12 de setembro de 2011

Jerônimo Savonarola Precursor da Grande Reforma (1452-1498)


Desde garoto, Savonarola era uma pessoa marcada por Deus. Era muito contemplativo e passava horas em oração. A Itália do seu tempo era dominada por pequenos tiranos e sacerdotes corruptos, e pelas lutas políticas entre duques e papas. Sua alma se entristecia com a maldade, com o luxo e desperdício de uns em contraste com a extrema pobreza da maioria. Emoções fortes já ferviam no seu interior. A oração era seu único consolo. Um dia, ele viu uma visão do céu aberto, e todas as futuras calamidades da igreja passaram diante de seus olhos. A voz de Deus depois o encarregou de advertir o povo. Daquele momento em diante, sentiu profunda convicção de seu chamado profético.

Esta é definitivamente um sermão memorável de Jerônimo e desejo compartilha-lo com todos vocês, e a minha oração é que o Senhor levante outros Jerônimos em nossa geração!

"Nestes dias, prelados e pregadores estão acorrentados à terra pelo amor às coisas terrenas. O cuidado pelas almas não é mais sua preocupação. Estão contentes com sua renda financeira. Os pregadores pregam para agradar os príncipes e serem louvados por eles. Fizeram pior que isso. Não só destruíram a igreja de Deus, mas construíram uma nova igreja segundo seu próprio padrão. Vá a Roma e veja! Nas mansões dos grandes prelados, não há interesse senão por poesia e oratória. Vá até lá e veja! Verá todos com seus livros de ciências humanas, dizendo uns aos outros que podem guiar as almas dos homens por meio de Virgílio, Horácio e Cícero... Os prelados antigos tinham muito menos mitras e cálices de ouro, e os que possuíam eram quebrados e repartidos para aliviar as necessidades dos pobres. Mas nossos prelados, a fim de obter tais cálices, roubam os pobres do seu único meio de sustento. Não sabem já o que lhes relato? O que fazes, ó Senhor? Levanta-te e vem para libertar tua igreja das mãos de demônios, das mãos de tiranos, das mãos de prelados iníquos." Jerônimo Savonarola ( padre católico )


