4 de agosto de 2014

Livre da escravidão das opiniões humanas A W Tozer

Livre da escravidão das opiniões         humanas   
A W Tozer

A justiça própria é uma efetiva barreira para o favor de Deus porque lança de volta o pecador aos seus próprios méritos e o priva da justiça de Cristo imputada. E ser um pecador confesso e conscientemente perdido é necessário para o ato de receber a salvação por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Isto jubilosamente admitimos e constantemente afirmamos, mas eis aqui a verdade que tem sido negligenciada em nossos dias:
Um pecador não pode entrar no reino de Deus.
As passagens bíblicas que declaram isto são demasiado numerosas e demasiado conhecidas para que seja necessário repeti-las aqui, mas o cético poderia examinar Gálatas 5.19-21 e Apocalipse 21.8. Como, então, pode alguém ser salvo? O pecador penitente encontra-se com Cristo e depois desse encontro salvador, não é mais pecador. O poder do Evangelho o transforma, muda a base da sua vida do ego para Cristo, faz com que ele dê meia-volta e tome nova direção, e faz dele uma nova criação. O estado moral do penitente quando vem a Cristo não afeta o resultado, pois a obra de Cristo varre dele tanto o que tem de bom como o que tem de mau, e o transforma noutro homem. O pecador que volta não é salvo por alguma transação judicial sem uma correspondente mudança moral. A salvação tem que incluir uma mudança judicial de estado, mas o que é passado por alto por muitos mestres é que ela inclui também uma real mudança na vida do indivíduo. E com isso queremos dizer mais do que uma mudança de superfície; queremos dizer uma transformação tão profunda quanto as raízes da vida humana. Se não chega a essa profundidade, não chegou a suficiente profundidade. Se não tivéssemos sofrido primeiro um sério declínio em nossas expectativas, não teríamos aceitado essa insípida e técnica concepção da fé.

As igrejas (mesmo as conservadoras) são mundanas no espírito, moralmente anêmicas, vivem na defensiva, imitando em vez de tomar iniciativas, e numa condição miserável, em geral porque durante duas gerações completas lhes têm dito que a justificação não é nada mais que um veredito de "não culpado" pronunciado pelo Pai Celeste sobre um pecador que pode apresentar a mágica moeda fé  com o maravilhoso "abre-te sésamo" gravado nela. Se a afirmação não é tão contundente assim, ao menos a mensagem é defendida de modo tal que chega a causar essa impressão. A coisa toda resulta de ouvir a Palavra sem poder e de recebê-la do mesmo modo.Ora, a fé é na verdade o abre-te sésamo da bem-aventurança eterna. Sem fé é impossível agradar a Deus, e nenhum homem pode salvar-se sem fé no Salvador ressurreto. Mas a verdadeira qualidade da fé é quase universalmente omitida, a saber, a sua qualidade moral.

A fé é mais que mera confiança na veracidade de uma afirmação feita na Escritura Sagrada. Ela é uma coisa altamente moral e de essência espiritual. Invariavelmente efetua transformação radical na vida de quem a exerce. Muda a visão interior, do ego para Deus. Introduz o seu possuidor na vida do céu estando ele na terra. Não é meu desejo diminuir o efeito justificador da fé. Nenhum homem que conheça as profundezas da sua própria iniqüidade ousaria comparecer perante a inefável Presença sem nada para recomendá-lo senão o seu próprio caráter, tampouco cristão algum, sábio após a disciplina dos fracassos e das imperfeições, quereria que a sua aceitação da parte de Deus dependesse de algum grau de santidade que ele pudesse ter atingido mediante as operações da graça interior.

Todo os que conhecem os seus próprios corações e as provisões do Evangelho se unirão na oração do homem de Deus: Quando ao som da trombeta Ele chegar,Oxalá nele eu seja visto;Da Sua justiça apenas revestido,Sem culpa diante do seu trono estar! Uma coisa angustiante é que uma verdade tão bela tenha sido tão pervertida. Mas a perversão é o preço que pagamos por deixar de dar ênfase ao conteúdo moral da verdade; é a maldição que acompanha a ortodoxia racional quando apaga ou rejeita o Espírito da Verdade. Ao afirmar que a fé no Evangelho efetua uma mudança da força motriz da vida, do ego para Deus, estou apenas afirmando os fatos puros e simples. Todo homem dotado de entendimento moral necessariamente tem consciência do flagelo que o aflige interiormente; necessariamente está cônscio daquilo a que chamamos ego, a que a Bíblia chama carne  (ser pessoal, natureza humana), mas, seja qual for o nome que se lhe dê, um senhor cruel e um inimigo mortal.
Jamais o Faraó dominou tão tiranicamente Israel como este inimigo oculto domina os filhos e filhas dos homens. As palavras de Deus a Moisés concernentes a Israel no cativeiro bem podem descrever-nos a todos:"Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causados seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento". E quando, como com tanta ternura afirma o Credo Niceno, nosso Senhor Jesus Cristo "por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne do Espírito Santo e da Virgem Maria, e tornou-se homem, e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio  Pilatos, e padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras, e subiu aos céus e assentou-se à direita do Pai", para que o fez?   

