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21 de junho de 2021

GEORGE FOX - CARTA AOS ABATIDOS DE ESPÍRITO

 


MENSAGEM DE CONFORTO A ALMA DEPRIMIDA E ABALADA

Para aqueles que estão passando por problemas, por depressão, por aqueles que estão abatidos, desanimados e prostrados.

Esta carta foi escrita por George Fox para aliviar aqueles que estão com o fardo muito pesado

 

Amigo,

Fique quieto e tranquilo em sua mente e espírito. Esvazie seus próprios pensamentos e procure se conectar com o Espírito Santo que habita em você, então você sentirá o toque celestial te levar para mais alto, na presença do Senhor Deus, de quem vem a vida; por meio do qual você pode receber sua força e poder para acalmar todos os trovões e tempestades que vem sobre tua vida. É esse esvaziar de você mesmo e se encher de Cristo que te conduz a vitória, a sobriedade, a quietude, a firmeza, a paz, até Deus, com seu poder. 

Portanto, lembre-se, esta é a palavra do Senhor para você, para eliminar o que o perturba. Pois é isso que mantém a paz e traz de volta a presença do Espírito que se foi por causa da transgressão e do pecado, pois enquanto vc está na transgressão e por isso, longe de Deus, a mente voa no ar, seus pensamentos são conduzidos para as trevas, a natureza sai de seu curso e o velho Adão volta a cena.


Portanto, fique longe de seus próprios pensamentos, desejos e imaginações, e permaneça no presença Deus, deixe o Espírito fluir em tua vida para que ele eleve sua mente a Deus e permaneça em Deus, e você encontrará força dele, e descobrir que ele é um Deus disponível, um socorro presente na hora da angústia e da necessidade.

 E ali, diante do trono, no lugar santíssimo, peça perdão ao Senhor e ele te restaurará, trazendo vc de volta humildade e então ele ensinará seu caminho, que é a paz, e assim ele tirará sua vestimenta velha e dará uma nova no lugar, uma roupa alvejada no sangue precioso de Jesus. Então nesse lugar de glória, você sentirá Jesus, o médico dos médicos curar a sua alma, restabelecer  seu juízo perfeito, pelo qual podem servir a Deus e fazer sua vontade. Pois todas as distrações, indisciplina e confusão estão na transgressão dos mandamentos.

Essas práticas de desobediência a vontade do Senhor devem ser derrubadas, antes que o princípio de Deus, contra o qual foi transgredida, seja afastado de seu coração. Por isso, não fique longe da presença de Deus por muito tempo, ali sua mente pode ser temperada e acalmada, e uma compreensão correta do Senhor pode ser recebida; por meio do qual suas bênçãos entram e são sentidas. Mantenha-se no temor do Senhor Deus; essa é a palavra do Senhor para você.

Pois todas essas coisas acontecem a você para o seu bem e para o bem daqueles que se preocupam com você, para que você conheça a si mesmo e sua própria fraqueza, e que você possa conhecer a força e o poder do Senhor, e possa confiar nele.

Deixe o tempo passado ser suficiente para o pecado, agora é tempo de coisas novas, vc já viveu essa vida longe de Deus o bastante, agora é tempo de voltar pra Deus e ficar com Ele; pois Ele pode derrubar e humilhar os poderosos e pô-los no pó da terra. Portanto, se humilhe diante de sua poderosa mão e abandone seu eu, seu ego , sua vontade e seu querer, para que você possa receber os segredos de Deus e sua sabedoria, possa conhecer a sombra do Todo-Poderoso e sentar-se sob ela em todas as tempestades e vendavais da vida. Pois Deus é um Deus próximo, e o Altíssimo governa nos filhos dos homens.

