21 de setembro de 2015

THOMAS CHALMERS O EXPULSIVO PODER DE UMA NOVA AFEIÇÃO

 Expulsivo poder de uma nova Afeição
Thomas Chalmers (1780-1847)
Thomas Chalmers (1780-1847) foi o mais famoso dos grandes pregadores  que a Escócia produziu. Chalmers está agora reduzido a uma mera nota de rodapé no
Evangelicalismo americano, uma triste recordação deste inigualável Scoth.

 



 Chalmers e seu mais conhecido sermão
O Expulsivo poder de uma nova afeição
O intuito desta mensagem é  rejeitar o moralismo, e fugir para o Evangelho, que é a nossa única esperança na vida e morte, deixando o poder transformador do Evangelho nos mudar, e não as nossas vãs tentativas de "ser bom".

"Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. "- 1 João 2:15
 
Um moralista não terá êxito em deixar o seu Amor pelo Mundo. Amores mundanos precisam ser substituídos pelo poder muito maior do amor de Cristo demonstrado no Evangelho.
Há duas maneiras em que um moralista hipócrita pode tentar tirar de seu coração o amor que ele tem pelo mundo.
1-   Tentar tirar o mundo de sua mente e de sua vida, provando para si mesmo que o mundo jaz no maligno
2- Estabelecer um outro amor concorrente ao amor pelo mundo que é o amor ao próprio Deus, isto é trocar o amor antigo pelo amor novo.

Meu objetivo aqui é mostrar, que por causa de nossa natureza, o primeiro método é totalmente incompetente e ineficaz e jamais cumprirá o seu propósito de resgatar o coração do caminho errado. 
 
Depois de ter realizado este propósito, vou tentar algumas observações práticas.
O amor pode ser considerado em duas condições diferentes.
A primeira é que, quando ele  o amor é semelhante ao desejo.
A segunda é, quando o amor é indulgente.

Sob o impulso do desejo, o homem corre para a sua satisfação. As faculdades da sua mente são colocadas na direção constante da realização de conseguir aquilo que ele gosta e admira; e os poderes do seu corpo estão muito longe de uma indolência, podendo ele passar por longas  horas de cansaço e desgosto, sem contudo desanimar, pois tem em sua mente que o esforço pelo sacrifício vale a pena.
 
De  maneira que, se, caso o objeto de desejo fosse removido é como que se  o motor da máquina fosse desligado, e todo o sistema carnal fosse  danificado e perdesse o seu poder sobre o homem.

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A miséria de tal condição é muitas vezes explicada  por
quem é aposentado das suas ocupações. Tal é a demanda da nossa natureza por um sonho de consumo, que depois que o próspero comerciante, o rico empresário chegam ao fim de suas carreira e se aposentam, começam a definhar, ficar doentes e terem depressão. Não há mais por que levantar cedo e trabalhar até a noite, pois  o amor pelo objeto de desejo acabou.
 
É vão e tolo todo esforço de tentar tirar um ideal de alguém sem fornecer outro que fique em seu lugar. Alguém que é apaixonado por carros, não vai deixar de ser se outra paixão não surgir em seu lugar.

Apresentar um novo amor, um novo afeto é sempre melhor do que simplesmente tentar abandonar uma velha afeição. Tentar acabar com um amor por algo errado sem suplantá-lo  por algo melhor nunca é sábio
O poder ascendente de um segundo carinho vai fazer, o que nenhuma exposição da loucura e inutilidade do primeiro, jamais poderia efetuar. 
 
E é do mesmo jeito que devemos lutar contra o amor pelo mundo em nosso coração.

É bastante em vão tentar fazer um homem parar de  amar o mundo, sem  dar a ele um outro amor maior e mais prazeroso.
 
Não basta, portanto, dissipar o encanto do mundo, por uma palavra eloqüente, apontando todos os seus erros e perigos. Temos que fazer o olho da alma se voltar para um outro objeto, com um encanto  poderoso o suficiente para desapropriar todas as qualidades daquele primeiro amor doente e contaminado.

Por isso todo o discurso sobre a insignificância do mundo é patético se não apresentarmos algo que possa ter mais significado, algo que possa valer mais a pena do que o mundo e os seus desejos.

Então o desejo presente de apego pelas coisas desta terra, não é para ser eliminado simplesmente  e destruído, mas deve ser substituído  por outro  outro  desejo melhor.

Estas observações não se aplicam apenas ao amor considerando o seu estado de desejo por um objeto ainda não obtido, mas também se aplica ao amor considerado  em seu estado de indulgência, ou gratificação plácida, com um objeto já  adquirido. 
 

O que não pode ser destruído pode ser desapossado
e um gosto pode dar lugar a outro, e perder o seu domínio de afeição na mente.
Por isso, a juventude deixa de idolatrar o prazer,  porque o ídolo da riqueza tornou-se o mais forte e obteve a ascensão em seu coração e depois  até mesmo o amor ao dinheiro deixa de ter o domínio sobre o coração de muitos, quando é arrastado por propensões políticas ou pela fama. Outra afeição foi forjada em seu sistema moral.
 
Quando um prazer é arrancado de nosso coração e outro prazer não é colocado em seu lugar, ele  deixa um vazio e um buraco tão doloroso para a mente, como a fome é para o sistema natural. A pessoa passa ter a sensação  de abandono  e tristeza e de que ele estaria vivendo  para nada, sem razão de viver e  o peso de sua própria consciência, deixariam a sua vida intolerável. 

 O CORAÇÃO PRECISA TER ALGO EM QUE SE AGARRAR ou  nunca, por seu próprio consentimento vai se livrar de suas antigas paixões.