-Para que nos pronunciasse tecnicamente livres e nos deixasse em nossa escravidão?
Nunca. Deus não disse a Moisés, "... desci a fim de livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra e uma terra boa e ampla, terra que mana leite  e mel... Chega-te a Faraó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor:Deixa ir o meu povo..."? Para os seres humanos cativos do pecado Deus jamais tenciona menos que plena libertação. A mensagem cristã retamente entendida significa isto: O Deus que pela palavra do Evangelho proclama livres os homens, pelo poder do Evangelho de fato os faz livres .  Aceitar menos que isso é conhecer o Evangelho somente em palavra,sem o seu poder. Aqueles a quem a Palavra vem em poder experimentam este livramento, esta migração interior da alma, da escravidão para a liberdade, esta libertação do cativeiro moral. Conhecem por experiência uma radical mudança de posição, uma real travessia, e conscientemente se firmam noutro solo, sob outro céu, e respiram outro ar. Mudam-se os motivos da sua vida e se renovam os seus impulsos internos.
Que são esses velhos impulsos que outrora impunham a obediência com a ponta do chicote?
-Que são eles, senão pequenos mestres de obras, servos do grande mestre de obras, oEgo, os quais se põem diante dele e fazem a sua vontade?
Mencioná-los todos requereria um livro só para isso, mas gostaríamos de indicar um deles como tipo ou exemplo dos demais. É o desejo de aprovação social. Isto não é mau em si mesmo, e poderia ser perfeitamente inocente se estivéssemos vivendo num mundo sem pecado, mas desde que a raça humana apartou-se de Deus, caiu, e se juntou aos Seus inimigos, ser amigo do mundo é ser colaborador do mal e inimigo de Deus. Todavia, o desejo de agradar os homens está por trás de todos os atos sociais, desde as mais altas civilizações até os mais baixos níveis em que se acha a vida humana. Ninguém pode escapar disso. O fora da lei que burla as regras da sociedade e ao filósofo que se eleva em pensamento acima do comum, parecem ter evitado a armadilha, mas na realidade apenas estreitaram o círculo daqueles a quem eles desejam agradar. O fora da lei tem os seus comparsas diante dos quais  procura brilhar; o filósofo, o seu grupo de pensadores superiores cuja aprovação é necessária para a sua felicidade. Para ambos, a raiz dos motivos permanece intacta. Cada um deles aufere sua paz da idéia de que goza a estima dos seus companheiros, conquanto cada qual interprete à sua maneira toda a questão. Cada ser humano olha para os seus companheiros humanos porque não tem ninguém para quem olhar. Davi podia dizer: "Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra", mas os filhos deste mundo não têm Deus, só têm uns aos outros, e andam apegando-se uns aos outros e procurando uns aos outros para se sentirem seguros, como crianças apavoradas. Mas sua esperança lhes falhará, pois são como um grupo de homens dos quais  nenhum sabe manejar um avião em vôo e que, de repente, se vêem nos ares sem piloto, cada qual esperando que os outros os levem a salvo ao solo. A sua confiança desesperada, mas equivocada, não os pode salvar da destruição que certamente lhes sobrevirá.

Com este desejo de agradar os homens tão profundamente implantado dentro de nós, como podemos desarraigá-lo e mudar o nosso impulso vital para agradar a Deus,em vez de agradar os homens?
Bem, ninguém pode fazê-lo sozinho, nem com a ajuda doutras pessoas, nem por meio da educação ou de exercícios, nem por qualquer outro método conhecido debaixo do Sol. O que se requer é uma inversão da natureza (que,por ser uma natureza decaída, não é menos poderosa), e esta inversão tem que ser um ato sobrenatural. Esse ato o Espírito executa mediante o poder do Evangelho quando recebido com fé viva. Então Ele remove a velha natureza e instaura a nova. Então Ele invade a vida como a luz do Sol invade uma paisagem e expulsa os velhos motivos como a luz expulsa a escuridão do firmamento.O modo como age na experiência é mais ou menos assim: O homem que crê é subitamente dominado por uma vigorosa sensação de que só Deus importa ; logo isto passa a agir em sua vida mental e condiciona todos os seus juízos e todos os seus valores. 
Agora ele se vê livre da escravidão das opiniões humanas. Um forte desejo de agradar somente a Deus toma posse dele. Logo aprende a querer acima de tudo mais a certeza de que está sendo agradável ao Pai celestial. É esta mudança completa em sua fonte de prazer que torna invencíveis os homens de fé. Assim os santos e mártires puderam ficar sós, abandonados por todos os amigos terrenais, e morrer por Cristo debaixo do aborrecimento universal da humanidade. Quando, para intimidá-lo, os juízes de Atanásio o advertiram de que o mundo inteiro estava contra ele, Atanásio ousou replicar: "Então é Atanásio contra o mundo!" Esse brado cruzou os séculos e hoje pode fazer-nos lembrar que o Evangelho tem poder para livrar os homens da tirania da aprovação social e os torna livres para fazerem a vontade de Deus.Isolei este único inimigo para consideração, mas este é somente um, e existem muitos outros. Eles parecem existir por si mesmos e ter existência separada uns dos outros, mas é só aparência. Na verdade são apenas ramos da mesma vinha venenosa, desenvolvendo-se da mesma raiz má, e morrem juntos quando morre a raiz. Essa raiz é o ego, e a Cruz é seu único destruidor capaz. 