Esta é a palavra do Senhor Deus a todos vocês; o que a luz expõe e descobre, como tentações, distrações, confusões; não olhe para as tentações, confusões, corrupções; mas à luz que os descobre e os expõe; e com a mesma luz que você pode sentir sobre eles, para receber poder para se levantar contra eles. A mesma luz que permite que você veja o pecado e a transgressão, permitirá que você veja a aliança de Deus, que apaga o seu pecado e transgressão, que dá vitória e domínio sobre eles, e traz uma aliança com Deus. Por desprezar o pecado, a corrupção e a distração, você é absorvido por eles; mas olhando para a luz, que os descobre, você verá por cima deles. Isso lhe dará a vitória e você encontrará graça e força; aí está o primeiro passo para a paz. Isso trará salvação;Glória que estava com o Pai antes que o mundo começasse ; "e venha a conhecer a semente de Deus; que é o herdeiro da promessa de Deus, e do mundo que não tem fim; e que machuca a cabeça da serpente, que impede as pessoas de virem a Deus. Para que você possa sentir o poder de uma vida sem fim, o poder de Deus que é imortal, que leva a alma imortal ao Deus imortal, em quem ela se alegra. Então, em nome e poder do Senhor Jesus Cristo, Deus Todo-Poderoso te fortaleça.

 
Escrito em 1658 por: George Fox   

Ninguém pode vir a mim, a menos que o Pai, que me enviou, o atraia e lhe dê fome de vir a mim. João 6:44
O Pai atrai uma pessoa por uma combinação de provações para acordá-la e  atraí

"Nenhum homem pode vir a mim a menos que tenha uma experiência que destrua sua vida."
"A maioria das pessoas passa pela vida sem precisar, sem nunca buscar uma solução duradoura."
"Ele não pode nos ensinar a menos que estejamos totalmente cientes dos ventos de adversidades ."

O objetivo deste site é mostrar como se tornar
livre do pecado
beneficiando-se do poder transformador de Deus por meio da cruz,
que leva à união com Deus em seu Reino.

 

 

20 de junho de 2021

GEORGE FOX O FUNDADOR DOS QUAKERS

 

GEORGE FOX O FUNDADOR DOS QUAKERS

GEORGE FOX

 
Em sua autobiografia, Fox diz que nasceu em Leicestershire, em Julho de 1624. Seu pai, um tecedor de ofício, e sua mãe, que tinha mártires entre os seus antepassados, eram considerados como pessoas retas e cristãs. Desde menino, George mostrou uma seriedade pouco comum. Quando tinha 19 anos foi convidado para uma festa com outros parentes ‘cristãos’, onde viu como alguns bebiam em excesso. Aborrecido ao perceber tanta diferença entre palavras e atos, abandonou o lugar, e a partir dali se entregou a uma longa busca espiritualViajou por diversos lugares da Inglaterra e conversou com ministros de todas as tendências de sua época, procurando respostas para as suas profundas inquietações espirituais. Nesse tempo se sentia envolvido por densas e terríveis trevas, mas ninguém conseguiu lhe ajudar. Isto o conduziu a um estado de desespero quase total. Tudo ao seu redor parecia morto e impotente. Os cristãos de seus dias careciam de verdadeira realidade espiritual.

Um dia, enquanto caminhava em direção à cidade de Coventry, sentiu que Deus falava ao seu coração de maneira direta, abrindo o seu entendimento. Então compreendeu subitamente que todos, sejam católicos ou protestantes, se tiverem passado da morte para a vida, são verdadeiros crentes, enquanto que quem não tem passado por essa experiência, não são, embora se denominem a si mesmos crentes.

Essa experiência de ‘abertura’, como ele a chamou, aonde a verdade chegava, já formada, ao seu coração, repetir-se-ia nos dias seguintes, e ao longo de toda a sua vida. Da mesma maneira, entendeu claramente que por ter estudado em Oxford ou em Cambridge não qualificava a um homem para ser ministro de Cristo – apesar de que isto ia contra o ponto de vista usualmente aceito, inclusive por ele mesmo até esse momento. 

Depois de outra dessas ‘experiências ’, compreendeu que Deus não habita em templos feitos por mãos de homens, mas no coração das pessoas. Que o seu povo é o seu templo e que ele habita neles. Não obstante, uma experiência ainda mais profunda estava por chegar. Em sua autobiografia nos conta que quando todas as suas esperanças em ministros e pregadores, e ainda em todo homem, esgotaram-se, de modo que não ficava nada exterior em que apoiar-se e nada mais que ele pudesse fazer, escutou uma voz que lhe dizia, «Há um, Cristo Jesus, que pode responder a sua condição». Então –nos diz– o seu coração saltou de gozo. Ninguém mais que Cristo podia responder ao seu coração entrevado, e isto, para que só Cristo tivesse a glória. Todos, tal como ele, estão cegados debaixo do pecado, e só Cristo pode lhes iluminar, concedendo a sua graça e poder. Só ele tem a preeminência.

