; no entanto, ao longo de todas as ruas da cidade santa não havia pessoas que perguntassem: “Onde ele está?”. 
Meus queridos ouvintes, quero crer que existem aqui pessoas querendo saber onde está Jesus, porque, nos vemos forçados a lamentar amargamente o desinteressa da humanidade pelo Bendito Senhor.
Desprezado e rejeitado entre os homens, os seres humanos não vem Nele nenhuma formosura para desejá-lo; mas existe um povo que o ama e que procura por ele diligentemente e que sai a recebê-lo; para eles, Ele lhes dá poder de serem feitos filhos de Deus. Portanto, é uma feliz circunstância quando existe evidência de um interesse. 
Nem sempre existe um interesse evidente nas coisas de Cristo, ainda mesmo em nossos ouvintes regulares. Ir à adoração pública se converte em mero hábito mecânico; vocês se acostumam a estarem sentados durante uma parte do serviço, e a se colocarem de pé e a cantar em outra parte, e a escutar o pregador com uma aparente atenção durante o discurso; porem, estar realmente interessado, anelar saber de que tudo isso se trata, especialmente saber se possuem parte Nele, se Jesus veio dos céus para salvá-los, se nasceu de uma virgem por vocês, fazer essas perguntas pessoais com profunda ansiedade, está longe de ser uma prática generalizada; queira Deus que todos os que têm ouvidos para ouvir ouçam de verdade. 
 Quando um homem escuta com profunda atenção a palavra de Deus, quando pesquisa o livro de Deus e se entrega a uma meditação profunda com intenções de entender o Evangelho, temos muita esperança nele. 
Porem, no caso dos magos, vemos não somente uma amostra de interesse, mas sim a confissão de uma crença. Eles perguntaram: “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus?”,  Oh, que vocês pudessem ir desde esse ponto de fé para outro e se convertessem em ardentes crentes em Jesus. Esses magos tinham tanta fé que criam que Cristo tinha nascido, e que tinha nascido sendo Rei. Muitos que não são salvos sabem que Jesus é o Filho de Deus, porém não o servem.MAS E VOCÊ, SE VOCÊ SABE QUE JESUS É O SEU REI, ENTÃO PORQUE NÃO O SERVE?
Vocês ocupam certamente a posição de pessoas altamente favorecidas. . Valorizem o que já receberam. Quando os olhos de um homem estiveram cerrados longamente nas trevas, se o oculista lhe dá um pouco de luz, ele está muito agradecido por isso, e tem a esperança de que o olho não esteja destruído, que talvez graças a outra operação lhe possam tirar as escamas, e a luz plena possa entrar a plenos raios no entenebrecido globo ocular. Oh alma, que logo passará para o outro mundo, que está tão segura de perder-se a menos que tenha a luz divina, que está tão segura de ser lançada às trevas exteriores onde há pranto, gritos e rugir de dentes, você deve estar agradecida por uma fagulha de luz celestial; valorize-a, entesoure-a, tenha ansiedade a respeito dela para que possa chegar a algo mais, e quem sabe se o Senhor irá abençoá-la com a plenitude de Sua verdade?
Quando a grande ponte sobre as cataratas do Niágara foi construída, a dificuldade consistia em passar a primeira corda através da ampla corrente. Eu li que puderam fazer isso lançando uma pipa ao ar e a deixando-a cair na ribeira oposta. A pipa transportou um pedaço de laço, e o laço ia atado a uma corda, e tal corda ia atada com um cabo, e o cabo ia atado com outro cabo mais forte. E pouco a pouco chegaram de um lado a outro do Niágara e concluíram a construção da ponte. De igual maneira, Deus trabalha gradualmente. É um belo espetáculo ver um pouco de interesse nos corações humanos a respeito das coisas divinas, ver algum pequeno anseio por Cristo, algum fraco desejo de saber quem Ele é e o que Ele é, e se está disponível para o caso do pecador. Essa fome conduzirá a um anseio veemente de mais coisas, e esse anseio veemente será seguido por outro, até que, por fim, a alma encontrará seu Senhor e ficará satisfeita Nele. Portanto, no caso dos magos, havia evidência de um interesse e de certa medida de profissão de fé, como espero que exista em alguns dos presentes aqui.
Alem disso, no caso dos magos, vemos uma admitida ignorância. Os estudiosos nunca desdenham fazer perguntas, porque são homens sábios; sendo assim sábios perguntaram: “Onde ele está?”. Pessoas que tomaram o nome e grau de sábios, e são consideradas nessa categoria, algumas vezes pensam que é abaixo de seu nível confessar algum grau de ignorância; porem, aqueles que são realmente sábios não pensam assim; estão demasiadamente bem instruídos para ignorarem sua própria ignorância. Muitos homens poderiam ser sábios somente com estarem conscientes de que eram néscios. O conhecimento de nossa ignorância é a escada da porta do templo do conhecimento. Alguns pensam que sabem, e por isso nunca chegam a conhecer. De terem conhecido que estavam cegos, logo teriam sido conduzidos a ver, porem, como diziam: “Vemos”, sua cegueira permanece.
Amado ouvinte, vocês precisam encontrar um Salvador? Gostaria de bom grado que todos seus pecados fossem apagados? Gostaria de ser reconciliado com Deus por meio de Jesus Cristo? Então, que não lhe dê vergonha perguntar, admita que não sabe ou conhece. Como poderia saber se o céu não lhe ensinasse? Como poderia alcançar o conhecimento das coisas divinas a menos que lhe seja dado de cima? Todos nós temos de ser instruídos pelo Espírito Santo, ou seremos néscios para sempre. Saber que devemos ser instruídos pelo Espírito Santo é umas das primeiras lições que o próprio Espírito Santo nos ensina. Admita que você necessita de um guia, e pergunte diligentemente para que ache um. Clame a Deus pedindo-lhe que o guie, e Ele será seu instrutor. Não seja altivo nem autossuficiente. Peça pela luz celestial, e você a receberá; por acaso não é melhor que peça a Deus que lhe ensine em vez de confiar em sua própria razão desvalida? Dobra, então, seu joelho, e confessa sua propensão ao erro, e diga: “Ensine-me Tu o que não sei”.


