16 de maio de 2015

HELEN ROSEVEARE





HELEN ROSEVEARE “ Se Cristo morreu por mim, nenhum sacrifício que eu faça por Ele pode ser grande demais”
Na metade do século XX, a necessidade vital da inclusão de mulheres nas missões era um fato aceito e praticamente nenhuma área do mundo deixara de ser penetrada por essas enérgicas pioneiras. “A missionária solteira permaneceu durante décadas como uma cidadã de segunda classe da missão”.¹ Esse foi o caso da talentosa e eficiente Helen Roseveare, médica-missionária no Congo, cujo papel de mulher criou não só conflitos íntimos como também dificuldades com os colegas missionários e nativos.


Helen Roseveare que nasceu na Inglaterra em 1925, no seio de uma família orgulhosa e respeitada em Cornwall por muitas gerações. Seu pai fora nomeado cavaleiro por seu serviço patriótico durante a guerra, era um renomado matemático, grandemente interessado na educação de seus filhos.

Aos doze anos Helen passou a frequentar uma escola exclusiva para meninas e depois partiu para Cambridge onde formou-se em medicina. Foi ali que ela passou pela experiência de conversão que a fez afastar-se de sua fé anglo-católica e juntar-se às fileiras do evangelismo.


Os irmãos do pai e a irmã da mãe de Helen, haviam servido como missionários e desde a infância ela desejara ser também missionária. Esse dia dia chegou em 1953, quando navegou para o Congo a fim de servir ali com a Cruzada de Evangelização Mundial.
Ela imediatamente compreendeu que os conceitos tradicionais da medicina missionária nem sequer começariam a resolver os sérios problemas de saúde ao seu redor. Em lugar de estabelecer um centro médico regional onde um clínico trabalhasse em tempo integral, dia e noite, e mesmo assim não conseguisse satisfazer as necessidades dos doentes, ela planejou um centro preparatório onde enfermeiras aprendessem a bíblia e medicina básica, sendo depois enviadas de volta às suas cidades a fim de tratar dos casos de rotina, ensinar cuidados médicos preventivos e servir como evangelista leigas. O plano era de longo alcance, mas desde o início Helen foi bloqueada em todas as frentes por seus colegas que acreditavam que uma missão não devia envolver-se no preparo de nativos em terrenos como o da medicina.

Helen passou a conviver mais com as africanas do que com suas colegas missionárias, e um pastor africano passou a ser seu conselheiro espiritual, algo que seus companheiros não entendiam e também não aceitavam. O fato de uma missionária humilhar-se a tal ponto diante de um africano era inaceitável mesmo nos anos 50 e suas associações criaram assim ainda mais tensão entre ela e seus colegas
Em 1958, depois de cinco anos no Congo, ensinando, evangelizando, cavando poços, limpando valas e queimando tijolos para as construções, Helen desiludida e perseguida pelos seus companheiros de trabalho aceitou ir de férias para a Inglaterra.

Se tivesse um marido-médico que trabalhasse a seu lado e a apoiasse nos períodos difíceis, tudo daria certo, racionava ela. Seria demais para pedir? Deus certamente compreendia a sua necessidade.
Helen pedira a deus um marido (de fato, ela lhe “disse que não voltaria sem ele), mas Deus, como a maioria dos seres humanos, não trabalhou com a rapidez suficiente para satisfazê-la. (Nas palavras de uma colega missionária “... ela não podia arrastar todo mundo atrás dela, apressada como era. Não é possível manter a sua velocidade. Você está ao lado dela e de repente percebe que já está bem à sua frente. E no momento em que vai alcançá-la, ela corre em outra direção”.)


O retorno de Helen para o Congo em 1960, coincidiu com a independência longamente desejada pelo país. Foi uma época constrangedora para os brancos e muitos missionários consideravam os riscos elevados demais. Alguns partiram imediatamente para seus país de origem com suas famílias, Helen porém, não pretendia voltar para casa. . Em agosto de 1964 inimigos da cruz de Cristo tentaram envenenar nossa heroína mas seu amado cãozinho, pela providência de Deus, comeu sua comida vindo a morrer logo em seguida


Notícias de ataques a outros missionários chegavam periodicamente, inclusive relatórios sobre missionários que haviam sofrido nas mãos dos rebeldes. A própria Helen em uma ocasião foi roubada e tentaram envenená-la, mas para ela a situação melhorava sempre - e mesmo que isso não acontecesse, muitas pessoas dependiam dela. Tinha então que ficar.

No verão de 1964, o Congo se achava em plena e sangrenta guerra civil, e os rebeldes Simba, dominavam povoado por povoado. No dia 15 de Agosto, o posto missionário de Nebobongo foi ocupado por soldados e durante cinco meses Helen ficou prisioneira, embora permanecesse no posto e vivendo em sua própria casa até o mês de Novembro.
Atrocidades brutais foram cometidas e poucos brancos escaparam à violência e carnificina. Helen não foi uma exceção. Na noite de 29 de Outubro, enquanto o posto se encontrava sob domínio dos rebeldes, ela foi violentada por um soldado rebelde em seu pequeno bangalô em Nebobongo.

