1 de setembro de 2013

JACK COE Evangelista de tendas


 

Roberts Liardon, em seu livro “Os Generais de Deus”, ao falar sobre Jack Coe, afirma ser aquele “um homem que possuía uma fé ousada”. Ao ler este capítulo de seu livro, passamos a ter a certeza de que ele estava nos dando a exata proporção do tamanho da fé daquele pregador.
Para que possamos situar o nosso leitor no tempo, Jack Coe nasceu em Oklahoma, Estados Unidos, aos 11 de março de 1918, filho de George e Blanche Coe. Ao todo, foram sete filhos, que o casal teve e nenhum deles, naquele começo de vida, freqüentava qualquer congregação religiosa, embora os pais tenham recebido uma orientação cristã. A vida da família não era fácil e se alguém perguntar se ainda poderia ser pior, tenha a certeza de que sim.


George Coe tinha dois péssimos hábitos: beber e jogar. Inveterado jogador, ele não media nenhuma conseqüência e nem pensava na família. Lá pelos idos de 1923, Jack, então com cinco anos, um caminhão de mudança estacionou diante de sua casa. Na sua inocência pensou que o pai tinha comprado algo mais para a casa. Ledo engano. Os homens do caminhão chegaram e levaram todos os moveis da casa. O pai dele os tinha perdido no jogo. E, ainda por cima, ele tinha ido embora, deixando a família na mais triste situação.

Jack viu sua mãe em prantos, ajoelhada naquela casa vazia, orando. Ele nem entendia como ela poderia estar orando diante de uma situação como aquela. E ficou pensando como seria a vida deles ali, na casa, sem móveis, sem dinheiro, sem pai. O que ele não sabia – e nem a sua mãe – é que seu pai tinha ido muito além do que parecia. No dia seguinte um homem veio para ver a casa deles e a mãe, imaginando que a pessoa a quisesse comprá-la, disse que a casa não estava à venda. O homem, então, respondeu que não queria comprar a casa, pois ela já era dele. E pediu que eles desocupassem o imóvel, também perdido pelo pai nas mesas de jogo.


Decidida, Blanche Coe pegou os filhos e se mudou para a Pensilvânia, onde tentou dar a eles uma vida decente. Moravam em um porão. A mãe dava duro, lavando roupas para fora. Um dia, George apareceu por lá e pediu para voltar. Suplicou, mesmo, dizendo que tinha se curado do vício, que nunca mais jogaria. Ela o aceitou, voltaram a viver juntos, mas George voltou a beber e jogar e a mulher o abandonou para sempre. Deixou com ele os filhos e se foi, com a filha, mais velha.

Os filhos, só com o pai irresponsável, ficaram mais perdidos, ainda. George saia para jogar e os deixava sozinhos em casa, muitas vezes sem ter nada para comer. Sabedora da história, a Sra. Coe voltou e pegou os filhos. Quando Jack contava nove anos, sua mãe, oprimida pela responsabilidade da manutenção das crianças, levou Jack e o irmão mais velho e os deixou em um orfanato. Mais um grande baque para aquela criança que só via perder as coisas que mais gostava. Foram-se os móveis, foi-se a casa, foi-se o pai e, agora, a mãe. E, se podemos pensar que a coisa parava aí, o irmão de Jack fugiu do orfanato, roubou uma bicicleta e acabou atropelado e morto por um carro. E o pequeno Jack ficou oito anos no orfanato, sofrendo, curtindo amarguras. A vida não tinha sido fácil para ele e nada tinha aprendido sobre Deus, naquela casa. 

 

Lá pelos dezessete anos, ele deixa o orfanato e começa a levar uma vida de bebedeiras e farras. O único exemplo que ele tinha era do pai, bêbado. E ele seguiu este exemplo, tornando-se um alcoólatra. Ele até tentou, nesse período, se aproximar de Deus, buscando uma igreja, mas não encontrou nenhuma resposta para as muitas perguntas que tinha. E continuou a vida de farras e bebidas, até que sua saúde mandou o recado. Adquiriu uma úlcera no estômago e arritmia cardíaca. O médico, procurado, deu o seu diagnóstico sombrio: A próxima bebedeira poderia colocar um fim na sua vida. E assim foi ele, buscando igrejas, prometendo que deixaria a bebida e sempre fracassando diante do próximo copo.