A mensagem do Evangelho é, pois, a mensagem de uma nova criação em meio a uma antiga, a mensagem da invasão da nossa natureza humana feita pela vida eterna de Deus e a substituição da velha natureza pela nova. A nova vida captura a natureza do homem de fé e se dedica à sua benévola conquista, conquista que não é completa enquanto a vida invasora não tiver tomado posse total e não tiver emergido uma nova criatura. E este é um ato de Deus, sem ajuda humana, pois é um milagre moral e uma ressurreição espiritual.

3 de agosto de 2014

EM PALAVRA, OU EM PODER A W TOZER


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EM PALAVRA, OU  EM PODER
 A W TOZER
Porque o  evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas sobretudo em poder,no Espírito Santo. 1 Tessalonicenses 1.5 

Se alguém está em Cristo, é nova criatura. 2 Coríntios 5.17 

Tens nome de que vives, e estás morto. Apocalipse 3.1

       Para quem é apenas um estudante, estes versículos podem ser interessantes, mas para um homem sério, empenhado em obter a vida eterna, bem podem provar-se mais do que algo perturbadores. Pois eles evidentemente ensinam que a mensagem do Evangelho pode ser recebida de uma destas duas maneiras: em palavra somente, sem poder, ou em palavra com poder.
E estes versículos também ensinam que quando a mensagem é recebida em poder, efetua uma mudança tão radical que se pode chamar de nova criação. Mas a mensagem pode ser recebida sem poder, e, por certo, alguns a receberam desse modo, pois têm nome de que vivem, e estão mortos. Tudo isso será presente nestes textos. Observando as maneiras de jogar dos homens, pude entender melhor as maneiras de orar dos homens. Na maioria os homens, na verdade, brincam de religião como brincam nos jogos, sendo que de todos os jogos a religião é o jogo mais universalmente jogado. Os vários desportos têm as suas regras, as suas bolas e os seus jogadores; o jogo desperta interesse, dá prazer e consome tempo, e quando acaba, as equipes competidoras deixam o campo sorrindo. É comum ver um jogador deixar uma equipe e juntar-se a outra e, poucos dias depois, jogar contra os seus ex-colegas com o mesmo entusiasmo que anteriormente demonstrara jogando em favor  deles.
A coisa toda é arbitrária. Consiste em resolver problemas artificiais e combater dificuldades deliberadamente criadas por amor do jogo. Não tem raízes morais, e não se espera que tenha. Ninguém melhora pelo esforço que a si mesmo se impõe. Tudo não passa de uma agradável atividade que não muda nada nem fixa nada, afinal.
Se as condições que descrevemos se limitassem ao campo de esporte, poderíamos passar por alto sem pensar mais nisso, mas que havemos de dizer quando este mesmo espírito entra no santuário e decide a atitude dos homens para com Deus e para com a religião? Pois a igreja também tem os seus campos, as suas regras e o seu equipamento para o jogo das palavras piedosas. Ela tem os seus fanáticos, tanto leigos como profissionais, que mantêm o jogo com o seu dinheiro e o incentivam com a sua presença, mas que não diferem, na vida ou caráter, de muitos que não têm absolutamente interesse nenhum pela religião. Como um atleta usa uma bola, assim muitos de nós usam palavras; palavras faladas e palavras cantadas, palavras escritas e palavras proferidas em oração. Nós as atiramos rapidamente pelo campo; aprendemos a manejá-las com destreza e graça; edificamos reputações sobre a nossa habilidade verbal e ganhamos como recompensa o aplauso dos que
apreciaram o jogo. Mas a vacuidade disso transparece do fato de que,após o jogo religioso,basicamente ninguém é nada diferente do que era antes . As bases da vida continuam inalteradas, os mesmos princípios antigos dominam, o mesmo velho Adão governa.
Eu não disse que a religião sem poder não faz nenhuma mudança na vida de alguém; disse apenas que não faz nenhuma diferença fundamental. A água pode mudar de líquido para vapor, de vapor para neve e de novo para líquido, e continua sendo fundamentalmente a mesma coisa. Assim a religião sem poder pode submeter o homem a muitas mudanças superficiais deixando-o exatamente igual ao que era antes.  É justamente aí que está a armadilha. As mudanças são apenas de forma, não de natureza.
Por trás do homem não religioso e do homem que recebeu o Evangelho sem poder estão os mesmos motivos. Um ego não abençoado jaz no fundo de ambas as vidas, com a diferença que o homem religioso aprendeu a disfarçar melhor o defeito. Os seus pecados são mais refinados e menos ofensivos do que antes de ele dedicar-se à religião, mas o homem mesmo não é melhor aos olhos de Deus. Na verdade pode ser pior, pois sempre Deus odeia o artificialismo e o fingimento. O egoísmo ainda vibra como um motor no centro da vida desse homem. É verdade que ele pode "reorientar" os seus impulsos egoísticos, mas a sua desgraça é que o seu ser interior ainda vive sem ser censurado e até mesmo insuspeito dentro das profundezas do seu coração. Ele é uma vítima da religiãosem poder.

