1 de julho de 2013

JOHN SUNG O APÓSTOLO DA INDONÉSIA


O    Pequeno pastor  da China
Sem entrarmos em detalhes biográficos sem interesse, vamos no mínimo tentar dar uma imagem correta da vida e da obra de John Sung no seu tempo. A lâmpada deste homem excepcional brilhou durante cerca de 43 anos; desde 1901 até 1944. Deus deu-lhe uma plenitude de poder do Espírito Santo que eu nunca consegui detectar em nenhum outro evangelista do nosso século. Isto não é nenhum exagero sequer, mas é a minha firme convicção.
Havendo nascido e tendo sido criado em Hinghwa, John estava presente quando com nove anos de idade um avivamento começou na igreja de Hinghwa. Mesmo sendo ainda uma criança nessa época, ele foi literalmente quebrantado em lágrimas e experimentou uma definitiva e genuína conversão.
Sung,Wang eNee

Logo desde o início da sua vida com Cristo, a oração tornou-se o ponto alto da sua vida espiritual. Quando, durante esses anos, seu pai ficou criticamente doente e foi dado como perdido por sua própria família, a desesperada mãe de John, a qual já não conseguia mais orar devido à sua angústia, disse-lhe: “Vai para o teu quarto orar por papai. Deus ouve orações”. John lançou-se sobre os seus joelhos e orou ardentemente pela vida do seu pai. Como resultado e apesar de todos os pontos de vista e expectativas dos médicos em sentido contrário, seu pai recuperou sua saúde milagrosamente. Esta foi a segunda resposta que ele obteve em toda sua vida como um jovem guerreiro do seu Senhor.

 

Durante o avivamento em Hinghwa, o pai de John tornou-se o líder dos pastores da cidade e logo se esgotou sob o jugo e o peso de toda a sua obra. Ele designou pregadores itinerantes, os quais usava para pregarem nas igrejas circundantes em sistema rotativo. John logo tomou o seu lugar entre estes mensageiros de Cristo, mesmo sendo de longe o mais jovem de todos eles. Ele já ministrava sermões conscientemente preparados e delineados na tenra idade de 14 anos. Quando seu pai se tornou incapaz de continuar o seu trabalho devido à pressão da obra sobre si, John passou a substituí-lo muito bem. As congregações amavam a sua forma simples de pregar devido ao seu estilo vívido e simples de entrega das mensagens. Já por essa altura, cristãos bem estabelecidos em Cristos ficavam a pensar: “O que vai ser este menino?” Luc.1:66.

Na vida de todos os homens verdadeiros de Deus, podemos quase sempre detectar a mão providencial e atuante de seu Criador. Isto é algo que também pode ser visto na vida de John Sung. Como rapaz na escola ele já chamava a atenção sobre si devido à facilidade que tinha para estudar e para a sua incansável sede de empreender e trabalhar. Assim, ninguém se deve surpreender que este jovem zeloso colocasse uma educação universitária como alvo diante dos seus olhos. Contudo, porque a China de então tinha uma grande instabilidade e guerrilhas desde 1919, ele começou a pensar entrar numa universidade Americana.
Mas vários obstáculos e impedimentos colocaram-se diante dos seus planos. Quem pagaria a sua viagem? Quem seriam os seus tutores durante a sua estadia nos Estados Unidos? E a parte mais difícil de todas, era que John tinha uma infecção nos olhos tipicamente chinesa, a qual lhe impediria sem dúvida a sua ida para a América! Um quarto tropeço era o seu próprio pai que se opunha às suas idéias de viajante. Eram quatro tropeços enormes demais para serem vencidos.
Mas pode alguma coisa ser impossível a Deus? John entregou-se à oração. Este era o curso que ele sempre tomava em alturas como esta. Deus deu-lhe a primeira resposta na forma de uma carta. Uma missionária americana, a qual nada sabia sobre seus planos, escreveu-lhe para encorajá-lo e aconselhá-lo a estudar nos Estados Unidos, dizendo que se ele assim desejasse ela seria sua tutora durante a sua estadia no país. Ele ficou enormemente alegre e mostrou a carta a seu pai e perguntou-lhe: “Não é isso, por acaso, a resposta de Deus?” Seguindo-se a esta primeira vitória conseguida, muitos donativos de dinheiro começaram a chegar de várias origens, que não apenas cobriam todas as suas despesas, mas também permitiriam que ele levasse consigo uma reserva financeira para cobrir as suas despesas iniciais na América. A ajuda para a infecção das suas pálpebras chegou inesperadamente de uma outra fonte. Enquanto cortava o cabelo, o barbeiro notou a infecção e ofereceu-se para limpa-lhe o interior das pálpebras com um osso revestido de prata e lavá-lo de seguida. John aceitou. Este processo penoso foi realizado nele várias vezes até que a infecção ficou totalmente curada. Finalmente, também seu pai lhe deu o seu consentimento para partir. Isto foi apenas o início da obra do “Grande Arquiteto” que, pela sua misericórdia, capacita sempre os seus apóstolos e filhos de tal maneira que consigam alcançar sempre os Seus objetivos.
 

