9 de agosto de 2011

John Wesley, considerado o homem mais influente da história da inglaterra. Fundou a igreja metodista e boicotou a revolução francesa




John Wesley
Eu me coloco em chamas, e o povo vem para me ver queimar" - John Wesley (respondendo à pergunta de como ele atraía as multidões)
"Eu considero todo o mundo como a minha paróquia; em qualquer parte que eu esteja, eu considero que é certo, correto e o meu sagrado dever declarar a todos que estejam dispostos a ouvir, as boas novas da salvação." - John Wesley
"Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo." - John Wesley
(Citações do livro "On Earth as it is in Heaven" por Stephen L Hill)
O Grande Reavivament dos anos 1739 - 91 é frequentemente chamado de Reavivamento Wesleyano. É que, embora Deus tivesse usado grandemente George Whitefield, os dois irmãos Wesley e dúzias de pregadores leigos para acender o fogo de reavivamento, John Wesley pregou em mais lugares, a mais pessoas e durante um maior número de anos do que os outros. Ele também fez mais para conservar o fruto do reavivamento. John Wesley foi claremente o líder escolhido por Deus para este impressionante despertamento espirtual. - Wesley Duewel, O Fogo de Reavivamento







Em 1729 Charles Wesley, o irmão de John, e mais dois estudantes começaram um pequeno grupo que se reunia para oração, estudo bíblico e encorajamento mútuo. John logo tornou-se o líder do grupo, que era chamado o "Clube Santo". Eles usavam um sistema metódico de auto-exame e auto-disciplina, e por este motivo foram chamados de 'metodistas' por alguns. O grupo nunca cresceu muito, variando entre 10 e 15 membros, com um máximo de 25. Um outro jovem chamado George Whitefield juntou-se ao grupo depois de alguns anos, tornando-se um grande amigo de John Wesley.









John Wesley
Em 28 de junho de 1703 nascia em Lincolnshire, na Inglaterra, o fundador da Igreja Metodista Wesleyana: John Wesley, cuja esposa chamava-se Mary Wesley, era o 12º dos dezenove filhos do reverendo Samuel Wesley, um pároco de Epworth.

Quando completava seis anos, quase perdeu a vida num incêndio à noite, provocado por um grupo de malfeitores. Ele foi realmente um tição tirado do fogo

Enquanto John Wesley era ordenado ao ministério e ajudava o pai em casa, Charles, o irmão mais novo, organizava em Oxford um pequeno grupo de estudantes para orações regulares, estudos bíblicos e outros serviços cristãos. O Clube Santo, como era chamado, incluía vários integrantes, que, mais tarde, tornaram-se pioneiros de um avivamento, ocorrido no século XVIII, destacando-se, entre outros, George Whitfield.

Obedecendo ao Senhor, John Wesley viajou para colônia em Georgia, como capelão, em 1736. Charles nesta época, era secretário do governador e o piedoso trabalho em Georgia, embora com muitas lutas, teve sucesso mais tarde. O reverendo George Whitfield, depois de visitar a sede do movimento, escreveu: "O eficiente trabalho de John Wesley na América é impressionante. Seu nome é muito precioso entre o povo, pois tem edificado as fundações que, espero, nem homens nem demônios a abalem".

Aprendendo a Confiar

Em contato com German Moravian Christians na América, Wesley questionava sobre as verdades cristãs. Sabia muito bem que o êxito de seus trabalhos estava nas mãos de Deus e, por isso, começou a buscá-lo em oração. Não demorou muito tempo e, em 24 de maio de 1738, acabou encontrando a resposta quando, de volta para a Inglaterra, resolveu registrar tudo quanto acontecera naquele dia: "A tarde, visitando a sociedade em Aldersgate Street, li o ‘Prefácio da epístola aos Romanos’ na versão de Lutero, cujas palavras tocaram-me profundamente. Senti meu coração bater fortemente. E, desde aquele momento, aprendi a confiar em Cristo como meu Salvador. Estou seguro de que os meus pecados estão perdoados. Me salvei da lei do pecado e da morte". Esta experiência mudou o rumo da vida de Wesley que, a partir daquele momento, passou a ser uma nova criatura, sendo consagrado o maior apóstolo da Inglaterra.

John Wesley começou o trabalho de pregação ao ar livre quando viajava para Bristol a fim de ajudar George Whitfield, que na época era conhecido como o mais eloqüente pregador da Inglaterra. Wesley, a princípio, rejeitou a idéia, mas uma vez convencido da vontade de Deus, acabou se tornando mais famoso que Whitfield.

Embora fosse sábio e proeminente, o itinerante evangelista era um homem simples e executou muitas obras sociais. As suas poderosas mensagens muito influenciaram a igreja que, no ano de 1739, adquiriu uma sede para o movimento metodista

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Mais tarde, John Wesley instalou a sua própria casa na parte superior da capela, onde passou a morar com a sua família. Em 1746, abriu um centro de atendimento médico e escola gratuitos, com capacidade para 60 estudantes, contratou farmacêutico, cirurgião e dois professores e, em 1748, alugou uma casa conjugada para refugiar viúvas e crianças.

Muitos foram os patrimônios conseguidos pela igreja durante os 40 anos do movimento metodista em Moorfield, organizada por John Wesley. .

No dia do Ano Novo, 1739, John e Charles Wesley, George Whitefield e mais quatro membros do Clube Santo fizeram uma festa de amor [santa ceia] em Londres. 'Cerca de três da manhã, enquanto estávamos orando, o poder de Deus caiu tremendamente sobre nós, a tal ponto que muitos gritaram de alegria e outros caíram ao chão (vencidos pelo poder de Deus). Tão logo nos recobramos um pouco dessa reverência e surpresa na presença da Sua majestade, começamos a cantar a uma voz: "Nós te louvamos, ó Deus; Te reconhecemos como Senhor"'. Este evento foi chamado de Pentecoste Metodista. - Wesley Duewel, O Fogo de Reavivamento


Sua Morte

Mesmo depois de velho quase cego e paralítico, John Wesley continuava pregando em City Road e Latherhead. E, quando percebeu que sua vida estava chegando ao fim sentou-se numa cama, bebeu um chá e cantou:

"Quando alegre eu deitar este corpo e minha vida for coroada de bênção, quão triunfante será o meu fim!

Eu glorificarei a meu Criador enquanto tenho fôlego;

E, quando a minha voz se perder na morte, empregarei minhas forças; em meus dias o glorificarei enquanto tiver fôlego até o fim de minha existência".

Wesley foi enterrado no Jardim-túmulo, em frente à capela em City Road, sob as luzes das lanternas, na manhã de 2 de março de 1791. Morreu com os olhos abertos e balbuciando a seguinte palavra: "Farwell" (adeus). Cerca de 10 mil pessoas acompanharam o funeral. E a lápide até hoje indica o significado histórico: "À memória do venerável John Wesley: o último companheiro do Lincoln College, Oxford..."

George Whitefield e John Wesley
Whitefield continuou pregando a milhares, na Inglaterra e nos Estados Unidos, até sua morte, aos 56 anos, em 1770. Ele e o John Wesley tiveram uma diferença de teologia, com o Whitefield se tornando calvinista e associando-se à igreja Presbiteriana, porém os dois permaneceram grandes amigos. Sabendo das suas diferenças doutrinárias, alguem perguntou a Whitefield se ele achava que iria ver o John Wesley no céu. "Temo que não", ele respondeu, "ele estará tão perto do trono eterno, e nos tão distantes, que quase não veremos ele".


WESLEY E O USO DO DINHEIRO
(Será que você gosta mesmo de Wesley? )
O contexto do ensino de nosso Senhor. A importância do assunto apresentado. O modo irracional de tratar o assunto, por arte dos poetas e oradores pagãos. As funções importantes do dinheiro como instrumento de fazer o bem. Dai as seguintes regras:

I. “Ganhai o mais que puderdes” – sem dano à tua vida, ou saúde, ou alma, ou a teu próximo no tocante a seu corpo ou sua alma. Ganha o mais que possas com honestidade, atividade e bom senso.

II. “Economizai o mais que puderdes”. Não gastes em desejos da carne, ou dos olhos, ou do orgulha; e, se não gastas Contigo mesmo, também não gastes com teus filhos, nem deixes fortuna para eles gastarem.

III. “Dai o mais que puderdes”. 1. Provê o necessário a ti mesmo, conscienciosamente, como diante de Deus. 2. A todos os que dependem de ti, incluindo-se todos os teus empregados. 3. Dá, segundo um juízo correto, tudo que sobrar, a Deus. Lembra-te de que não a décima parte, ou a quinta, ou a terça, ou a metade, mas tudo é de Deus.


SERMÕES DE JOHN WESLEY



O Grande Julgamento

“Todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo" (Rm 14.10)



QUANTAS circunstâncias concorrem para levantar a terribilidade da presente solenidade! A multidão geral de pessoas de todas as idades, sexo, classe social e condição de vida, reunidas de boa ou má vontade, não só das vizinhanças, mas também de regiões distantes. Crimino­sos, para prontamente serem levados à frente e sem meio de fuga; oficiais, esperando em seus vários postos para executar as ordens que lhes serão dadas; e o representante de nosso Soberano gracioso, a quem tão altamente honramos e reverenciamos. Outrossim, a ocasião desta assembléia muito acrescenta à solenidade: ouvir e determinar as causas de todo tipo, algumas das quais são da mais importante natureza, cuja causa depende não menos que a vida ou a morte — morte que revela a face da eternidade! Sem dúvida que foi para au­mentar o sentimento sério destas coisas, e não apenas na mente do povo. que a sabedoria de nossos antepassados não desdenhou desig­nar até as diminutas circunstâncias desta solenidade. Para esses tam­bém, pelos olhos ou pelos ouvidos, pode afetar o coração mais pro­fundamente; e quando visto sob esta luz, trombetas, estrofes, vestuá­rio já não são mais fúteis ou significantes, mas servis, em tipo e grau, para os mais valiosos fins da sociedade.

Mas, tão terrível quanto é esta solenidade, outra mais terrível esta à mão. Pois ainda por um pouco de tempo e todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo. Porque está escrito: Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus. De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (Rm 14.10-12).

Tivessem todos os homens um profundo senso dessa realidade, quanto efetivamente garantiria os interesses da sociedade! Pois que motivo mais convincente haveria para a prática da moralidade genu­ína, para uma busca firme da virtude sólida e um andar uniforme na justiça, misericórdia e verdade? O que fortaleceria nossas mãos em tudo o que é bom e nos dissuadiria de tudo o que é mau, senão uma convicção forte disto: "Eis que o juiz está à porta" (Tg 5-9), e que breve estaremos diante dEle?

Pode não ser impróprio ou inadequado ao desígnio da presente assembléia considerarmos:



I. As principais circunstâncias que precederão nossa posição perante o Tribunal de Cristo.

II. O próprio julgamento; e

III. Algumas circunstâncias que o seguirão.



I. Consideremos, primeiramente, as principais circunstâncias que precederão nossa posição perante o Tribunal de Cristo.



1. "Deus mostrará sinais na terra", particularmente Ele se levanta­rá "para assombrar a terra" (Is 2.19). "'De todo vacilará a terra como o ébrio e será movida e removida como a choça de noite" (Is 24.20). "Haverá terremotos" (não somente em diversos, mas) "em todos os lugares"; não apenas em uma, nem em algumas, mas em todas as partes do mundo habitável, "como nunca tinha havido desde que há homens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto". Em um deles, "toda ilha fugiu, e os montes não se acharam" (Ap 16.18,20).

Entrementes, todas as águas do globo sentirão a violência desses choques; "o mar e as ondas rugindo" com tal agitação como nunca se soubera antes desde o momento em que "as fontes do grande abismo se romperam" para destruir a terra, que então "subsistia na água e pela água". O ar será todo tempestade e tormenta, cheio de vapores escuros e colunas de fumaça, ressoando com trovões de pólo a pólo e rasgado com dez mil raios. Mas a comoção não parará na região do ar; "as potências dos céus serão abaladas" (Mt 24.29). "E haverá sinais no sol, e na lua, e nas estrelas" (Lc 21.25), as coisas fixas como tam­bém as que se movem ao redor delas. "O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes de chegar o grande e glorioso Dia do Se­nhor" (At 2.20). "As estrelas retirarão seu brilho" e "cairão do céu", sendo lançadas de suas órbitas. E então será ouvido o clamor univer­sal de todas as companhias celestiais, seguido pela "voz do arcanjo", proclamando a vinda do Filho de Deus e do Homem, "e a trombeta de Deus" soando um alarme a todos os que dormem no pó da terra. Por esta causa, todos os sepulcros se abrirão e os corpos das pessoas ressuscitarão. O mar também entregará os mortos que nele houver e todos ressuscitarão com "o seu próprio corpo', o seu próprio em substância, embora tão mudados em suas propriedades que não po­demos conceber agora. "Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade" (1 Co 15.53). "A morte e o Hades", o mundo invisível, "entregarão os mortos que neles houver", de forma que todos os que já viveram e morreram desde que Deus criou o homem serão ressus­citados incorruptíveis e imortais.