II. Tendo falado da pergunta dos magos, irei notar agora SUA MOTIVAÇÃO. Algo foi o que motivou esses magos a buscarem a Jesus, e foi isso: “temos visto Sua estrela”.
Vejam bem, a maioria de vocês, buscadores de Cristo, possuem uma grande motivação no fato de escutaram Seu Evangelho; vivem em uma terra que possui as Escrituras e na que as ordenanças da casa de Deus são administradas livremente. Essas são, por assim dizer, as estrelas de Cristo; possuem o propósito de conduzi-los para Ele mesmo. Observem aqui que ver Sua estrela era um grande favor. Não foi concedido a todos os moradores no oriente ou no ocidente que vissem Sua estrela. Esses homens, portanto, eram altamente privilegiados. Não é concedido para todos escutar o Evangelho; Jesus não é pregado em todas nossas ruas; Sua cruz não é levantada em alto nem mesmo em cada lugar dedicado a Sua adoração. Você é muito favorecido, oh meu amigo, se tem visto a estrela, o Evangelho, que aponta para Jesus!
Ver a estrela implicou para esses magos uma grande responsabilidade. Suponham que esses sábios tivessem visto Sua estrela, mas que não tivessem se colocado no caminho para adorá-Lo. Então teriam sido muito mais culpáveis que outros indivíduos que, não tendo recebido tal indicação do céu, teriam sido incapazes de prestar-lhe atenção. Oh, pensem na responsabilidade de alguns de vocês que em sua infância ouviram sobre um Salvador e pelos quais uma mãe chorou durante muitos anos; vocês conhecem a verdade, ao menos em sua teoria; vocês tem a responsabilidade de terem visto a estrela.
Os magos não consideram o favor de ver a estrela como um assunto que bastava. Não disseram: “Temos visto sua estrela e isso basta”. Muitos dizem: “Bem, frequentamos um lugar de adoração, isso não basta?”. Há os que dizem: “Nós fomos batizados; o batismo trouxe consigo a regeneração, apelamos ao sacramento, e não alcançamos graça por seu meio?”. Pobres almas! Confundem a estrela que conduz a Cristo com o Cristo mesmo, e adoram a estrela em vez de adorar ao Senhor. Oh, que nenhum de vocês seja tão néscio para confiar nas ordenanças externas! Se dependessem dos sacramentos ou da adoração pública, Deus lhes diria: “Não me tragam mais vãs ofertas; o incenso me é abominável. Quem demanda isso de vossas mãos, quando vocês vem apresentá-los diante de mim para pisar meus átrios?” 
Para Deus, que importância tem as formas e as cerimônias externas? Quando vejo que homens colocam sobre si capas brancas, estolas, manípulos[2], cantam suas orações, fazem referência e se ajoelham, me pergunto que tipo de deus é esse que eles adoram. Certamente deve ter mais afinidade com os deuses dos pagãos do que com o grandioso Jeová, que fez os céus e a terra. 
Observem definidamente a glória excepcional das obras do SENHOR na terra e no mar; contemplem os céus e suas incontáveis hostes de estrelas, escutem o uivo do vento e a fúria do furacão, pensem Naquele que converte as nuvens em Seu carro e cavalga sobre as asas do vento, e logo considerem se esse infinito Deus é parecido a esse ser para quem é um assunto de suma importância que uma copa de vinho seja levantada em adoração até a altura do cabelo do homem ou somente até a altura de seu nariz. Oh néscia geração, que pensa que O SENHOR está contido em seus templos feitos com mãos, e que se preocupa por suas vestes, suas procissões, suas posturas e suas genuflexões. Vocês se guerreiam por seu ritual, e o consideram até nos jotas e nos tils. Certamente não conhecem ao glorioso Jeová, se concebem que essas coisas produzem para Ele algum prazer. E mais, amados, desejamos adorar ao Altíssimo em toda simplicidade e sinceridade de espírito, e não nos determos na forma externa, para não sermos o suficientemente néscios de pensar que basta ver a estrela e, por isso, deixar de encontrar ao Deus encarnado.
Notem bem que esses magos não encontraram satisfação no que eles mesmos tinham feito para chegar ao menino. Como temos observado, é possível que tivessem vindo de centenas de kilômetros de distância, porem, não o mencionaram; não se sentaram para dizer: “Bem, temos viajado através de desertos, sobre montes, e temos atravessados rios, e isso basta.” Não, eles tinham que encontrar ao Rei que acabava de nascer, e nenhuma outra coisa lhes satisfaria. 
Não diga, querido ouvinte: “estive orando durante meses, estive pesquisando as Escrituras durante semanas para encontrar ao Salvador”. Alegra-me que tenha feito isso, mas não descanse ai; tem que chegar a Cristo, ou do contrário perecerá, apesar de todo teu esforço e de todos seus problemas. Você precisa de Jesus, nada mais que Jesus, mas nada menos que Jesus. Tampouco deve estar satisfeito com viajar no caminho em que a estrela lhe guia, mas você tem que chegar a Ele. Não fiques aquém da vida eterna. Apegue-se a ela, não a busque nem a deseje simplesmente, mas sim que deve se apoderar da vida eterna, e não deve estar contente até que seja um fato confirmado que Jesus Cristo é seu.
Gostaria que notassem como esses magos não ficaram satisfeitos com o simples fatode chegarem a Jerusalém. Poderiam ter dito: “ah, agora estamos na terra onde o Menino nasceu; estamos agradecidos e descansaremos!”. Não, mas antes perguntaram: “Onde ele está?”. 
 Se houvesse um perigo por cima de qualquer outro que o jovem buscador tenha que enfrentar, é o perigo de ficar aquém de uma sólida fé em Jesus Cristo. Enquanto seu coração seja brando como a cera, cuide de que nenhum selo, salvo o de Cristo, seja estampado nele. Agora que está inquieto e desconsolado, faça esse voto: “não serei consolado até que Cristo me console”. Seria melhor para você que jamais fosse despertado do que ser embalado por Satanás até o sono, pois o sonho que sucede a uma convicção parcial é geralmente a letargia mais profunda que pode sobrevir aos filhos dos homens. Minh’alma, eu lhe exorto que vá até o sangue de Cristo, e que seja lavada nele; vai até a vida de Cristo para que essa vida esteja em você, para que seja verdadeiramente um filho de Deus; não aceite suposições, não fique satisfeito com aparências e hipóteses; não descanse em nenhuma parte até que – tendo dado Deus a fé para dizê-lo – tenha dito: “Ele me amou e se entregou por mim; Ele é toda minha salvação e meu desejo”.
Vejam então, como esses magos não foram conduzidos pela visão da estrela a se manterem longe de Cristo, mas que, muito melhor, foram animados por ela a virem a Cristo, e você também, caro buscador, anime-se nessa manhã em vir a Jesus pelo fato de que você é abençoado com o Evangelho. Você tem recebido um convite para vir a Jesus, tem os movimentos do Espírito de Deus em sua consciência que lhe estão despertando; oh, vem, vem e seja bem vindo, e deixe que esse bruto dia de inverno seja um dia de fulgor e de alegria para muitas almas que estão buscando.