A crise

Esta nova vida na América foi tudo menos fácil. Sua saúde era delicada, sua falta de dinheiro era contínua e uma cirurgia que ele não pode evitar contribuiu para que ele permanecesse firme em oração. A missionária americana também não cumpriu a promessa que lhe havia feito. Esta forma de atuar dos cristãos ocidentais sempre foi um grande vexame para muitos novos crentes, pois tudo que é promessa é tratado com muita banalidade. Mas, para John, isso significava simplesmente que ele teria a oportunidade de se agarrar e de se firmar nas melhores promessas que a Bíblia lhe fazia.
Apesar dessas dificuldades tremendas, John progrediu de tal maneira em seus estudos que qualquer um ficaria pasmado diante do seu sucesso. Em apenas três anos ele concluiu um programa curricular de cinco anos. Mais ainda, ele encontrava-se sempre no topo das melhores notas da universidade. Para além de ter conseguido receber os prêmios que se ganhavam no campo da física e da química, também lhe foi dada uma medalha de ouro devido ao seu aproveitamento nesse ano. Quando ele finalmente recebeu a sua graduação, todos os jornais fizeram reportagens que lisonjeavam este brilhante e talentoso jovem chinês. Três universidades tentaram assediá-lo para lecionar. A mundialmente famosa Universidade Harvard ofereceu-lhe mil dólares anuais se ele entendesse alistar-se entre os seus professores, uma soma que em valor monetário atual seria invulgar. Contudo, John ficou com a  oferta mais modesta da Universidade Estadual de Ohio.
Por esta altura o estudante esfomeado por conhecimento aplicou-se em obter Doutoramento e Ph.D. em química. Mas, como nessa altura a química alemã era a mais avançada, John pensou aprender a língua para poder ter acesso aos livros científicos alemães. Durante as suas férias ele embrenhou-se no estudo desta língua estranha e em apenas dois meses conseguiu dominá-la de tal maneira que foi capaz de traduzir para o inglês um livro complicadíssimo de química. O professor que revisou a tradução pensou que ele tivesse estudado alemão durante anos. O que um homem normal poderia levar dois anos a conseguir, John conseguiu em apenas dois meses. Uma vez mais, este feito causou um grande reboliço nos meios americanos. Ele foi atormentado e assediado por prêmios e convites. Durante este tempo, até mesmo a Universidade de Pequim tomou conhecimento do sucesso desse seu compatriota e chegou a oferece-lhe o título de Ph.D. Contudo, o convite que maior atração exerceu sobre ele, chegou-lhe da Alemanha, local onde os serviços deste químico extraordinariamente talentoso eram muito desejados. Uma equipe de cientistas propôs um posto de pesquisa com condições financeiras invejáveis.
O Dr. Sung, como ele era conhecido agora, orava incessantemente sobre o passo seguinte. Como resposta o Senhor conduziu-o para as palavras em Mat.16.26: “Que proveito tem o homem em ganhar todo o mundo se perder a sua alma?” Os seus pensamentos foram imediatamente recolocados no seu plano e voto iniciais. Ele tinha apenas a intenção de estudar temporariamente na América e voltar para China como pregador do evangelho. Foi então que decidiu ir estudar teologia no Seminário Teológico durante certo tempo. Foi desta forma que ele chegou – certamente guiado por Deus – ao seminário da União Teológica de Nova Iorque, muito conhecida pela sua teologia liberal.
E foi assim, também, que ele começou a sua preparação final para a obra diante de si, através da qual proclamaria o reino de Deus. Mas, os ensinos desta escola iriam levá-lo a afundar-se sobre os seus joelhos de forma implacável.
A causa principal para esse colapso foi a teologia ensinada neste colégio. Cada problema ou obscuridade na Bíblia era discutida a luz da razão humana. Apenas aquilo que pudesse manter-se aos escrutínios da lógica era aceite como verdadeiro. A fé em Cristo como propiciação para os nossos pecados; a validade dos milagres; a ressurreição; a ascensão e a segunda vinda de Cristo eram banalizadas por carecerem de provas científicas. Tendo sido servido com esta dieta magra, o Dr. Sung perdeu toda a sua fé e foi empurrado para uma crise interior e para uma fase muito crítica da sua vida. Ele disse para si mesmo: “Tudo aquilo em que acreditei naturalmente até agora foi-me roubado. Não posso continuar a viver neste estado. Ou a minha vida termina, ou então Deus precisa dar-me outra maneira de vivê-la através do Seu Espírito”.

Deus ouviu o clamor do seu coração uma vez mais. Durante a noite de 10 de Fevereiro de 1926, o Senhor apareceu-lhe. Estando sob o peso infernal do jugo do seu pecado, o Dr. Sung clamou ao Senhor orando e chorando até muito tarde daquela noite. De repente, ele ouviu uma voz dizendo-lhe: “Meu filho os teus pecados te são perdoados”. Com isto a sua alma foi repentinamente preenchida de luz. Mesmo sendo noite escura, alcançou a sua Bíblia e começou a ler os evangelhos de uma maneira tal como nunca havia feito.