2. Ao mesmo tempo, o Filho do Homem "enviará os seus anjos" sobre toda a terra, "os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus" (Mt 24.31). E o próprio Senhor virá com nuvens na sua glória e na glória de seu Pai, com dez mil dos seus santos, miríades de anjos, e se assentará no trono da sua glória. "E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas. E porá as ovelhas [os bons] à sua direita, mas os bodes [os maus] à esquerda" (Mt 25.32.33). Concernente a esta assembléia geral, o discí­pulo amado fala: "E vi os mortos [todos os que morreram], grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros [ex­pressão figurativa, referindo-se ao modo de proceder entre os ho­mens]. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras" (Ap 20.12).



II. Estas são as principais circunstâncias que estão registradas nos oráculos de Deus, que precederão o julgamento geral. Em segundo lugar, consideraremos o próprio julgamento, tanto quanto agradou a Deus revelá-lo.



1. A pessoa por quem Deus julgará o mundo é o seu Filho unigênito, cujas "saídas são desde a eternidade"; "que é Deus sobre todos, bendito para sempre". A Ele, sendo o brilho resplandecente da glória do Pai, "a imagem expressa da sua pessoa", o Pai "entregou todo o julgamento, porque ele é o Filho do Homem"; porque, embora sendo Ele "em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fa­zendo-se semelhante aos homens"; porque, "achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente" (Fp 2.6-9), até em sua natureza humana, e "ordenou-o", como homem, a levar em juízo os filhos dos homens, a ser o Juiz dos vivos e dos mortos, tanto os que forem achados vivos na sua vinda, quanto os que já terão sido reunidos a seus pais.



2. O tempo, denominado pelo profeta como "o grande e terrível Dia", é intitulado nas Escrituras como "o Dia do Senhor'. O espaço desde a criação do homem na terra até o fim de todas as coisas é "o Dia dos filhos dos homens"; o tempo que agora está passando é apropriadamente "os nossos dias". Quando este terminar virá o Dia do Senhor. Mas quem pode dizer por quanto tempo continuará? "Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mi! anos, como um dia" (2 Pe 3-8). E desta mesma expres­são alguns pais da antigüidade chegaram à conclusão de que o que é chamado o Dia do Julgamento seria mil anos; e parece que eles não foram além da verdade; muito provavelmente não atingiram o ponto. Pois, se considerarmos o número de pessoas que deverão ser julgadas, e as ações que deverão ser investigadas, não parece que mil anos bastarão para tudo o que está reservado àquele dia; portanto, não é improvável que inclua vários milhares de anos. Mas Deus também revelará isto a seu tempo.



3. Com respeito ao lugar onde o gênero humano será julgado, não temos relato explícito na Escritura. O eminente escritor (que não está só; muitos são da mesma opinião) supõe que será na terra onde as obras foram feitas, de acordo com as quais as pessoas serão julgadas; e que Deus empregará, para essa ordem, os anjos do seu exército:



Para alisar e alongar o espaço ilimitado,

E espraiar uma área para o gênero humano.



Mas talvez esteja mais de acordo à contagem de nosso Senhor, quanto à sua vinda nas nuvens, supor que será na terra, se não "duas vezes a altura planetária". E esta suposição não é pouco favorecida pelo que o apóstolo Paulo escreve aos tessalonicenses: "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" (1 Ts 4.16,17).

Assim parece muito provável que o grande trono branco será exal­tado sobre a terra.



4. Quem pode contar as pessoas a serem julgadas, mais do que se pode contar as gotas da chuva ou a areia do mar? "Olhei", disse o apóstolo João, "e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia con­tar, [...] trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos" (Ap 7.9). Quão imensa deve ser a multidão total de todas as nações, famílias, povos e línguas; todos que saíram dos lombos de Adão desde que o mundo começou até o tempo que não será mais! Se admitirmos a suposição comum, que não parece de modo algum absurda, de que a terra suportaria ao mesmo tempo não menos que quatrocentas mi­lhões de almas viventes — homens, mulheres e crianças —, que con­gregação todas estas gerações farão, pois que se sucederam umas às outras durante sete mil anos!



O mundo em exércitos do grande Xerxes,

o orgulhoso exército de Canas,

Todos eles estão aqui; e aqui estão todos os perdidos,

Seu número se avulta para ser discernido em vão,

Perdido como uma gota no alto-mar desmedido.



Todo homem, toda mulher, toda criança de dias que já respiraram o ar vital ouvirão a voz do Filho de Deus, sairão à vida e aparecerão diante dEle. E este é o significado natural desta expressão: "os mor­tos, pequenos e grandes". Todos universalmente, todos sem exceção, todos de toda idade, sexo ou posição social, todos que já viveram e morreram ou sofreram a mudança que será o equivalente da morte. Por muito tempo antes daquele dia, o fantasma da grandeza some e reduz-se a nada, mesmo no momento da morte que desaparece. Quem é rico ou grande no sepulcro?



5. E todo homem ali 'dará conta de si mesmo a Deus" (Rm 14.12). Sim, uma total e verdadeira conta de tudo o que fez quando estava no corpo, quer bem quer mal.

Nem só todas as ações de todos os filhos dos homens serão leva­das à contemplação pública, mas todas as palavras; "toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juízo", de modo que "por tuas palavras", como também por tuas obras, "serás justificado e por tuas palavras serás condenado" (Mt 12.36,37). Então

Deus não trará à luz cada circunstância que acompanhou cada pala­vra ou ação, e se não alterou a natureza, pelo menos diminuiu ou aumentou a bondade ou maldade delas? E o quanto isto lhe é fácil, pois está perto de nossa cama e em volta de nosso caminho, e espia tudo o que fazemos! Sabemos que a escuridão não é escura para Ele, "mas a noite resplandece como o dia" (Si 139.12).



6. Ele trará à luz as obras ocultas das trevas e até os pensamentos e intentos do coração. E não é de admirar, pois Ele "esquadrinha todos os corações e entende todas as imaginações dos pensamentos1'. Todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar" (Hb 4.13). "O inferno e a perdição estão perante o Senhor; quanto mais o coração dos filhos dos homens!" (Pv 15.11).



7. Naquele dia será revelada cada obra interior de toda alma hu­mana; cada apetite, paixão, inclinação, afeto, com suas várias combi­nações, com cada temperamento e disposição que constituem o cará­ter complexo de cada indivíduo. Assim estará claro e infalivelmente visto quem era justo e quem era injusto, e em que grau cada ação, pessoa ou caráter era ou boa ou má.



8. "Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, bendi­tos de meu Pai, [...] porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me-, estava nu, e vestistes-me" (Mt 25.34-36). Da mesma forma, todo o bem que eles fizeram na terra será recitado diante dos homens e dos anjos; tudo o que eles tinham feito em palavra ou ação, no nome ou no interesse do Senhor Jesus. Todos os desejos, intenções e pensamen­tos bons e todas as disposições santas também serão lembrados. Pa­recerá que embora fossem desconhecidos ou estivessem esquecidos entre os homens, Deus os anotou em seu livro. Outrossim, todos os sofrimentos pelo nome de Jesus e pelo testemunho de uma boa cons­ciência serão mostrados para louvor do Juiz justo, honra diante dos santos e anjos, e aumento do "peso eterno de glória mui excelente" (2 Co 4.17).



9. Porém, as más ações (considerando que, se tomarmos a vida inteira, não há homem na terra que viva e não peque) também serão lembradas naquele dia e mencionadas na grande congregação? Mui­tos acreditam que sim e perguntam: "Isto não implicaria que os sofri­mentos não estavam completos, mesmo quando a vida terminou, visto que eles ainda teriam tristeza, vergonha e confusão de face para suportar?" E perguntam ainda mais: "Como pode ser isso reconciliado com a declaração de Deus feita pelo profeta: Se o ímpio se converter de todos os seus pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer juízo e justiça. [...] De todas as suas transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele' (Ez 18.21,22)? Como isso é consistente com a promessa que Deus fez a todos os que aceitam o concerto do Evangelho: 'Perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados' (Jr 31.34), ou como expressa o apóstolo: 'Serei misericordioso para com as suas iniqüidades e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais (Hb 8.12)?"



10. Podemos responder que é evidente e absolutamente necessá­rio para a plena glória de Deus, para a manifestação clara e perfeita da sua sabedoria, justiça, poder e misericórdia para com os herdeiros da salvação, que todas as circunstâncias desta vida sejam colocadas em exibição pública, junto com todos os temperamentos, desejos, pensamentos e intentos do coração; caso contrário, como se tornaria visível a profundidade de pecado e miséria da qual a graça de Deus os tinha livrado? E. com efeito, se a vida de todos os filhos dos ho­mens não fosse revelada publicamente, a surpreendente contextura da providência divina não seria notória, nem em mil instâncias pode­ríamos "justificar os caminhos de Deus para com os homens", a me­nos que as palavras de nosso Senhor fossem cumpridas no seu senti­do extremo, sem restrição ou limitação: "Portanto, não os temais, porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se" (Mt 10.26). A abundância das dispensações de Deus sob o sol ainda pareceria sem razão. E então só quando Deus trouxer à luz todas as coisas escondidas da escuridão, quem quer que sejam os atores, serão vistos quão sábios e bons são todos os seus caminhos, que Ele viu através da nuvem espessa e governou todas as coisas pelos sábios conselhos da sua própria vontade, que nada foi deixado à sorte ou capricho dos homens, mas firme e terna-Wente disposto por Deus, e por Ele forjado numa cadeia relacionada de justiça, misericórdia e verdade.



11. Na revelação das perfeições divinas, os justos se regozijarão com alegria indizível, longe de sentirem tristeza ou vergonha doloridas Por qualquer uma das transgressões passadas que há muito foram obliteradas como nuvem e lavadas pelo sangue do Cordeiro. Será abun­dantemente suficiente para eles que todas as transgressões que come­teram não sejam nunca mencionadas para seu prejuízo; que os peca­dos, transgressões e iniqüidades não sejam mais lembrados para sua condenação. Este é o significado claro da promessa, e isto todos os filhos de Deus considerarão verdadeiro, para o seu consolo perpétuo.



12. Depois que os justos forem julgados, o Rei se voltará para os que estiverem à sua mão esquerda, e eles também serão julgados, cada um de acordo com suas obras. Não só as obras exteriores serão levadas em conta, como todas as palavras más que eles alguma vez falaram, sim, todos os desejos, afetos, temperamentos maus que têm ou tiveram lugar na alma, e todos os pensamentos ou desígnios maus que foram apreciados no coração. A alegre sentença de absolvição será pronunciada para os que estiverem à mão direita, a terrível sen­tença de condenação para os que estiverem à esquerda, ambas as quais têm de permanecer fixas e imutáveis como o trono de Deus.



III. Em terceiro lugar, consideremos algumas das circunstâncias que seguirão o julgamento geral.



1. A primeira circunstância é a execução da sentença pronunciada sobre os maus e os bons. "E irão estes para o tormento eterno, mas os justos, para a vida eterna" (Mt 25.46). Observe que é usada a mesma palavra, tanto na cláusula primeira quanto na cláusula última: conclu­ímos que ou a punição dura para sempre, ou a recompensa também virá a ter um fim. Não, nunca, a menos que Deus tivesse fim, ou sua misericórdia e verdade pudessem falhar. "Então, os justos resplande­cerão como o sol, no Reino de seu Pai" (Mt 1343) e beberão dos rios de delícias que estão eternamente à mão direita de Deus. Porém aqui todas as descrições ficam aquém do alvo, todas as linguagens huma­nas falham. Somente aquele que é levado ao terceiro céu pode ter uma concepção justa dessa cena. Mas mesmo tal pessoa não pode expressar o que viu; não é possível ao homem exprimir tais coisas.

Os ímpios, nesse entretempo, serão lançados no inferno, até to­dos os indivíduos que se esquecem de Deus. Eles "padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder" (2 Ts 19) Eles serão "lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre" (Ap 19.20), originalmente preparado para o Diabo e os seus anjos, onde eles morderão a língua pela angústia e dor. Eles amaldiçoarão a Deus e olharão para cima. Ali os cães do inferno, orgulho, malícia, vingan­ça, ira, horror, desespero, continuamente os devoram. Ali "a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso, nem de dia nem de noite" (Ap 14.11). Pois "o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga" (Mc 9.44).