Isto foi para ele, enfatiza Fox, um conhecimento experimental. A partir desse dia todos os seus sofrimentos, trevas e tentações se dissiparam. Viu que Cristo era poderoso para vencer nele todas essas coisas e ainda mais. Agora tinha a certeza de ser guardado por Cristo do poder do pecado, mediante o Espírito Santo. Todas as suas necessidades estavam satisfeitas em Cristo. Depois deste acontecimento se sentiu compelido a anunciar a todos os homens aquilo que tinha descoberto por experiência própria, e começou um aguerrido ministério itineranteEste foi o começo das «Sociedades de Amigos», a quem seus caluniadores apelidaram «Quaker».



Seus ensinos e conduta

Os Quaker, a partir de Fox e seus ensinos, rejeitavam todos os aspectos exteriores da religião dos seus dias, considerando-os como um formalismo vazio. Ao contrário, enfatizavam o conhecimento e as realidades espirituais interiores como o único realmente válido. Em dias de ortodoxia fria e exterior, fizeram um ousado chamado para «conhecer a verdade no íntimo». A luz interior, diziam, que mora no coração de cada crente, ensina-nos todas as coisas. Não é que menosprezassem a Bíblia, como pretendiam seus adversários, mas enfatizavam a absoluta necessidade de que o Espírito Santo a revele no íntimoAlém dessa revelação interior, as doutrinas, e ainda a própria Bíblia –diziam– carecem de significado. Tudo deve ser avaliado pela experiência interior.


Por isso, consideravam à igreja como uma entidade exclusivamente espiritual, conformada por todos aqueles que nasceram de novo; e desprezavam todos seus aspectos exteriores como carentes de significado, inclusive o batismo e a ceia do Senhor, como parte de sua reação contra o formalismo excessivo de seu tempo. Para eles, estes sacramentos eram interiores e espirituais. Além disso, rejeitavam o ministério oficial e profissional, afirmando que o verdadeiro ministério era concedido pelo Espírito, além dos títulos e ordenações exteriores. Rejeitavam, por outro lado, os templos, que em seu tempo eram considerados ‘lugares santos’, intitulando-os de ‘casas campanários’Para eles, o verdadeiro templo eram os crentes, em quem Deus habitava em Espírito. 

Quanto à vida cristã prática negava-se a pronunciar juramentos e detestavam todo tipo de simulação ou hipocrisia social. De fato, consideravam a todos os homens como iguais em dignidade, sem importar a sua origem ou condição social. Negavam-se a prestar ‘honras sociais’ a nobres ou outros títulos sociais, pois sentiam uma aversão profunda a toda forma de servilismo (não obstante, reconheciam os títulos de rei ou juiz). Jamais tiravam o chapéu diante de um poderoso ou nobre em sinal de respeito, o qual levou a muitos deles para a prisão. 

Eram, além disso, pacifistas convencidos e militantes, que se negavam a usar as armas e preveniam a todos contra o uso delas, ainda a risco de serem considerados como traidores. Todas as guerras sem exceção, julgavam os irmãos, procediam das paixões humanas, de acordo com o texto de Tiago. Também se opunham ardentemente à escravidão, pois para eles todos os homens eram iguais perante Deus. Em suma, de acordo aos Quaker, todo verdadeiro cristão devia mostrar uma vida consagrada e transformada pela vida interior do Espírito. 

Por outro lado, os irmãos criam firmemente na vigência de carismas espirituais. George Fox relata numerosos incidentes de cura, libertações de demônios, profecias e palavras de conhecimento sobrenatural em sua própria experiência. Não obstante, eram normalmente moderados e sérios no emprego dos mesmos, evitando qualquer excesso emocional. É interessante notar que uns cinqüenta anos mais tarde, durante o avivamento metodista, muitos quakeres sentiram saudades ante as manifestações emocionais que observavam nas reuniões de Whitefield e Wesley.