Na manhã seguinte todos os outros estudantes e professores notaram de imediato a transformação no seu semblante. O Dr. Sung também não tinha qualquer intenção de manter a sua nova experiência em segredo. Onde lhe fosse possível, ele dava testemunho do Senhor Jesus Cristo abertamente e o seu jeito abrupto de se exprimir causou logo reboliço dentro da escola. Mesmo porque desde criança ele havia sido uma pessoa de visão muito clara e de decisões muito radicais e bruscas que duravam para sempre.
Passou a descrever os seus livros de teologia como livros de demônios e, queimando-os, dedicou-se integralmente e exclusivamente ao estudo aprofundado da Bíblia e à oração. Os seus professores liberais ficaram extremamente chocados com esta sua maneira brusca e condenaram-no veementemente pela forma como catalogou a teologia deles. De imediato, imploram-lhe para se submeter a um exame psiquiátrico extensivo.
Isto é típico! Em primeiro lugar estes racionalistas destroem a fé dum homem e depois, quando ele se encontra completamente desfalcado e nu e acha o Senhor Jesus, é considerado como um doente mental e colocado no hospício. Eu tenho a sincera esperança de que, apesar de sua teologia, estes teólogos modernos possam vir a aperceber-se do seu grande erro e chegar tão perto do Senhor Jesus que ainda serem salvos. Eu gostaria de ver as suas expressões quando um dia se aperceberem de que a sua teologia é diabólica e serve apenas os interesses do diabo na terra.
Na história de José lemos o que ele afirma: “Vocês intentaram mal contra mim; mas Deus o tornou em bem”, Gen.50:20. Isto também foi o que aconteceu com o Dr. Sung. Aquilo que o seminário da União Teológica intentou contra ele, transformou-se subitamente no propósito de Deus para o Seu filho.
O Dr. Sung foi aconselhado a “descansar” durante seis semanas e ele concordou, embora com algum protesto. Contudo, depois desse prazo de seis semanas haver expirado, ele pediu permissão para voltar ao seminário. Mas, foi-lhe dito expressamente que não voltaria mais para lá. Foi então que o seu temperamento aguçado explodiu: “Eu fui enganado! Eu não estou mentalmente doente, mesmo levando em conta que meu coração foi completamente esmagado por esta vossa teologia miserável, a qual me foi servida no vosso seminário. Nem com ela eu fiquei louco!” Este desabafo energético levou o psiquiatra a transferi-lo para uma sala para pacientes violentos. Esta foi uma das piores experiências da vida de Sung, tendo sido obrigado a passar os seus dias e noites numa mesma sala com maníacos depressivos, violentos e que usavam continuamente palavrões indecentes para se expressarem!
Mas, uma vez mais ele inquiriu do Senhor o que isso significava. A resposta chegou de imediato: “Todas as coisas contribuem conjuntamente para o bem daqueles que amam a Deus”. Foi então que o Dr. Sung recebeu uma outra mensagem pessoal do seu Senhor e Rei. Foi-lhe dito: “precisas suportar o tratamento durante 193 dias. Será deste modo que aprenderás a suportar a cruz que te vou dar para poderes aprender a carreira de obediência até o Gólgota”.
Com esta resposta John Sung contentou-se e sossegou de imediato seu coração. Ficou sabendo que era a vontade de Deus para si e que tudo que poderia fazer era esperar com a certeza que acabaria saindo e que estava dentro da vontade de Deus. O psiquiatra autorizou-o a regressar para seu quarto privado inicial. Ali, o Dr. Sung teve bastante tempo para orar e explorar a sua Bíblia. Ele leu avidamente muitos capítulos por dia. Mais tarde ele comentou: “Essa foi minha verdadeira formação teológica!” Ele leu a Bíblia quarenta vezes durante este tempo de descanso forçado. Mas, não havia contado nada a ninguém sobre a promessa que Deus lhe fizera de tirá-lo dali em 193 dias. Mas, o fato é que 193 dias depois deram-lhe alta da clínica psiquiátrica. Isto apenas prova que a mensagem que ele recebeu tinha realmente vindo de Deus e não havia sido fruto da sua imaginação. Dr. Sung estava agora devidamente armado para as suas campanhas evangelísticas na China.
Nós cruzamos frequentemente com períodos de quietude como estes e verificamos que todos os instrumentos especiais de Deus passam sempre por eles. José ficou dois anos na prisão; Moisés passou 40 anos no deserto de Midiã; Elias ficou escondido no ribeiro de Querite; Jeremias achou-se sozinho na prisão muitas vezes e uma vez dentro do poço; João Batista esteve na montanha-fortaleza de Machaerus. Lutero em Wartburg até seu tempo haver chegado.
Estes tempos de solidão fazem parte do programa curricular da escola de Deus.
O Wesley da China
O seminário da União Teológica já há muito tempo que havia removido da sua lista de estudantes o nome de Dr. Sung. Não queriam mais nada com ele desde que queimou os seus livros. Mas, o coração de John estava apontado para a China e foi, em 4 de Outubro de 1927, que ele saiu de Seattle para Xangai.
Assim que o Dr. Sung chegou à sua pátria e tendo-se reunido à sua família que não via há 7 anos, descobriu que havia um pequeno pormenor ainda por esclarecer. O seu pai disse: “Filho, eu sempre fui um pregador pobre. Espero agora que tomes um lugar para ti na universidade para assim ajudares a pagar a educação dos teus irmãos”. John temia que isso viesse acontecer precisamente daquele jeito. Mas, a sua resposta a seu pai foi imediata: “Pai a minha vida foi dedicada a espalhar o evangelho da verdade. Eu estou morto para o mundo, para vocês e para mim mesmo também. Nunca terei a possibilidade de tomar outro caminho pelo qual possa seguir”. E foi assim que o curso de toda sua existência ficou permanentemente selado.

Foi então que em Maio de 1928 Dr. Sung se encontrou com Andrew Gih pela primeira vez. Ambos ficaram com a consciência de que a vida de um e do outro iriam tomar caminhos particularmente similares. Para ambos, era apenas uma questão absoluta de estarem completamente rendidos ao seu Senhor com o único propósito de espalharem o evangelho tal qual o Espírito Santo os levasse a fazer.