2. Então os céus serão enrolados como um rolo de pergaminho e passarão com grande ruído; eles fugirão da face daquEle que se as­senta no trono, e não haverá lugar para eles. O mesmo modo de extinção dos céus nos é revelado pelo apóstolo Pedro: "O Dia de Deus, em que os céus, em fogo, se desfarão, e os elementos, arden­do, se fundirão" (2 Pe 3.12). Toda construção será subvertida por aquele elemento furioso, a ligação de todas as suas partes será destruída e todo átomo será rompido à parte dos outros. Pelo mesmo processo, "a terra c as obras que nela há se queimarão" (2 Pe 3-10). As grandi­osas obras da natureza, os montes perpétuos, as montanhas que de­safiaram a fúria do tempo e mantiveram-se impassíveis por tantos milhares de anos, desmoronarão em mina abrasadora. Quanto menos as obras de arte, embora de tipo mais durável, o esforço extremo da indústria humana, tumbas, pilares, arcos triunfais, castelos, pirâmides, poderão resistir ao conquistador flamejante! Tudo, tudo morrerá, pe­recerá, desaparecerá como um sonho do qual alguém desperta!



3. Alguns grandes e bons homens imaginaram que assim como se exige o mesmo Poder Todo-poderoso para aniquilar as coisas quanto para criar, falar dentro ou fora do nada, assim nenhuma parte de um átomo no universo será total ou finalmente destruída. Antes, eles su­põem que a última operação do fogo, que já observamos, é reduzir em vidro o que, por uma força menor, tinha sido reduzido a cinzas. Assim, no dia que Deus ordenou, toda a terra, se não os céus materi­ais também, sofrerão esta mudança, depois da qual o fogo não pode ter mais poder sobre os resíduos. Eles reputam que isto está insinua­do pela expressão na revelação feita ao apóstolo João: "E havia diante do trono um como mar de vidro, semelhante ao cristal" (Ap 4.6). Por ora, não podemos afirmar ou negar tal idéia, mas saberemos mais adiante.



4. Se é inquirido por zombadores, por filósofos insignificantes, tomo estas coisas podem ser? De onde viria tamanha quantidade de fogo que consumiria os céus e toda a terra? Primeiramente, nós os lembraríamos que esta dificuldade não é peculiar ao sistema cristão. A mesma opinião é quase universalmente mantida entre os pagãos tolerantes. Mas, em segundo lugar, é fácil responder, mesmo com nosso conhecimento pequeno e superficial das coisas naturais, que há depósitos abundantes de fogo prontamente preparados e armaze­nados para o Dia do Senhor. Quão rápido um cometa, comissionado por Ele, pode deslocar-se das regiões mais distantes do universo? E se ele se dirigisse à terra em seu retorno do sol, quando é algumas milhares de vezes mais quente que uma bala de canhão incandescente, quem não perceberia qual seria a conseqüência imediata? Mas para não irmos tão alto quanto aos céus etéreos, não poderiam os mesmos raios que dão brilho ao mundo, se ordenados pelo Senhor da nature­za, trazer ruína e destruição absolutas? Ou para não irmos mais longe que o próprio globo, quem sabe que enormes reservatórios de fogo líquido estão contidos, de século em século, nas entranhas da terra? Etna, Hecla, Vesúvio e todos os outros vulcões que arrojam chamas e brasas de fogo; que são eles senão as provas e bocas dessas fornalhas ardentes, e ao mesmo tempo as provas de que Deus tem em pronti­dão meios para cumprir sua palavra? Se observássemos não mais que a superfície da terra e as coisas que nos cercam por todos os lados, é muito certo (como milhares de experiências provam, além da possibi­lidade de negação) que nós, nós mesmos, nosso corpo inteiro, estamos cheios de fogo, como também tudo o que nos rodeia. Não é fácil tornar este fogo etéreo visível ao olho nu e produzir desse modo os mesmos efeitos na matéria combustível, que é produzida pelo fogo culinário? Deus não precisa mais que soltar essa cadeia secreta por meio da qual este agente irresistível está agora preso e acha-se aquiescente em cada partícula da matéria? E quão rápido a estrutura universal se partiria em pedaços e envolveria tudo em uma ruína comum!



5. Há mais uma circunstância que se seguirá ao julgamento, a qual merece nossa séria consideração: "Segundo a sua promessa", diz o apóstolo Pedro, "aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (2 Pe 3.13). A promessa está na profecia de Isaías: "Porque eis que eu crio céus novos e nova terra; e não haverá lem­brança das coisas passadas, nem mais se recordarão" (Is 65.17). tão grande será a glória das últimas coisas. Estas o apóstolo João viu nas visões de Deus: "E vi", disse ele, "um novo céu e uma nova terra, porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram. [...] E ouvi uma grande voz do [terceiro] céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus" (Ap 21.1,3)-Então, todos eles inevitavelmente estarão alegres: "E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas" (Ap 21.4). "E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro" (Ap 22.3); eles terão o mais próximo acesso e. dali. à sua semelhança mais sublime. Esta é a expressão mais forte na linguagem da Escritura para denotar a felicidade mais perfeita. "E verão o seu rosto, e na sua testa estará o seu nome" (Ap 22.4); eles serão abertamente reconhecidos como propriedade de Deus e sua natureza gloriosa brilhará visivelmente neles. "E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia, e reinarão para todo o sempre" (Ap 22.5). Sofro ao acrescentar algumas palavras a todos os que estão neste momento diante do Senhor. Ao longo do dia vocês não manteriam em mente que um dia mais terrível está vindo? Que grande assem­bléia é esta! Mas o que é para aquEle que todo o olho o verá, esta assembléia geral de todos os filhos dos homens que já viveram na face da terra! Alguns estarão diante do tribunal nesse dia para serem julgados quanto às acusações; e agora estão reservados na prisão, talvez em cadeias, até que sejam levados a julgamento e condenados. Porém, cada um de nós — eu que falo c vocês que ouvem — "dará conta de si mesmo a Deus" (Rm 14.10). E agora estamos reservados nesta terra, que não é nossa casa, nesta prisão de carne e sangue; talvez muitos de nós em cadeias das trevas também, até que receba­mos a ordem de sermos transportados. Aqui alguém está questionan­do a respeito de um ou dois atos que lhe é suposto ter cometido. Ali temos de dar conta de todas as nossas obras desde o berço até o sepulcro; de todas as palavras; de todos os desejos e temperamentos; de todos os pensamentos e intenções do coração; de todos os usos que fizemos de nossos vários talentos, quer da mente, corpo ou fortu­na, até que Deus diga: "Presta contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo" (Lc 16.2). Em nossa contabilidade é possível que alguns que são culpados escapem por falta de provas; mas não há falta de provas nesse tribunal. Todas as pessoas com as quais você teve 0 mais secreto intercurso, que eram conhecedoras de todos os seus desígnios e ações, estão prontas diante de sua face. Assim estão todos os espíritos das trevas que inspiraram desígnios maus e ajudaram em sua execução. Assim estão todos os anjos de Deus, os olhos do Senhor que percorrem toda a terra de um lado ao outro, que cuidavam da sua alma e trabalhavam para o seu bem, tanto quanto você permitia. Assim é a sua própria consciência, mil testemunhas em uma, agora não mais capaz de ser abafada ou silen­ciada, mas constrangida a saber e falar a verdade nua, referindo-se a todos os pensamentos, palavras e ações. E a consciência não é como mil testemunhas? Sim, mas Deus é como mil testemunhas. Quem pode estar perante a face do grande Deus, mesmo nosso Salvador Jesus Cristo?

Vejam! Vejam! Ele fez das nuvens sua carruagem! Ele cavalga nas asas do vento! Um fogo voraz vai diante dEle, e após Ele uma chama que queima! Vejam! Ele se assenta no trono, vestido com luz como de uma veste, adornado com majestade e honra! Vejam, os seus olhos são como chama de fogo; sua voz como o som de muitas águas! Como vocês escaparão? Vocês chamarão as montanhas para que cai­am sobre vocês, e as pedras para os cobrirem? Ai, as próprias monta­nhas, as pedras, a terra, os céus, estão prontos a fugir! Vocês podem evitar a sentença? Com quê? Com toda a fazenda de sua casa, com milhares em ouro e prata? Cegos miseráveis! Vocês chegaram nus do ventre de sua mãe e mais nus à eternidade. Ouçam o Senhor, o Juiz! "Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mt 25.34). Som jubiloso! Quanto é extensamente diferente daquela voz que ecoa pela expan­são do céu: 'Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, prepa­rado para o diabo e seus anjos" (Mt 25.41)! E quem pode evitar ou retardar a plena execução de qualquer uma das sentenças? Vã espe­rança! O inferno é removido de baixo para receber os que estão prontos para a destruição. E as portas eternas descerram-se para que os herdeiros da glória entrem!

"Que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade?" (2 Pe 3.11) Sabemos que não pode ser muito tempo antes que o Senhor desça com a voz do arcanjo e a trombeta de Deus, quando cada um de nós comparecerá diante dEle e prestará contas das suas obras. "Pelo que, amados, aguardando estas coisas", vendo que vós sabeis que Ele virá e não tardará, "procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz" (2 Pe 3.14). Por que não deveríamos? Por que um de vós seria achado à mão esquerda quando Ele vier? Ele não deseja que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependi­mento; pelo arrependimento, à fé num Senhor sangrento; pela fé, ao amor imaculado; à plena imagem de Deus renovada no coração e produzindo toda a santidade de convivência. Você pode duvidar, quan­do se lembra que o Juiz de todos é igualmente o Salvador de todos? Ele não o comprou com o seu próprio sangue para que você não perecesse, mas tivesse a vida eterna?

Faca prova de sua misericórdia, em vez da sua justiça; do seu amor, em vez do trovão do seu poder! Ele não está longe de cada um de nós; e hoje Ele vem, não para condenar, mas para salvar o mundo. Ele está entre nós! Pecador, Ele não bate agora mesmo à porta do seu coração? Que você saiba, pelo menos neste dia, as coisas que perten­cem à sua paz. Que agora você se entregue a Ele, que se deu por você. em fé humilde, em amor santo, ativo e paciente! Assim você se regozijará com suprema alegria pelo Dia de Cristo, quando Ele vier nas nuvens do céu!




