4 de outubro de 2015

Edward Irving o Primeiro Pentecostal

Edward Irving
 (1792 – 1834) pregador escocês, foi o precursor  do movimento carismático moderno.
Irving  foi educado na Universidade de Endiburgo. Tornou-se ministro da igreja da Escócia, onde  foi ordenado em 1821. Pregador eloquente e popular, atraiu adeptos em Londres, onde em 1827 inaugurou uma igreja presbiteriana em Regent Square.
Estudioso das profecias bíblicas,  pregava o iminente retorno de Jesus Cristo. Suas interpretações, principalmente que nos último dias haveria uma nova manifestação carismática do Espírito Santo, valeram sua expulsão do presbitério de Londres em 1830.

 


Os seguidores de Irving visavam o restabelecimento dos  apóstolos, da profecia, e do selo (imposição das mãos para receber o Espírito Santo) e do dom de línguas. Por não manifestar esses sinais carismáticos, Irving acabou perdendo sua liderança no movimento.
Morreu prematuramente aos 42 anos de idade, Edward Irving, um ministro da Igreja Presbiteriana, foi uma das mais célebres e controvertidas personalidades religiosas do século XIX. Pregador eloqüente e tremendamente popular, pastor respeitado e amado pelo seu rebanho, homem de profunda piedade cristã, estava muito na frente de seu tempo para ser compreendido. Ele veio a envolver-se em controvérsias teológicas que acarretaram a sua saída do ministério presbiteriano.
Com o passar do tempo, foi sendo  esquecido ou lembrado apenas como um fanático. Atualmente, todavia, tem ocorrido no mundo anglo-saxão uma redescoberta de Irving e um novo interesse pela sua vida e obra. Não só tem ele recebido atenção como um importante precursor do moderno movimento carismático, como um número crescente de estudiosos têm entendido que Edward Irving foi um teólogo consistente e profundo e muito bíblico.

1. Síntese Biográfica
Edward Irving nasceu no dia 14 de agosto de 1792 na pequena cidade de Annan, na Escócia, sendo o seu pai um humilde curtidor.
Em virtude do alto valor atribuído à educação na cultura presbiteriana escocesa, aos 13 anos Irving foi estudar na Universidade de Edimburgo, onde se destacou nos clássicos e na matemática. Estes estudos eventualmente o levaram a decidir-se pelo ministério sagrado.

Na Escócia,  Irving foi convidado pelo ilustre Rev. Thomas Chalmers para ajudá-lo no seu trabalho ministerial em Glasgow. Chalmers (1780-1847), provavelmente o maior líder evangélico escocês em todo o século 19, ouvira Irving pregar e ficara impressionado com as suas qualidades. Em outubro de 1819 Irving passou a assisti-lo na sua grande obra social e religiosa junto à população carente daquela cidade.

Em julho de 1822, Irving, então com 30 anos, foi convidado para pastorear uma pequena congregação da Igreja da Escócia em Londres, a Caledonian Chapel. No início do ano seguinte, as multidões que se reuniam para ouvi-lo eram tão numerosas que eventualmente um novo templo precisou ser construído, a majestosa catedral de Regent Square. Em 1827, quando o novo santuário foi inaugurado, cerca de mil pessoas freqüentavam os cultos regularmente, fazendo dela a maior igreja da capital inglesa. Neste ínterim, em outubro de 1823 Irving havia contraído núpcias com Isabella Martin, com a qual teve sete filhos, quatro dos quais morreram na infância.

As razões da grande celebridade de Irving foram várias, a começar dos seus extraordinários dotes de oratória, voz possante e bem treinada, aparência física atraente e personalidade carismática. Acima de tudo, porém, era a sua mensagem o maior atrativo para as multidões que buscavam ouvi-lo a cada semana -- seu zelo ardente pelo evangelho de Cristo, sua denúncia intransigente do materialismo e fria respeitabilidade da sociedade contemporânea. No dizer de um estudioso, “nenhum ídolo e nenhum pecado escapavam do açoite profético de suas denúncias abrasadoras”.

Por outro lado, é de se destacar que, mesmo no auge da sua popularidade, Irving também pregava regular e sistematicamente sobre questões doutrinárias, como foi o caso de uma série de mensagens sobre a Trindade no final de 1825. O fato é que, por alguns anos, a alta sociedade londrina acorreu para ouvi-lo, inclusive distintas personalidades do mundo político e intelectual, como Canning, Lord Liverpool, Bentham e Coleridge. Embora os seus sermões se estendessem em média por duas horas, era preciso reservar lugares com muitos dias de antecedência.

Dada a condição da igreja e do país, a firme convicção de Irving de que a volta de Cristo era iminente levou-o com seus companheiros de Albury e um pequeno grupo da igreja a “buscarem o Senhor” pedindo um derramamento do Espírito Santo.