De início, esses dois homens trabalharam em conjunto. Andrew Gih muitas vezes servia de intérprete ao Dr. Sung nos distritos onde os seus dialetos não lhe eram familiares.
O primeiro encontro do Dr. Sung com o movimento das línguas estranhas provou ser significante e bastante esclarecedor. Isso ocorreu no porto de Tsingtau. Foi ali onde teve que se questionar sobre os dons do Espírito. O movimento “carismático” neste porto, com um tipo de população que se alterava constantemente, era bastante forte. Os seus seguidores afirmavam afincadamente que a plenitude do Espírito Santo se manifestaria através de sinais exteriores como línguas estranhas, canções espirituais, visões e sonhos. O Dr. Sung entrou numa argumentação bastante quente sobre este assunto sem se dar conta. Ele ficou confuso e foi então que decidiu não pregar mais e ficar somente a ouvir Andrew Gih. Orando incessantemente por clarividência não seria de admirar que o Senhor lhe concedesse uma vez mais a resposta.
Andrew Gih estava pregando sobre João 4 e falando sobre a água da vida que Jesus estava oferecendo à mulher samaritana. A resposta que ele queria do Senhor veio com uma revelação muito clara. Mais tarde John comentou-a resumidamente: “A bênção de Deus e a plenitude do Espírito Santo nunca consistem numa procura de línguas estranhas e nem de quaisquer manifestações exteriores, mas em tornamo-nos rios incondicionalmente puros para que essas águas da vida do Espírito Santo possam ter como fluir livremente a todas as almas sedentas à nossa volta”.
A partir desse momento Dr. Sung começou a pregar claramente através de uma nova força e poder. Não poucas vezes ele orava: “Senhor purifica-me e transforma-me de tal maneira que as águas vivas possam brotar de mim como as quedas e correntes do Niagara”.
Por onde que ele fosse havia um avivamento real e genuíno: homens reconhecendo publicamente seus pecados; inimigos reconciliando-se os com os outros; bens roubados sendo devolvidos aos seus respectivos donos com confissões; professores confessando os seus pecados aos próprios alunos e colegas. Mas, o melhor de tudo era que em cada campanha missionária que ele fazia formavam-se comitivas para levar o evangelho até às vilas e aldeias vizinhas. Não poucas vezes após uma única campanha entre sessenta a cem dessas comitivas eram formadas da noite para o dia.
O Dr. Sung tinha um “mestrado” em ilustrações e as usava as suas mensagens. Quando uma vez pregava como um pecado deveria ser arrancado sem dó pela própria raiz, ele dirigiu-se a uns vasos que continham plantas na plataforma, despedaçando uma a uma e arrancando-as pela raiz e proclamou de seguida de todo coração: “Agora não poderão mais crescer! É assim que o pecado deve ser arrancado de nós”.
Uma outra vez estava falando sobre Rom.6:23 onde se lê que “o salário do pecado é a morte”. Tinha um caixão pequeno perto do local onde pregava e um grande número de pedras foram-lhe trazidas para plataforma de onde discursava. Ele exclamava: “O caixão representa a morte. As pedras simbolizam o pecado”. E com isso Dr. Sung começou a chamar os pecados pelo nome e, por cada pecado que mencionava, atirava uma pedra para dentro do caixão. O evangelista passou a explicar o significado de tudo aquilo: “Cada homem carrega com ele um caixão e à medida que o caixão se vai enchendo de pedras, o interior torna-se cada vez mais pesado e insuportável. A pessoa em questão fica com seu interior sobrecarregado e em breve será esmagada sob o peso do fardo”.
Em outras ocasiões ele usava a seguinte ilustração quando se dirigia aos pastores de congregações. Ele tinha um ajudante que lhe trazia um fogão a carvão para cima da plataforma. Em seguida, ele pedia de forma audível uns pedaços de carvões pequenos os quais lançava para dentro do fogo juntamente com um pedaço de carvão enorme. Dez minutos depois, ele perguntava ao seu assistente sobre o progresso do fogo: “O que se passa dentro do fogão?” a resposta vinha: “Os carvões pequenos estão todos queimando e em chama viva. Mas, o pedaço grande está difícil!” Dr. Sung resumiria então a sua mensagem: “Os pedaços de carvões pequenos são os membros das congregações e o pedaço grande é como os pastores dessas mesmas congregações. Os pastores são sempre os últimos a pegarem fogo”. Só podemos imaginar como uma exemplificação dessas irritava os ministros das igrejas, os quais não morriam muito de amores por ele. Contudo, eram esses próprios ministros que no final dos seus esforços missionários vinham ter com ele reconhecendo que os membros das igrejas muitas vezes chegavam a triplicar.
No decorrer das suas pregações, o Dr. Sung muitas vezes usava dons proféticos. Uma vez apontou para um indivíduo no meio duma multidão com mais de 1000 pessoas e disse: “Você é um hipócrita! Arranje os seus caminhos com Deus”. A pessoa para quem ele apontou era um presbítero da igreja, o qual ficou achando que o seu próprio pastor se havia queixado sobre ele ao Dr. Sung. Mas, no outro dia o presbítero foi-se sentar num local completamente diferente na enorme sala. Foi no meio do seu sermão que o evangelista uma vez mais apontou em direcção ao presbítero, dizendo-lhe: “Você é um hipócrita”. Quando o Dr. Sung fez a mesma coisa uma terceira vez num outro culto, o presbítero ficou enfurecido e decidiu arranjar forma de matar o seu pastor, pois achava que havia sido ele a falar ao Dr. Sung. Convidou o seu pastor para uma refeição em sua casa. O pastor da respectiva congregação foi, contudo, avisado a não se arriscar. Mas, mesmo este fiel irmão resolveu ir visitar o presbítero. Conforme ia entrando em sua casa, aquele homem atirou-se a ele com um facão e na sua fúria levantou o seu braço para lhe dar o golpe fatal. Reagindo quase instintivamente, o pastor caiu sobre os seus joelhos sem ligar muito ao facão e clamou: “Senhor salva este homem!” O facão passou por cima da sua cabeça e entrou na parede. E o facão quebrou-se. Foi nesse preciso instante que o espírito de arrependimento caiu sobre o presbítero. Afundando-se nos seus joelhos ao lado do pastor, ele suplicou a Deus por perdão, entregando assim a sua vida a Cristo logo ali. Este é apenas um exemplo dos resultados práticos das palavras drásticas deste evangelista.
Num curto período de tempo, de 1931 a 1935, o Dr. Sung tornou-se numa das figuras mais conhecidas da China. Os cristãos deram-lhe o apelido de “O homem que quebra o gelo”. No jornal National Christian Council, o Dr. Sung foi colocado como sendo uma das seis personalidades mais conhecidas em toda China. Este país, com muitos milhões de habitantes, nunca possuiu um evangelista com este tipo poder. Por esta razão catalogaram-no como “John Wesley da China”.
Os Frutos da sua Obra
O cristianismo no mundo ocidental e, na verdade, em todo mundo, é marcante e destaca-se precisamente devido às suas muitas deficiências. O número de conversões genuínas é muito reduzido ou quase nulo e existem mesmo pastores que durante um ministério de 40 anos ou mais nunca obtiveram uma única conversão ou um caso de confissão de pecados. De facto, as conversões são basicamente uma obra pura do Espírito Santo. No entanto, Ele usa homens como seus instrumentos para tal efeito.
A falta dessas conversões significa, também, que existirão muito poucos jovens oferecendo-se ao Senhor como conseqüência, para servirem como Seus instrumentos tanto internamente quanto no estrangeiro. A outra deficiência é a falta de recursos que acabam sempre por se evidenciar na obra cristã. Consequentemente, a igreja permanece numa mendicidade de coletas de fundos, achando-se a pedir, quando tal coisa nem deveria fazer parte dum culto. A Bíblia também é pouco lida entre os homens e os que a lêem não a entendem tal qual Deus desejaria e nem entendem o Deus a quem pertencem todos os tesouros desta terra.
Como é que este tipo de situação afetava o Dr. Sung?
Vamos tomar como exemplo as suas três campanhas missionárias nas cidades de Taipeh, Taitschung e Taiwan, na Ilha Formosa. Só no final dessas três campanhas, das quais nenhuma foi dirigida da mesma maneira que as organizações americanas o fazem através da publicidade e da emotividade, cerca de 5.000 pessoas reconheciam publicamente haver-se encontrado de forma real com o Senhor Jesus Cristo. Quatrocentos e sessenta jovens ofereceram-se para a obra missionária e cerca de 4.000 dólares entraram como ofertas espontâneas juntamente com pedras preciosas e até anéis de ouro. O Dr. Sung não ficou com nenhum centavo daquilo que recebeu. Todas as ofertas foram bem usadas na manutenção de evangelistas fundadores de igrejas e não serviu nem sequer para comprar umas linhas para coserem os seus bolsos. Este homem era totalmente indiferente ao dinheiro e o incidente que se segue é bastante elucidativo sobre isso.
Um empresário rico visitou-o e ofereceu-lhe uma enorme soma de dinheiro. O Dr. Sung nunca tinha visto o homem. Olhando diretamente e sem pestanejar para os olhos do seu interlocutor, ele disse calmamente: “O Senhor Jesus não quer nem um tostão de todo seu dinheiro. Ele só quer a sua alma”. De seguida lançou o dinheiro aos pés do homem e nunca aceitou nada dele.
Sempre que o Espírito Santo mantém as rédeas da vida numa pessoa, apenas a salvação dos homens conta e não aquilo que se pode acumular. Jesus disse: “Buscai primeiro o reino de Deus e todas essas coisas vos serão acrescentadas”.