III. E agora vamos concluir considerando O EXEMPLO desses magos. Eles vieram até Jesus, e ao chegarem, fizeram três coisas: viram, adoraram e ofertaram. Essas são três coisas que cada crente poderia repetir aqui essa manhã, e cada buscador deveria realizar pela primeira vez.
Primeiro, viram o Menino recém-nascido. Não creio que tenham dito simplesmente: “ali está”, e que assim o assunto estava acabado, mas que se detiveram e olharam. Talvez emudeceram durante alguns minutos. Não me resta dúvida de que em Seu rosto transparecia uma beleza sobrenatural. Se a beleza era evidente a todo olhar, eu não sei, mas para os olhos dos magos certamente havia uma atração sobre-humana. O Deus encarnado! Olharam com muita atenção. Olharam, olharam e olharam repetidamente. Viram Sua mãe, mas detiveram seu olhar Nele. “Viram o menino”. Assim, também, pensemos em Jesus nessa manhã com um pensamento fixo e contínuo. Ele é Deus, Ele é homem, Ele é o substituto dos pecadores; Ele está de acordo em receber a todos os que confiem Nele. Ele salvará, e salvará nessa manhã a todos nós que confiemos Nele. Pensem Nele. Se vocês estiverem em casa nessa tarde, dediquem um tempo para pensar Nele. Visualizem-No com sua mente, considerem e admirem-Lhe. Por acaso não é um prodígio que Deus entre em união com o homem e que venha a esse mundo como um terno infante? Aquele que fez os céus e a terra é estreitado no peito de uma mãe! O verbo se fez carne para nos redimir. Essa verdade gerará a mais refulgente esperança no interior de sua alma. Se vocês seguem a assombrosa vida desse bebê até sua conclusão na cruz, eu confio que ali o olharão de tal maneira que assim como Moisés levantou a serpente no deserto e os que olhavam para ela eram sarados, assim também, se vocês olham, que sejam sarados de todas suas enfermidades espirituais. Ainda que já tenha muitos anos que eu O olhei pela primeira vez, desejo olhar para Jesus de novo. O Deus encarnado! Meus olhos se enchem de lágrimas ao pensar que Aquele que poderia ter me esmagado no inferno para sempre, se converte em uma terna criança por minha causa. Vejam-No, todos vocês, e O vendo, adorem.
O que os sábios fizeram depois? Eles o adoraram. Não podemos adorar apropriadamente a um Cristo que não conhecemos. “Ao Deus desconhecido” como adoravam os pagãos.