O homem que recebeu a Palavra sem poder aparou a sua sebe, mas esta continua sendo uma sebe de espinhos e jamais poderá produzir os frutos da nova vida. Os homens não podem colher uvas dos espinheiros nem figos dos abrolhos. Entretanto, tal homem pode ser um líder na igreja, e a sua influência e o seu voto podem chegar a determinar o que será a religião em sua geração. 
A verdade recebida em poder muda as bases da vida de Adão para Cristo, e um novo conjunto de motivos entra em ação dentro da alma. Um novo e diferente Espírito penetra na personalidade e torna o crente um homem novo em cada departamento do seu ser. Os seus interesses mudam das coisas externas para as internas, das coisas da terra para as do céu. Ele perde a fé na solidez dos valores externos, vê claramente o desengano das aparências exteriores, e o seu amor pelo mundo invisível e eterno e sua confiança nele tornam-se mais fortes à medida que a sua experiência se amplia.Com as idéias aqui expressas a maioria dos cristãos concordará, mas o abismo entre a teoria e a prática é tão grande que chega a ser aterrador. Pois o Evangelho é com demasiada freqüência pregado e aceito sem poder, e nunca se efetua a alteração radical que a verdade exige. Pode haver, é certo, uma mudança de alguma espécie; pode-se fazer um negócio intelectual e emocional com a verdade, mas o que quer que aconteça não basta, não é bastante profundo, não é suficientemente radical. A "criatura" é mudada,mas ele não é "novo". E justamente aí está a tragédia disso. O Evangelho tem que ver com vida nova, com um nascimento para cima, para um novo nível do ser e, enquanto ele não efetuar esse renascimento, não realizou a obra salvadora dentro da alma.Sempre que a Palavra vem sem poder, falta o seu conteúdo essencial. Pois há na verdade divina uma nota imperiosa, há em torno do Evangelho uma urgência, uma finalidade que não pode ser ouvida ou sentida, a não ser com a capacitação do Espírito. Devemos manter
constantemente em mente que o Evangelho não é boa nova somente,mas também um julgamento de todo aquele que o ouve. A mensagem da Cruz é de fato boa nova para o penitente, mas para os que "não obedecem ao evangelho" traz consigo um toque de advertência. O ministério do Espírito ao mundo impenitente é falar do pecado, da justiça e do juízo. Para os pecadores que querem deixar de ser pecadores intencionais e querem tornar-se obedientes filhos de Deus, a mensagem do Evangelho é de paz irrestrita, mas também é, por sua própria natureza, um árbitro dos destinos futuros dos homens. Este aspecto secundário é quase totalmente negligenciado em nossos dias. O elemento dádiva do Evangelho é apresentado como seu conteúdo exclusivo e,conseqüentemente,. O elemento mudança  é ignorado.



Assentimento teológico é tudo que se requer para fazer cristãos. A este assentimento chamam fé, e se pensa que essa é a única diferença entre os salvos e os perdidos. Concebe-se assim a fé como uma espécie de magia religiosa que traz ao Senhor grande deleite e que possui um misterioso poder para abrir o reino do céu.Quero ser justo com todos e encontrar todo o bem que puder nas crenças religiosas de todos os homens, mas os efeitos nocivos desta crença na fé como uma magia são maiores do que os pode imaginar quem não os tenha enfrentado face a face. A própria palavra retidão  só é pronunciada com frio escárnio, e o homem moral é olhado com comiseração. "O cristão", dizem esses mestres, "não é moralmente melhor do que o pecador; a única diferença é que recebeu Jesus e, assim, tem um Salvador". Espero que não soe irreverente demais perguntar: "Salvador do quê?" Se não for do pecado, da má conduta e da velha vida decaída, então do quê? E se a resposta for: "Das conseqüências dos pecados passados e do juízo vindouro", ainda isso não nos satisfará. Será que a justificação das ofensas passadas é tudo que distingue o cristão do pecador impenitente? Pode um homem tornar-se crente em Cristo e não ser melhor do que era antes?  Será que o Evangelho não oferece nada mais do que um hábil Advogado para colocar pecadores culpados em liberdade no dia do juízo? Penso que a verdade nesta questão não é nem profunda demais, nem difícil demais de descobrir, basta querermos ver com os olhos de Deus. 

30 de julho de 2014

A W TOZER O ESPÍRITO SANTO É QUE GERA A VIDA

A W TOZER
O ESPÍRITO SANTO É QUE GERA A VIDA 

É possível que uma igreja prossiga sustentando o credo e a verdade por gerações seguidas e assim continue se perpetuando. Novos membros podem seguir e receber esse mesmo código e também acabar envelhecendo.  Aí algum avivalista vem, abre fogo e inquieta a todos, e pela oração Deus Se manifesta naquele lugar e o avivamento chega àquela igreja. 