Obra Pioneira na Indonésia

Isto foi apenas uma breve biografia sobre Dr. Sung. Ela foi aqui colocada por duas razões. Em primeiro lugar, os cristãos no mundo ocidental, para quem esse homem é completamente desconhecido, devem partilhar da glória que Deus lhe manifestou durante o seu curto período de vida. Em segundo lugar, podemos ter a certeza de que o avivamento presente na Indonésia não é o primeiro que tinha aquela autoridade duma verdadeira mensagem do evangelho dada por Cristo. As ondas de avivamento causaram grande reboliço dentro do Dr. Sung e elas tornaram-se tão poderosas nestas ilhas quanto são hoje. A única razão porque elas não se espalharam tanto quanto se estão espalhado hoje, será porque aquele servo de Deus não permanecia nestas ilhas mais que algumas poucas semanas. Também deve ser referido e lembrado que o alvo das suas campanhas missionárias dentro da Indonésia, eram as comunidades chinesas que ali vivam.
Em conjunto, o Dr. Sung visitou a Indonésia quatro vezes. Em 1935 ele evangelizou a igreja chinesa de Medan no norte de Sumatra. Esta comunidade foi inteiramente revitalizada através do seu ministério.
Em 1936 o evangelista chegou até Sarawak no norte de Bornéu. Tanto na parte britânica como na parte Indonésia desta ilha, existem grandes comunidades chinesas. A campanha deu-se em Sibu (Sarawaka). No decurso dos dez dias missionários, cerca de 1600 chineses acharam o seu caminho até Cristo e mais de 100 ofereceram-se para a obra voluntária de propagarem o reino de Deus. Acrescentando a isso, 116 comitivas foram formadas para pregarem nas vilas circundantes e levarem até lá o fogo do evangelho. Se levarmos em consideração que um evangelista europeu muitas vezes trabalha durante 40 anos alcançando resultados iguais ou inferiores a este alcançado em apenas 10 dias de campanha, logo tomaremos a consciência de que algo de muito errado se passa com estes desnutridos evangelistas ocidentais. A obra dessas comitivas que se formaram, as quais mantiveram as suas obras constantes e o seu testemunho bem vivo apesar da ocupação japonesa que se deu depois disso, é bastante significativo. A sua obra prosseguiu firme e clara mesmo no meio da confusão da guerra e das guerrilhas.
A terceira visita do Dr. Sung foi feita à ilha de Java em Janeiro de 1939. Em Setembro desse mesmo ano, ele visitou a ilha novamente, estendendo os seus esforços missionários para as ilhas Celebes e Moluccas. Já iremos falar sobre este assunto para termos uma perspectiva melhor sobre esta graça excepcional e sem igual para com este país feito de ilhas.

A Exigência Total do Evangelho

A reputação do Dr. Sung como um grande evangelista já havia alcançado Java mesmo antes da sua chegada. No entanto, todas as pessoas que se reuniram em Surabaja para a sua primeira palestra, ficaram completamente abismadas com este homenzinho pequeno, magro e vestido numa túnica chinesa pregando diante deles. Eles tinham uma imagem deste Wesley da China completamente diferente. Contudo, um sermão depois, eles mudaram de idéias, pois foi o suficiente para os levarem a reconsiderar as suas opiniões e impressões iniciais apressadas. Tudo sobre este homem simples e mal vestido era energia revitalizante e poder.
Logo na sua primeira noite foram-lhes colocadas as suas exigências que fez em nome de Deus. Discursando perante a platéia ele disse: “Eu tenho 22 mensagens para vos entregar nesta semana. Isto significa que eu tenho que fazer três cultos diários e também quer dizer que todos vós ireis ter que estar aqui presentes e assistir a todos. De outro modo nunca irão descobrir quais as mensagens que Deus teria para vos entregar para vos desafiar com elas”.
Uma murmuração generalizada ouviu-se percorrendo toda a igreja: “O que será de nós? Precisamo-nos afastar dos nossos trabalhos e virmos a igreja o dia todo?” Os pastores todos avisaram John para não ser assim tão exigente, mas o Dr. Sung persistiu como se nada fosse com ele. E ele estava certo. Os seus discursos foram tão poderosos e tão simples em seu gênero de poder que pouquíssimas horas depois não era mais necessário insistir com as pessoas para virem assistir à suas palestras. Os lojistas chineses fecharam as suas lojas todas só para virem ouvir este evangelista pregar. Eles penduravam nas portas das suas lojas avisos que diziam o seguinte: “Fechados por uma semana – estamos na campanha missionária”.
O avivamento espalhou-se mais longe ainda e com mais força. As crianças na escola deixaram de freqüentar as aulas. Eles também ficavam ali sentados o dia todo a ouvirem o Dr. Sung sem se cansarem. E os professores nem se queixaram porque também se encontravam lá todos.
Contudo, aos olhos do Dr. Sung isto não bastava. Mesmo que as ditas campanhas durassem cerca de oito horas diárias, o evangelista ainda assim instigava os jovens com as seguintes palavras: “Nem pensem que seguir o Senhor Jesus é sentir esta paz de coração somente e ficar com o coração ardendo. Existem milhões de perdidos à vossa volta que não conhecem o Senhor Jesus como vós. Ide e levem este evangelho para eles também”. Os jovens formavam comitivas organizadas em grupos de três pessoas. E saindo pelas ruas e pelos bares e locais de entretenimento que haviam freqüentado assiduamente na sua vida anterior, espalharam a mensagem gloriosa que lhes queimava o coração e transbordava para o exterior.
Durante os dias seguintes, muitos trouxeram frutos e relatos da bênção enorme com a qual Deus manifestou através das suas obras.
Esta forma de atuar em grupos e comitivas que espalhavam o evangelho na Indonésia pode ser vista já desde o tempo do Dr. Sung. O que se faz é o trabalho através de grupos.
Todos aqueles que assistiam aos seus discursos missionários em Surabaja, certamente ficavam sem tempo extra. Desde manhã até à noite ficavam absorvidos, escutando o evangelho, pregando e organizando os grupos que partiam em missões.
Mas qual era a vida diária deste evangelista que fazia exigências totais às pessoas?
O seu dia normal era levantar-se às cinco horas da manhã para orar e ler estudar as Escrituras várias horas. Então, conforme acontecia em Surabaja, às nove horas da manhã havia um culto que se destinava somente aos doentes e enfermos, o qual durava cerca de uma hora. Só depois disto chegavam as três mensagens diárias, durando um mínimo de duas horas cada. Também lhes chegavam muitas cartas as quais ele precisava responder. Porque ele passava o dia pregando, havia muito pouco tempo para fazer um trabalho pessoal de aconselhamento. Por essa razão ele encorajava os seus ouvintes a escreverem-lhe e relatarem desse modo as suas necessidades espirituais. Ele também pedia aos novos convertidos uma pequena fotografia através da qual tentaria recordá-los em oração. Quase sempre, sua hora para se deitar, era depois da meia-noite, depois de haver terminado de escrever os seus apontamentos também. Isto deixava-lhe poucas horas de sono até o seu novo dia de trabalho começar.
Mesmo após uma semana destas de evangelização haver terminado, ele não tinha pausa para descanso. Ele pregava literalmente durante quatro semanas por mês. Os seus únicos dias livres eram aqueles que passava viajando e deslocando-se de um lado para o outro.