Nós adoramos a Jesus. Nossa fé O vê ir da manjedoura à cruz, e da cruz diretamente ao trono, e ali onde Jeová habita, em meio da esmagadora glória da presença divina está o Homem, o preciso Homem que dormiu na manjedoura em Belém; ali reina como Senhor dos senhores. Nossas almas lhe adoram outra vez. Tu és nosso Profeta: cada palavra que dizes, Jesus, a cremos e desejamos segui-la. Tu és nosso Sacerdote: Teu sacrifício nos limpou, temos sido lavados em Teu sangue. Tu és nosso Rei: ordena e nós obedeceremos, guia-nos e nós lhe seguiremos. Nós te adoramos. Deveríamos passar muito tempo adorando ao Cristo, e Ele deveria ter sempre o lugar mais proeminente em nossa reverência.
Depois de adorar, os magos apresentaram suas ofertas. Um abriu seu cofre de ouro e colocou aos pés do Rei recém-nascido. Outro apresentou incenso, um dos produtos preciosos do país de onde vinham; e outro depositou mirra aos pés do Redentor; todas essas coisas as ofereceram para demonstrar a realidade genuína de sua adoração. Apresentaram ofertas substanciais com mãos generosas, e agora, depois de que tenham adorado a Cristo no interior de sua alma, e de que o tenham visto com o olho da fé, não será necessário que lhes diga que se entreguem vocês mesmo, que doem seus corações a Cristo, que Lhe ofereçam suas riquezas. Vamos, vocês não poderiam evitar fazer isso. Aquele que realmente ama ao Salvador em seu coração não pode evitar entregar-lhe sua vida, suas forças, seu tudo. Para algumas pessoas, quando dão algo a Cristo, ou fazem qualquer coisa para Ele, se trata de um trabalho terrivelmente forçado. Dizem: “o amor de Cristo deveria nos constranger”. No entanto, eu não creio que exista um texto assim na Bíblia. Eu recordo de um texto que diz assim: “O amor de Cristo nos constrange”. Se não nos constrange, é porque não está em nós. Não é meramente algo que deveria ser, mas sim algo que tem que ser. Se alguém ama a Cristo, logo estará encontrando formas e meio de demonstrar seu amor por seus sacrifícios. Volte para casa, Maria, e toma o frasco de alabastro, e derrama o unguento sobre Sua cabeça, e se alguém lhe disser: “Por que esse desperdício?” você terá uma boa resposta, que é: a ti se lhe há dado muito, portanto, ama muito. Se você tem ouro, dá; se tem incenso, dá; se possui mirra, dá a Jesus; se não possui nenhuma dessas coisas, dê-lhe seu amor, todo seu amor, e isso será ouro e especiarias, tudo em um; dê a Ele sua língua, Fale Dele; dê suas mãos, trabalhe para ele; dê-lhe todo seu ser. Eu sei que você o fará, pois Ele o amou e se entregou por você. Que o Senhor os abençoe, e que nessa manhã de domingo de Natal seja um dia muito memorável para muitos que se encontram no meio dessa multidão congregada aqui. Estou surpreendido de ver um número tão vasto aqui presente, e só posso esperar que a benção seja proporcional, por causa de Jesus. Amém.


