11 de abril de 2015

O pensamento de Martinho Lutero


 


O melhor nome pelo qual podemos pensar em Deus é Pai. É um nome amoroso, profundo, doce, tocante, pois o nome de pai é, por natureza, repleto de doçura e conforto inato. Assim, também precisamos confessar que somos filhos de Deus, porque por esse nome tocamos nosso Deus de forma mais profunda, já que não existe som mais doce ao pai do que a voz do filho.


Da mesma forma como vamos até o berço tão-somente para encontrar um bebê, também recorremos às Escrituras apenas para encontrar Cristo.
 

A Bíblia é viva, ela fala comigo: tem pés, corre atrás de mim; têm mãos, ela sustenta-me.

A compreensão adequada das Escrituras só ocorre por meio do Espírito Santo.

A liberdade cristã apresenta dois princípios – primeiro: O cristão é SENHOR – ele é o mais livre dos homens e não está sujeito a ninguém; segundo: o cristão é SERVO – é o Servo – é o que tem mais deveres para com os outros e está sujeito a todos. Livre de todos os homens, para ser servidor de todos, eis o fundamento da liberdade cristã. 
A mentira é como a bola de neve: quanto mais rola, tanto mais aumenta.
A música é o melhor refrigério para um desconsolado: por sua causa o coração serena, reconforta-se e renova-se.
A oração é o suor da alma.
De trabalho não há quem morra. De ociosidade sim, porque o homem nasceu para trabalhar como a ave nasceu para voar.


Deus cria a partir do nada. Portanto, enquanto o homem não se reduzir a nada, Deus não poderá fazer nada com ele.
Deus é um forno ardente tão cheio de amor que todo o céu e toda a terra estão envolvidos pelo seu calor.
Deus está mais perto de nós quando pensamos que está bastante distante. 
Deus põe a sua marca em todos quantos Lhe obedecem.
Deus é Castelo Forte e Bom.


Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para a que há de vir.
Minha consciência é escrava da Palavra de Deus. Não desanimes ante uma batalha perdida. Resta-nos sempre a força da oração de onde nascem a esperança e um espírito de resoluta resistência.
Não pode deixar de existir a desigualdade das pessoas. Algumas têm de ser livres, outras servas, umas dirigentes, outras dirigidas.
Não voltar a fazer determinada coisa é a essência do mais verdadeiro arrependimento.
Nas Escrituras, cada florzinha é uma campina.
O pecado é como a barba, reproduz-se, e é preciso cortá-lo continuamente.

Minha consciência é escrava da Palavra de Deus.
 Deve-se doar com a alma livre, simples, apenas por amor, espontaneamente!
Se o negócio do sapateiro é fazer sapatos, o negócio do cristão é orar.
Eu segurei muitas coisas em minhas mãos, e perdi todas elas, mas o que eu tenho colocado nas mãos de Deus, eu ainda possuo.

Os que se amam profundamente, jamais envelhecem; podem morrer de velhice, mas morrem jovens.”
( Martinho Lutero )


“O mundo é como um camponês embriagado; basta ajudá-lo a montar sobre a sela de um lado para ele cair do outro logo em seguida. “


“A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço.”
( Martinho Lutero )


“Jamais alguém se arrependeu de ter-se acostumado a madrugar e a ter-se casado jovem.”


“No casamento, cada pessoa deve realizar a função que lhe compete. O homem deve ganhar dinheiro, a mulher deve economizar.”
( Martinho Lutero )


“Nada se esquece mais lentamente que uma ofensa e nada mais rápido que um favor.”


“Cada coisa que é feita no mundo é feita pela esperança.”
( Martinho Lutero )



No cárcere, sentenciado pelo Papa a ser queimado vivo, João Huss disse: "Podem matar o ganso (na sua língua, 'huss' é ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar". Enquanto caía a neve, e o vento frio uivava como fera em redor da casa, nasceu esse "cisne", em Eisleben, Alemanha, ele recebeu o nome de Martinho Lutero. Cento e dois anos depois de João Huss expirar na fogueira, o "cisne" afixou, na porta da Igreja em Wittenberg, as suas noventa e cinco teses contra as indulgências, ato que gerou a Grande Reforma. João Huss enganara-se em apenas dois anos, na sua predição.
 