O povo de toda a Itália afluía, em número sempre crescente,
a Florença. A famosa Duomo não mais comportava as
enormes multidões. O pregador, Jerônimo Savonarola, abrasado
com o fogo do Espírito Santo e sentindo a iminência do
julgamento de Deus, trovejava contra o vício, o crime e a
corrupção desenfreada na própria igreja. O povo abandonou a
leitura das publicações torpes e mundanas, para ler os sermões
do ardente pregador: deixou os cânticos das ruas, para cantar os
hinos de Deus. Em Florença, as crianças fizeram procissões,
coletando as máscaras carnavalescas, os livros obscenos e todos
os objetos supérfluos que serviam à vaidade. Com isso formaram
em praça pública uma pirâmide de vinte metros de altura e atearam-
lhe fogo. Enquanto o monte ardia, o povo cantava hinos e os
sinos da cidade dobravam em sinal de vitória.
Se o ambiente político fosse o mesmo que depois veio a
ser na Alemanha, o intrépido e devoto Jerônimo Savonarola teria
sido o instrumento usado para iniciar a Grande Reforma, em vez
de Martinho Lutero. Apesar de tudo, Savonarola tornou-se um
dos ousados e fiéis arautos para conduzir o povo à fonte pura e
às verdades apostólicas registradas nas Sagradas Escrituras.
Jerônimo era o terceiro dos sete filhos da família. Nasceu
de pais cultos e mundanos, mas de grande influência. Seu avô
paterno era um famoso médico na corte do duque de Ferrara e
os pais de Jerônimo planejavam que o filho ocupasse o lugar do
avô. No colégio, era aluno esmerado. Mas os estudos da filosofia
de Platão e de Aristóteles, deixaram-lhe a alma sequiosa. Foram,
sem dúvida, os escritos de Tomaz de Aquino que mais o
influenciaram (a não ser as próprias Escrituras) a entregar
inteiramente o coração e a vida a Deus. Quando ainda menino,
tinha o costume de orar e, ao crescer, o seu ardor em orar e
jejuar aumentou. Passava horas seguidas em oração. A
decadência da igreja, cheia de toda a qualidade de vício e
pecado, o luxo e a ostentação dos ricos em contraste com a
profunda pobreza dos pobres, magoavam-lhe o coração. Passava
muito tempo sozinho, nos campos e à beira do rio Pó, em
contemplação perante Deus, ora cantando, ora chorando,
conforme os sentimentos que lhe ardiam no peito. Quando ainda
jovem, Deus começou a falar-lhe em visões. A oração era a sua
grande consolação; os degraus do altar, onde se prostrava horas
a fio, ficavam repetidamente molhados de suas lágrimas.
Houve um tempo em que Jerônimo começou a namorar
certa moça florentina. Mas quando ela mostrou ser desprezo
alguém da sua orgulhosa família Strozzi, unir-se a alguém da
família de Savonarola, Jerônimo abandonou para sempre a idéia
de casar-se. Voltou a orar com crescente ardor. Enojado do
mundo, desapontado acerca dos seus próprios anelos, sem achar
uma pessoa compassiva a quem pudesse pedir conselhos, e
cansado de presenciar injustiças e perversidades que o
cercavam, coisas que não podia remediar, resolveu abraçar a
vida monástica.
Ao apresentar-se no convento, não pediu o privilégio de se
tornar monge, mas rogou que o aceitassem para fazer os
serviços mais vis, da cozinha, da horta e do mosteiro.Na vida do
claustro, Savonarola passava ainda mais tempo em oração,
jejum e contemplação perante Deus. Sobrepujava todos os
outros monges em humildade, sinceridade e obediência, sendo
apontado para lecionar filosofia, posição que ocupou até sair do
convento.
Depois de passar sete anos no mosteiro de Bolongna, frei
(irmão) Jerônimo foi para o convento de São Marcos, em
Florença. Grande foi o seu desapontamento ao ver que o povo
florentino era tão depravado como o dos demais lugares. (Até
então ainda não reconhecia que somente a fé em Deus salva o
pecador.)
Ao completar um ano no convento de São Marcos, foi
apontado instrutor dos noviciados e, por fim, designado pregador
do mosteiro. Apesar de ter ao seu dispor uma excelente
biblioteca, Savonarola utilizava-se mais e mais da Bíblia como
seu livro de instrução.
Sentia cada vez mais o terror e a vingança do Dia do
Senhor que se aproxima e, às vezes, entregava-se a trovejar do
púlpito contra a impiedade do povo. Eram tão poucos os que
assistiam às suas pregações, que Savonarola resolveu dedicar-se
inteiramente à instrução dos noviciados. Contudo, como Moisés,
não podia escapar à chamada de Deus!
Certo dia, ao dirigir-se a uma feira, viu, repentinamente,
em visão, os céus abertos e passando perante seus olhos todas
as calamidades que sobrevirão à igreja. Então lhe pareceu ouvir
uma voz do Céu ordenando-lhe anunciar estas coisas ao povo.
Convicto de que a visão era do Senhor, começou novamente
a pregar com voz de trovão. Sob a nova unção do Espírito
Santo a sua condenação ao pecado era feita com tanto ímpeto,
que muitos dos ouvintes depois andavam atordoados sem falar,
nas ruas. Era coisa comum, durante seus sermões, homens e
mulheres de todas as idades e de todas as classes romperem em
veemente choro.
O ardor de Savonarola na oração aumentava dia após dia
e sua fé crescia na mesma proporção. Freqüentemente, ao orar,
caía em êxtase. Certa vez, enquanto sentado no púlpito,
sobreveio-lhe uma visão, durante a qual ficou imóvel por cinco
horas, quando o seu rosto brilhava, e os ouvintes na igreja o
contemplavam.
Em toda a parte onde Savonarola pregava, seus sermões
contra o pecado produziam profundo terror. Os homens mais
cultos começaram então a assistir às pregações em Florença; foi
necessário realizar as reuniões na Duomo, famosa catedral, onde
continuou a pregar durante oito anos. O povo se levantava à
meia-noite e esperava na rua até a hora de abrir a catedral.
O corrupto regente de Florença, Lorenzo Medici, experimentou
todas as formas: a bajulação, as peitas, as ameaças, e
os rogos, para induzir Savonarola a desistir de pregar contra o
pecado, e especialmente contra a perversidade do regente. Por
fim, vendo que tudo era debalde, contratou o famoso pregador,
Frei Mariano, para pregar contra Savonarola. Frei Mariano pregou
um sermão, mas o povo não prestou atenção à sua eloqüência e
astúcia, e ele não ousou mais pregar.
Nessa altura, Savonarola profetizou que Lorenzo, o Papa e
o rei de Nápoles morreriam dentro de um ano, e assim sucedeu.
Depois da morte de Lorenzo, Carlos VIII, da França, invadiu
a Itália e a influência de Savonarola aumentou ainda mais. O
povo abandonou a literatura torpe e mundana para ler os
sermões do famoso pregador. Os ricos socorriam os pobres em
vez de oprimi-los. Foi neste tempo que o povo fez a grande
fogueira, na "piazza" de Florença e queimou grande quantidade
de artigos usados para alimentar vícios e vaidade. Não cabia
mais, na grande Duomo, o seu imenso auditório.
Contudo, o sucesso de Savonarola foi muito curto. O
pregador foi ameaçado, excomungado e, por fim, no ano de
1498, por ordem do Papa, foi queimado em praça pública. Com
as palavras: "O Senhor sofreu tanto por mim!", terminou a vida
terrestre de um dos maiores e mais dedicados mártires de todos
os tempos.
Apesar de ele continuar até a morte a sustentar muitos
dos erros da Igreja Romana, ensinava que todos os que são
realmente crentes estão na verdadeira Igreja. Alimentava
continuamente a alma com a Palavra de Deus. As margens das
páginas da sua Bíblia estão cheias de notas escritas enquanto
meditava nas Escrituras. Conhecia uma grande parte da Bíblia de
cor e podia abrir o livro instantaneamente e achar qualquer
texto. Passava noites inteiras em oração e foram-lhe dadas
revelações quando em êxtase, ou por visões. Seus livros sobre
"A Humildade", "A Oração", "O Amor", etc., continuam a exercer
grande influência sobre os homens. Destruíram o corpo desse
precursor da Grande Reforma, mas não puderam apagar as
verdades que Deus, por seu intermédio, gravou no coração do
povo.