Sermão nº 967 — Volume 16 do The Metropolitan Tabernacle Pulpit,

sermão de natal C.H.SPURGEON

9 de dezembro de 2013

Phoebe Palmer avivalista do movimento HOLINESS


Phoebe Palmer

 




O Movimento holiness                   ( em português, santidade )foi evocado por avivalistas norte-americanos e pelo evangelista Metodista  James Caughey, bem como o presbiteriano Asa Mahan e o presbiteriano que virou congregacionalista   Charles Finney. Eles  começaram a ensinar o conceito de vida em santidade como uma “segunda obra da graça”.2

Pouco depois destas primeiras infusões de ideias Holiness, o Dr. Walter Palmer e sua esposa  Phoebe Palmer de Nova York, foram para a Inglaterra nos anos 1850 e de 1860, para promovê-los. Phoebe Palmer,   uma líder leiga,3 destacou-se por promover reuniões de "santidade" e por publicar um influente periódico, tendo sido evangelista itinerante não somente na Europa, mas também na América do Norte.2

 


O reavivamento de santidade que varreu a América em 1800 foi um avivamento bíblico de fé. A santidade de coração era fundamental para a fé. A pregação e o ensino eram centrados na vida cheia do Espírito santificado. Pregadores proclamavam que a santidade era disponível como salvação, com base na fé. Mas alertavam que a santidade era mais do que uma vida de rendição, era uma vida guiada pelo Espírito Santo que conduzia a intimidade com o Senhor. Como a fé vem pelo ouvir, todos precisam aprender a ouvir, tanto a palavra, como a voz interior do Espírito Santo. Ousadia em buscar a Deus produz uma fé inabalável.  