João Wesley

Samuel Morrison, o rei que se tornou um missionário

Apocalipse 21:1-8 VOCÊ PODE ME PERTURBAR AQUI MAS VOCÊ NÃO PODE ME SEGUIR ATÉ MINHA CASA DE ACORDO COM A BÍBLIA CADA PESSOA QUE É SALVA É ESTRANHA E PEREGRINA NESTA TERRA ( 1 Pe 2.11 ). CAMINHAMOS NESTE MUNDO, MAS NÃO SOMOS DAQUI. NOSSO LUGAR É O CÉU ( JO 14.1-3 ). MAS EM NOSSA CAMINHADA, MUITAS COISAS NOS PERTURBAM POR AQUI. MORTE, DOENÇA, DESPRESO, DESENCORAJAMENTO, DEPRESSÃO E O PRÓPRIO DIABO TRAZEM PARA NÓS MOMENTOS DE TRISTEZA A CADA INSTANTE. qUERO PORÉM LEMBRÁ-LO, CARO LEITOR, QUE NENHUMA DESTAS COISAS NOS SEGUIRÃO A NOSSA CASA LÁ EM CIMA. HOJE, LEREI APOCALIPSE 21 DE 1 A 8 E MOSTRAREI A VOCËS QUE NO MUNDO TEREMOS AFLIÇÕES, MAS NA GLÓRIA CELESTA ELAS NÃO NOS ACOMPANHARÃO. 1- vs 4 tristeza, você não poderá me seguir A. There is no denying that this life is a life of trouble, trials and tragedies. Every day we hear accounts of diseases, distresses, discouragements and deaths. But, this is how the Bible said it would be, Job 14:1, Job 5:7; John 16:33. (***Ill. 1 Peter 4:12***) B. There isn’t a person in this room who has come this far in the journey unscathed by the troubles of life. In fact, many, if not all of you, bear the scars of your journey on your heart, in your mind and in your body. Many things in your life have not gone as you planned them and you know what sorrow is all about! That is the lot of every human being who has ever lived, or will ever live on this earth! C. According to verse 4, the troubles and trials of this life cannot follow us home! When we leave this world, whether it be by the rapture or the graveyard, there are just some things that cannot go with us! Think about it! In heaven, there will be no more: 1. Death – In heaven, no one will ever die and no graves will be dug. Never again will grief stricken loved ones stand beside the body of a departed loved one. (Ill. 1 Cor. 15:53-56) 2. Sorrow – This word refers “to sorrow or grief of any kind.” It speaks of the all the pains, troubles and heartaches we experience in this life. Disappointments, trials, problems, loss of friends and property, death of loved ones, persecutions, our own failures, all are in view here. Truly this life is a life of heartache and sorrow, but not one of the things that trouble us here will follow us there. 3. Crying – This word has the idea of “an outburst or an outcry.” It refers to those times when we are absolutely overwhelmed and broken by the events of life. It speaks about those times when we are at the very end of our ropes and do not know what to do! Friend that will never happen in glory! Life may trouble you here, but it cannot follow you home! 4. Pain – This word refers to “labor, toil or great trouble.” It refers to all the diseases, disappointments and disasters we encounter as we move through this world. Well, the good news is that none of these things will ever follow us home! No hospitals, no broken homes, no broken hearts, no trials and no tribulation will go with us to glory! 5. Tears – This is the sum of our blessed, promised state in Heaven. All the things that drive us to weeping and sorrow here will not be found over there! (Ill. Sorrow follows us today, but I want it to know this: “Sorrow, you might trouble me here; but you can’t follow me home.”) II. v. 8 SATAN, YOU CAN’T FOLLOW ME HOME A. While it is true that much of what happens in this life is just part of living in a sin-cursed world; it is also true that a being called “the devil” causes the saints of God much grief. Satan’s desire is to defeat and destroy you, 1 Pet. 5:8, and he will stop at nothing to see you fall and fail. B. His names reveal his nature and his desires toward you and me. He is called: 1. The Accuser of the brethren – Rev. 12:10 (Ill. Job 1:9-11; 2:4-5) 2. The Adversary – 1 Pet. 5:8 3. The Devil – Matt. 4:11 4. The Murder – John 8:44 5. The god of this world – 2 Cor. 4:4 6. The Temptor – Matt. 4:3 7. The Ruler of Darkness – Eph. 6:12 8. The Serpent – Gen. 3:4 9. The Wicked One – Matt. 13:19 C. He has many other names and they all tell us how evil he is. But, the saints of God can just call him “Gone” some day, because as evil as he is, he cannot follow us home! (Ill. Rev. 20:1-3; 10; Rev. 21:27) (Ill. I just want to tell old slewfoot today: “You might trouble me here; but you can’t follow me home!”) III. v. 2, 8 SIN, YOU CAN’T FOLLOW ME HOME A. Verse 2 tells us about the city of God, the New Jerusalem. Verse 9-11 tells us that this city is the Bride of the Lamb. As far as I can tell, the church is the Bride of Christ, 2 Cor. 11:2. Here, the city is associated with the inhabitants. Here, the Bride of Jesus is pictured as a glorious, spotless and sinless Bride, Ill. Rev. 19:7-8. This means that one of these days, we are going to be changed. This vile flesh will drop away and there will be no more appetite or ability to sin! B. Let’s face it, everyone in this room; even those of us who are saved have trouble with this flesh we carry about. This was the experience of Paul, Rom. 7:14-25; and it is our experience as well. You see, when the Lord saved us, He saved us from the Penalty of sin, John 5:24; Rom. 8:1. He also saved us from the Power of sin, Rom. 6:14. We have also been saved from the Presence of Sin, but that great blessing will not be realized as long as we live in this world. C. According to the Bible, there will come a changing day for the saints of God, 1 Cor. 15:48-54. One glorious day, this flesh with all its appetites, affections and allurements will drop away forever. When that day comes, all the saints of God will be forever delivered from the presence of sin and will be in bodies that cannot possibly sin! We will be in a body and a land that is free from the blight and temptation of sin! We will be free! Free to worship. Free to praise! Free to live perfectly for the glory of God! (Ill. I just want to remind this old flesh: “You might trouble me here, but you can’t follow me home!”) IV. v. 8 SINNER, YOU CAN’T FOLLOW ME HOME A. All of the things I have told you about today are wonderful and glorious for those who are saved. But, there is a sad note to this message. Verse 8 tells us that those who die in their sins will not be allowed inside that city. That bothers me, but that is the price of refusing to believe on Jesus. B. Notice the fifth word of verse 8. It is the word “unbelieving.” This word refers to those “without faith, to those without trust in God.” It speaks about those who have never been saved through a personal relationship to the Lord Jesus Christ. Jesus Himself said that those who would not believe in Him would not be saved, John 8:24. C. Friend, you may have listened as I tried to preach about Heaven and about some of the things that will not follow us to that perfect land. You might have thought, “That’s a place I too would like to go to when I leave this world.” I just want you to know that unless you come to saving faith in Jesus Christ, you will never go to Heaven! You will instead go to Hell, Psa. 9:17; 2 Thes. 1:8-9! D. Friend, it does not have to end up that way for you! You can be saved and you can be saved today. You can leave this building as sure for heaven and all its glories as if you were already there. If that is what you want, then here is how to get it. 1. Recognize that you are a lost sinner – Rom. 3:10-23 2. Understand that there is a tragic and terrible penalty on your sins – Rom. 6:23; Rom. 5:12. 3. Realize that God loves you and that His Son Jesus died to save you from your sins – Rom. 5:8. 4. Be willing to come before the Lord, confessing all this to Him – Rom. 10:9; 10:13. 5. This is the only plan of salvation God knows anything about and it will fit you for Heaven. Nothing and I mean nothing else can or will save your soul, Acts. 4:12; John 6:14! Conc: Samuel Morrison was a faithful missionary who served twenty-five years in Africa. In failing health, Morrison returned to the United States. Also traveling home on the same ocean liner was President Teddy Roosevelt who had been in Africa for a three-week hunting expedition. As the large ship pulled into New York harbor, it looked as though the entire city had come out to welcome the President. Music filled the air, banners wafted in the wind, balloons flew to the sky, flashbulbs were popping, and confetti streamed down like snow. As Roosevelt stepped into sight, the crowd exploded in applause and cheers. It was truly a reception fit for a king. While all of the eyes were on the President, Morrison quietly disembarked and slipped through the crowd. None of the applause was for him and nobody was there to welcome him home. His heart began to ache as he prayed, “Lord, the President has been in Africa for three weeks, killing animals, and the whole world turns out to welcome him home. I’ve given twenty-five years of my life in Africa, serving you, and no one has greeted me or even knows I’m here.” He then felt the gentle touch of God and sensed the Spirit say, “But my dear child, you are not home yet!” What a joyous thought to realize presidential receptions pale in comparison to the heavenly homecoming that awaits every child of God. My friends, you might be troubled by many things today, but if you are saved, do not worry! We are not home yet! None of the things that hinder and haunt our steps here can follow us home! Do you need to come and talk to the Lord about some of the pressures and problems of your life? Do you need to talk to Him about your relationship with Him? Maybe you are struggling because you are not living as close to Him as you should. He can fix that! Do you need to come and be saved? He can fix that too!

Mary Slessor - A RAINHA BRANCA DA ÁFRICA


É madrugada. A alguns quilômetros da orla marítima, uma mulher e seis crianças negras caminham para a margem de um rio. Chove. Homens e mulheres africanos perguntam:
- Por que nos abandonas, mãe?

Maria Slessor pára junto à canoa, volta-se, contempla aqueles semblantes escuros e fala docemente:

- Não fiquem tristes. Sei que vou para o meio de um povo feroz, mas eles também precisam ouvir falar de Jesus. Alegrem-se. Eu voltarei. Mas se não voltar, nós nos encontraremos nas margens do Grande Rio, diante do Grande Pai. E ali seremos todos de uma só cor, alvos como o marfim.

Em companhia das seis crianças, Maria entra na canoa, e parte, sob o olhar silencioso da tribo de Creek Town.

Maria Slessor nasceu na Escócia, em 1848. Era loura, de cabelos lisos e olhos azuis. Aos onze anos de idade foi obrigada a trabalhar na tecelagem para ajudar financeiramente sua mãe, pois seu pai, alcoólatra inveterado, após a morte de Roberto, o filho mais velho, abandonou a senhora Slessor e os quatro filhos restantes. Aos 14 anos Maria já era considerada uma hábil tecelã. Não sabia ela que futuramente Cristo a incumbiria de tecer as vestes brancas da salvação no coração dos negros africanos.

Sua mãe era evangélica, membro da igreja de Aberdenn, e costumava contar aos filhos alguns incidentes da Missão Africana, viasando despertar-lhes o interesse pela obra missionária. Atentos, eles ouviam a senhora Slessor falar-lhes de um rei africano e dos seus chefes de cor; das terras e das boas-vindas que costumavam oferecer aos missionários enviados; dos pretos de Calabar; de como Hope Waddell fora morar corajosamente no meio dos pântanos, e ali brilhar como uma luz, pregando aos selvagens o Evangelho de Cristo, e o quanto a Missão necessitava de obreiros e de manutenção.

Às cinco da manhã, Maria se levantava e ia para a fábrica, onde permanecia até às dezoito horas. Levava sempre a Bíblia consigo, lendo-a no caminho, quando ia e quando voltava, e durante os intervalos do seu trabalho. Nessa época tornara-se membro da igreja de Wishart. Ali, pouco tempo depois, começou a dirigir uma classe bíblica para meninos rebeldes. Para atrair aqueles que se recusavam terminantemente a frequentar a classe, ela promovia reuniões ao ar livre. Certa vez um grupo de rapazes perversos resolveu acabar com uma dessas reuniões. O líder do grupo aproximou-se de Maria, sob o olhar dos demais, inclusive das crianças, e começou a girar uma corrente em cuja ponta estava presa uma bola de ferro. E a girava velozmente, avizinhando-a da cabeça de Maria, mas esta, encarando-o firmemente, não denunciava nenhum sinal de medo. "Ela tem coragem" disse o rapaz, desistindo e abaixando o braço com que segurava a corrente. Em seguida sentaram-se todos, e juntamente com as crianças assistiram à reunião. Esse incidente contribuiu para mudar a vida daqueles moços, salientando também a coragem daquela que, não temendo lidar com garotos rebeldes nem enfrentar rapazes insubordinados, desafiaria, em plena selva, a agressividade e as lanças dos negros africanos.

A missão de Calabar, na África Ocidental, tinha sido fundada no ano de 1846. Kurumã estava sendo evangelizado por Robertt Moffat, enquanto David Livingstone, "o fogo das mil aldeias", abria caminho através de todo o restante do Continente. O sonho da senhora Slessor era que Roberto, seu filho mais velho, fosse à África auxiliar o trabalho desses missionários. Mas a morte prematura do rapaz fê-la pensar que nunca teria um filho missionário.

Quando, em 1874, Maria Slessor completou 26 anos, foi pedida em casamento. Mas neste mesmo ano o Império Britânico foi abalado com a notícia da morte de David Livingstone. Fizeram então apelo a voluntários para o continente africano, e Maria, decidindo entre a obra missionária e o casamento, optou pelo primeiro e ofereceu-se como missionária para Calabar. Nessa época, ela era aluna da Escola Normal de Edimburgo, e a coragem em seguir para um lugar conhecido como "sepultura dos brancos" deixou forte impressão em todos. Em agosto de 1876, no cais de Liverpool, Maria embarcava em um navio que a levaria a um continente que em nada se assemelhava à sua bela Escócia. Tornava-se então realidade o sonho da senhora Slessor.

Pelas areias brancas de Cabo Verde, pelo Desembocadouro dos Escravos, pela Costa do Marfim e pela Costa do Ouro, a bordo do navio "Etiópia", dois olhos azuis deslizavam sua curiosidade pela misteriosa paisagem que delineia a navegação costeira. Maria Slessor, recebendo brandamente no rosto a aragem fresca das praias africanas, contemplava interessadamente aquelas florestas que se erguiam, hostis e impenetráveis, margeando toda a costa. Chegando a Calabar, desembarcou e foi conduzida a Duke Town, uma vila litorânea onde residiam alguns missionários. Ali ela viveu durante quatro anos, ajudando nos cultos e estudando a língua local e alguns dialetos nativos.

Era madrugada ainda quando Maria se levantava para tocar o sino, convocando os crentes à oração. O seu espírito, entretanto, ansiava por um trabalho de maior alcance, a liberdade pioneira, o desbrava-mento daquele solo enegrecido pelo pecado. Muitas vezes ela caminhava para a mata fechada e contemplava demoradamente as árvores que se erguiam ao longe, indecifráveis, sumindo no horizonte além. Era ali que se travavam, entre tribos que praticavam a feitiçaria e o canibalismo, os choques mais horrendos e cruéis já contemplados pela natureza humana. E era ali que ela deveria estar, entre eles, modificando-lhes as práticas da ignorância e falando-lhes do amor de Jesus.

Foi de um vilarejo chamado Cidade Velha que lhe veio o primeiro convite para ir evangelizar e morar entre os negros. Ela aceitou, agradecendo a Deus. Agora poderia expandir plenamente a sua vocação missionária. Seguiu para lá acompanhada de um guia e alguns carregadores. Quando a vereda por onde caminhavam se dividiu em duas, eles se depararam com um crânio humano enfiado em uma estaca. Ali estava designada a entrada da Cidade Velha.

