19 de junho de 2015

Johann arndt O pai do pietismo alemão

Johann arndt     
O pietismo:
      A necessidade de nascer de novo
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  Em meados do século XVII, o ímpeto da igreja luterana tinha decaído notavelmente na Alemanha. O fogo inicial da Reforma tinha decaído progressivamente em uma morna religião institucionalizada. O ardor espiritual tinha cedido o seu lugar a uma ortodoxia fria e altamente intelectualizada. A fé se  converteu, por obra de teólogos posteriores a Lutero, em pouco mais que uma série de verdades doutrinários em forma de proposições teológicas, transmitidas de uma geração para outra. E também, na matéria de um debate interminável com outros credos e confissões protestantes.


 O cristianismo autêntico era considerado como mera correção doutrinária e sacramental, sem importar a condição espiritual e moral dos crentes. O papel dos assim chamados «laicos» era meramente passivo, e se reduzia a aceitar os dogmas da igreja e receber os sacramentos. Essa era a «suma» da vida cristã naqueles dias. Claramente, tratava-se de um território muito árido  para o desenvolvimento da vida interior do Espírito. Em conseqüência, o estado espiritual dos crentes era, em geral, muito deplorável.
O pietismo  foi uma reação contra este estado de coisas no interior da igreja luterana. Os pietistas não rejeitavam a reforma nem a teologia de Lutero; mas as consideravam incompletas.  
Costumavam chamar à ortodoxia luterana uma «ortodoxia morta», porque não revelava nenhuma realidade espiritual. De fato, um dos seus lemas favoritos era: « Qualquer coisa é melhor  que uma ortodoxia morta». Por isso, punham uma grandeênfase na necessidade de uma fé viva e real, experimentada no coração, que fizesse diferença visível entre o cristianismo verdadeiro e o falso.
Na verdade, deviam lutar com a pesada herança de Lutero e sua igreja estatal da Alemanha, onde era impossível distinguir entre crentes e não crentes. Os pietistas procuraram zelosamente fazer visível a autêntica igreja de Cristo e distingui-la dos falsos crentes.
Para obter o seu objetivo, seguiram um caminho próprio e original. Negaram em se separar da igreja luterana e tentaram reformá-la por dentro. Tentaram aproximar-se o máximo ao modelo de igreja do Novo Testamento, criando uma espécie de «pequena igreja dentro da igreja» onde se praticava o sacerdócio de todos os crentes – verdade fundamental do luteranismo, carente de expressão real até então.
Assim, o seu lema foi «A Reforma segue em marcha».
Admiravam e aceitavam a teologia de Lutero, mas consideravam que o reformador deixou a sua obra inconclusa. Paradoxalmente, o seu maior êxito foi obtido fora dos muros de sua querida confissão luterana. Outros crentes tomariam o seu estandarte e ensinos para canalizá-las em uma poderosa corrente espiritual cujas conseqüências seguem hoje plenamente vigentes.

  Os começos
     Muitos historiadores coincidem em assinalar a Johann Arndt como o precursor do pietismo. Em 1610 publicou um livro que seria considerado ‘a Bíblia’ do movimento, chamado «Quatro   livros sobre o cristianismo verdadeiro». Nele enfatizava a necessidade de que todo cristão passe pela experiência do novo nascimento.  A vida cristã devia ser vivida, de acordo com ele, em uma união  viva e vital com Cristo. Argumentava, além disso, que a pureza doutrinária seria mantida melhor por uma vida santa que pelas  disputas teológicas.
Arndt não fez, no estrito sentido, parte do movimento pietista, mas contribuiu profundamente para modelar o seu espírito e vocação característicos. O seu livro circulou amplamente por toda a Alemanha e alcançou uma fama superada apenas pela própria Bíblia.

A fama de Arndt repousa em seus escritos. Estes eram principalmente de um tipo místico, devocional, e inspirados por São Bernardo, Johannes Tauler e Thomas à Kempis. Sua principal obra, Wahres Christentum (livro 1: 1605; livros 1-4: 1606-1610), isto é, "Verdadeiro Cristianismo", que foi traduzida na maioria das línguas europeias, tem servido de base para muitos livros de devoção, católicos e protestantes. Nelas, Arndt se preocupa com a união mística entre o crente e Cristo, e esforça-se, chamando a atenção para a vida de Cristo em Seu povo, para corrigir o lado puramente legal da teologia da Reforma, que prestou atenção quase exclusiva à morte de Cristo por Seu povo.


Assim como Martinho Lutero, Arndt gostava muito do pequeno livro anônimo, Theologia Germanica. Publicou uma edição dele e chamou a atenção para os seus méritos em um prefácio especial. Depois de Wahres Christentum, a obra mais conhecida de Arndt é Paradiesgärtlein aller christlichen Tugenden, que foi publicada em 1612. Os dois livros foram traduzidos para o inglês: Paradiesgärtlein com o título the Garden of Paradise, e Wahres Christentum como True Christianity. Vários de seus sermões foram publicados no Buch der Predigten (1858), de R. Nesselmann. Uma edição de coleção de suas obras foi publicada em Leipzig e Görlitz em 1734.




Arndt foi tido sempre em grande consideração pelos pietistas alemães. O fundador do Pietismo, Philipp Jakob Spener, repetidamente, chamou a atenção para ele e seus escritos, e chegou mesmo ao ponto de compará-lo com Platão.