A chave dos avivamentos era a fé na palavra de Deus, mas essa fé deveria ser expressa e testemunhada somente depois da pessoa começar a andar em santidade. Nesse tempo , Phoebe Palmer disse:  "Há leis que governam" o universo moral 'de Deus, assim como existem leis que governam o universo físico. Esta estrutura de causa e efeito moral ou espiritual é revelado principalmente na Bíblia .... Se alguém entende essas leis e atos, de acordo com eles, é certo que os meios designados vão alcançar os fins desejados .... Os efeitos da fé deve necessariamente seguir, porque os princípios pelos quais o reino da graça é regido são imutáveis. "

Esse avivamento ensinou que as "leis da fé" são princípios pelos quais o cristão cumpre as condições das promessas da aliança de Deus, e Deus responde. Os cristãos entenderam a necessidade de crer sem qualquer outra evidência, a não ser a Palavra de Deus. Eles proclamaram que, quando foram atendidas as condições de Deus, Deus faria a sua parte, com ou sem qualquer testemunha emocional para os sentidos. Santidade deve ser aceita pela fé antes de haver qualquer mudança consciente.  

Em seu prefácio para a beleza da santidade , Timothy L. Smith  escreveu: "Phoebe Palmer ... exerceu uma influência contínua sobre pregadores metodistas e suas esposas e sobre os líderes de destaque na maior denominação protestante da América por 25 anos .... Ela também se tornou uma das mais conhecidas escritoras religiosas do país e uma das mais poderosas oradoras do Metodismo "

Estima-se que Palmer levou mais de 25.000 pessoas para o Senhor.  Ela influenciou BT Roberts , fundador da Igreja Metodista Livre; Hannah Whitall Smith; AB Simpson , fundador da Aliança Cristã e Missionária, e evangelista DL Moody , que seguiu suas práticas de avivamento. No outono de 1857 quando a palavra de seus revivals espalhou por Nova York, uma reunião de oração para os empresários foi lançado e se transformou em um renascimento em todo o país conhecido como o "ano de milagres."


Palmer ensinou que:

(1)              Fé e santidade vão de mão em mão. A fé faz você santo, e confissão permite que você persevere em santidade

(2)              Fé Santificada acende o avivamento. Deus não pode trabalhar onde incredulidade prevalece. A fé envolve rendição plena e total confiança em Deus.

(3) Verbalize  a sua fé. Palmer aconselhou um amigo ", Não se esqueça que, crendo com o coração, e confessando com a boca, são princípios correlatos e intimamente ligados .... Se o seu coração acreditou, você então deve confessar com a boca. E, assim,você não deixa o seu trabalho incompleto .... Você tornou-se "cauteloso em professar a bênção", ao invés de  ter "deixado de cumprir com a condição" estabelecidas por Deus. "

(4) Tenha uma fé baseada na Bíblia. Palmer e os pregadores da santificação viveram muito antes dos cultos da nova era e confissão positiva do ensino de exigir direitos a Deus. Se eles vivessem nesses tempos, com certeza, abominariam essas práticas por NÃO SEREM BÍBLICAS. Ela aconselhava a seus ouvintes: "Não olhe para a prova física ou manifestações, mas olhe para a Bíblia”

(5) A fé é a guerra espiritual. Um cristão deve fazer a batalha com as forças espirituais das trevas e vencê-las pelo poder de Cristo. 

(6) A fé deve exercer a sua autoridade. fé deve ser posta em prática em palavras e atos. Oração sem fé é impotente.



Samuel Logan Brengle do Exército da Salvação escreveu em seu livro “ O Progresso da Santidade”  que a batalha da fé é com o diabo: "É uma luta de fé em que a alma se apodera da promessa de Deus, e mantém-se firme nessa promessa, CRENDO E DECLARANDO QUE ELA É VERDADEIRA,  apesar de mentiras do diabo, apesar de todas as circunstâncias e sentimentos em contrário,  E ATÉ MESMO QUANDO PÁRECE QUE O SENHOR NÃO ESTÁ OUVINDO.

 Quando uma alma chega ao ponto em que ele vai fazer isso, e se apegam a profissão de sua fé, sem vacilar, ele logo vai sair dos nevoeiros e névoas e crepúsculo de dúvida e incerteza para o dia largo de segurança perfeita. " Você deve permanecer nas promessas de Deus contra as mentiras do diabo, e contra todas circunstâncias e sentimentos de seu coração, caso seja preciso.