Para dar o valor devido à obra de Martinho Lutero, é necessário notar algo das trevas e confusão dos tempos em que nasceu. Calcula-se que, pelo menos, um milhão de albigenses foram mortos na França, a fim de cumprir a ordem do Papa, para que esses "hereges" fossem cruelmente exterminados. Wyclif, "a Estrela da Alva da Reforma", traduzira a Bíblia para a língua inglesa. João Huss, discípulo de Wyclif, morrera na fogueira, na Boêmia, suplicando ao Senhor que perdoasse aos seus perseguidores. Jerônimo de Praga, companheiro de Huss e também erudito, sofrera o mesmo suplício, cantando hinos, nas chamas, até o último suspiro. João Wessália, notável pregador de Erfurt, fora preso por ensinar que a salvação é pela graça; seu frágil corpo fora metido entre ferros, onde morreu quatro anos antes do nascimento de Lutero. Na Itália, quinze anos depois de Lutero nascer, Savonarola, homem dedicado a Deus e fiel pregador da Palavra, foi enforcado e seu corpo reduzido a cinzas, por ordem da Igreja Romana. Em tempos assim, nasceu Martinho Lutero. Como muitos dos mais célebres entre os homens, era de família pobre. Dizia ele: "Sou filho de camponeses; meu pai, meu avô e meu bisavô eram verdadeiros camponeses". Antes de completar vinte e dois anos, dirigiu-se ao convento dos agostinianos e bateu. A porta abriu-se e Lutero entrou. O professor admirado e festejado, a glória da universidade, aquele que passara os dias e as noites curvado sobre os livros, tornara-se irmão agostiniano! O mosteiro dos agostinianos era o melhor dos claustros de Erfurt. Seus monges eram os pregadores da cidade, estimados por suas obras entre os pobres e oprimidos. Nunca houve um monge naquele convento mais submisso, mais devoto, mais piedoso, do que Martinho Lutero. Submetia-se aos serviços mais humildes, como o de porteiro, coveiro, varredor da igreja e das celas dos monges. Não recusava mendigar o pão cotidiano para o convento, nas ruas de Erfurt. Quão grande, porém, era a sua ilusão. Depois de procurar crucificar a carne pelos jejuns prolongados, pelas privações mais severas, e com vigílias sem conta, achou que, embora encarcerado na sua cela, tinha ainda de lutar contra os maus pensamentos. A sua alma clamava: "Dá-me santidade ou morro por toda a eternidade; leva-me ao rio de água pura e não a estes mananciais de águas poluídas; traze-me as águas da vida que saem do trono de Deus!"

Certo dia Lutero achou, na biblioteca do convento, uma velha Bíblia latina, presa à mesa por uma cadeia. Achara, enfim, um tesouro infinitamente maior que todos os tesouros literários do convento. Na leitura da Bíblia achou grande consolação, mas a obra não podia completar-se em um dia. Ficou mais determinado do que nunca a alcançar paz para a sua alma, na vida monástica, jejuando e passando noites a fio sem dormir. Gravemente enfermo, exclamou: "Os meus pecados! Os meus pecados!" Apesar da sua vida ter sido livre de manchas, como ele afirmava e outros testificavam, sentia sua culpa perante Deus, até que um velho monge lhe lembrou uma palavra do Credo: "Creio na remissão dos pecados". Viu então que Deus não somente perdoara os pecados de Daniel e de Simão Pedro, mas também os seus. sua alma porém anelava pela Palavra de Deus, e pelo conhecimento de Cristo.. Sua alma ardia com o fogo dos céus; de todas as partes acorriam multidões para ouvir os seus discursos, os quais fluíam abundante e vivamente do seu coração, sobre as maravilhosas verdades reveladas nas Escrituras.