No final de 1827 ouve alguma controversia teológica entre Irving e  o Rev. Henry Cole, um ministro anglicano, o acusou publicamente de heresia perniciosa. Pois há dois anos Irving vinha expondo a sua opinião de que Cristo havia assumido uma natureza humana corruptível, porém sem pecado.

Enquanto isto, no início de 1830 haviam ocorrido manifestações carismáticas na Escócia e no final de 1831 surgiram ocorrências de línguas e profecias nos cultos de Regent Square. Irving, crendo serem tais manifestações a operação dos dons do Espírito, recusou-se a proibi-las. Em março de 1832, o Conselho que antes o apoiara denunciou-o perante o presbitério por transgredir a norma de que somente pessoas ordenadas ou nomeadas pela Igreja da Escócia podiam dirigir o culto público.


2.Reflexão Teológica
Edward Irving foi um ávido estudioso da teologia cristã, com uma predileção especial pelos Pais da igreja antiga. Os resultados da sua própria reflexão podem ser vistos nos muitos sermões que deixou e em um grande número de outros escritos. Orador e escritor extremamente prolixo, suas obras somam milhares de páginas, muitas das quais publicadas postumamente.


Irving, apesar de ter posturas teológicas excêntricas,  afirmou em termos não menos incisivos a perfeição e a plena santidade da pessoa de Jesus -- como o divino Filho de Deus, a pessoa de Cristo só podia ser santa e incorruptível. E aqui nos deparamos com outro aspecto intrigante da teologia de Irving. Segundo ele, quando o Filho humilhou-se a si mesmo e encarnou, a natureza corruptível por Ele assumida foi inteiramente santificada graças à atuação do Espírito Santo. Em outras palavras, Irving entendeu que a natureza humana de Cristo, embora tendo a mesma carne corruptível de sua mãe, foi preservada sem pecado e incorruptível em virtude de ter sido vivificada e habitada pelo Espírito Santo. Ele afirmou a certa altura: “Esta é a substância do nosso argumento: que a Sua natureza humana [de Cristo] era santa da única maneira em que a santidade existe ou pode existir após a queda..., a saber, através da atuação interna ou dinamização do Espírito Santo”.

Através do estudo da pessoa de Cristo nos evangelhos, Irving concluiu que o Filho não realizou milagres nem pregou o evangelho do reino graças à Sua divindade intrínseca, mas através do poder do Espírito Santo que lhe foi conferido pelo Pai no Seu batismo. E o que Cristo desfrutou, cria ele, foi prometido a toda a igreja. Esta perspectiva, aliada à sua firme convicção pré-milenista no tocante à iminente volta de Cristo, o levaram a esperar o derramamento do Espírito Santo como a única maneira de repelir a maré de impiedade e fazer a última colheita de almas antes do retorno do Filho do homem.



3.Avaliação
A teologia de Edward Irving e as ações pastorais decorrentes desta teologia têm sido avaliadas diversamente pelos estudiosos atuais. Em parte pelo fato de Irving ter sido tratado de maneira descaridosa no passado, hoje em dia há uma tendência de vê-lo por um prisma simpático e apreciativo. Evidentemente, esta atitude é ainda mais explícita quando o analista é filiado ao movimento pentecostal ou carismático. É o caso, por exemplo, de David Allen (citado anteriormente), professor de um seminário da Assembléia de Deus na Inglaterra; Larry Christenson, conhecido luterano carismático dos Estados Unidos; e particularmente, C. Gordon Strachan, um pastor carismático da Igreja da Escócia.

No aspecto positivo, é inegável que a ênfase dada por Irving à humanidade de Jesus Cristo, bem como à centralidade da atuação do Espírito Santo na Sua pessoa e ministério, é algo salutar e necessário para a igreja de todos os tempos. David Dorries argumenta que tanto os pentecostais clássicos quanto os carismáticos ou neopentecostais teriam muito a beneficiar-se com a forma de “pentecostalismo” radicalmente cristocêntrico proposto por Irving.


Como um orador e escritor apaixonado e polêmico, Irving foi e continua sendo objeto de críticas as mais variadas. Diversos autores, mesmo simpatizantes, têm deplorado atitudes de Irving como o seu pessimismo pré-milenista, seu gosto por novidades, sua falta de equilíbrio no trato de certas questões eclesiásticas e pastorais. A sua vida e ministério apresentam sérias advertências para todos os líderes cristãos no desempenho de suas responsabilidades ministeriais.

Todavia, mesmo os críticos mais rigorosos reconhecem a grande sinceridade e autenticidade de Irving e a sua plena consagração a Cristo. Num célebre sermão missionário que pregou, ele proferiu as palavras que se encontram nas páginas de abertura de algumas de suas biografias: “Um homem com um só pensamento – o evangelho de Cristo; um homem com um só propósito – a glória de Deus; contente em ser considerado um louco – por Cristo”.