Durante mais de dois anos, Maria Slessor viveu naquele povoado como a única mulher branca entre negros, alegre por estar no meio deles, comendo na mesma mesa e falando-lhes da obra salvadora de Jesus. As paredes de sua casa eram de taipa e o teto de palha, e havia sempre várias crianças dormindo ali - órfãos e desprezados que Maria abrigava. Pensando nestas e nas outras crianças, fundou uma escola onde lhes ensinava não só o idioma deles, mas também a darem os primeiros passos nos caminhos eternos. Aos domingos pela manhã, dois meninos carregando um sino em um pau de bambu, percorriam toda a vila até o local da reunião, trazendo atrás de si um número sempre crescente de negros curiosos que se achegavam para ouvir a "Mãe Branca". E quando a noite se declinava sobre o povoado, recebia sempre em sua fronte escura a claridade do cântico daqueles nativos que cultuavam a Deus à luz das tochas vermelhas.

Certa vez uma canoa pintada de vivas cores e conduzida por quatro negros de pele oleosa e rostos pintados de vermelho aproximou-se das margens do rio que banhava o vilarejo. Era a canoa do rei Ocon, chefe da tribo Ibaca, que a enviara juntamente com o convite para que Maria fosse morar em sua tribo. Ela aceitou. Esta seria uma grande oportunidade de evangelizar um povo que desconhecia Cristo. Logo, toda a Cidade Velha ficou alvoroçada e entristecida. Mas às três horas da madrugada, despedindo-se de todos, Maria era conduzida rio acima, sob a cobertura de uma esteira improvisada para protegê-la da chuva e da água levantada pelos remos. Por um longo espaço de tempo aqueles homens remaram, e quando a madrugada enrubescia as primeiras horas do dia, sob o latido de cães e o cantar dos galos, chegaram a Ibaca.




Deram-lhe uma casa semelhante à outra onde morava anteriormente. Multidões vieram das vilas vizinhas para ver sua pele branca. Pela manhã e à noite realizava cultos; durante o dia dava remédios aos doentes, fazia curativos em suas feridas ou lhes aconselhava o que deviam fazer. Homens, ao natural ferozes e barulhentos, ficavam em completo silêncio ao verem Maria aproximar-se para lhes contar histórias. Ali, ela falou o Evangelho de Cristo a todos os que se achegaram para vê-la.

Pelos fins de 1882, um tufão passou com extrema rapidez sobre a vila e derrubou a casa de Maria. Ela foi levada a Duke Town, mas o seu estado de saúde se agravou, fazendo-se necessária a sua volta à Escócia. Depois de três anos, recuperada e novamente pronta para enfrentar as dificuldades, voltou à África, desta vez dirigindo-se para a tribo de Creek Town. Viveu durante seis meses nesse povoado, até quando soube que o rei Eio, chefe da tribo Coiong, praticante da magia negra, a convidara para evangelizar sua tribo. Todos se opuseram à sua ida, alegando que aquela tribo não merecia confiança e que o convite era uma cilada. Mas ela não se impressionou, e, acompanhada de seis crianças e alguns carregadores, embarcou na canoa enviada pelo rei.

Quando alcançaram a desembocadura de Equenque, a canoa foi abandonada, e, sob uma pesada chuva e o choro das crianças, iniciaram a jornada a pé, através de mais de uma légua de mata fechada. Sentindo no corpo as roupas encharcarem-se e os pés atolarem-se na lama, Maria avançava cantando trechos de hinos, a fim de encorajar as crianças. Mas em certos momentos era tão grande o seu cansaço que ela só conseguia pronunciar: "Pai, tem misericórda de mim!" Chegaram finalmente à tribo. Reinava ali um silêncio profundo. Maria gritou e dois escravos apareceram. Um deles acendeu o fogo e trouxe-lhe água, enquanto o outro correu com a notícia de que a "Mãe Branca" era chegada.


É noite. Em uma área larga, no centro da tribo, há uma multidão de negros sentados, formando um grande círculo. As casas, distribuídas de modo a formar uma larga circunferência, erguem-se em volta dos ombros escuros. No centro da reunião há uma mesa coberta com uma toalha branca, e, em cima desta, acha-se aberta uma Bíblia. Quatro tochas presas a estacas se erguem de um lado e do outro da mesa. As chamas brilham nos rostos atentos. Junto à mesa há vários chefes sentados. E de pé, com os cabelos adquirindo tonalidade de ouro sob a vermelhidão das tochas, Maria Slessor prega ao maior ajuntamento de tribos negras já conseguido de uma só vez. O olhar azul contempla a multidão silenciosa e atenta. "Para alumiar os que estão no assento das trevas e na sombra da morte, para corrigir os nossos pés no caminho da paz" (Lucas 1.79), é o trecho lido naquela noite pelos lábios que ainda se abririam inúmeras vezes para pregar a Palavra da Vida.

Maria Slessor viveu ainda muitos anos entre as tribos africanas. Através de sua voz, milhares de negros tomaram conhecimento de Jesus Cristo e milhares o aceitaram como o Salvador. Ela foi, depois de David Livingstone, a missionária que mais conduziu negros aos alvos caminhos da salvação. Em janeiro de 1915, cansada e ainda em plena África, ela foi ao encontro dAquele que, na grandiosidade do seu sacrifício, foi erguido no madeiro para constituir-se na esperanç

Watchman Nee, o famoso chinês que preferiu ser preso por doze anos do que negar a Cristo

Martin Loyd-Jones, avivamento na palavra

MARTIN LOYD-JONES    O médico pregador
'' O DOUTOR '' ( carinhosamente chamado por seus amigos )

Um dos maiores perigos da vida espiritual é viver em função de suas próprias atividades. Em outras palavras, a atividade não está em seu devido lugar como algo que você faz, mas tornou-se algo que o leva a manter-se em movimento.
D. Martyn Lloyd-Jones



A maneira de provar a si mesmo, a
maneira de provar qualquer homem, é olhar debaixo da superfície.
D. Martyn Lloyd-Jones


Lutando com a verdadeReconhecimento do Dr. Martyn Lloyd-Jones

      – O dr. Martyn Lloyd-Jones foi provavelmente o maior pregador Britânico do século vinte. O seu ministério em Westminster Chapel e os seus escritos grangearam-lhe respeito e admiração em todo o mundo. Ele teve uma influência decisiva em muitos indivíduos e no evangelicalismo como um todo.

Ele nasceu em Cardiff, Sul de Gales, no dia 20 de Dezembro de 1899 tendo vivido por algum tempo em pequenas aldeias no Centro de Gales. Depois de ter frequentado um liceu em Londres entre 1914 e 1916, foi como aluno estagiar medicina no Hospital de S. Bartolomeu. Em 1921 ele começou a trabalhar como assistente do Médico Real, Sir Thomas Horder.

Depois de lutar com a chamada para pregar durante dois anos, em 1927 ele voltou ao País de Gales, tendo-se casado com Bethan Phillips, aceitando um pedido para ministrar numa igreja em Aberafan (Port Talbot).

Então, depois de uma década a ministrar em Aberafan, regressou a Londres, a Westminster Chapel, onde pastoreou com o Dr. Campbell Morgan. No dia antes de ele ser aceite oficialmente na sua nova responsabilidade, rebentou a guerra na Europa. Durante o mesmo ano (1939) ele tornou-se presidente da Comunhão de Estudantes Inter-Varsity (conhecida hoje como a Comunhão Cristãs nas Universidades e Escolas no Reino Unido). Durante a guerra ele e a família moveram-se para Haslemere, Surrey. Em 1943 o Dr. Morgan aposentou-se, deixando Jones como único Pastor de Westminster Chapel.

O dr. Lloyd-Jones era famoso pelo seu estilo expositivo na pregação, e nos cultos de Domingo de manhã e à noite, em que ele pregava, eram atraídas centenas de pessoas, como também nos estudos Bíblicos às sexta-feiras que eram sermões no mesmo estilo. Ele levava muitos meses – mesmo anos – a expor um capítulo da Bíblia, versículo por versículo. Os seus sermões muitas vezes duravam entre cinquenta minutos, uma hora, atraindo muitos estudantes das universidades e escolas em Londres. Os seus sermões também eram transcritos e impressos praticamente literalmente, sendo lidos com avidez pelos que gostavam das suas pregações.

Lloyd-Jones continuou o seu ministério em Westminster Chapel até 1968, quando teve que ser submetido a uma enorme operação, fazendo-o reformar-se.

Foi pouco depois dele se reformar que eu encontrei o homem conhecido como “O Doutor” por todos os que o conheciam. Ele estava a viver em Ealing, Oeste de Londres. Eu fui convidado par ir a casa dele pelo seu neto, Christopher Catherwood, que mais tarde continuou a editar em livros muitos dos sermões de Lloyd-Jones.

Pouco depois de me ter encontrado com “O Doutor”, que era um homem baixo com uma presence ponderosa, Christopher confidenciou-me que o avô tinha o terno hábito de ser partilhado pelos seus netos.

O dr. Martyn Lloyd-Jones pregou pela última vez no dia 8 de Junho de 1980 na Barcombe Baptist Chapel. Depois de uma vida inteira de trabalho, ele morreu em paz quando dormia na sua casa em Ealing no dia 1 de Março de 1981. Um culto bem assistido de acção de graças foi realizado em Westminster Chapel no dia 6 de Abril.

Ele gostava muito de ver Wrestling (Luta) na TV. Parece-me que o seu gosto pela luta derivava do facto de ele sempre lutar com passagens difíceis na Bíblia. E, contrariamente ao que se passa nos lutadores do Wrestling, a luta dele era real, e a sua congregação apreciava sempre as suas conclusões.





Minha opinião acerca de tudo o que me acontece dever ser regida por estas três coisas: a compreensão que tenho acerca de quem sou, a consciência que tenho de para onde vou, indo e o conhecimento que tenho do que me espera quando eu chegar lá.
D. Martin Lloyd-Jones


Esta é a coisa fundamental, a mais séria de todas: que estamos sempre na presença de Deus.
D. Martyn Lloyd-Jones


PEQUENOS SERMÕES

Outra tradução (do Salmo 73.28) podia ser esta: «quanto a mim bom é estar junto a Deus» ... A sua maior ambição vem a ser precisamente esta: ficar perto de Deus. ... Todos nós estamos ou longe ou perto de Deus ... de sorte que é vitalmente importante que cheguemos à resolução tomada por este homem, de ficar perto de Deus.

... o que tomava o lugar de primazia em sua mente era algo parecido com isto. Revisando sua triste experiência chegou à conclusão de que o que realmente havia de errado com ele ... era simplesmente o fato de que ele não se mantinha perto de Deus. Ele tinha pensado que era o fato de que os ímpios pareciam prosperar enquanto que ele só experimentava dificuldades.

Mas agora, havendo recebido no santuário de Deus a iluminação necessária, ele vê com toda a clareza que não era essa, de modo nenhum, a causa radical do seu problema. Só uma coisa importa: é a relação do homem com Deus. Se estou perto de Deus, diz este homem, realmente não importa o que me aconteça; mas se estou longe de Deus, nada pode andar bem, em última análise...
Este é o princípio e o fim da sabedoria na vida cristã. No instante em que nos movemos para longe de Deus, tudo vai mal. O segredo por excelência é ficar perto de Deus. Quando falhamos, somos qual navio que, em alto mar, perde de vista a estrela polar, ou cuja bússola deixa de funcionar bem. Se perdermos nossos pontos de apoio, não devemos ficar surpresos ante as consequências. É isso que este homem descobriu: «É isto de que eu preciso», diz ele; «não das bênçãos, não da prosperidade que outras pessoas têm. ... Portanto, tomo a seguinte resolução: De minha parte, vou viver perto de Deus. Será sempre essa a coisa mais importante de minha vida. Cada dia que vai chegando vai se iniciar com esta convicção. Direi a mim mesmo: Haja o que houver, o que é de essencial valia é estar perto de Deus.»Faith on Trial, p. 117,18.
Loyd-Jones


A VIDA DE ALEGRIA - LIVRO EM PORTUGUÊS


    AS DIMENSÕES DA ESPIRITUALIDADE

    REFORMADA - LIVRO EM PORTUGUÊS
Deus não pára para consultar-nos.
D. Martyn Lloyd-Jones


O diabo pode dirigi-lo de forma extraordinária... Há poderes que podem simular quase todas as coisas na vida cristã.
D. Martyn Lloyd-Jones


Se fosse possível colocar o Espírito Santo num livro de farmacologia, eu o colocaria junto aos estimulantes, pois é ali que ele deve estar.
D. Martyn Lloid-Jones


Nunca nos esqueçamos de que a mensagem da Bíblia dirige-se em especial à mente, ao entendimento.
D. Martyn Lloyd-Jones