As Pregações

O Dr. Sung não tinha como hábito basear os seus sermões num tema ou num texto apenas. Ele pregava passando os seus pensamentos pela Bíblia inteira, versículo a versículo. A sua aproximação para com cada passagem das Escrituras, contudo, era tão variada que muitos o comparariam a Spurgeon. As suas pregações eram o preciso espelho expressivo de tudo aquilo que ele experimentava nos seus estudos privados da Bíblia. Nós já mencionamos como ele queimou todos os seus livros teológicos na América catalogando-os de ‘Livros de Demônios’. Foi desde então que a Bíblia tomou o primeiro lugar na sua vida e foi também desde ai que ele ganhou o hábito de ler no mínimo de 10 ou 11 capítulos nos seus joelhos diariamente, escrevendo conscientemente em seu diário todos os pensamentos que Deus lhe trazia ao conhecimento.
No seu sermão de I Cor.13 tudo ficou claro e vívido, isto é, selado nas próprias mentes dos seus ouvintes em Surabaja. Ele ilustrou como em sua própria vida se havia tornado cada vez mais orgulhoso como resultado da sua ascensão e fama nos Estados Unidos e como agora o Senhor Jesus aproximou-se da sua alma com muito amor permanecendo para sempre a seu lado depois de se ter humilhado. Ilustrou, também, o abismo que existe entre o nosso orgulho e o Seu esperar por nós pacientemente; a nossa arrogância e a sua humildade; a nossa vaidade complicada e a sua simplicidade; a nossa ambição e a Sua negação prática; as nossas maneiras de suspeitar dos outros e a confiança que coloca no pecador; a nossa justiça própria e desleixe para com todos aqueles que estão caindo no inferno contrastando com o amor que Ele tem para com os que caem e até mesmo os que tropeçam levemente. Mesmo sendo nós a merecer a cruz, o filho de Deus em Seu perfeito amor e humildade submeteu-se a essa vergonha por causa de nós.
A mensagem do Dr. Sung chegou fundo aos corações e às consciências de seus ouvintes. Ainda hoje, trinta anos depois, os efeitos da sua primeira campanha missionária em Java são evidentes e permanecem. Muitos dos chineses ali permaneceram fiéis seguindo o Senhor desde então.
A Doutrina da Imposição das Mãos
Vamos entrar agora numa área de muitas controvérsias. Orar através da imposição de mãos é abusado de três maneiras diferentes.
Em primeiro lugar, a igreja abusa das diretivas do Novo Testamento nos doentes e enfermos (Tiago 5:14; Marc.16:17) caindo na descrença de nunca fazerem uso desta graça dada por Deus.
Em segundo lugar, o próximo uso abusivo desta doutrina pode ser achada nos grupos extremistas que impõem as mãos sobre todas as pessoas tanto apressadamente como indiscriminadamente. Em terceiro lugar, muitos espiritistas e feiticeiros copiaram esta prática para executarem vários rituais e tipos de magia através da imposição das suas mãos.
Tendo isto em conta, será que um cristão ainda pode ter a coragem de orar por uma pessoa impondo-lhe as mãos? Será que ainda existe um uso correto desta doutrina de uma forma adequada de se impor as mãos sobre alguém? Claro que sim: a maneira das Escrituras!
Mas qual é esta maneira das Escrituras na prática? O Dr. Sung dá-nos a reposta. Durante o seu primeiro culto do dia dedicado aos doentes, em Surabaja, ele lia Tiago 5:14 e passava a explicar: “Eu venho até vós como um presbítero da igreja. Venho em nome do Senhor Jesus e não em meu próprio nome. Não possuo poderes mágicos nas minhas mãos; por essa razão não esperem nada de mim, mas apenas d’Aquele que estará aqui conosco e servo de Quem eu sou”.
A coisa que mais frequentemente se esquece nos círculos evangélicos hoje era o que mais visível se tornava na mente e na prática do Dr. Sung. Ele explicava e aplicava que nunca colocaria as suas mãos sobre alguém que não se houvesse convertido realmente. Apenas sobre uma pessoa que houvesse confessado todos os seus pecados conhecidos pelo nome, ele impunha as mãos. E se não os houvessem confessado, dizia ele, que nunca esperassem resposta sob a imposição das mãos seja de quem for – mesmo que se orasse dessa forma.
O Dr. Sung também encorajava os doentes a buscarem o conhecimento profundo de que todas as curas iriam depender da vontade de Deus. Ele disse: “Eu não posso garantir que todos os doentes entre nós sejam curados. Nem o Senhor Jesus curou todos os doentes por quem passou. Nem sempre Ele estava autorizado pelo Pai a curar todos os doentes nos dias que passou pela terra. Quanto mais isto será verdade em relação aos seus servos!”
Após estes apontamentos introdutórios, os doentes eram trazidos para a plataforma um por um. Eles se ajoelhavam, ele ungia-os com óleo em nome do Senhor e orava com eles.
Nessa mesma tarde havia um culto de agradecimento no qual algumas das pessoas curadas davam os seus testemunhos sem os emocionalismos dos cultos de hoje. Muitos eram curados, de fato, de doenças gravíssimas. Um missionário escreveu mais tarde: “Muitos cegos receberam a sua visão, muitos paralíticos começaram a andar, os mudos falaram, os surdos saíram com os ouvidos abertos; mas, o melhor de tudo foi essas curas terem durado para sempre e nada de pior lhes ter voltado a acontecer”. Era comprovado que não se tratava daquele tipo de auto-sugestão ao qual viemos nos habituando através dos emocionalismos de hoje.
A parte mais marcante de todas nem era as curas dos doentes, mas antes que a maioria dessas pessoas experimentava um profundo e real preenchimento através do Espírito Santo de Deus durante estas imposições das mãos. Era a história dos atos dos apóstolos sendo repetida uma vez mais.