A indulgente falta de interesse pelas coisas, o viver sem um ideal, o caminhar sem ter um sonho, produzem grande miséria em um coração,  assim, desprovido de todo o gosto por aquilo que antes tinha e agora se acabou, a vida dessa pessoa vai se tornando cada vez mais entediada, a ponto dele perder o amor pela vida, ainda que seja um mundano. Quando um mundano consegue tudo o que quer e não consegue amar apaixonadamente coisa alguma, então o que resta para ele é a depressão, a loucura, o isolamento ou em casos mais graves o suicídio. A ÚNICA ESPERANÇA PARA ALGUÉM ASSIM É ENCONTRAR UM NOVO AMOR.


A doença de tédio é a mais freqüente na metrópole francesa, onde diversões são exclusivamente a ocupação das classes mais altas, do que é na metrópole britânica, onde os anseios do coração são mais
Diversificados  pela variedade de negócios e na política. 

Há aqueles,  por exemplo,  que são consumistas de roupas e calçados. Depois de se tornarem vítimas dessa paixão,  chegará um dia em que comprar roupas e calçados não mais os satisfarão porque  foi finalmente extinto o poder de apreciação e  gratificação que aquelas compras lhes proporcionavam. Então eles falarão como Salomão que “tudo é vaidade e aflição”
 
O homem cujo coração assim foi transformado em um deserto, pode atestar a dor insuportável que deve acontecer, quando a afeição por alguma coisa é  arrancada de sua vida, sem que seja colocada outra para substituí-la. 

Não é necessário que um homem tenha uma vida de miséria e dor  a fim de se tornar infeliz. É apenas  suficiente ele perder o amor pelas coisas pela qual ele luta e trabalha para conquistar, que a sua própria natureza se encarregará de levá-lo ao lugar do desespero da alma.

A palavra de Deus nos ensina figurativamente que um quando um homem forte, faz residência em um lugar não se afastará do lugar que conquistou a  menos que outro mais forte do que ele, venha e  o tire de lá.

Você já ouviu falar que a natureza abomina o vácuo. Assim também é a  natureza do coração, que quando se depara por uma perca de algo que lhe é estimado, entra em um processo de morte emocional, muitas vezes fatal.
 

 Então, para arrancar o domínio de um vício, de um pecado oculto ou de um mau hábito em nosso coração a única maneira é arrumar um poder mais forte que o vício, que o pecado oculto e que o mal hábito para desalojar a paixão antiga e SUBSTITUÍ-LA POR UM NOVO AMOR.

O mundo é o lar do homem natural, que ainda não nasceu de novo. Ele não tem um gosto nem um desejo que não aponte diretamente para o sistema mundano. Não há absolutamente  nada espiritual em um homem nascido de Adão. Tudo o que ele ama  e deseja estão na esfera deste mundo. Ele não ama nada acima dele, e ele não se preocupa com nada além dele; e dizer para ele parar de amar  o mundo, é como passar uma sentença de expulsão
em todos os seus desejos e sonhos internos.

Para estimar a magnitude e a dificuldade de tal entrega, vamos pensar apenas na árdua missão que vamos ter em convencer um homem não cristão a para de amar as  riquezas, que são apenas uma das coisas do mundo. Seria como pedir a ele para por fogo em sua própria casa. Evidentemente que jamais ele iria concordar com tal idéia ainda que fosse para salvar a sua vida, ele ainda iria se relutar em seu interior. Mas, ele faria isso de bom grado, se lhe fosse garantido que teria uma nova propriedade de valor dez vezes maior da que tinha atualmente.


Não é suficiente apenas compreender a inutilidade do Mundo; Mas deve o discípulo valorizar a preciosidade das coisas de Deus
O amor do mundo não pode ser apagado por uma mera demonstração da inutilidade do mundo.
Mas ele será apagado quando a dignidade e sublimidade do amor de Cristo for claramente demonstrada.
 
O coração não pode ser levado a cortar relações com o mundo, através de um simples ato de renúncia. 
Se existe um trono no EGO, ele deve ter um ocupante,  um tirano que até agora reina e ocupa injustamente o centro de todo coração incrédulo, e o nome dado a este ser é “ homem natural, carne, velho homem, velha natureza, natureza não regenerada, ego, vontade própria” entre outros.

E este tirano não sairá de lá se simplesmente receber uma ordem, ainda que seja uma ordem com autoridade espiritual. Mas quando surgir na mente humana a certeza e a convicção de que um novo Senhor e Rei, com muito mais capacidade, excelência, sabedoria e poder pode reinar sobre nossas vidas então a fé se torna viva e o homem começa a dar lugar para Deus reinar em seu coração.

Então o Espírito Santo começará a expulsar o velho morador e destruir o velho coração, colocando um NOVO EM SEU LUGAR.


Por isso o amor por Deus e o amor pelo mundo são irreconciliáveis. E essa verdade, irá sempre desencadear o encanto que acompanha a pregação eficaz do evangelho. O amor de Deus e o amor do mundo, são duas afeições, não apenas em um estado de rivalidade, mas em um estado de inimizade e que são tão inconciliáveis, que eles não podem habitar juntos no  mesmo coração.
 

Então, temos que a expulsão do amor pelo mundo em nosso coração, surge em primeiro lugar no processo de regeneração espiritual. Isto é, quando  o nosso espírito é libertado da escravidão do pecado e da  morte  através da fé que há em Cristo Jesus, o Espírito de Adoção é derramado sobre nós, e então nosso coração, é colocado sob o domínio do grande amor de Deus. E é esse domínio de Cristo que expulsa o amor pelo mundo de nossa alma.