Em uma dessas noites de muita bebida e coração batendo descompassado, Jack como que ouviu uma voz dizendo a ele: Esta é a sua última chance. Eu já chamei muitas vezes e, agora, o chamo pela última vez. Assustado, com o que entendeu ser a voz do Senhor, procurou mudar, de verdade. Buscou os cultos evangélicos, procurou ler a bíblia e foi um leitor dos mais apaixonados. A sua vida começou a mudar. Alistou-se no exército e foi servir entre homens que não tinham a sua fé. Buscou pregar a palavra a eles e o que conseguiu foi uma, aliás, várias internações em hospitais psiquiátricos. Ser um crente, como ele pretendia ser, era considerado loucura e sujeito a internações. Acabou deixando o exército, muitas internações depois, mas não perdeu a sua fé e a sua vontade de servir ao Senhor.



Casou-se com Juanita Scott, continuou buscando uma forma de pregar a palavra e acabou tendo uma oportunidade, depois de várias tentativas, frustradas, acabou sendo ordenado pastor na Assembléia de Deus e foi para a cidade de Longview, no Texas, onde continuou a orar e estudar sobre cura divina até que, um dia, resolveu que o seu culto seria sobre cura divina. E anunciou uma campanha dizendo que “Deus irá abrir os olhos aos cegos, fazer o paralítico andar e o surdo ouvir”. Dia seguinte, igreja lotada. As enfermidades apresentadas não eram lá essas coisas, dores de estômago, dores de cabeça, uma ou outra indisposição. Mas, em meio a tudo isso, uma mulher cega. E Coe se preocupou “Senhor o que vou fazer com ela...o que vão dizer se ela não for curada?” Jack orou com fé para a mulher e a ungiu com óleo. Os olhos da mulher se abriram e ela disse que estava vendo vultos, algo se movendo, mas só. Coe lembrou-se de que Jesus, certa ocasião, tinha orado duas vezes para que uma pessoa fosse curada, orou de novo. E desta vez, a mulher começou a gritar “Eu estou vendo...Eu posso ver...” A notícia da cura desta mulher se espalhou e Jack Coe foi convidado por um pastor de Oklahoma para fazer uma campanha de três dias por lá. Ele foi e foram tantas as curas, surdos ouvindo, paralíticos andando, que a congregação local teve que alugar um ginásio para que as pessoas pudessem se acomodar.

Os Coe, Jack e Juanita, haviam comprado uma linda casa, da qual ela se orgulhava muito e viviam felizes por lá. Um dia, na volta de um culto, Juanita começou a chorar, pois havia entendido que Deus queria que eles vendessem a casa e tudo o que tinham para se dedicarem integralmente à obra. Por incrível que pareça, na manhã seguinte um homem estava à porta da casa deles para comprá-la. Eles a venderam e compraram uma velha tenda, uma caminhonete e um trailer. E passaram a montar a tenda e atender em várias cidades. Alguns percalços, o vento derrubando a tenda em um dos locais, mas Deus nunca os abandonou e eles tiveram dinheiro suficiente para comprar uma tenda nova e uma caminhonete ainda maior para carregá-la. As viagens, as pregações e as curas continuavam. As perseguições, também. Um dia, em Fresno, na Califórnia, ele foi preso sob a acusação de estar perturbando o sossego público. Coe declarou-se inocente, foi a julgamento e absolvido, por falta de provas.