Tudo é pela graça na vida cristã, do início ao fim.
D. Martyn Lloyd-Jones


A chave para a história do mundo é o reino de Deus.
D. Martyn Lloyd-Jones


Algumas vezes penso que a própria essência de toda a posição cristã e o segredo de uma vida espiritual de êxito estão em reconhecer apenas duas coisas: preciso ter confiança completa e absoluta em Deus e nenhuma confiança em mim mesmo.
D. Martyn Lloyd-Jones


A humildade está entre as principais de todas as virtudes cristãs; ela é a marca registrada do filho de Deus.
D. Martyn Lloyd-Jones


O fato de colocar todos os cadáveres eclesiásticos em um só cemitério não provoca uma ressurreição.
D. Martyn Lloyd-Jones


A coisa mais difícil do mundo é tornar-se pobre de espírito.
D. Martyn Lloyd-Jones


Precisamos viajar menos de avião a jato, de um congresso para outro... porém de mais orações de joelhos, rogando a Deus que tenha misericórdia de nós, mais clamor a Deus para que se levante e disperse seus inimigos e se torne conhecido.
D. Martyn Lloyd-Jones


Não há nada que diga a verdade a nosso respeito como cristãos tanto quanto nossa vida de oração.
D. Martyn Lloyd-Jones


Se realmente conhecemos a Cristo como nosso Salvador, os nossos corações são quebrantados, não podem ser duros, e não podemos negar o perdão.
D. Martyn Lloyd-Jones


Para mim, a obra de pregar é o mais elevado, o maior e o mais glorioso chamado que alguém pode receber.
D. Martyn Lloyd-Jones


O homem só deve entrar no ministério cristão se não conseguir ficar fora dele.
D. Martyn Lloyd-Jones




Certamente a essência da sabedoria está em, antes de começarmos a agir ou de tentar agradar a Deus, descobrir o que Deus tem a dizer sobre o assunto.
D. Martyn Lloyd-Jones


O problema de grande parte do ensino sobre santidade é que ele deixa de fora o Sermão da Montanha e nos pede que experimentemos a santificação. Esse não é o método bíblico.
D. Martyn Lloyd-Jones


O desviado é um homem que, por causa da relação que teve com Deus, nunca pode desfrutar bem qualquer outra coisa.
D. Martyn Lloyd-Jones

Irmão André, o contrabandista de Deus


Visitando Países Comunistas

Em julho de 1955 ele visitou Polônia comunista, "para ver como os meus irmãos estão agindo", referindo-se à igreja subterrânea. Ele ficou com um grupo de jovens comunistas, que era a única maneira legal de permanecer no país. Nesse tempo, ele sentiu-se fortemente chamado por Deus, através do versículo "fortalece o que resta e está prestes a morrer" (Apocalipse 3:2). Este foi o início de uma missão levando-o em vários países comunistas onde os cristãos eram perseguidos - os países que ficavam por trás da chamada "Cortina de Ferro".




Em 1957, Irmão André viajou para Moscou, capital da União Soviética, em um Fusca, que mais tarde se tornou o símbolo da Open Doors, a Missão Portas Abertas, organização que ele fundou. Um casal de idosos que o orientou deram-lhe o carro, porque assim ele poderia levar muitas Bíblias e literatura espiritual. Embora Van der Bijl estivesse violando as leis de alguns dos países visitados, levando literatura religiosa, muitas vezes ele foi vistoriado, quando parou em postos de controle do governo, porém milagrosamente sempre sendo liberado, aumentando sua confiança na proteção de Deus. Embora fosse impossível para um missionário cristão passar pela Cortina de Ferro, André sabia que para Deus não havia impossibilidades. Ao ter de atravessar a fronteira de algum país, com sua mala e seu fusca cheios de Bíblias, folhetos e material impresso, ele orava assim: Senhor, na minha bagagem há Escrituras que desejo levar para os teus filhos, que estão do outro lado desta fronteira. Quando estiveste na Terra, fizeste os olhos dos cegos ver. Agora eu peço: faze com que os olhos desses que vêem fiquem cegos. Não deixes os guardas verem as coisas que tu não queres que eles vejam. E Deus atendia sua oração. Irmão André, o contrabandista de Deus

Hudson Taylor, o grande missionário da China






O homem que amou a Deus e a China
“Você precisa seguir em frente de joelhos”

James Hudson Taylor nasceu em 1832, em Barnsley, Inglaterra, filho de um sacerdote metodista. Com dezesseis anos, creu em Cristo como seu Salvador, numa tarde em que estava sozinho em casa e entediado. A vida religiosa dos pais não o atraía e ele desejava muito os prazeres do mundo. Passando os olhos pela biblioteca do pai, procurando algo com que se distrair, pegou um livro que falava sobre o Evangelho e começou a lê-lo. 

No mesmo instante, sua mãe, a mais de cem quilômetros de distância, era conduzida por Deus para orar pela salvação do filho. Taylor orou e a oração de sua mãe foi respondida: ele se rendeu ao Senhor. Oração tornou-se, posteriormente, uma das mais preeminentes marcas de seu serviço e ministério.



Desde então, sentiu-se chamado para pregar o Evangelho na China. Por isso, passou a preparar-se dormindo sobre uma esteira, abrindo mão de qualquer luxo, vivendo com o mínimo de alimento necessário e dependendo exclusivamente do Senhor para seu sustento. Assim, aos dezenove anos, Taylor aprendeu que poderia confiar em Deus e obedecer-Lhe em qualquer área de sua vida — aprendeu que se pode levar a sério Deus e Sua Palavra.
Após estudar medicina e teologia, foi para a China em 1854 como um missionário assalariado pela Sociedade para Evangelização da China.
Em 20 de janeiro de 1858, após trabalhar num hospital por quatro anos, ele casou com Maria Dyer (1837? – 1870), missionária, filha de um dos primeiros missionários para a China. Eles tiveram oito filhos, quatro dos quais morreram com menos de dez anos. Por ser ela fluente no dialeto ningpo, ajudou Hudson no trabalho de tradução do Novo Testamento, no que ele investiu cinco anos. Essa tradução foi realizada na Inglaterra e, em 1866, Taylor retornou a China com dezesseis outros missionários e fundou a Missão para o Interior da China (MIC).

Em 1870, sua esposa e dois de seus filhos morreram de cólera. Maria era uma torre forte e um conforto para o marido. Nas palavras dela, ela era “mais intimamente instruída que qualquer outra pessoa com as provações, as tentações, os conflitos, as falhas e quedas e as conquistas” do marido.
Em 1871, Taylor casou-se com Jennie Faulding (1843 – 1903), missionária da MIC. Eles tiveram dois filhos, incluindo Howard, o biógrafo do pai e autor de O Segredo Espiritual de Hudson Taylor (Editora Mundo Cristão). Jennie cuidou do marido em meio a injúrias e doenças, editou o periódico China’s Millions da MIC e tinha um ministério especial entre as mulheres. Nos últimos anos de vida, ela viajou com Hudson, além de falar e escrever e organizar o trabalho da Missão. Partiu para o Senhor em 1904.
Hudson permaneceu na China e quando dormiu no Senhor, em Changsha, em 1905 (antes que os comunistas tomassem o país que ele tanto amava), havia lá deixado 250 pontos missionários com 849 missionários da Inglaterra e 125.000 chineses cristãos dando testemunho do Evangelho. Sua vida é um dos mais impressionantes registros da história do evangelismo e um dos maiores testemunhos da fidelidade do Senhor a um mortal.




“De mim mesmo não vejo como avançar no trabalho missionário, pois não tenho grandes talentos e sou tímido por naturezam mas meu gracioso e misericordioso Deus e Pai se inclinou para mim, e quando eu estava fraco na fé ele me fortaleceu quando eu era ainda jovem. Ele me ensinou em minha vida sem esperança a descansar Nele e a orar até mesmo pelas pequenas coisas” Hudson Taylor