Pessoas que se julgavam salvas são agora salvas de fato. Pessoas que meramente haviam crido num código agora crêem em Cristo. E o que é que aconteceu de fato? Aconteceu apenas que o Cristianismo do Novo Testamento recebeu o devido lugar. Não é uma edição de luxo do Cristianismo; é apenas o que o Cristianismo deveria ter sido já desde o começo.Um homem começa a frequentar uma igreja, crê nos textos bíblicos, memoriza esses textos, cita-os, ensina-os e talvez até se torne um diácono da igreja. Ele talvez até seja eleito para a diretoria da igreja e tudo o mais. Aí, certo dia, ouvindo a pregação inflamada de algum visitante ou talvez do próprio pastor, ele de súbito se sente em falta para com Deus e, esquecendo-se de todo o seu passado religioso, põe-se de joelhos.Como Davi, ele começa a derramar a alma em confissão. Depois, levanta-se e começa a testemunhar: "Eu fui diácono nesta igreja por 26 anos e nunca havia nascido de novo,mas isso aconteceu hoje à noite!"O que foi que aconteceu? Esse homem estava confiando no cadáver da verdade até que algum pregador inspirado o fez ver que a verdade tem uma alma. Ou, talvez Deus lhe ensinou em secreto que a verdade tem uma alma tanto quanto um corpo, e ele ousou avançar e insistir pelo arrependimento e pela obediência até que Deus honrou a sua fé e fez brilhar a luz. 


Daí, como relâmpago rasgando o céu, ela tocou o seu espírito e todos os textos que ele havia memorizado passaram a viver. Graças a Deus, ele tinha memorizado os textos, e toda a verdade que ele conhecia, agora, de repente, floresceu na luz. É por isso que eu creio que devemos decorar as Escrituras. Essa é a razão por que devemos nos familiarizar com a Palavra,por que devemos encher a mente com os grandes hinos e canções da igreja. Eles haverão de significar muito pouco para nós até que venha o Espírito Santo. Mas quando Ele vier, Ele terá combustível para usar. Fogo sem combustível não queima, mas o combustível sem fogo está morto. E o Espírito Santo não virá a uma igreja onde não haja o corpo bíblico da verdade. O Espírito Santo não vem nunca para um vácuo, mas onde a Palavra de Deus está, ali está o combustível, e o fogo desce e queima o sacrifício.


O ARREPENDIMENTO É A PREPARAÇÃO NECESSÁRIA 
 
 Jesus afirmou que aqueles que quiserem fazer a vontade de Deusconhecerão ; eles conhecerão o Seu ensino 
- se ele procede de Deus ou se Ele fala de Si mesmo. Agora, esse corpo de ensino pode ser apreendido pelo intelecto comum, de capacidade média. Você pode apreender o ensino, mas somente a alma iluminada pode conhecer a verdade e somente o coração preparado será iluminado.
E o que é essa preparação necessária? Jesus disse que, se alguém quiser fazer a vontade de Deus, a luz haverá de invadi-lo. Deus lhe iluminará a alma. O que nós queremos é fazer de Jesus uma conveniência. Fazemos dEle um bote salva-vidas para nos conduzir até a praia, um guia para nos encontrar quando estamos perdidos. Nós O reduzimos a um mero bom Amigo que nos ajuda quando estamos encrencados. Isso não é o Cristianismo bíblico.


Jesus Cristo é Senhor, e quando nos dispomos a fazer a vontade de Deus, isso é arrependimento e a verdade se manifesta em nosso interior. Pela primeira vez na vida nos vemos dizendo voluntariamente: "Eu vou fazer a vontade do Senhor, mesmo que isso me custe a vida!" A iluminação começará sua obra no coração. Isto é arrependimento: nós que seguíamos nossa própria vontade estamos decididos a fazer a vontade de Deus!Nós não podemos conhecer o Filho, a menos que o Pai no-lo mostre. Nós não podemos conhecer o Pai, a menos que o Filho O revele. Eu posso chegar a conhecer a respeito de Deus; isso é o corpo da verdade. Mas eu não consigo conhecer a Deus, a alma da verdade, a menos que eu esteja disposto a obedecer. Discipulado verdadeiro é obedecer a Jesus Cristo, aprender dEle, segui-lO e fazer aquilo que Ele nos ordena. É guardar os Seus mandamentos e executar a Sua vontade. Uma pessoa dessas é um cristão- e nenhuma outra espécie o é.
Quando você está tentando descobrir em que pé se encontra alguma igreja, não pergunte apenas se ela é evangélica. Veja se é uma igreja evangélica racionalista que diz"O texto é suficiente", ou se é uma igreja que crê que é necessário o texto mais o Espírito Santo. 

Antes que a Palavra de Deus possa significar qualquer coisa em meu interior, é preciso que haja obediência à Palavra. A Verdade não se confia a um rebelde. A Verdade não transmitirá vida a um homem que não vai obedecer à luz! "se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seuFilho nos purifica de todo o pecado" (1 João 1.7). Aquele que está desobedecendo a Jesus Cristo não pode esperar ser iluminado.