De Jack Coe diziam que ele era corajoso, atrevido, irritado, impertinente...mas, também, humilde e impetuoso de tal forma que dominava suas platéias com maestria. Sua fé era temerária e desafiadora. Entre suas qualidades, destaca-se o fato de ter sido o primeiro evangelista a atrair e dar boas vindas à comunidade negra, até então marginalizada nos outros cultos. Durante a sua vida, Coe não podia ter notícia de que havia uma tenda maior que a dele. Imediatamente comprava uma ainda maior. Assim, na sua vida de perseguir este alvo comprou e vendeu muitas tendas, sempre estando com a maior delas e, sempre as lotando, por onde passava. 

Ciúmes, divergência na forma de pregação e, em 1953 Jack Coe foi expulso da Assembléia de Deus. O concílio geral de igreja dizia-se envergonhado com alguns de seus métodos e irritado com sua extrema independência. Expulso, resolveu continuar sua vida do mesmo jeito que sempre fizera e passou a desenvolver a idéia de formar centros de avivamento. Seria esta a sua igreja. Assim, ainda em 1953 surgiu o primeiro dos centros. O Centro de Avivamento de Dallas. Ali, um dia, Coe resolveu questionar Deus. Por que muitas pessoas eram curadas e outras voltavam para a casa do mesmo jeito que foram, sem conseguirem a cura? Após um período de oração, recebeu a revelação de Deus de que muitos não compreendiam como receber a cura e que precisavam de ensinamento nas escrituras, com respeito à Sua palavra e o Seu poder. Assim, Coe fundou uma casa de fé, um lugar onde o enfermo poderia ficar até receber a benção da cura e onde havia aulas diárias sobre oração e cura divina.
Se a infância e juventude de Jack Coe foram de muita dor e tristeza, não se pode negar que o seu ministério também tivesse passado por alguns momentos ruins, embora totalmente vencedor. Continuou evangelizando por todo o país e tentando levantar dinheiro para um programa de televisão. Em 1956 ele foi preso em Miami, na Flórida, sob a acusação de praticar a medicina sem licença. Miami era conhecida por sua perseguição aos evangélicos, de modo que não houve nenhuma surpresa. Quando a perseguição começava a se intensificar, os pastores saiam da cidade. Jack Coe, porém, não se intimidou, decidiu ficar e lutar. Foi parar na prisão. Da prisão começou a exortar os evangelistas de cura divina que viessem a Miami e lutassem por aquilo que criam. No dia de seu julgamento, evangelistas proeminentes compareceram para testemunhar a seu favor e o juiz deu o caso por encerrado.

A vitória em Miami foi muito grande e provou, mais uma vez, o valor de Jack Coe. Era sabido, porém, que de modo inverso ao que pregava a palavra e realizava curas, Coe pouco se importava com a sua saúde. O excesso de trabalho (três reuniões por dia durante quatro a seis semanas), falta de descanso e os problemas que já carregava de sua adolescência acabaram pesando. Quando pregava em Hot Springs, no Arkansas, o evangelista de cura divina adoeceu gravemente. A família de Jack Coe diz que o Senhor o avisou sobre a sua morte um ano antes da data e que ele aceitara o fato de que iria morrer em breve. E por causa disso ele trabalhou mais incessantemente, ainda, para pregar o evangelho.

O problema de saúde ocorrido em Hot Springs era sério, mas Coe julgou que apenas estava com um esgotamento físico em função de muito trabalho. Infelizmente, não era. Os médicos diagnosticaram que seu caso era poliomielite. Sua esposa optou por sua internação para tratamento e ele, para que ela ficasse mais tranqüila, consentiu. Em sua internação e tratamento, ele permaneceu por muito tempo inconsciente. Algumas vezes recobrava a consciência e conseguia dizer o que sentia e o que estava precisando. Segundo Juanita, sua esposa e companheira de todas as horas e de todas as lutas, O Senhor havia falado com Coe de que a hora de sua partida, chegara. Assim, no início de 1957, Jack Coe, o homem que possuía uma fé ousada, recebeu o chamado do Senhor e se foi, deixando um maravilhoso trabalho de evangelização e de curas divinas.

fonte- Ministério Caminhar