Aquela foi uma noite de horror. Ela tentou escapar, mas não conseguiu: "Eles me descobriram puseram-me em pé, bateram em minha cabeça e ombros, atiraram-me no chão, deram-me pontapés, levantaram-me outra vez apenas para voltar a espancar-me - a dor nauseante de um dente quebrado, na boca cheia de sangue pegajoso, dos óculos desaparecidos. Fora de mim, entorpecida de horror e medo desconhecido, empurrada, arrastada, levada de volta à minha casa - ouvindo gritos, insultos, maldições".

 
"Deus meu, Deus meu por que me desamparaste?" Essas palavras soaram repetidamente através da consciência entorpecida de Helen. Embora jamais pudesse ter compreendido na ocasião, o terrível ultraje sofrido em seu corpo, seu nível de maturidade espiritual deu-lhe completa segurança de que não falhara com Deus nem havia perdido de forma alguma qualquer suposta pureza por causa do estupro.

O que quer que tivesse sofrido fisicamente, seu relacionamento com Deus não ficara prejudicado. Durante meses Helen enfrentara a ameaça diária de morte, mas foi resgatada e voltou para sua pátria e mal sabia tratar com sua recém-liberdade e o rude choque de estar de volta ao seu país natal.
Apesar de ser estuprada e humiliada pelos soldados africanos Helen descobriu que Deus deu a ela amor ainda maior pelo povo do Congo, tanto que em 1965 ela voltou ao Congo sempre dizendo que sua dolorosa experiência fêz ela entender que se “com Ele sofremos, com Ele também reinaremos…”



A principio a idéia de voltar para o Congo parecia remota, mas à medida que a situação política melhorava e cartas de colaboradores e amigos africanos chegavam, o chamado da África tornou-se intenso. Ela era agora mais necessária do que nunca. Como dizer não?

Depois deste incidente Helen foi severamente provada e testada em sua fé, quando muitas noites de terror e agonia vieram sobre ela, após ela ver sua casa ser totalmente saqueada pelos militares, nesse tempo ela conta que satanás por muitas vezes tentou convencê-la que ela era uma missionária falida e derrotada. Após agonizar em oração pedindo ódio pelo pecado, ela recebeu a dádiva do Espírito Santo e o Senhor concedeu a ela um amor ainda mais profundo pelos africanos Após dois anos, com uma melhor estabilidade política no Congo, sentiu-se impussionada a voltar à África, o que fez em março de 1966, reassumindo seu cargo de missionária-médica

Helen voltou à África em março de 1966 para reassumir seu cargo de missionária médica e especialmente seu trabalho de treinar nativos. Sua chegada à missão no Congo foi celebrada com alegria, mas ela descobriu que a vida no Congo jamais voltaria a ser a mesma - o nacionalismo penetrara em todos os segmentos da sociedade, inclusive a igreja, e não mais havia um sentimento automático de respeito e admiração - especialmente por parte da geração mais jovem para com a médica que sacrificara tanto pelo Congo.

Seu período de sete anos de trabalho foi repleto de turbulência e decepções. Os negros passaram a dominar e por ser branca, foi-lhe negada a autoridade que precisava como professora. Os alunos a desafiavam rudemente em quase todos os assuntos.

Apesar de seu notável sacrifício e grandes realizações durante esses sete anos, Helen deixou a África em 1973 com espírito quebrantado. Os alunos haviam-se rebelado contra sua autoridade e até mesmo seus colegas duvidaram de sua capacidade de liderança.

Foi uma tragédia, pelo menos em termos humanos, o fato de que seus vinte anos de serviço na África terminassem de tal forma. "Quando soube que estava deixando o campo missionário e voltando para casa, que um casal de médicos jovens iria substituir-me na escola e que um colega africano seria o novo diretor do hospital, organizei uma festa  para recepcionar os que iriam substituir-me, mas o corpo de alunos entrou em greve e tive de demitir-me da escola onde fora diretora durante vinte anos.

Helen voltou para casa e enfrentou um "período muitíssimo solitário"em sua vida; mas, como acontecera antes com tantas outras experiências decepcionantes, ela voltou-se para Deus. Em lugar de amargura surgiu um novo espírito de humildade e uma nova apreciação pelo que Jesus fizera em seu favor na cruz. A dor do aparente fracasso foi aos poucos desaparecendo, para surgir um revigoramento espiritual em sua vida. Entendia que todo o que passara fazia parte de um trabalhar de Deus em sua vida, lhe preparando para uma nova etapa. Era o oleiro modelando o vaso, para continuar usando-o para a sua glória.