A ILUMINAÇÃO É UM FATO


. Eu sei o que Carlos Wesley quis dizer quando escreveu: "O Seu Espírito atende ao sangue,  E me garante que eu nasci de Deus!" Não é preciso que ninguém me diga o que ele quis dizer com isso. "Aqueles que quiserem fazer a minha vontade", disse Jesus na verdade, "haverão de receber uma revelação em seu coração. Eles receberão uma iluminação interior, que lhes assegurará que são filhos de Deus".

Se um pecador se dirige ao altar e um obreiro com um Novo Testamento cheio de anotações o introduz no reino por meio de argumentações, o diabo haverá de encontrar esse recém-convertido dois quarteirões abaixo e, com argumentações, o removerá do reino outra vez. Mas se ele for iluminado interiormente — esse testemunho interior — porque o Espírito respondeu ao sangue, você não conseguirá argumentar com uma pessoa dessas. Ele se tornará teimoso, sem levar em consideração os argumentos que você tentar manobrar. Ele vai dizer: "Mas eusei!" 

 Um homem desses não é nem teimoso nem arrogante; ele apenas é seguro. Ele se parece com aquele alegre irmão crente que trabalhava numa fábrica, e alguém o convidou para uma reunião em que um homem pretendia provar que os cristãos estavam errados. Esse irmão foi assistir à palestra. Foi uma eloquente apresentação de argumentos de todo tipo. Na saída, o homem que o tinha convidado perguntou: "E então, o que você achou?""Olha, eu ouvi esta palestra com um atraso de 25 anos", replicou o cristão. "Foi 25 anos atrás que Deus fez na minha vida o que esse palestrante disse que é impossível ser feito!" Ora, esse é o Cristianismo normal. Esse é o jeito que deveríamos ser. "Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, conhecerá." Ele haverá de saber. Todavia, algumas pessoas continuam a resistir a Deus, recusando-se a seguir a Jesus, o tempo todo frustrados com algo que Ele lhes disse, mas que eles não vão fazer. Você diz que pretende fazer um curso bíblico. Você pode fazer um curso e estudar tudo a respeito de síntese e análise e tudo o mais. Mas se você está resistindo a Deus, será o mesmo que ler um outro livro qualquer. Nem todos os cursos deste mundo iluminarão o seu interior. Você pode encher a mente de conhecimento, mas o dia em que decidir obedecer a Deus, o conhecimento haverá de descer ao seu coração. Você conhecerá . Somente os servos da verdade conseguem conhecer a verdade. Somente aqueles que obedecem alcançam a mudança interior.


O CONHECIMENTO NÃO É SUFICIENTE

 Você pode manter-se do lado de fora, e possuir toda a informação e saber tudo a respeito da verdade, e contudo não ser um verdadeiro discípulo que de fato conhece a Cristo. Certa vez eu li um livro a respeito da vida espiritual interior, escrito por um homem que de forma alguma era cristão. Ele era um intelectual esperto, um inglês perspicaz. Ele estava parado do lado de fora e examinava as pessoas espirituais por esse ângulo, mas nada daquilo o alcançava. E isso é possível! Você pode argumentar sobre o assunto. Pode ler a sua Bíblia — ler qualquer versão que desejar — e se você é honesto haverá de admitir que é ou obediência ou cegueira interior. Você pode repetir a Epístola aos Romanos palavra por palavra e ainda assim estar completamente cego interiormente. Você pode citar todos os Salmos, e ainda estar cego interiormente. Você pode conhecer a doutrina da justificação pela fé e colocar-se ao lado de Lutero e da Reforma, e ainda continuar cego interiormente. Não é o corpo da verdade que ilumina; é o Espírito da verdade que ilumina.Se você está disposto a obedecer ao Senhor Jesus, Ele haverá de iluminar o seu espírito.  Ele iluminará você interiormente. A verdade que você conheceu intelectualmente agora você a conhecerá espiritualmente. O poder começará a fluir abundantemente, e você se verá mudado, maravilhosamente transformado. Vale a pena crer num Cristianismo que de fato muda as pessoas.


Eu preferiria fazer parte de um pequeno grupo com conhecimento interior, afazer parte de um vasto grupo com conhecimento meramente intelectual.


No grande dia da volta de Cristo, o que vai importar é se eu fui iluminado interiormente ou não, se fui regenerado interiormente, purificado interiormente. A questão é:
Será que realmente conhecemos a Jesus dessa forma? 
  


Faith Beyond Reason, A W Tozer

A. W. Tozer TORNAR–SE MENOR AO TENTAR SER GRANDE


A. W. Tozer 
TORNAR–SE MENOR  AO TENTAR  SER GRANDE


 Algum tempo atrás, ouvimos uma pequena palestra de um jovem pregador, na qual ele fez a seguinte afirmação: "Se você é grande demais para uma posição insignificante, você é pequeno demais para uma posição importante".