Sua história e sofrimentos

Tratava-se de um verdadeiro protesto contra a religião formal e vazia dos seus dias. Muitos se sentiram atraídos por seus ensinos e por volta de 1652 se reuniram em Preston Patrick, ao norte da Inglaterra, a primeira «Sociedade de Amigos». Logo apareceram muitas mais em todo o país. Embora os Quaker enfatizassem a importância da voz interior do Espírito, as suas reuniões estavam muito longe de parecer-se com os cultos pentecostais posteriores. Congregavam-se quietamente, formando círculo ou dois grupos de fileiras opostas, sem nenhum tipo de ministro ou direção formal, e esperavam em silêncio até que um deles, ou talvez vários, recebesse uma palavra para compartilhar com seus irmãosEra permitido a todos falar, tanto homens como mulheres, se isso fosse feito sob a direção do Espírito. Os Quaker criam e praticavam o sacerdócio de todos os crentes, apoiados em que todos tinham a Luz interior para os guiar.


 Acostumavam interromper as reuniões nos templos oficiais, normalmente depois do sermão, para expor os seus ensinos, provocando às vezes desordens e ataques violentos da multidão (embora nunca respondessem às agressões de seus atacantes). Em torno de 3.200 deles sofreram a prisão durante esse período, debaixo de terríveis condições e abusos, não só por interromper cultos oficiais, mas também por supostas blasfêmias, não tirar o chapéu diante de pessoas de alta classe social, e negar-se a pegar nas armas. Fox mesmo esteve oito vezes na prisão ao longo de sua vida. 


Tanto homens como mulheres enfrentaram com admirável valor a perseguição, os golpes e as humilhações a que eram submetidos pelo povo enfurecido. Não retrocediam, nem se escondiam diante dos seus perseguidores. De fato, não faziam nada para evitar serem capturados e postos na prisão. Apesar de tudo, a Sociedade de Amigos cresceu e inclusive enviou missionários às reservas indígenas na América do Norte, Holanda e Alemanha.

. 


Por causa dos enormes sofrimentos que deveriam enfrentar, tal como fizeram os Puritanos, alguns começaram a migrar para a América. William Penn, filho de um famoso almirante inglês, tinha abraçado as idéias dos Quaker em 1666, e chegou a converter-se em um dos seus maiores pregadores e defensores. Este decidiu achar na América do Norte um lar livre para os seus, e começou ajudando a enviar uns oitocentos deles para Nova Jersey em 1667. Mais adiante, obteve como pagamento de uma dívida do Rei Carlos II a concessão de um grande território no Novo Mundo, que foi mais tarde conhecido como Pensilvânia, em honra a seu nome.         
Ali foi fundada Filadélfia, a primeira cidade Quaker da América. Um novo capítulo se abriu assim para a história dos Quaker refugiados. 

 Finalmente, em 1689, ditou-se na Inglaterra uma ata de tolerância, e as sociedades de amigos puderam ao fim gozar de liberdade de culto. George Fox morreu pouco tempo depois, em 1691, depois de um incansável e sofrido ministério itinerante.

Legado espiritual

Embora os Quaker fossem muito longe em sua rejeição a todas as formas exteriores da igreja, inclusive aquelas ensinadas no Novo Testamento (com o qual se torna difícil concordar), o seu valor radica em que por seu intermédio foi restaurada a importância da morada interior do Espírito Santo, como divino Condutor e Mestre de todos os crentes. 

Sua convicção de que a Escritura, as doutrinas corretas e as práticas eclesiásticas não significam muito além da vida que ministra o Espírito, continuam vigentes até hoje. Porque o conhecimento da verdade no íntimo, por revelação do Espírito, é vital para a vida dos crentes, tão individual como corporativamente. As coisas exteriores devem sempre ser a expressão das realidades exteriores e espirituais. De outra maneira, tornam-se vazias e mortas. Na Inglaterra de seus dias esse era o caso e por isso reagiram com tanta ousadia. 