Aquilo que já foi dito aqui precisa ser sublinhado novamente. O Dr. Sung não pode de maneira nenhuma ficar incluído na lista dos enganadores de hoje, dos quais muitos são extremistas enganados. O seu ministério era muito sóbrio, fiel e comprovadamente baseado na Bíblia. Ele opunha-se veementemente a qualquer tipo de fanatismo e emocionalismo. Ele rejeitava línguas, sonhos e visões como prova dos movimentos do Espírito Santo, tal como qualquer exagero de emoção. No reino de Deus não necessitamos qualquer experiência paranormal, mas precisamos tão só de nos tornamos canais completamente purificados e purificantes através dos quais os verdadeiros rios de água viva possam fluir. Este era o ponto de vista do homem, o qual, ao contrário de muitos evangelistas atuais, permaneceu sempre numa envolvente, contínua e crescente abundância do Espírito Santo. De fato, aqueles sobre quem ele imponha as mãos acabavam por receber a mesma plenitude de vida que ele próprio tinha.
É precisamente por esta razão que não podemos catalogar a obra do Espírito Santo com terminologia fanática e exageros exploradores das emoções das pessoas, mas antes através de uma sobriedade bíblica muito séria e evidente. Por isso, a pessoa que rejeita o extremismo não está nem perto de estar rejeitando a plenitude do Espírito Santo. Não será através de rejeitar o extremismo que rejeitará o seu Deus. De fato, o contrário é que pode ser verdade, pois pode não existir um tropeço maior para uma verdadeira obra de Deus do que um pequeno sinal da existência de extremismo. É através disto que o Espírito Santo de Deus é impedido de operar mais que qualquer outro motivo.
O Vulcão entre os Vulcões
Depois de ter deixado Surabaja, Dr. Sung prometeu voltar lá pouco tempo depois. Os Indonésios haviam definitivamente conquistado o seu coração. Ele haveria de cumprir a sua promessa em Agosto e Setembro do mesmo ano. Começou sua segunda campanha missionária em Java com uma campanha em Jacarta. A comunidade chinesa inteira estava definitivamente mexida e atordoada com a verdade. Ninguém queria perder uma única mensagem deste pregador cuja reputação alcançou todos os povos que falavam chinês. Antes da semana terminar, cerca de 900 pessoas haviam se arrependido, abandonado seus pecados e entregando suas vidas a Cristo.
A etapa seguinte de sua campanha levou Dr. Sung a atravessar uma parte de Java entre os vulcões. Ele estava em seu elemento natural! Entretanto, em Surabaja, as preparações estavam bem adiantadas para receberem o tão desejado visitante.
Cerca de 2000 voluntários declararam sua prontidão para colaborarem na campanha e na sua preparação. A cooperação de todas as igrejas evangélicas também estavam visíveis na lista, incluindo aquelas que fizeram grande alarido crítico contra a sua primeira missão. Acima de tudo, toda juventude estava numa enorme expectativa de esperança real. O Dr. Sung havia-se tornado no homem mais querido, no seu homem modelo. Na maior praça da cidade uma enorme “sala” foi improvisada. Um gigantesco teto de folhas de palmeiras garantiam a proteção contra sol e a chuva, mas mesmo assim o espaço tornou-se pequeno demais.
No decorrer da semana cerca de 5000 pessoas assistiam diariamente aos discursos do evangelista. Milhares tomavam os seus lugares por volta das oito horas da manhã para poderem garantir um lugar onde permaneciam até as onze horas da noite, até quando a última das três ou quatro mensagens diárias terminassem. Eu nunca ouvi falar e nem assisti em toda minha experiência de vida uma campanha desta envergadura e nem mesmo Billy Graham conseguiu tal feito. As pessoas assistiam entre 10 e 15 horas diárias de pregações da palavra de Deus durante dez dias seguidos. Somente o Espírito Santo poderia ser responsável por tal evento. Os melhores meios de publicidade nunca poderiam tornar possível tal organização de eventos similares com resposta tão efusiva e tão entusiasta duma fome enorme pela palavra de Deus.
A sociedade bíblica local esgotou todas as Bíblias que possuía vendendo tudo, incluindo os Novos Testamentos, apesar de todos os cuidados terem sido tomados para terem o suficiente para a campanha. Os 5000 hinários que possuíam esgotaram-se rapidamente, o que obrigou uma nova tiragem no mais breve espaço de tempo possível.
O Dr. Sung pregou a partir do Evangelho de S. Marcos, o que serviu o propósito preparar as novas comitivas evangelisticas que iam sendo enviadas. Os resultados finais da campanha de dez dias, foi a fundação de cerca de 500 destes grupos de evangelização, os quais invadiram todo território de Java espalhando a mensagem do evangelho por todos os cantos.
Um dos intérpretes do Dr. Sung, um pastor de Malang, disse: “Não havia nada de extraordinário nas pregações e no estilo do Dr. Sung. O seu repertório de sermões não era muito vasto sequer. As suas apresentações das mensagens eram frequentemente tão simples que qualquer criança as entenderia, mas um grande poder de convicção brotava a partir deste homem. Eu, como seu intérprete, pude sentir os efeitos da verdade dentro de mim próprio duma maneira excepcional”.
Parece até poético dizer isto, mas esta comparação justifica-se plenamente: Dr. Sung pregava entre os vulcões de Java e era um homem feito do mesmo fogo e molde. Uma vez ele disse sobre ele mesmo: “Existem muitas pessoas melhores que eu. No tocante à exposição das Escrituras, eu nunca igualarei a Watchman Nee. Como pregador nunca serei como Wang Mingtao. Como escritor, nunca serei comparável a Marcus Cheng. Mas, num ponto apenas consigo ultrapassá-los todos em conjunto: eu sirvo meu Deus com todas as fibras do meu corpo e com cada pedaço de força e energia que possuo. Não sobra nada de mim que não pertença a Deus e que Deus não use”. O Apóstolo Paulo não disse o mesmo dele próprio? “Eu trabalhei mais abundantemente que todos eles juntos”, I Cor.15:10.
