9 de julho de 2015

ROBERT MOFFAT Infinitamente mais

ROBERT MOFFAT
Infinitamente mais






O missionário escocês Robert Moffat tem o seu nome nos livros de história da Igreja Cristã por duas razões. A primeira delas é que ele desenvolveu um ministério pioneiro muito relevante na África do Sul.

A necessidade de missionários naquela região do mundo era tão grande que ele, em 1840, regressou à sua terra natal a fim de recrutar mais obreiros.

Assim foi a uma igreja em que iria pregar. Era um dia de rigoroso inverno, nevava e as temperaturas eram negativas. Ao chegar à Igreja, Moffat percebeu-se de com aquele dia de rigoroso inverno apenas um pequeno grupo de pessoas se aventura a vir. Além da decepção de ver pouca gente, Moffat ficou ainda mais desanimado ao perceber-se de que havia apenas mulheres já que ele  tinha a intenção de pregar sobre o versículo quatro, do oitavo capítulo, do livro de Provérbios: “A vós, ó homens, clamo[!].” Ele ficou tão desanimado que quase não deu pela presença de um rapazinho que estava lá para impulsionar o fole do órgão da Igreja.

Moffat entregou a mensagem de apelo missionário sem esperanças, sabendo que pouquíssimas mulheres seriam capazes de enfrentar as durezas da missão em África. Como previu, ninguém atendera ao seu apelo.

Contudo, o jovem que estava lá para impulsionar o fole do órgão da Igreja ficou extasiado com o desafio e decidiu que seguiria os passos daquele pregador. Assim, estudou teologia e medicina e partindo em missão para África, aí se consume. O seu nome era David Livingstone (1813-1873). Em 1845, David Livingstone casa-se em África, com Mary Moffat, filha do próprio Robert Moffat!

Esta é a segunda razão pela qual o nome do Robert Moffat figura nos livros de história da Igreja Cristã.

Não desanimemos na nossa carreira Cristã! Mantenhamos a fé no nosso querido Deus, porque a exemplo deste episódio da história de vida de Robert Moffat, sabemos que o nosso Deus é poderoso para tornar as decepções presentes em vitórias que ecoarão pelos séculos vindouros! Realmente, Deus faz infinitamente mais!

Carlos António da Rocha
Robert Moffat foi para a África do Sul e iniciou um grande e duradouro trabalho missionário entre o povo Bechuana, na localidade denominada Kuruman. No auge do trabalho missionário, quando ele já tinha ganho a confiança do povo bechuana, as outras tribos entraram em guerra e em meio as tensões que se espalhavam por todo sul da África,  é que  Moffat exerceu sua perícia diplomática e através de compromissos e arranjos militares com outra tribo, ele conseguiu impedir a iminente destruição dos Bechuanas.
Moffat tornou-se então uma espécie de general civil e cavalgou ao encontro do inimigo. Embora suas tentativas de paz falhassem e uma batalha feroz fosse travada, a tribo Mantatee invasora viu-se severamente enfraquecida e forçada a retirar-se.
A partir dessa ocasião o papel de liderança de Moffat em Kuruman estava assegurado. Como diplomata e líder militar ele impunha o maior respeito. Seus esforços evangelísticos, porém, não produziram infelizmente o mesmo resultado. Os convertidos eram poucos. A poligamia apresentava-se como um problema difícil para ele, como tem disso para os missionários na África desde então. Qual a solução para um convertido que entra na sua nova fé com muitas esposas? Não havia e não há uma reposta fácil e, conseqüentemente, a filiação à igreja manteve-se pequena. A situação era desanimadora e Mary, especialmente, inclinava-se a períodos de desalento: “Se pudéssemos pelo menos ver o menor resultado, nos alegraríamos em meio às privações e labutas que suportamos; mas, na situação como está, nossas mãos muitas vezes descaem”. 