 

 

 

 

5 de dezembro de 2013

PETER MARSHALL Capelão do Senado Americano



"Enquanto suspiramos por uma vida sem dificuldades, devemos nos lembrar que o carvalho cresce forte através de ventos contrários e que os diamantes são formados sob pressão." Peter marshal








Peter Marshall (1902-1949) nasceu na Escócia, sendo seus pais muito pobres. Aos 24 anos emigrou para os Estados Unidos. Em 1931 completou seu curso no Seminário Teológico de Columbia e tornou-se pastor. Em 1937 tornou-se pastor na tradicional Igreja Presbiteriana em Washington-DC, onde o presidente Abraham Lincolm havia sido membro. Foi capelão do Senado americano e um dos maiores pregadores que o país conheceu. Casou-se com Catherine Marshall, escritora de 20 livros, inclusive o livro sobre a vida de seu marido, A Man called Peter ("Para todo o sempre"). Morreu em 1983 e foi enterrada junto ao marido. O filho, Peter John Marshall, seguiu os passos do pai como pastor - em Massachusetts - e os da mãe como escritor.

A seguir, transcrevo parte de seu sermão "Abaixo a morte", algo que todos nós precisamos ler e se possível passar adiante aos nossos amigos...

A vida comeca na concepcão.
Quando ela ocorre, dois germens microscópicos de vida se unem e se tornam um – e uma nova pessoa comeca o primeiro estágio de sua existência.

Naquele átomo vivo, há em miniatura as qualidades e capacidades da pessoa adulta –
seu sexo e altura
a cor de seu cabelo e de seus olhos
seu temperamento e habilidade intelectual
seu talento individual
e, em maior medida, seu caráter e destino.

O primeiro estágio de vida, no entanto, é puramente físico.
É uma vida dentro da escuridão, devotada inteiramente a crescer e a preparar-se para a vida que comeca.
Há olhos, mas eles não vêem.
Há ouvidos, mas eles não ouvem.
Há um cérebro, mas ele não pensa.
Há nervos, mas eles não sentem.

E o fato de que essas qualidades estejam presentes e ainda não usadas no primeiro estágio da vida é evidente que uma outra espécie de vida virá após.

No tempo certo, a crianca morre para o primeiro estágio de sua vida e nasce para o segundo.
Isso parece ser uma tarefa penosa – mas a bondosa natureza tem planejado todas as coisas perfeitamente.
Ela não sente.

Há uma pequena e imediata mudanca na crianca.
Ela nasce para uma segunda forma de vida e faz um grande progresso.
Ela vê a luz – e é fascinada por ela.
E pisca por causa dela.
Com seus sentidos despertos, agora ela pode sentir.
Ela pode ouvir.
Ela pode cheirar.
Ela torna-se consciente da sua existência.
Cedo ela pode mover-se e comeca a descobrir e compreender e alegrar-se com as maravilhas do mundo de sua segunda vida.
Essa segunda vida é física como a primeira – mas dá a ela uma nova capacidade.
Ela pode pensar.

Por muitos anos, ela pode gozar de sua vida intelectual
raciocinando,
planejando,
refletindo,
aprendendo,
usando seu conhecimento para construir sua sabedoria,
fazendo deducões,
chegando a conclusões.
Então, o quê?
Ela fica gasta, morre, e não vive mais?

Na sua segunda forma de vida, assim como na primeira, ela desenvolve capacidades não requeridas em sua presente existência.
Nesta vida presente, ela precisa nada mais do que os animais.
São essas altas qualidades desenvolvidas simplesmente destinadas para a sepultura?

Ela sonha além de seu alcance.
Plantada dentro dela há um profundo anseio por um amanhã dourado quando não haverá mais dor
Nem choro
Nem pesar
Nem morte
Nem partida
Quando ela verá rostos sorrindo que ela tanto amou em vida e perdeu…
Algo dentro de nós aspira por uma outra vida.
Há um anseio intuitivo – por quê?
De onde vem ele?
Quem o plantou dentro de nós?

Por que duvidamos que viveremos em uma terceira forma de vida após morrermos para esta vida?
E por que duvidamos que a bondosa natureza – ou eu preferirei chamar de um amoroso Pai celestial – fará aquele segundo nascimento tão fácil e tão proveitoso quanto o primeiro?


Em um lar que eu conheco um meninozinho – filho único – ficou doente com uma doenca incurável.

Mês após mês a mãezinha cuidou ternamente dele, leu para ele, brincou com ele, na esperanca de evitar que ele compreendesse o que estava à sua frente.