Jonathan Gofort - Grande herói da fé

Jonathan Goforth (1859-1936) Certo dia, no ano de 1900, em Changte, no interior da China, passou um correio galopando à doida. Levava um despacho da imperatriz para o governador, ordenando que tomasse medidas para exterminar imediatamente todos os estrangeiros. Na horrenda carnificina que se seguiu, Jônatas Goforth, com sua esposa e filhinhos, foram cercados por milhares de Boxers, determinados a tirar-lhes a vida. O pai da família, ao cair no chão com uma tremenda pancada que quase lhe partiu o crânio, ouviu uma voz di¬zer-lhe: "Não temas! Teus irmãos estão orando por ti." Antes de ficar inconsciente, viu chegar a galope um cavalo que ameaçava atropelá-lo. Ao voltar a si, viu que o cavalo caíra ao seu lado, esperneando de tal maneira que os seus atacantes foram obrigados a desistirem do propósito de matar o missionário. Assim ele reconheceu que a mão de Deus o guardava maravilhosa e constantemente durante o tempo do morticínio dos boxers, no qual centenas de cren¬tes foram mortos. Jônatas Goforth e sua família, foram sal-vos de inumeráveis situações angustiosas entre o povo amotinado, até que, por fim, vinte dias depois, chegaram ao litoral do país. Rosalind e Jônatas Goforth tinham as suas vidas escon¬didas com Cristo em Deus. Eis como viviam, nas suas pró¬prias palavras: "Não é somente tolice aceitar para nós mesmos a glória que pertence a Deus, mas é grave pecado, porque o Senhor diz: 'A minha glória a outrem não darei'." Quando ainda jovem, Jônatas Goforth adotou as pala¬vras de Zacarias 4.6 como lema da sua vida: "Não por for¬ça nem por violência, mas por meu espírito, diz o Senhor dos Exércitos." Alguém que o conhecia intimamente escreveu: "Antes de tudo, Jônatas Goforth era um ganhador de almas. Foi por essa razão que se tornou missionário para o estrangei¬ro; não havia outro interesse, outra atividade, outro minis¬tério que o atraísse. Com o fogo do amor de Deus no cora¬ção, ele manifestava um entusiasmo irresistível e uma energia incansável. Nada podia impedir os esforços dinâ¬micos na obra, para a qual Deus o chamara. Era assim tan¬to aos setenta e sete anos como quando tinha cinqüenta e sete. Com a perda da vista durante os últimos três anos da sua vida, não diminuíram seus esforços - parece que au¬mentaram." Revela-se, nas suas próprias palavras, como foram lan¬çados os alicerces da sua vida constantemente esforçada no serviço do Senhor: "Minha mãe, quando eu e meus ir¬mãos éramos ainda crianças, com desvelo incessante, nos ensinava as Escrituras e orava conosco. Uma coisa que teve grande influência sobre a minha vida foi o fato de mi¬nha mãe me pedir que lesse os Salmos para ela em voz al¬ta. Tinha apenas cinco anos, quando comecei a fazer esse exercício e achei a leitura fácil. Com a continuação, adqui¬ri o costume de decorar as Escrituras, coisa que continuei a fazer com grande proveito". Todos podemos testificar que é fácil fazer com que a leitura das Escrituras e a oração cheguem a uma monótona formalidade. Mas, ao contrário, o semblante de Jônatas Goforth se iluminava com o reflexo da glória das Escritu¬ras que recebia na alma. Depois da sua morte, uma criada católica romana declarou: "Quando o senhor Goforth se hospedava na casa onde trabalho, eu mirava seu rosto e di¬zia a mim mesma: O rosto de Deus pode ser assim!" O jovem Goforth, no tempo de estudante no ginásio, vi¬sava a ser advogado, até que, certo dia, leu a inspiradora biografia do pregador Roberto McCheyne. Não somente se desvaneceram para sempre todas as suas visões de ambi¬ção, mas ele dedicou, também, a sua própria vida a levar almas ao Salvador. Nesse tempo, "devorou" os livros: "Os Discursos de Spurgeon"; "Os Melhores Sermões de Spurgeon"; "Graça Abundante" (Bunyan); e "O Descanso dos Santos" (Baxter). A Bíblia, contudo, era o seu livro predi¬leto, e costumava levantar-se duas horas mais cedo para estudar as Escrituras, antes de se ocupar em qualquer ou¬tro serviço do dia. Acerca da sua chamada, nesse tempo, ele escreveu: "Apesar de sentir-me dirigido ao ministério da Palavra, recu¬sava terminantemente a ser missionário no estrangeiro. Mas um colega me convidou a assistir à reunião de um missionário, o qual fez o seguinte apelo: 'Faz dois anos que passo de cidade em cidade contando a situação de Formo¬sa e rogando que algum jovem se ofereça para me auxiliar. Mas parece que não consegui transmitir a são a nenhum. Volto, então, sozinho. Dentro de pouco tempo meus ossos estarão enbranquecendo na encosta dum morro em Formosa. Quebranta-me o coração saber que nenhum moço se sente dirigido a continuar o trabalho que iniciei'. "Ao ouvir essas palavras, senti-me vencido pela vergo¬nha. Se o chão tivesse me engolido, teria sido um alívio. Eu, comprado com o precioso sangue de Cristo, ousava planejar a minha vida como eu mesmo queria. Ouvi a voz do Senhor dizer: 'A quem enviarei, e quem há de ir por nós?' E respondi: Eis-me aqui, envia-me a mim! Desde então sou missionário. Lia avidamente tudo que podia achar acerca de missões no estrangeiro e me esforçava por transmitir aos outros a visão que eu alcançara - a visão dos milhões da terra sem oportunidade de ouvirem um prega¬dor". Por fim chegou o tempo de iniciar seus estudos em To¬ronto. O primeiro domingo ele o passou trabalhando entre os prisioneiros, na prisão "Don", um costume que conti¬nuou durante todos os anos de estudos nessa cidade. Du¬rante a semana, dedicava muito tempo a andar de casa em casa ganhando almas para Cristo. Quando o diretor do co¬légio onde estudava perguntou-lhe quantas casas visitara durante os meses de junho a agosto, ele respondeu: "Novecentas e sessenta." Disse Rosalind Goforth:"No mesmo dia fui apontada, juntamente com outras para abrir um ponto de pregação em outra parte de Toron¬to. Jônatas Goforth estava também entre o grupo. Durante as semanas que se seguiram, eu tive muitas oportunidades de ver a verdadeira grandeza da alma desse homem, a qual nem seu exterior desprezível podia esconder. Assim, quan¬do ele me perguntou: - 'Queres unir a tua vida à minha para irmos à China?' Sem vacilar um só momento, respon¬di: - Quero! Mas, alguns dias depois, foi grande a minha surpresa quando ele me perguntou: - 'Prometes nunca me impedir de colocar o Senhor e a sua obra em primeiro lu¬gar, mesmo antes de ti?' Era essa mesma a qualidade de moço que eu pedira, em oração, para que Deus mo desse como marido, e firmemente respondi: Prometo fazê-lo sempre! Oh! Como fora benigno o Mestre, ao esconder-me o que essa promessa significava! . Quando, alguns anos depois, os missionários novatos lhe perguntaram o segredo do fruto extraordinário do seu ministério, ele respondeu: "Deixo Deus falar às almas dos ouvintes por intermédio da sua própria Palavra. Meu úni¬co segredo para tocar no coração dos mais vis pecadores é mostrar-lhes a sua necessidade e pregar-lhes o Salvador poderoso para os salvar... Esse era o segredo de Lutero, era o segredo de João Wesley e ninguém se aproveitou mais dele do que D. L. Moody". Para manejar a ''Espada do Espírito" com grande execução, Goforth a "afiava", estudando-a diariamente, sem falhar. Em vez de falar contra os ídolos, ele exaltava a Cristo crucificado. Isso atraía os pecadores para deixarem as suas vaidades. Em 1896, ele escreveu: "Depois de chegar a Changté, há cinco meses, o poder do Espírito Santo se manifesta quase diariamente para nos alegrar. Durante esses meses, um total de mais de 25.000 homens e mulheres nos visita¬ram em casa, e todos ouviram a pregação do Evangelho. Pregamos, na média, oito horas por dia. Há, às vezes, mais de cinqüenta mulheres de uma vez no terraço. (Ele prega¬va aos homens, enquanto a sua esposa pregava às mulhe-res.) Quase todas as vezes que apresentamos Cristo como Redentor e Salvador, o Espírito Santo salva alguém e, às vezes, dez a vinte." Contudo, não se deve pensar que esses missionários es¬caparam de grandes tribulações. Não muito depois de che¬garem à China, um incêndio destruiu todas as suas posses¬sões terrestres. O calor do verão era tão intenso que sua primogênita, Gertrude, faleceu e foi necessário levar o ca¬dáver a uma distância de 75 quilômetros, a um lugar onde se permitia enterrar os estrangeiros. Quando faleceu outro filhinho, Donald, foi necessário fazer de novo a mesma lon¬ga viagem de 75 quilômetros com os restos mortais. Depois de passarem doze anos na China, novamente perderam tudo quanto tinham em casa, quando as águas de uma en¬chente subiram à altura de dois metros dentro da casa. : Depois ele quis andar pela China evangelizando de cidade em cidade."De fato, o plano foi bem concebido, a não ser uma coi¬sa: não se lembrou das crianças... Lembrei-me de como os meninos com varíola, em Hopei, me cercaram quando se¬gurava a criança no colo. Lembrei-me das quatro covas de nossos pequeninos, e endureci o coração, como pederneira, contra o plano. Como meu marido suplicava dia após dia! 'Rosa, por certo o plano é de Deus e receio o que possa acontecer aos filhos se desobedecermos. O lugar mais segu¬ro para ti e os filhos é no caminho da obediência. Pensas em guardar os filhos seguros em casa, mas Deus pode mos¬trar-te que não podes. Contudo, Ele guardará os filhos se obedeceres confiando nele!' Não muito depois, Wallace caiu doente de disenteria asiática e por quinze dias luta¬mos para salvar a criança; meu marido me disse: 'Oh! Ro¬sa, cede a Deus, antes de perder tudo.' Mas parecia-me que Jônatas era duro e cruel. Então nossa filha Constância caiu enferma da mesma doença. Deus revelou-se a mim como um Pai em quem eu podia confiar para conservar os meus filhos. Baixei a cabeça e disse: 'Ó Deus, é tarde de¬mais para a Constância, mas confio em ti, guarda os meus filhos. Irei aonde quer que me mandes.' Na tarde do dia em que a criança faleceu, mandei chamar a senhora Wang, uma crente fervorosa e amada e lhe disse: 'Não posso con¬tar-lhe tudo agora, mas estou resolvida a acompanhar meu marido nas viagens de evangelização. Quer ir comigo?' Com lágrimas nos olhos, ela respondeu: 'Não posso, pois a menina pode adoecer sob tais condições.' Não querendo in¬sistir, pedi que ela orasse e me respondesse depois. No dia seguinte ela voltou com os olhos cheios de lágrimas e, com um sorriso, disse: 'Irei com vocês'." É coisa notável que não faleceu mais nenhum filho dos Goforth, na China, apesar dos muitos anos que passaram na vida nômade de evangelização. Goforth observou tão fielmente seu costume de levantar-se às 5 horas para ora¬ção e estudo das Escrituras, como quando estava em casa, em Chantgé. Geralmente, para o estudo tinha de ficar em pé diante da janela, com as costas viradas para a família. Acerca da obra em Chantgé, são de Goforth estas pa¬lavras: "Nos primeiros anos de meu trabalho na China, contentava-me com a lembrança de que sempre há semen¬teira antes da colheita. Mas já passavam mais de treze anos e a colheita parecia ainda distante. Tinha a certeza de que haveria uma coisa melhor para mim se eu tivesse a visão e a fé necessárias para adquiri-la. Estavam constan¬temente perante mim as palavras do Mestre em João 14.12: 'Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maio¬res do que estas; porque eu vou para meu Pai.' E sentia profundamente como no meu ministério faltavam as 'maiores obras'." No ano de 1905, Jônatas Goforth leu na Autobiografia de Carlos Finney que um lavrador podia, com muita razão, orar pedindo uma colheita material independentemente de se cumprirem as leis da natureza, assim como os crentes podem esperar uma grande colheita de almas sem se cum¬prirem as leis que governam a colheita espiritual. Resolveu então saber quais eram essas leis e decidiu-se a cumpri-las, a qualquer preço. Fez um estudo a fundo e de joelhos, sobre o Espírito Santo e escreveu as notas nas margens da sua Bíblia chine¬sa. Quando começou a ensinar essas lições aos crentes, houve grande quebrantamento, com confissão de pecados. Foi na grande exposição idólatra de Hsun Hsien que Deus primeiramente mostrou seu grande poder no ministério de Goforth. Durante o sermão, um obreiro exclamou em voz baixa: "Esse povo está tão comovido, pela pregação, como a multidão no dia de Pentecoste, pelo sermão de Pedro". Na noite do mesmo dia, num salão alugado e que não com¬portava toda a grande multidão pagã que queria assistir, Goforth pregou sobre o texto: "Levando Ele em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro". Quase todos mostra¬ram-se convictos do pecado e quando o pregador fez o ape¬lo, levantaram-se clamando: "Queremos seguir a esse Je¬sus que morreu por nós!" Um dos obreiros presentes assim expressou o que viu: "Irmão, aquele a quem oramos duran¬te tanto tempo para que viesse, veio de fato esta noite." Nos dias que se seguiram, pecadores foram salvos em todos os pontos de pregação e em todos os cultos. Acerca do avivamento, que nesse tempo visitou a Co¬réia, um dos missionários escreveu sobre o que presenciou: "Os missionários eram como os demais crentes: não havia alguém entre eles de talento extraordinário. Viviam e tra¬balhavam como quaisquer outros, a não ser nas orações... Nunca senti a presença divina como a senti nos seus rogos a Deus. Parecia que esses missionários nos levavam ao pró¬prio trono no Céu! Fiquei muito impressionada, também, ao ver como o avivamento era prático... Havia dezenas de milhares de homens e mulheres transformados completa¬mente pelo fogo divino. Grandes templos, com assentos para 1.500 pessoas, ficavam superlotados; era necessário realizar um culto para os homens e, em seguida, outro para as mulheres, a fim de que todos pudessem assistir. Em to¬dos ardia o desejo de espalhar as 'boas-novas'. Crianças se aproximavam das pessoas que passavam pelas ruas, rogando-lhes que aceitassem a Cristo por seu Salvador... A pobreza do povo da Coréia era conhecida em todo o mun¬do. Contudo, havia tanta liberalidade nas ofertas, que os missionários não queriam ensinar mais sobre o dever de contribuir. Havia grande dedicação à Bíblia, quase todos levando um exemplar no bolso. E o maravilhoso espírito de oração permeava tudo." Ao voltar da Coréia, Goforth foi chamado a Manchúria. Mais tarde, ele escreveu: "Quando iniciei a longa viagem, estava convicto de que eu tinha uma mensagem de Deus para entregar àquele povo. Mas não tinha idéia de como presidir a um avivamento. Sabia pronunciar um discurso e sabia levar o povo a orar, porém nada mais sabia do que isso..." Goforth teve um grande desapontamento ao chegar à Manchúria: os crentes não oravam como lhe prometeram