Uma antiga regra do reino de Deus é que quando procuramos ser grandes, naquela mesma hora, sempre, nos tornamos insignificantes. Deus é zeloso da Sua glória e não permitirá a homem nenhum que a reparta com Ele. O esforço por parecer grande diante dos homens trará o desfavor de Deus sobre nós e na verdade nos impedirá de alcançar a grandeza que tanto ansiamos. 

A humildade agrada a Deus onde quer que se encontre, e o humilde terá Deus como seu amigo e ajudador em todo tempo. É apenas o humilde que é mentalmente são por completo, porque ele é o único que vê com clareza o seu próprio tamanho e limitações. O egoísta vê as coisas fora de foco. No seu próprio conceito, ele é grande e  Deus é pequeno, e isso é uma espécie de insanidade moral. A humildade é uma volta à sanidade, como aconteceu a Nabucodonosor.


O humilde avalia tudo de forma correta, e isso o torna um sábio e um filósofo. Os jovens cristãos muitas vezes emperram a própria utilidade por causa da atitude que têm para consigo mesmos. Eles começam com a ingênua idéia de que se encontram pelo menos um pouco acima da média nos quesitos inteligência e habilidade e, em conseqüência , sentem-se envergonhados se tiverem de assumir um lugar humilde.Eles querem começar no topo e seguir daí pra cima! O que acontece é que normalmente eles falham em corresponder ao lugar importante que se imaginam qualificados a ocuparem acabam desenvolvendo um crônico ressentimento para com qualquer pessoa que se ponha no seu caminho ou não lhes dá o devido valor. À medida que envelhecem, isso passa a incluir quase todo mundo. Por fim, surge uma profunda e permanente inveja amargurada contra o mundo todo. Desenvolvem, por fim, uma expressão de santidade azeda e assumem uma aparência de mágoa santa que eles imaginam que deve ser igual à que estava na face dos mártires das arenas romanas.Isso é sério demais para ser engraçado, e por demais trágico e nocivo para ser considerado levianamente.



A verdade pura e simples é que ninguém pode atrapalhar um homem que se humilhe por completo. Não há suficientes montanhas no inferno para sufocar o verdadeiro homem ou a verdadeira mulher de Deus, mesmo que fossem empilhadas sobre ele ou ela de uma só vez. Deus escolhe os mansos para confundir os poderosos: "Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador" (Salmo 8.2). As crianças de peito são exatamente o que são - não têm orgulho em si mesmas e não guardam rancor. Eis uma pista para os cristãos.

16 de julho de 2014

MADAME GUYON

MADAME GUYON (Jeanne-Marie Bouvier de La Motte Guyon) - Escritora e religiosa mística francesa, defensora do Quietismo - 1648-1717.


OS BENEFÍCIOS DO INVERNO
Vejo o inverno como uma estação que dá excelentes exemplos do trabalho de transformação do Senhor na vida do cristão. Quando ele chega, é como se o mundo vegetal refletisse a imagem da purificação, mediante a qual Deus remove as imperfeições da vida de seus filhos.
Quando o frio tem início nas asas de uma tempestade de inverno, as árvores vão gradualmente perdendo as folhas. O verde logo é trocado pelo tom de marrom funesto; e as folhas caem e morrem. Presencia-se a perda da bonita vestimenta do verão. Que sensação experimenta você, ao contemplar essa pobre árvore? Você sente como que uma revelação.
Debaixo de todas as lindas folhas estão toda espécie de irregularidades e defeitos. Eles eram invisíveis em razão das folhas que os cobriam. Agora começam a ser revelados! A árvore já não é bonita na sua superfície aparente. Mas será que ela mudou? Não de todo. Tudo continua a ser exatamente como era antes. Tudo prossegue sendo como sempre foi! É certo que as folhas já não estão lá para esconder o que é real. A beleza da sua vida exterior apenas ocultou o que sempre estivera lá.

