5 de dezembro de 2013

PETER MARSHALL Capelão do Senado Americano



"Enquanto suspiramos por uma vida sem dificuldades, devemos nos lembrar que o carvalho cresce forte através de ventos contrários e que os diamantes são formados sob pressão." Peter marshal








Peter Marshall (1902-1949) nasceu na Escócia, sendo seus pais muito pobres. Aos 24 anos emigrou para os Estados Unidos. Em 1931 completou seu curso no Seminário Teológico de Columbia e tornou-se pastor. Em 1937 tornou-se pastor na tradicional Igreja Presbiteriana em Washington-DC, onde o presidente Abraham Lincolm havia sido membro. Foi capelão do Senado americano e um dos maiores pregadores que o país conheceu. Casou-se com Catherine Marshall, escritora de 20 livros, inclusive o livro sobre a vida de seu marido, A Man called Peter ("Para todo o sempre"). Morreu em 1983 e foi enterrada junto ao marido. O filho, Peter John Marshall, seguiu os passos do pai como pastor - em Massachusetts - e os da mãe como escritor.

A seguir, transcrevo parte de seu sermão "Abaixo a morte", algo que todos nós precisamos ler e se possível passar adiante aos nossos amigos...

A vida comeca na concepcão.
Quando ela ocorre, dois germens microscópicos de vida se unem e se tornam um – e uma nova pessoa comeca o primeiro estágio de sua existência.

Naquele átomo vivo, há em miniatura as qualidades e capacidades da pessoa adulta –
seu sexo e altura
a cor de seu cabelo e de seus olhos
seu temperamento e habilidade intelectual
seu talento individual
e, em maior medida, seu caráter e destino.

O primeiro estágio de vida, no entanto, é puramente físico.
É uma vida dentro da escuridão, devotada inteiramente a crescer e a preparar-se para a vida que comeca.
Há olhos, mas eles não vêem.
Há ouvidos, mas eles não ouvem.
Há um cérebro, mas ele não pensa.
Há nervos, mas eles não sentem.

E o fato de que essas qualidades estejam presentes e ainda não usadas no primeiro estágio da vida é evidente que uma outra espécie de vida virá após.

No tempo certo, a crianca morre para o primeiro estágio de sua vida e nasce para o segundo.
Isso parece ser uma tarefa penosa – mas a bondosa natureza tem planejado todas as coisas perfeitamente.
Ela não sente.

Há uma pequena e imediata mudanca na crianca.
Ela nasce para uma segunda forma de vida e faz um grande progresso.
Ela vê a luz – e é fascinada por ela.
E pisca por causa dela.
Com seus sentidos despertos, agora ela pode sentir.
Ela pode ouvir.
Ela pode cheirar.
Ela torna-se consciente da sua existência.
Cedo ela pode mover-se e comeca a descobrir e compreender e alegrar-se com as maravilhas do mundo de sua segunda vida.
Essa segunda vida é física como a primeira – mas dá a ela uma nova capacidade.
Ela pode pensar.

Por muitos anos, ela pode gozar de sua vida intelectual
raciocinando,
planejando,
refletindo,
aprendendo,
usando seu conhecimento para construir sua sabedoria,
fazendo deducões,
chegando a conclusões.
Então, o quê?
Ela fica gasta, morre, e não vive mais?

Na sua segunda forma de vida, assim como na primeira, ela desenvolve capacidades não requeridas em sua presente existência.
Nesta vida presente, ela precisa nada mais do que os animais.
São essas altas qualidades desenvolvidas simplesmente destinadas para a sepultura?

Ela sonha além de seu alcance.
Plantada dentro dela há um profundo anseio por um amanhã dourado quando não haverá mais dor
Nem choro
Nem pesar
Nem morte
Nem partida
Quando ela verá rostos sorrindo que ela tanto amou em vida e perdeu…
Algo dentro de nós aspira por uma outra vida.
Há um anseio intuitivo – por quê?
De onde vem ele?
Quem o plantou dentro de nós?

Por que duvidamos que viveremos em uma terceira forma de vida após morrermos para esta vida?
E por que duvidamos que a bondosa natureza – ou eu preferirei chamar de um amoroso Pai celestial – fará aquele segundo nascimento tão fácil e tão proveitoso quanto o primeiro?


Em um lar que eu conheco um meninozinho – filho único – ficou doente com uma doenca incurável.

Mês após mês a mãezinha cuidou ternamente dele, leu para ele, brincou com ele, na esperanca de evitar que ele compreendesse o que estava à sua frente.

Mas, com o tempo, como não melhorasse, o garoto por si compreendeu que jamais viria a ser como os outros garotos que via por fora de sua janela brincando; compreendeu que iria morrer.

Um dia, sua mãe estava contando-lhe histórias de grandes homens que morreram triunfalmente quando foi interrompida pela voz fraquinha do menino: ’Mamãe, o que é morrer? Morrer dói, mamãe?’

Lágrimas inundaram os olhos da mãe que correu para o fogão alegando haver algo queimando na cozinha. E na cozinha encostou-se no armário com os punhos cerrados, comprimidos contra a superfície lisa, fez uma oracão a Deus para que Ele lhe desse palavras para responder a pergunta tão importante do menino. E o Senhor ensinou-lhe o que dizer.

Voltando ao quarto, disse-lhe: ‘Kenneth, você se lembra de quando era bem pequenino, como brincava tanto o dia todo que ao anoitecer você se atirava na cama da mamãe e dormia?! Aquela não era a sua cama, não era onde você deveria estar. E você ficava ali somente um pouco. De manhã, espantado, você acordava e via que estava em sua própria cama, em seu próprio quarto. Você estava ali porque alguém amava você e havia tomado conta de você. Seu pai tinha vindo – com bracos fortes e grandes – e havia carregado você. Kenneth, a morte é exatamente assim. Uma manhä simplesmente acordamos para nos encontrar em outro quarto – o nosso próprio quarto – porque o Senhor Jesus nos amou.’

Com o rosto iluminado, o garotinho disse-lhe que não tinha mais medo da morte e que confiava no Pai Celestial. Nunca mais fez perguntas. E diversas semanas mais tarde adormeceu, exatamente como ela lhe dissera.

E finalizando seu sermão, o Rev. Peter Marshall desafia aos seus ouvintes:

É somente quando nós conhecemos a Jesus Cristo que não ficamos com medo, porque não há nada a temer.
É somente quando não mais tememos a morte é que perdemos todos os outros temores.

E é somente quando não mais temos temor é que comecamos de fato a viver…
Através de cada experiência, dolorosa ou alegre, em gratidão por cada momento desta vida plena.

Ser livre – livre como um passarinho – simplesmente significa não temer, na sua mais plena consciência, a qual significa também o reconhecimento da morte.

Se você teme a morte, então você teme a vida.
Somente quando você tem uma causa pela qual morrer, você terá uma causa pela qual viver.

E quando a morte vem, virá como um amigo bem-vindo, enviado para levar você à gloriosa vida que o aguarda ao dobrar a esquina.

Mas o que você fará se não conhece a Jesus?
Você precisa crer no que Ele disse:


“… Porque eu vivo, vós também vivereis.” (João 14:19)


“Na casa de meu Pai há muitas moradas: se assim não fosse eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também.” (João 14:2-3)