De que maneira poderíamos afirmar estas mesmas coisas sobre Dr. Sung? Depois de termos ouvido um pouco sobre a sua rotina diária, podemos agora apercebermo-nos de como o seu labor esgotava todas as forças que ainda possuía.
Durante um longo período de tempo os seus amigos mais chegados aperceberam-se que ele estava doente. Eles o aconselharam-no a buscar tratamento médico ao que ele respondeu: “Eu não tenho tempo para isso eu preciso muito pregar o evangelho! Não dá tempo!” Durante a última palestra da campanha em Surabaja as dores na sua coxa tornaram-se insuportáveis ao ponto dele não conseguir mais ficar em pé para pregar. Mandou buscar um banco para ele, sobre o qual se ajoelhou. Ele pregou sobre os seus joelhos. Disse mais tarde: “As dores só paravam quando eu orava ou pregava, assim que terminasse elas voltavam”.
Surabaja foi o ponto alto de toda obra do Dr. Sung na Indonésia. Como os cristãos e os malaios ficavam atentos e agarrados a cada palavra vinda dos seus lábios! Quando ele deixou a cidade, no dia 30 de Setembro de 1969, centenas de pessoas ficaram em pé cantando-lhe uma despedida emocionante. Alguns missionários católicos em cima dum barco olhavam aquela multidão em uníssono com muita admiração. Eles perguntavam-se entre si quem seria aquela pessoa tão importante assim. Mas, a única pessoa que eles viram saindo foi um pequeno e insignificante homem chinês curvado debaixo das dores do seu corpo doente.
Naturalmente que muitas vozes de boas intenções se levantarão perguntando: Por que é que ele não se poupou? Por que não seguiu os conselhos de Paulo que dizia que um corpo saudável é algo de grande proveito? Por que razão este homem se martirizou a ele mesmo e não se cuidou?”
As respostas são difíceis de achar. É verdade que estas objeções se aplicam a todos os obreiros no reino de Deus, mas será que existe algum bom senso em dizer a um vulcão ativo: “Por favor podes parar de enviar fumaça para o alto e cinzas para os céus? Podes parar de lançar lava do teu interior?” Nenhum vulcão obedeceria a tais instruções. E o Dr. Sung era um vulcão por natureza.
O Profeta
O Dr. Sung não tinha como ser restringido e isto era certamente o plano de Deus para a sua vida. Em retrospectiva, isto pode ser afirmado com toda segurança. Este homem de Deus vivia sob uma permanente impressão de que precisava apressar-se: “Eu tenho tão pouco tempo”. E certamente que isso era uma verdade, pois ele faleceu aos 43 anos de idade e foi para casa para estar para sempre com o Senhor.
No tocante à política, ele também dizia que lhe restava pouco tempo. Em Surabaja ele uma vez disse profeticamente: “Guerras e tempos de perseguição virão sobre vós”. E como estas palavras vieram a cumprir-se! Ele sabia que tinha pouco tempo! A Indonésia foi ocupada durante dois anos pelos japoneses logo após isso. Surgiram as lutas para a independência contra os holandeses que descrevemos anteriormente, seguindo-se mais tarde o conflito sangrento com os comunistas, o qual dizimou cerca de 1.000.000 de vidas. E o pior de tudo foi o caos causado pela guerra através do qual surgiram as perseguições contra os cristãos de Sumatra, Leste de Java e outras áreas deste grande arquipélago.
E não menos importante, Dr. Sung sentia a aproximação da segunda vinda de Cristo. Ele pregava continuamente sobre este fato e lutava arduamente, preparando os cristãos para que eles fossem achados prontos para receberem seu Senhor.
A sua última mensagem à igreja, a qual ele deu pouco tempo depois da sua campanha na Indonésia, foi: “A obra do futuro aqui será a obra da oração”. Estas palavras também foram verdadeiramente proféticas.
Como chinês, Deus também lhe havia mostrado que na China e um pouco por todo mundo as portas se iriam fechar para o evangelho. Na China atual as portas estão realmente fechadas (*NOTA: este livro foi escrito na época e no auge do comunismo) e outros países encontram-se na senda de fazer o mesmo. Com a vinda do anticristo, a onda de perseguições terá a tendência apenas para aumentar.
Instigado e impulsionado pelo Senhor Jesus a partir do seu coração e não dando qualquer valor a sua própria vida, o Dr. Sung esgotou-se por completo queimando tudo que era ao serviço do seu Rei que ele achava que em breve viria. Na verdade, ele sempre teve uma grande esperança de poder morrer enquanto estivesse pregando no púlpito.
Para além deste lado profético da sua vida, temos ainda um assunto meramente humano para mencionar. O Senhor necessitava de ensinar ao seu servo a sua última lição: A arte do sofrimento. Seguindo-se a um exame médico em Xangai, os médicos detectaram tuberculose nos pulmões e um câncer. Uma escola interminável de dor e agonia combinou-se com as três cirurgias que se seguiram.
O Dr. Sung entendeu isso como o jeito de Deus para com ele. Ele disse: “Deus precisa derreter todo meu temperamento impulsivo e teimoso nas caldeiras da dor”. Isso foi precisamente o que aconteceu com ele. Durante o seu sofrimento ele perdeu por completo o seu jeito brusco de expressar-se e tornou-se o homem mais paciente, mais afável, quente e compassivo.
Vendo a morte aproximar-se, ele disse: “O Senhor Jesus está ali na porta esperando por mim para levar-me com Ele”. E isso também aconteceu assim. Poucas horas depois destas suas últimas palavras, ele foi levado para o céu.