Era necessária uma restauração, e para isso deveriam começar com o essencial. Tornou-se fundamental redescobrir a Cristo de uma maneira experimental. Só assim o pecado, a religiosidade e a morte que imperavam em seu tempo podiam ser revertidos. Por isso, os Quaker levantaram o estandarte do testemunho para recordar que Cristo não habita nas doutrinas corretas, nos templos e nos ritos exteriores, mas no coração dos crentes, ministrando-lhes a sua vida, poder e direção para vencer em todas as coisas. E, se inclinaram demasiadamente para um extremo da verdade, se deve, sobretudo, a que o Cristianismo de seus dias se inclinou mortalmente para o extremo contrário.

13 de julho de 2015

GEORGE FOX O FUNDADOR DOS QUAKERS

GEORGE FOX

 
Em sua autobiografia, Fox diz que nasceu em Leicestershire, em Julho de 1624. Seu pai, um tecedor de ofício, e sua mãe, que tinha mártires entre os seus antepassados, eram considerados como pessoas retas e cristãs. Desde menino, George mostrou uma seriedade pouco comum. Quando tinha 19 anos foi convidado para uma festa com outros parentes ‘cristãos’, onde viu como alguns bebiam em excesso. Aborrecido ao perceber tanta diferença entre palavras e atos, abandonou o lugar, e a partir dali se entregou a uma longa busca espiritual. Viajou por diversos lugares da Inglaterra e conversou com ministros de todas as tendências de sua época, procurando respostas para as suas profundas inquietações espirituais. Nesse tempo se sentia envolvido por densas e terríveis trevas, mas ninguém conseguiu lhe ajudar. Isto o conduziu a um estado de desespero quase total. Tudo ao seu redor parecia morto e impotente. Os cristãos de seus dias careciam de verdadeira realidade espiritual.

Um dia, enquanto caminhava em direção à cidade de Coventry, sentiu que Deus falava ao seu coração de maneira direta, abrindo o seu entendimento. Então compreendeu subitamente que todos, sejam católicos ou protestantes, se tiverem passado da morte para a vida, são verdadeiros crentes, enquanto que quem não tem passado por essa experiência, não são, embora se denominem a si mesmos crentes.

Essa experiência de ‘abertura’, como ele a chamou, aonde a verdade chegava, já formada, ao seu coração, repetir-se-ia nos dias seguintes, e ao longo de toda a sua vida. Da mesma maneira, entendeu claramente que por ter estudado em Oxford ou em Cambridge não qualificava a um homem para ser ministro de Cristoapesar de que isto ia contra o ponto de vista usualmente aceito, inclusive por ele mesmo até esse momento. 

Depois de outra dessas ‘experiências ’, compreendeu que Deus não habita em templos feitos por mãos de homens, mas no coração das pessoas. Que o seu povo é o seu templo e que ele habita neles. Não obstante, uma experiência ainda mais profunda estava por chegar. Em sua autobiografia nos conta que quando todas as suas esperanças em ministros e pregadores, e ainda em todo homem, esgotaram-se, de modo que não ficava nada exterior em que apoiar-se e nada mais que ele pudesse fazer, escutou uma voz que lhe dizia, «Há um, Cristo Jesus, que pode responder a sua condição». Então –nos diz– o seu coração saltou de gozo. Ninguém mais que Cristo podia responder ao seu coração entrevado, e isto, para que só Cristo tivesse a glória. Todos, tal como ele, estão cegados debaixo do pecado, e só Cristo pode lhes iluminar, concedendo a sua graça e poder. Só ele tem a preeminência.

Isto foi para ele, enfatiza Fox, um conhecimento experimental. A partir desse dia todos os seus sofrimentos, trevas e tentações se dissiparam. Viu que Cristo era poderoso para vencer nele todas essas coisas e ainda mais. Agora tinha a certeza de ser guardado por Cristo do poder do pecado, mediante o Espírito Santo. Todas as suas necessidades estavam satisfeitas em Cristo. Depois deste acontecimento se sentiu compelido a anunciar a todos os homens aquilo que tinha descoberto por experiência própria, e começou um aguerrido ministério itinerante. Este foi o começo das «Sociedades de Amigos», a quem seus caluniadores apelidaram «Quaker».