fazer e a igreja estava dividida! Depois do primeiro culto, ele, sozinho no seu quarto, caiu de joelhos em desespero. E Deus respondeu à sua insistência, enviando tão grande de¬sejo de oração nas igrejas e tão profunda contrição pelo pe¬cado, que elas não somente foram purificadas de toda a classe de pecado, inclusive dos mais horrendos crimes, mas os perdidos, em grande número, vinham e eram salvos. A senha do avivamento do ano de 1859 foi: "Necessário vos é nascer de novo" e a de 1870: "Crê no Senhor Jesus!" Mas a meta de Goforth foi: "Não por força, nem por vio¬lência, mas por meu Espírito" (Zc 4.6). Que o Espírito Santo operava em vários lugares na Manchúria, em res-posta às orações insistentes e em face de embaraços de toda a sorte, vê-se claramente no que ele escreveu acerca da obra na cidade de Newchang: "Ao subir ao púlpito, ajoelhei-me um momento, como de costume, para orar. Quando olhei para o auditório, pa¬recia como que todos os homens, mulheres e crianças na igreja estivessem com dores de julgamento. As lágrimas corriam copiosamente e houve confissão de toda a espécie de pecado. Como se explica isso? A igreja era conhecida como igreja morta e sem mais esperança, contudo, antes de enunciar sequer uma palavra, sem mesmo cantar um hino e antes de orar, começou essa obra maravilhosa. Não há outra explicação: foi o Espírito de Deus, que operou em resposta às orações das igrejas de Mukden, Liaoyang e de outros lugares na Manchúria, as quais haviam experimen¬tado a mesma qualidade de avivamento e foram induzidas a interceder por sua pobre e necessitada igreja irmã". Jônatas Goforth, quando foi à Manchúria, era quase desconhecido fora do pequeno círculo da sua denominação. Depois de algumas semanas, quando voltou, os olhos dos crentes de todo o mundo estavam fitos nele. Contudo, per¬maneceu o mesmo humilde servo de Deus, reconhecendo que a obra não era dele mas do Espírito de Deus. Chansi é conhecida como "a província dos mártires". Certo chinês douto contou a Goforth como presenciara nes¬sa província, durante a Insurreição dos Boxers, em 1900, de uma só vez a morte de 59 missionários. Todos eles enca¬raram o carrasco com a maior calma. Uma mocinha, de ca¬belos louros, perguntou ao governador: "Por que devemos morrer? Os nossos médicos não vieram de países remotos para dar suas vidas para servir ao seu povo? Muitos doen¬tes sem esperança não foram curados? Diversos cegos não receberam a vista? É por causa do bem que fizemos que devemos morrer?" O governador baixou a cabeça, e não respondeu. Mas um soldado, pegou a mocinha pelos cabe¬los, e com um só golpe, decepou-lhe a cabeça. Um após ou¬tro foram mortos; todos morreram com um sorriso de paz. Esse mesmo chinês contou como viu, entre eles, uma se¬nhora falando alegremente ao filhinho. Com um só golpe ela foi prostrada, mas a criança continuou a segurar-lhe a mão; logo a seguir outro golpe, um pequeno cadáver jazia ao lado do cadáver da mãe. Foi a essa mesma "província dos mártires" que Deus enviou seus servos, os Goforth, oito anos depois, e aconte¬ceu o que vamos ler: "Em Chuwahsien, não muito depois de começar a falar, vi muitos dos ouvintes baixarem a ca¬beça, convictos, enquanto as lágrimas corriam-lhes pelas faces. Depois do discurso, todos que experimentaram orar, estavam quebrantados. O avivamento, que começou assim, continuou durante quatro dias. Houve confissão de toda a qualidade de pecados. O delegado regional se admi¬rou grandemente ao ouvir confissões de homicídios, de rou¬bos e de crimes de toda a sorte - confissões que ele só con¬seguiria arrancar deles açoitando-os até quase os deixar mortos. Às vezes, depois de um culto de três horas, ou mais, o povo voltava a casa para continuar a orar. Mesmo em horas tardias da noite, havia pequenos grupos reunidos em vários lugares para orarem até quase clarear o dia". No colégio de moças, em Chuwu, na mesma "província dos mártires", "as alunas insistiram para que lhes conce¬dessem tempo para jejuar e orar... No dia seguinte, quando as moças se reuniram de manhã, para oração, o Espírito caiu sobre elas e ficaram de joelhos até a tarde desse dia." Das centenas de exemplos evidentes da operação pode¬rosa do Espírito Santo nos corações, dentre muitos outros lugares, citaremos aqui apenas os seguintes: Changté: "Quase setecentas pessoas assistiram pela manhã. Havia um ferver de homens se esforçando para ir à frente, de modo que Goforth só conseguiu pregar à tarde. O culto era contínuo, prolongava-se o dia inteiro, com inter¬valos para as refeições." Kwangchow: "A igreja, com assentos para 1.400 ouvin¬tes, não comportava as multidões. O Espírito Santo veio com poder extraordinário. Havia, às vezes, centenas de pe¬cadores contritos chorando..." Dois endemoninhados fo¬ram libertos e se tornaram crentes fervorosos na obra de Deus. Em quatro anos o número dos salvos aumentou de 2.000 para 8.000. Shuntehfu: "Inesperadamente, uma dúzia de homens começaram a orar e a chorar... sem poderem resistir ao po¬der do Espírito Santo... Velhos discípulos de Confúcio, vi¬nham à frente, quebrantados e humilhados, para confessa¬rem a Cristo como seu Senhor. Um total de quinhentos ho¬mens e mulheres foram salvos. Foi, talvez, a maior obra do Espírito Santo que eu tinha visto." Nanquim: "Assistiram mais de 1.500 pessoas. Cente¬nas que também queriam assistir, não puderam entrar e voltaram a casa. O culto da manhã durou quatro horas. O resto do tempo foi dedicado à oração e confissão de pecados. A massa de pessoas que desejava chegar ao estrado para confessar seus pecados foi tão grande que se tornou necessário construir outra escada... Subi de novo ao estra¬do, às 3 horas da tarde, para iniciar o segundo culto. Cen¬tenas de pessoas, nesse momento, começaram a vir à fren¬te e por isso eu não podia pregar... Às nove horas da noite, seis horas depois de iniciar o culto, fui obrigado a me reti¬rar e embarcar para Pequim onde os crentes me esperavam para outra série de cultos." Shantung: "O avivamento foi tão grande que cerca de 3.000 membros foram acrescentados à igreja em três anos." Acerca dos cultos entre os soldados do general Feng, a esposa de Goforth escreveu: ''Desde o início, sentimos a presença de Deus. Duas vezes, todos os dias, Goforth tinha auditórios de cerca de 2.000 pessoas, principalmente ofi¬ciais, que se mostravam grandemente interessados... A três cultos, às esposas foi permitido assistirem, e Deus me deu poder para falar-lhes. Quase todas declararam-se prontas a seguir a Cristo. O general Feng, ao experimentar orar, ficou quebrantado... A seguir outros oficiais, um após outro, começaram a clamar a Deus entre soluços e lágrimas." Assim continuou a obra, ano após ano, geralmente com três cultos por dia, apesar de grandes obstáculos. No perío¬do da seca de 1920, 30 a 40 milhões dos habitantes ao redor encararam a morte pela fome. Em 1924, Goforth assim es¬creveu à sua esposa, forçada por doença a voltar ao Cana¬dá: "Completo hoje 65 anos... Oh! Como cobiço, mais que qualquer avarento cobiça o ouro, vinte anos ainda para ga¬nhar almas!" . livro "Por Meu Espírito", : "Vidas Milagrosas da China". Em 1931, Goforth e sua esposa, ela com 67 anos e ele com 72, com os corações ardendo pelo desejo de ganhar al¬mas, voltaram mais uma vez à obra na Manchúria. Qua¬trocentos e setenta e dois convertidos foram batizados em 1932. Um dia Goforth voltou de uma viagem evangelística para entrar em casa às apalpadelas. Depois de ficar um momento ao lado da sua esposa, ele lhe disse em voz baixa: "Receio que a retina do olho esquerdo tenha saído do lu-gar." E assim tinha acontecido. A perda completa da visão era para ele uma tristeza, uma tragédia, sentida por todos. Ao mesmo tempo chegou-lhes uma carta informando-os de uma redução tão grande no que recebiam para o sustento dos missionários e nas despesas das viagens evangelísticas, que parecia impossível continuar a obra. Foi a maior crise de toda a vida de Jônatas Goforth. Contudo, sem vacilar, olhou para Deus. A própria cegueira parecia mais uma bênção do que uma aflição: os crentes mostravam-se mais ligados a ele do que antes. Vencendo o desânimo inevitável dos que perdem a vista, não cessou de pregar com a Bíblia que amava, aberta nas mãos. No ano de 1933, setecentos e setenta e oito convertidos foram batizados. Por fim, os Goforth cederam ao apelo dos crentes do Canadá a que voltassem para animar as igrejas a enviarem mais missionários. Durante os preparativos para a viagem, souberam que novecentos e sessenta e seis convertidos fo¬ram batizados naquele ano, 1934. O culto de despedida foi um dos mais comoventes em toda a história da obra mis¬sionária. O missionário, tão amado pelos crentes, agora, por causa da cegueira, não podia ver como tinham enfeita¬do o templo, mas eles bondosamente e com prazer lhe des¬creveram tudo acerca das muitas e lindas bandeiras de seda e veludo que cobriam inteiramente as quatro paredes do templo. Os pregadores que falaram, o fizeram choran¬do. Um deles disse: "Agora Elias está para sair de nosso meio e cada um de nós deve tornar-se um Eliseu". Durante dezoito meses, Goforth pregou a grandes audi¬tórios no Canadá e nos Estados Unidos. Dia após dia, esse veterano estava em pé diante desses auditórios, com a sua amada Bíblia aberta nas mãos. Abria o livro, aproximada¬mente nas páginas, das quais citava as passagens de cor, durante o sermão. Isso ele fazia, tendo os olhos abertos e com tanta prática, que era difícil crer que as não lia como outrora. . Na noite do dia 7 de outubro de 1936, Jônatas Goforth, depois de um discurso fervoroso e longo, sobre o tema: "Como o Fogo do Espírito Varreu a Coréia", deitou-se tar¬de para dormir. Às sete horas da manhã seguinte, a sua esposa levantou-se e vestiu-se. Logo a seguir verificou que foi mais ou menos no momento em que ela se levantou que ele, "dormindo aqui na terra, num instante, acordou-se na Glória, vendo de novo." Poucos dias antes, ele tinha dito que se regozijava em saber que o primeiro rosto que ia ver, seria o de seu Salvador. Cinco anos e meio depois de Jônatas Goforth haver dor¬mido no Senhor, Rosalind Goforth reuniu-se ao seu amado marido e companheiro de lutas. As últimas palavras que pronunciou, foram estas: "O Rei me chama. Estou pron¬ta". Dela também pode-se dizer, como foi dito a respeito de¬le: "Entregava-se à oração e ao estudo da Palavra, para sa¬ber a vontade de Deus. Foi esse amor pela leitura da Bíblia e a ininterrupta comunhão com Deus que lhe deram o po¬der de comover auditórios e convencê-los do pecado e da necessidade do arrependimento. Em todas as ocasiões ele dominava a sua própria pessoa e confiava inteiramente no poder do Espírito Santo para descobrir as coisas de Jesus aos ouvintes." Que o mesmo brado de guerra seja sempre nosso: "Não por força, nem por violência, mas por meu Espírito" - "Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito San¬to". Cura Divina Rosalind Goforth Logo depois de chegar na China, ouvi um testemunho de Hunter Corbett, um dos missionários mais dedicados e santos que já conheci, o qual Deus usou mais tarde para me salvar e me impedir de voltar para o Canadá. Dr. Corbett contou que todo ano, durante quinze anos, ele tinha estado acamado com aquela terrível praga do Oriente, a disenteria. Finalmente, perante a sua doença permanente, os médicos deram-lhe como diagnóstico a decisão definitiva de ele regressar imediatamente à sua terra natal e abandonar o serviço missionário na China. "Porém", disse aquele grande homem, "eu sabia que Deus me havia chamado para a China, e, também sabia que Deus não mudava. Então, o que poderia eu fazer? Não ousava abandonar a minha chamada missionário; assim, determinei que se eu não podia viver na China, só me restava morrer ali. Daquele dia em diante, a doença perdeu o seu poder sobre mim." Nessa época, já havia quase trinta anos que o Dr. Corbett estava na China. Ele viveu muitos anos depois e faleceu com quase noventa anos de idade. Pois bem, durante vários anos eu também passei a sofrer daquela mesma doença. A cada ano que passava, a doença parecia fortalecer-se mais e apoderar-se mais de mim. Finalmente, o meu marido trouxe-me a decisão dos médicos, dizendo que eu teria de regressar para o Canadá. Enquanto ali estava deitada, enferma e enfraquecida, a tentação de ceder e entregar os pontos veio com muita força. Lembrei-me, então, do testemunho do Dr. Corbett e da minha própria chamada, que era tão claro, e senti que voltar seria ir contra a minha própria consciência. Determinei, assim, fazer o que ele fizera: entregar-me nass mãos do Senhor, quer para a vida, quer para a morte. Isso aconteceu há mais de vinte anos, e, desde então, tive muito pouco problema com aquela temida doença. Sim, quanto maior a necessidade, quanto mais amarga a extremidade, maior é a oportunidade para Deus revelar o Seu grande poder nas nossas vidas, se tão-somente LHE dermos uma chance através da obediência inabalável, seja qual for o custo. “No dia em que eu clamei, me escutaste; alentaste-me, fortalecendo a minha alma.” (Sl 138:3 ARC1995) Durante o nosso quarto ano na China, quando estávamos passando a estação do calor perto do litoral, o nosso pequenino filho, com dezoito meses, ficou gravemente doente com disenteria. Depois de lutar vários dias pela vida da criança, começamos a sentir que o anjo da morte estava prestes a chegar. Minha alma inteira rebelava-se; parecia, até mesmo, que eu odiava a Deus. Eu não podia ver nada senão cruel injustiça em tudo isso, e o meu filho parecia estar partindo rapidamente. Ajoelhei-me com meu marido perto do berço e ele suplicou-me intensamente para que eu cedesse a minha vontade e entregasse o meu filho a Deus. Depois de uma longa e amarga peleja, Deus obteve a vitória, e falei com o meu marido que estava entregando o filho ao Senhor. Em seguida, Jonathan orou, entregando a preciosa alma do nosso filho ao cuidado do nosso Pai. Enquanto ele orava, notei que a respiração irregular e ofegante da criança havia parado. Pensando que o meu tesouro já havia partido, procurei rapidamente uma luz, pois estava escuro. Ao examinar o rosto dele, porém, percebi que acabara de adormecer num sono profundo e natural, que durou a maior parte da noite. No dia seguinte, ele estava praticamente curado da disenteria. Para mim, sempre me pareceu que o Senhor me tinha estado provando até ao último extremo da minha força natural. Depois, quando Lhe cedi a Ele o meu maior tesouro e coloquei o Senhor em primeiro lugar, Ele devolveu-me a criança.