A maior razão para o lento progresso do cristianismo entre os Bechuanas foi talvez a simplesmente falta de compreensão. 
Nem Moffat nem os bechuanas compreendiam perfeitamente as respectivas crenças em questões espirituais. Moffat tinha pouco interessa nas tradições religiosas dos bechuanas e procurou evangelizá-los com a impressão errada que a tribo não tinha qualquer conceito de Deus ou palavra para “Deus” em sua língua. 
Mas uma dificuldade ainda maior para o seu ministério foi sua falta em aprender a língua deles. Durante vários anos seu único meio de comunicação era o “holandês do Cabo”, um dialeto comercial que alguns dos bechuanas compreendiam e usavam para transações comerciais rudimentares, o qual dificilmente compreendeu que aprender a língua, por mais difícil que fosse, era a única solução para ensinar o evangelho. Tão convencido ficou desta necessidade que em 1827 ele deixou Mary com os filhos pequenos, abandonou seus jardins, e foi para a selva com vários membros da tribo, entregando-se ao estudo da língua durante onze semanas.
Ao voltar, Moffat estava pronto para começar a tradução da Bíblia, cuja tarefa começou vagarosamente e levou 29 anos para completar. Tomando o Evangelho de Lucas como ponto de partida, ele agonizava sobre cada sentença.
A tradução e impressão da bíblia muitas vezes parecia uma tarefa improdutiva e ingrata, embora tivesse também as suas recompensas. Em 1836, enquanto dirigia um culto numa zona afastada, Moffat ficou atônito quando um jovem levantou-se e começou a citar passagens do Evangelho de Lucas. Ele escreveu a Mary: “Você chorara de alegria ao ver o que vi”.
 Mesmo antes de colocar sua tradução nas mãos do povo, Moffat pôde sentir os resultados positivos de seu estudo da língua. O fato de poder falar a língua nativa facilitou a compreensão de seus ensinamentos. Ele abriu uma escola com 40 alunos e em breve sua mensagem passou a ser aceita, seguindo-se um avivamento religioso. Os primeiros batismo tiveram lugar em 1829, quase uma década depois da chegada dos Moffat em Kuruman. Em 1838, uma grande igreja de pedra foi construída, que existe ainda hoje.
 Embora a carreira de Moffat seja geralmente associada a Kuruman, sua obra estendeu-se muito além dessa área. De fato, o núcleo de crentes em Kuruman jamais excedeu duzentos, mas sua influência fez-se sentir a centenas de quilômetros. Chefes ou seus representantes de tribos longínquas iam a Kuruman ouvir a mensagem de Moffat. A mais notável dessas ocasiões foi quando em 1829, o grande e temido Moslekatse, um dos chefes tribais mais infames da África, enviou cinco representantes para visitar Moffat e levá-lo de volta com eles. O encontro entre Moffat e Moselekatse foi inesquecível. O nu Moselekatse sentiu-se grandemente honrado pelo grande “chefe” branco ter ido vistiá-lo de tão longe e assim começou uma amizade de trinta anos construída pelo profundo respeito de um homem pelo outro. Embora Moselekatse não tivesse jamais se convertido ao cristianismo, ele permitiu mais tarde que missionários, inclusive o filho e a nora de Moffat, John e Emily, estabelecessem um posto missionário entre a sua tribo.
Por mais longe que Moffat viajasse, seus pensamentos nunca se afastavam de Kuruman. Com o decorrer dos anos, Kuruman se tornara um cartão de visita da civilização africana, onde a filosofia de Moffat, “a Bíblia e o arado”, era praticada. Ao longo do canal artificial foram plantados cerca de quinhentos acres de jardins cultivados pelos africanos. A casa dos Moffat consistia de uma sede de pedra e um quintal fechado onde seus cinco empregados faziam trabalhos domésticos ao redor de um imenso fogão de tijolos. Era uma atmosfera doméstica, com crianças brincando. (Os Moffat tiveram dez filhos, embora apenas sete chegassem à idade adulta, e desses, cinco envolveram-se ativamente nas missões africanas.) Mesmo que a localização de Kuruman fosse retirada, não ficando na estrada principal para o interior, o lugar atraía tantos visitantes que Moffat às vezes lamentava a atmosfera circense que interferia com suas traduções e revisões bíblicas.
Depois de 53 anos na África, com apenas um período de férias (1839-1843), os Moffat estavam prontos para aposerntar-se. Eles haviam passado por tragédias graves, especialmente a morte de seus dois filhos mais velhos no espaço de poucos meses em 1862, mas o trabalho continuava avançando. Havia vários pastores nativos trabalhando ativamente e seu filho John, que se juntara a eles em Kuruman, achava-se preparado para encarregar-se da missão. A partida de Kuruman foi triste e talvez um erro infeliz. Kuruman fora o único lar que conheceram durante meio século e as adaptações na volta à Inglaterra mostraram-se difíceis, especialmente para Mary, que morreu poucos meses depois do seu retorno. Moffat viveu por mais 13 anos, durante cujo período tornou-se um conhecido estadista missionário, viajando pelas Ilhas Britânicas e desafiando tantos adultos quanto jovens com as tremendas necessidades do continente africano.
 
Robert Moffat e Mary, a sua esposa, que compartilhou dos seus trabalhos e perigos, foram os pioneiros da obra missionária na África do Sul, sendo amigos fiéis dos autóctones. A sua ação como missionário teve uma influência significativa na África do Sul, durante mais de um século. Todavia, mesmo durante a sua vida ele foi ofuscado pelo seu famoso genro, sendo normalmente mencionado como o “sogro de David Livingstone.”




Robert Moffat, não obstante, deu um enorme testemunho do Evangelho na África do Sul e demonstrou como missionário ser um organizador capaz. Foi evangelista, tradutor, educador, diplomata e explorador, combinando eficazmente todos estes papéis, sendo por isso, um dos missionários cristãos mais operativos de todos os tempos na “vinha do Senhor” em África.