A mesma coisa acontece com você. O mesmo sucede com todo cristão. Nós podemos parecer bonitos... até que a vida desapareça! Então não haverá dúvida: o cristão irá mostrar-se com todos os seus defeitos. Se Deus não trabalhar para purificá-lo, você se mostrará despido de todas as suas virtudes! Contudo, dentro da árvore existe uma vida; e assim como a árvore, você não está se tornando pior; está simplesmente se vendo como realmente é! É preciso saber que no interior da árvore de inverno ainda há uma vida que produziu lindas folhas na última primavera.
Não, o cristão no mais profundo do seu ser não foi privado de sua virtude essencial. Ele não perdeu vantagens; apenas perdeu algo humano, o senso da própria bondade pessoal, e em seu lugar descobriu sua total desventura. Ele perdeu a comodidade pelo fato de seguir o Senhor. Essa comodidade nasceu mais em virtude da ignorância sobre si mesmo do qualquer outra razão.
Assim como acontece com a árvore acontece com você.
O cristão, espoliado e exposto, aparece perante os próprios olhos como algo desnudo; e todos que estão a sua volta lhe vêem pela primeira vez os defeitos - defeitos que estavam privilegiadamente escondidos, ocultos pelas graças externas.
Algumas vezes tal revelação é tão devastadora para o orgulho do cristão, que ele simplesmente nunca se recupera, decidindo ser um cristão em outro nível; ou renunciando totalmente a idéia de seguir o Senhor.
Através do inverno, longo e frio, a árvore parece estar morta, como muitas da floresta. Mas ela sabe que isso não é verdade. No momento parece que a destruição é total, mas na verdade repousa em algum lugar.
Essa árvore está se submetendo a um processo que preserva sua vida e a fortalece. Afinal, o que o inverno faz com ela? Ele faz com que seu interior se contraia. A vida que está no seu interior não vai mais ser usualmente consumida! Ela vai ficar concentrada no interior do seu tronco e na porção mais oculta de sua raiz, sendo empurrada até bem fundo. O inverno preserva a árvore - não importa o quanto ela pareça estar morta. É verdade que suas folhas caem, deixando-a deformada e exposta; no entanto, nunca esteve mais viva! Durante o inverno, a fonte e o princípio da vida ficam mais firmemente estabelecidos do que em qualquer outra estação.
Nas outras estações a árvore tem de utilizar toda sua força de vida para adornar-se e embelezar-se. Mas ela faz isso despendendo muita vida, extraindo sua vitalidade das raízes e das partes mais profundas do tronco. É preciso que exista um inverno. Ele é necessário para que ela viva, sobreviva e floresça; e volte a florescer.
A virtude tem uma maneira interior de fazer com que o cristão pense profundamente, enquanto desaparece totalmente da superfície, deicando os efeitos externos e naturais notadamente visíveis!
Se temos olhos para ver, então nos damos conta de que isso é bonito.
A graça faz exatamente a mesma coisa com a nossa vida. Deus levará as folhas. Algo fará com que elas caiam. A virtude externa entrará em colapso. Ele faz isso para fortalecer a principal das virtudes. A fonte da vida deverá ser reconstruída. Alguma coisa bem lá no interior da alma ainda funciona. Em algum lugar dentro do espírito as funções que são consideradas as mais importantes (na estimativa de Deus) nunca descansam. O que continua ainda está muito bem escondido. É a humildade.
O que está acontecendo é o puro amor. 

O que continua na parte mais interior é a renúncia e o desprezo pelo eu. O homem interior está fazendo progressos. A alma está aventurando-se para adiante, dentro do interior. Verdadeiramente, parece que as manobras de Deus estão concentradas nas partes externas do cristão, e nem por um momento se pode vislumbrar que não seja agradável á vista. No entanto, não se desenvolveu na alma nenhum novo defeito! Somente faltas antigas vieram a tona! E por estarem expostas cicatrizam mais facilmente.
Se você ousar desafiar a peregrinação espiritual, lembre-se dos dias de calamidade, do período de seca, e do tempo que o homem chamará de inverno espiritual: A vida está lá!
Se o inverno vier ...
Fonte: Livro "Aventura Espiritual" de Jeanne Guyon publicado pela Editora Danprewan - Site: clcportugal.blogspot.com




PENSAMENTOS:
Até os muros de minha masmorra são queridos, pois o Deus que amo está aqui.
Derrama o desejo de seu coração diante do Pai, e espera em silêncio diante dele. Sempre deixe um tempo em silêncio ao orar, caso o Pai celestial queira te revelar sua vontade. Venha ao Pai como um filho indefeso, ferido por diversas quedas, destituído da fortaleza para permanecer em pé, ou do poder para te limpar a ti mesmo.
Não devemos dar lugar ao desânimo. É uma tentação perigosa – uma cilada sutil das trevas. A melancolia faz o coração contrair-se e murchar, tornando-o incapaz de receber as impressões da graça. Ela exagera as dificuldades e lhes dá colorido falso, e o nosso fardo torna-se, assim pesado demais. Os propósitos de Deus a nosso respeito, e os seus métodos de realizar esses propósitos, são infinitamente sábios.
Precisamos conhecer como procurar Deus, e isto é mais fácil e mais natural que respirar. Por meio da oração podes viver na presença de Deus com tão pouco esforço, como vives com o ar que agora estás respirando.
Recomendo que nunca terminem a oração sem permanecer um tempo em respeitoso silêncio.
Se você ler rapidamente, isso lhe trará pouco benefício. Você será como uma abelha que apenas desliza na superfície de uma flor. Ao invés disso, nesta nova maneira de ler, com oração, você precisa tornar-se como a abelha que penetra nas profundezas da flor, mergulhando muito nela para retirar seu néctar mais profundo.


Uma vez que você tenha sido profundamente tocado pelo Espírito do Senhor e se distraia, seja diligente em trazer sua mente errante de volta ao Senhor. Este é o modo mais simples do mundo de sobrepujar as distrações externas. Quando sua mente vagueia, não tente forçá-la a mudar de pensamento. Veja: se você concentra-se no que está pensando, apenas irritará sua mente e instigá-la-á ainda mais. Ao invés disso, retire-se de sua mente! Retorne interiormente para a presença do Senhor. Fazendo assim, você vencerá as guerras contra sua mente errante e, todavia, nunca se envolverá diretamente na batalha!