26 de setembro de 2015

O Expulsivo poder de uma nova Afeição PARTE DOIS

O Expulsivo poder de uma nova Afeição
PARTE DOIS ----Thomas Chalmers (1780-1847)
Thomas Chalmers (1780-1847) foi o mais famoso dos grandes pregadores  que a Escócia produziu. Chalmers está agora reduzido a uma mera nota de rodapé no evangelicalismo americano, uma triste recordação deste inigualável Scoth.

 Chalmers e seu mais conhecido sermão
O Expulsivo poder de uma nova afeição



Não cessemos então de usar o único instrumento de operação poderosa e positiva, para acabar com o amor do mundo dentro de nós. Vamos tentar todos os métodos legítimos para desenvolver em nossos  corações o amor por Jesus, que o único verdadeiro amor que pode expulsar todos os falsos amores que brincam com nossas emoções e nos levam a tristeza e a dor. 
 

Para este efeito, vamos afastar a mortalha da incredulidade que escurece o rosto da Divindade. 

Antes que o homem natural tenha um encontro com Cristo,  a crucificação do velho homem, e a ressurreição de um novo homem em seu lugar, estão em oposição tão grande que a bíblia descreve esta cena na mente incrédula como uma loucura. O incrédulo literalmente pensa que os crentes são realmente loucos ou retardados para acreditarem em uma teoria tão irracional e contrária a natureza e estrutura do raciocínio humano.

O Evangelho é loucura para os que o vêem Através dos olhos mortos da razão. Não é de se admirar se eles sentem que a obra do Novo Testamento está além de suas forças. Eles não vêem o amor de Deus ao enviar o seu Filho ao mundo. Eles não percebem  a expressão de Sua ternura aos homens, em poupá-los da morte eterna, ainda que a mereçam e enviando Jesus para receber o salário do pecado em nosso lugar. Eles não vêem a suficiência da expiação, ou os sofrimentos daquele que suportou o fardo que os pecadores deveriam carregar. Eles não vêem a santidade misturada a compaixão da Trindade, onde nosso Deus passou por cima das transgressões de Suas criaturas, não lhes imputando pecado algum, mas lançando todas as transgressões do homem sobre Cristo no Calvário.
 
É um mistério para eles, como um homem pode ser participante da natureza e da piedade de Deus. Eles não conseguem acreditar que Deus se manifestou em carne.

POR CAUSA DISTO, eles não podem DEIXAR seus antigos afetos, porque eles CRÊEM NAS BOAS NOVAS QUE SÃO CAPAZES DE TRAZER UMA NOVA VIDA E UM NOVO AMOR.

Quando lhe dizem para amar a Deus supremamente, isso pode lhe assustar muito; mas não vai assustar a quem Deus foi revelado em paz, e em verdade.
Quando lhe dizem para calar o mundo em seu coração, isto
pode lhe parecer impossível porque  não tem nada para substituí-lo, mas não é impossível para aquele, que tem encontrado a Deus como Pai e a Jesus com Senhor e Salvador.
 
Quando lhe dizem para não olhar para as coisas que se vêem e que são temporais, eles nunca conseguem, porque há uma parede de separação. Mas aquele que crê que Cristo, já derribou este muro, e se encontra em uma radiante comunhão com o  Espírito Santo dentro dele. Ele agora olha avante com fé para as coisas que são invisíveis e eternas.

Diga a um homem para ele ser santo enquanto ele tem uma irmandade com o desespero e verás quão vão é  o teu pedido. É a expiação da cruz, 
conciliando a santidade do legislador com a segurança do agressor, que torna possível a santidade no coração do pecador.

A melhor maneira de expulsar uma afeição impura é admitir uma outra pura; É o amor pelo que é santo, justo e bom, que expele o amor pelo que é mundano, mal e profano em nosso ser. 

Assim, quanto mais livre for o Evangelho, mais santificador ele é.
 
E quanto mais ele for recebido como uma obra da graça, como um favor imerecido, como um presente não comprado, maior será o amor manifestado pelo Espírito de Deus, pois a quem muito foi perdoado, também muito amou.
 
Este é um dos segredos da vida cristã, que, quanto mais um homem depende de Deus como um pensionista, como um avalista, como um mantenedor,  maior é o pagamento do serviço que ele prestará de  volta. 
 
No ensino da doutrina do mérito do homem para ganhar o céu, que diz "Faça isso e viva para sempre", a criatura se esforça para ser aceita pelo  seu Criador, mas o que acontece de fato é,que ela  busca o seu próprio egoísmo, em vez da glória de Deus; 

É somente através do Evangelho, quando o homem adquire, sem dinheiro e sem preço, a salvação, é  que a sua segurança em Cristo  é colocado além do alcance das perturbações.


A salvação pela graça, sem nenhum mérito do homem, não de obras, mas de acordo com a misericórdia de Deus, é o fundamento mais indispensável para a libertação do nosso coração.

Manter um único pingo ou fragmento da legalidade acrescida no evangelho, significa levantar uma ponta de  desconfiança na obra de Deus e no seu plano redentor.

Acrescentar qualquer coisa no evangelho que não seja a graça de Deus é tirar  o poder do Evangelho e reduzi-lo a uma mera doutrina humana.

E nada faz o pecador encontrar dentro de si mesmo,  um tão poderoso agente de transformação moral, como a crença de que ele é salvo pela graça.  Ele se sente  assim tão constrangido, que não pode mais confiar em si mesmo, depois de descobrir que foi aceito por Deus, não por obras suas, mas pela obra de outro, isto é pela obra de Cristo na Cruz.


Nós não sabemos de nenhuma outra maneira de manter o amor do mundo fora do nosso coração, a não ser manter em nossos corações o amor de Deus. Essa negação do mundo  não é possível ao que discorda do  Evangelho.
Para tentar fazer isso sem fé, é o mesmo que  trabalhar sem a ferramenta certa e sem  o instrumento adequado. Mas a fé opera pelo amor; e a maneira de expulsar do coração o amor que transgrediu a lei é admitir o amor que cumpriu a lei.
Andar na graça é como se descobríssemos um outro mundo, além desse nosso mundo, muito melhor, mais verde, mais intenso, mais colorido, mais vivo, mas para ir para lá tivéssemos que trocar de nome, de identidade, abandonar nossa cidadania, nossos costumes, nossas tradições, nosso ponto de vista e nossa própria vontade e nos habilitássemos a um tipo de reeducação, onde teríamos de realinharmos todo nosso pensamento e sentimentos para sermos cidadãos desse novo mundo, com um novo passaporte, uma nova foto, um novo nome, uma nova vida. A única coisa que precisaríamos é de um “exponsor”, de um garantidor, de um avalista, de alguém que já fosse morador desse novo mundo e nos indicasse e pagasse as despesas para adquirir esta nova nacionalidade. Este mundo existe, é o reino de Deus, Este representante desta nova raça é Jesus Cristo, o segundo Adão e essa pessoa que esta sendo convidada é você e eu. Você aceita este convite?