Nos anos que se seguiram Helen tornou-se uma conferencista muito solicitada e aclamada internacionalmente, fazendo palestras sobre missões cristãs e vivenciando a verdade bíblica: "Mas em todas essas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou" (Rm 8.37).
FONTE: http://basemissionaria-saolourenco.blogspot.com.br/2014/03/helen-roseveare-missionaria-ultrajada.html


Helen Roseveare E A HISTÓRIA DE COMO DEUS RESPONSA AS ORAÇÕES



Certa noite, na República Centro-Africana, eu trabalhara duro para ajudar uma mãe na sala de parto, mas apesar de tudo ela morreu, deixando-nos um bebezinho prematuro e uma menininha de dois anos aos prantos.Ia ser difícil manter o bebê vivo, pois não havia incubadora nem eletricidade para ligar uma nem uma maneira de dar ao bebê uma alimentação especial. Apesar de vivermos no equador, as noites freqüentemente eram frias e as correntes de ar traiçoeiras. Então pedi que colocassem o bebê o mais perto do fogo possível, com segurança, e que uma enfermeira dormisse entre ele e a porta para protegê-lo de correntes de ar e para mantê-lo quentinho. No dia seguinte, na hora do almoço, fui orar com os muitos órfãos que gostavam de se reunir comigo. Dei aos menores várias sugestões de coisas pelas quais orarem e lhes contei sobre o bebezinho recém-nascido. Expliquei-lhes o problema que estávamos tendo para mantê-lo bem aquecido, disse que ele podia morrer facilmente se pegasse um resfriado, e mencionei também a bolsa de água quente e a irmãzinha de dois anos que não parava de chorar porque perdera a mãe.Durante a oração, Ruth, de dez anos, orou de uma maneira clara e objetiva como costumam orar as nossas crianças africanas. "Deus, por favor, nos mande uma bolsa d'água. Amanhã não adianta, então, por favor, mande hoje." Eu ainda estava me recuperando do espanto ao ver tanta audácia numa oração, quando ela acrescentou só pra arrematar o pedido: "E já que Você vai mandar a bolsa d'água, não daria para aproveitar e mandar também uma boneca pra menininha pra ela ver que Você realmente a ama?"Como acontece muitas vezes quando as crianças oram, eu me vi entre a espada e a parede. Será que ia conseguir dizer, com fé, amém a um pedido desse? Eu simplesmente não acreditava que Deus fosse capaz de fazer isso. Claro, sei que Ele pode fazer qualquer coisa, porque é o que diz na Bíblia, mas existem limites, não existem? A única maneira de Ele atender a esse pedido seria através de uma encomenda vinda do meu país. Na ocasião eu já estava na África há quase quatro anos, e nunca recebera uma encomenda. Seja como for, mesmo se alguém enviasse algo, quem haveria de enviar uma bolsa de água quente, já que eu morava em um lugar muito quente?! No meio da tarde, enquanto eu dava aula na escola de enfermagem, recebi recado de que havia um carro à porta da minha casa. Quando cheguei lá o carro já tinha ido embora, mas vi na varanda uma caixa grandona, de 10 Kg! Meus olhos começaram a se encher de lágrimas. Não ia conseguir abrir a caixa sozinha, então mandei chamar as crianças do orfanato. Juntas nós tiramos o barbante e desfizemos cada nó com o maior cuidado. Dobramos o papel com esmero para não rasgá-lo, e a emoção só aumentava! Uns trinta ou quarenta olhares estavam fixos na caixa de papelão.Logo de cima fui tirando calções coloridos de nylon. Os olhinhos brilhavam enquanto eu os distribuía. Depois vieram as faixas para os leprosos, e as crianças começaram a fazer uma cara de cansaço. Depois uma caixa de uvas passas com sementes e sem sementes - suficiente para uma boa fornada de pães doces no fim de semana!...Enfiei a mão na caixa novamente, tateando… será mesmo? Agarrei e tirei. Certamente! "É uma bolsa d'água de borracha novinha em folha!" gritei.Não tinha pedido a Deus que a enviasse nem acreditado que Ele poderia mesmo fazê-lo. Ruth estava bem na frente, e se aproximou exclamando: "Se Deus mandou a bolsa d'água deve ter mandado a boneca também!"Remexendo no fundo da caixa ela tirou uma boneca pequenininha com uma roupa linda! Seus olhos brilhavam. Ela não duvidara nem por um momento! Olhando para mim perguntou: "Mamãe, posso ir com a senhora dar a boneca pra menininha pra ela saber que Jesus a ama de verdade?"Aquela caixa passou cinco meses a caminho e foi enviada pela minha antiga classe de escola dominical, cuja professora ouviu e obedeceu quando Deus lhe disse para enviar uma bolsa de água quente - mesmo para um país tão quente como aquele. Cinco meses antes uma das menininhas colocara uma boneca para uma criança africana, atendendo à oração de fé feita por uma outra menina de dez anos que pedira a Deus para mandá-la "hoje mesmo"!
"E será que antes que clamem Eu responderei; e estando eles ainda falando, Eu os ouvirei" (Isaías 65:24).