Seus ensinos e conduta

Os Quaker, a partir de Fox e seus ensinos, rejeitavam todos os aspectos exteriores da religião dos seus dias, considerando-os como um formalismo vazio. Ao contrário, enfatizavam o conhecimento e as realidades espirituais interiores como o único realmente válido. Em dias de ortodoxia fria e exterior, fizeram um ousado chamado para «conhecer a verdade no íntimo». A luz interior, diziam, que mora no coração de cada crente, ensina-nos todas as coisas. Não é que menosprezassem a Bíblia, como pretendiam seus adversários, mas enfatizavam a absoluta necessidade de que o Espírito Santo a revele no íntimo. Além dessa revelação interior, as doutrinas, e ainda a própria Bíblia –diziam– carecem de significado. Tudo deve ser avaliado pela experiência interior.


Por isso, consideravam à igreja como uma entidade exclusivamente espiritual, conformada por todos aqueles que nasceram de novo; e desprezavam todos seus aspectos exteriores como carentes de significado, inclusive o batismo e a ceia do Senhor, como parte de sua reação contra o formalismo excessivo de seu tempo. Para eles, estes sacramentos eram interiores e espirituais. Além disso, rejeitavam o ministério oficial e profissional, afirmando que o verdadeiro ministério era concedido pelo Espírito, além dos títulos e ordenações exteriores. Rejeitavam, por outro lado, os templos, que em seu tempo eram considerados ‘lugares santos’, intitulando-os de ‘casas campanários’. Para eles, o verdadeiro templo eram os crentes, em quem Deus habitava em Espírito. 

Quanto à vida cristã prática negava-se a pronunciar juramentos e detestavam todo tipo de simulação ou hipocrisia social. De fato, consideravam a todos os homens como iguais em dignidade, sem importar a sua origem ou condição social. Negavam-se a prestar ‘honras sociais’ a nobres ou outros títulos sociais, pois sentiam uma aversão profunda a toda forma de servilismo (não obstante, reconheciam os títulos de rei ou juiz). Jamais tiravam o chapéu diante de um poderoso ou nobre em sinal de respeito, o qual levou a muitos deles para a prisão. 

Eram, além disso, pacifistas convencidos e militantes, que se negavam a usar as armas e preveniam a todos contra o uso delas, ainda a risco de serem considerados como traidores. Todas as guerras sem exceção, julgavam os irmãos, procediam das paixões humanas, de acordo com o texto de Tiago. Também se opunham ardentemente à escravidão, pois para eles todos os homens eram iguais perante Deus. Em suma, de acordo aos Quaker, todo verdadeiro cristão devia mostrar uma vida consagrada e transformada pela vida interior do Espírito. 

Por outro lado, os irmãos criam firmemente na vigência de carismas espirituais. George Fox relata numerosos incidentes de cura, libertações de demônios, profecias e palavras de conhecimento sobrenatural em sua própria experiência. Não obstante, eram normalmente moderados e sérios no emprego dos mesmos, evitando qualquer excesso emocional. É interessante notar que uns cinqüenta anos mais tarde, durante o avivamento metodista, muitos quakeres sentiram saudades ante as manifestações emocionais que observavam nas reuniões de Whitefield e Wesley.

Sua história e sofrimentos

Tratava-se de um verdadeiro protesto contra a religião formal e vazia dos seus dias. Muitos se sentiram atraídos por seus ensinos e por volta de 1652 se reuniram em Preston Patrick, ao norte da Inglaterra, a primeira «Sociedade de Amigos». Logo apareceram muitas mais em todo o país. Embora os Quaker enfatizassem a importância da voz interior do Espírito, as suas reuniões estavam muito longe de parecer-se com os cultos pentecostais posteriores. Congregavam-se quietamente, formando círculo ou dois grupos de fileiras opostas, sem nenhum tipo de ministro ou direção formal, e esperavam em silêncio até que um deles, ou talvez vários, recebesse uma palavra para compartilhar com seus irmãos. Era permitido a todos falar, tanto homens como mulheres, se isso fosse feito sob a direção do Espírito. Os Quaker criam e praticavam o sacerdócio de todos os crentes, apoiados em que todos tinham a Luz interior para os guiar.