Mas, com o tempo, como não melhorasse, o garoto por si compreendeu que jamais viria a ser como os outros garotos que via por fora de sua janela brincando; compreendeu que iria morrer.

Um dia, sua mãe estava contando-lhe histórias de grandes homens que morreram triunfalmente quando foi interrompida pela voz fraquinha do menino: ’Mamãe, o que é morrer? Morrer dói, mamãe?’

Lágrimas inundaram os olhos da mãe que correu para o fogão alegando haver algo queimando na cozinha. E na cozinha encostou-se no armário com os punhos cerrados, comprimidos contra a superfície lisa, fez uma oracão a Deus para que Ele lhe desse palavras para responder a pergunta tão importante do menino. E o Senhor ensinou-lhe o que dizer.

Voltando ao quarto, disse-lhe: ‘Kenneth, você se lembra de quando era bem pequenino, como brincava tanto o dia todo que ao anoitecer você se atirava na cama da mamãe e dormia?! Aquela não era a sua cama, não era onde você deveria estar. E você ficava ali somente um pouco. De manhã, espantado, você acordava e via que estava em sua própria cama, em seu próprio quarto. Você estava ali porque alguém amava você e havia tomado conta de você. Seu pai tinha vindo – com bracos fortes e grandes – e havia carregado você. Kenneth, a morte é exatamente assim. Uma manhä simplesmente acordamos para nos encontrar em outro quarto – o nosso próprio quarto – porque o Senhor Jesus nos amou.’

Com o rosto iluminado, o garotinho disse-lhe que não tinha mais medo da morte e que confiava no Pai Celestial. Nunca mais fez perguntas. E diversas semanas mais tarde adormeceu, exatamente como ela lhe dissera.

E finalizando seu sermão, o Rev. Peter Marshall desafia aos seus ouvintes:

É somente quando nós conhecemos a Jesus Cristo que não ficamos com medo, porque não há nada a temer.
É somente quando não mais tememos a morte é que perdemos todos os outros temores.

E é somente quando não mais temos temor é que comecamos de fato a viver…
Através de cada experiência, dolorosa ou alegre, em gratidão por cada momento desta vida plena.

Ser livre – livre como um passarinho – simplesmente significa não temer, na sua mais plena consciência, a qual significa também o reconhecimento da morte.

Se você teme a morte, então você teme a vida.
Somente quando você tem uma causa pela qual morrer, você terá uma causa pela qual viver.

E quando a morte vem, virá como um amigo bem-vindo, enviado para levar você à gloriosa vida que o aguarda ao dobrar a esquina.

Mas o que você fará se não conhece a Jesus?
Você precisa crer no que Ele disse:


“… Porque eu vivo, vós também vivereis.” (João 14:19)


“Na casa de meu Pai há muitas moradas: se assim não fosse eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também.” (João 14:2-3)







 
 
 
 
 
 
 
 

4 de dezembro de 2013

Pearl S. Buck, prêmio Nobel de Literatura

Pearl S. Buck



Escritora norte-americana (26/6/1892-6/3/1973), conhecida por seus romances sobre a China e vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1938. Filha de missionários protestantes, Pearl Sydenstricker Buck nasce em Hillsboro, Virgínia, e é levada à China com meses de idade, onde aprende a falar e a escrever chinês em Xangai antes de sua língua materna.
Aprende inglês com a mãe e, em 1909, retorna aos Estados Unidos para estudar no colégio feminino de Lynchburg, onde se forma em literatura inglesa. Volta à China em 1914 para lecionar na Universidade de Nanquim e, três anos depois, casa-se com o agrônomo-missionário John Buck, professor da mesma universidade. Publica seus primeiros artigos e histórias sobre a China em revistas norte-americanas a partir de 1923.



Frases de Pearl  S. Buck, prêmio Nobel de Literatura




Muitas pessoas perdem
as pequenas alegrias enquanto
aguardam a grande felicidade
.
Pearl S. Buck

Eu não espero pela disposição. Você não realiza nada se fizer isso.
Pearl S. Buck
·          
Todo grande erro tem um momento no meio do caminho, uma fração de segundo em que ele pode ser interrompido e talvez remediado. "
Pearl S. Buck
.

"A busca da perfeição faz com que algumas pessoas fiquem totalmente insuportáveis."



Frases de Pearl  S. Buck, prêmio Nobel de Literatura