 Acostumavam interromper as reuniões nos templos oficiais, normalmente depois do sermão, para expor os seus ensinos, provocando às vezes desordens e ataques violentos da multidão (embora nunca respondessem às agressões de seus atacantes). Em torno de 3.200 deles sofreram a prisão durante esse período, debaixo de terríveis condições e abusos, não só por interromper cultos oficiais, mas também por supostas blasfêmias, não tirar o chapéu diante de pessoas de alta classe social, e negar-se a pegar nas armas. Fox mesmo esteve oito vezes na prisão ao longo de sua vida. 


Tanto homens como mulheres enfrentaram com admirável valor a perseguição, os golpes e as humilhações a que eram submetidos pelo povo enfurecido. Não retrocediam, nem se escondiam diante dos seus perseguidores. De fato, não faziam nada para evitar serem capturados e postos na prisão. Apesar de tudo, a Sociedade de Amigos cresceu e inclusive enviou missionários às reservas indígenas na América do Norte, Holanda e Alemanha.

. 


Por causa dos enormes sofrimentos que deveriam enfrentar, tal como fizeram os Puritanos, alguns começaram a migrar para a América. William Penn, filho de um famoso almirante inglês, tinha abraçado as idéias dos Quaker em 1666, e chegou a converter-se em um dos seus maiores pregadores e defensores. Este decidiu achar na América do Norte um lar livre para os seus, e começou ajudando a enviar uns oitocentos deles para Nova Jersey em 1667. Mais adiante, obteve como pagamento de uma dívida do Rei Carlos II a concessão de um grande território no Novo Mundo, que foi mais tarde conhecido como Pensilvânia, em honra a seu nome.         
Ali foi fundada Filadélfia, a primeira cidade Quaker da América. Um novo capítulo se abriu assim para a história dos Quaker refugiados. 

 Finalmente, em 1689, ditou-se na Inglaterra uma ata de tolerância, e as sociedades de amigos puderam ao fim gozar de liberdade de culto. George Fox morreu pouco tempo depois, em 1691, depois de um incansável e sofrido ministério itinerante.

Legado espiritual

Embora os Quaker fossem muito longe em sua rejeição a todas as formas exteriores da igreja, inclusive aquelas ensinadas no Novo Testamento (com o qual se torna difícil concordar), o seu valor radica em que por seu intermédio foi restaurada a importância da morada interior do Espírito Santo, como divino Condutor e Mestre de todos os crentes. 

Sua convicção de que a Escritura, as doutrinas corretas e as práticas eclesiásticas não significam muito além da vida que ministra o Espírito, continuam vigentes até hoje. Porque o conhecimento da verdade no íntimo, por revelação do Espírito, é vital para a vida dos crentes, tão individual como corporativamente. As coisas exteriores devem sempre ser a expressão das realidades exteriores e espirituais. De outra maneira, tornam-se vazias e mortas. Na Inglaterra de seus dias esse era o caso e por isso reagiram com tanta ousadia. 

Era necessária uma restauração, e para isso deveriam começar com o essencial. Tornou-se fundamental redescobrir a Cristo de uma maneira experimental. Só assim o pecado, a religiosidade e a morte que imperavam em seu tempo podiam ser revertidos. Por isso, os Quaker levantaram o estandarte do testemunho para recordar que Cristo não habita nas doutrinas corretas, nos templos e nos ritos exteriores, mas no coração dos crentes, ministrando-lhes a sua vida, poder e direção para vencer em todas as coisas. E, se inclinaram demasiadamente para um extremo da verdade, se deve, sobretudo, a que o Cristianismo de seus dias se inclinou mortalmente para o extremo contrário.

George Fox, an Autobiography, por George Fox.
Do inglês, Quaker. Segundo Fox, em sua autobiografia, este nome se deve a um juiz chamado Bennet, que zombou das suas palavras, quando Fox lhe aconselhou «a tremer diante da palavra de Deus». Pois «quaker» significa «tremedor» em inglês. Não obstante, outros dizem que se refere ao contínuo tremor das mãos e braços que os Quakers experimentavam ao orar.