11 de setembro de 2017

Adhemar de Campos / Entrevista com um dos últimos músicos que valem a pena

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Entrevista com um dos últimos músicos que valem a pena

Como e quando foi sua conversão?
 ADHEMAR - Lembro-me como se fosse hoje. Era um sábado de carnaval e fui participar de um acampamento de jovens a convite de minha mãe; não sabia o que ia encontrar lá, eu não tinha convivência com igreja evangélica. Quando vi aquele ambiente de música e alegria, por ser músico, aquilo me fisgou. No segundo dia, quando a missionária Mary Johnson fez o apelo, trouxe uma palavra sobre Cristo, eu fui à frente e tive um encontro maravilhoso com Jesus. A partir daí comecei a congregar, me batizei e tive experiências com o Espírito Santo. Comecei a compor com dois meses de conversão. Nunca mais parei. São 43 anos que me encontro sob uma fonte inesgotável.
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 Existe alguma música em especial que marcou sua vida?
ADHEMAR - Em 1988, quando gravei a canção “Nosso General”, ao chegar em casa vindo do estúdio coloquei uma fita para minha família ouvir. Naquele dia meu filho estava enfermo, na cama e, ao ouvir aquele louvor, de repente colocou-se em pé e começou a saltar. No dia seguinte, ele estava curado completamente!
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Hoje se fala muito sobre adoração profética. Qual sua opinião sobre o esse termo e se existe alguma diferença em relação à adoração tradicional?

ADHEMAR - Adoração sempre é para Deus e a profecia sempre é para o homem. Leia Mateus 4:10 e I Coríntios 14:3. No ambiente de culto e adoração a Deus, onde a presença de Deus se manifesta em meio aos louvores, é quando nasce a inspiração profética que pode fluir através de um cântico, de um tema instrumental, de uma oração, de um texto da palavra ou de uma mensagem falada (I Coríntios 14:24,25)

E sobre "profetizar com instrumentos?” 

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ADHEMAR - A questão é se quem toca o instrumento tem o perfil de adorador, de profeta. Para ministrar com qualquer instrumento, primeiramente é preciso ser profeta.

Profeta é aquele que ama, guarda, vive e proclama a palavra (II Timóteo 2:15). Essa experiência aliada ao dom musical permite que o profeta mnistre com sua voz ou seu instrumento profeticamente inspirado, como vemos em II Reis 3:15.
Na verdade, o instrumento é apenas um canal pelo qual o profeta transmite o que está recebendo de Deus.

Como o senhor administra sua agenda de viagens para ministrar em outras cidades com a necessidade de estar participando da igreja local?
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ADHEMAR - Todo músico deve preservar o vínculo com a igreja local.
No meu caso, apesar de viajar e sair muito, estou ligado à igreja local, faço parte de uma equipe pastoral que se reúne semanalmente para oração e compartilhamento. 

 
Qual a sua opinião sobre a cobrança de “cachês” pelos cantores evangélicos para se apresentar nas igrejas?

ADHEMAR - Penso que esse não é o melhor caminho. Por outro lado, é  justo que as igrejas  assumam um compromisso com aqueles a quem convidam.
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*Pastor Adhemar, você está um pouco ausente dos eventos e apresentações nos últimos meses. O que te levou a separar esse tempo?
Separei um tempo pra me reciclar e descansar. Foi e tem sido muito proveitoso, a ponto de desejar repetir oportunamente essa experiência que recomendo a todos que têm uma atividade intensa na obra de Deus.
*Acha que é preciso esvaziar a agenda pra encher o coração, às vezes?
Com certeza sim, sob pena, de seguirmos ministrando sem profundidade caso não seguremos a agenda.

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Suas composições fazem parte do repertório das igrejas evangélicas em todo país. Você acha que hoje a igreja CANTA mais do que ORA?
ADHEMAR DE CAMPOS: Com certeza! Isso tem acontecido porque existe uma mentalidade no nosso meio de que a adoração está ligada a música, o que contraria o ensino bíblico. Música é uma coisa, adoração é outra. É evidente que a música contribui, mas a adoração não depende da música. Na falta desse entendimento acaba-se valorizando muito a adoração musical e menos a vida devocional. Essa é uma das razões pela qual não vemos cultos de oração nas igrejas. No início da minha conversão, toda terça a noite havia culto de oração do qual eu participava e onde muitas vezes fui incendiado. Lamento que, como igreja, tenhamos nos afastado da vida de oração e fazermos da adoração musical uma forma de auto-satisfação. Espero que nossos olhos sejam abertos e nos deixemos levar a um equilíbrio.
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E quanto à música cristã, você tem observado alguma inovação, algo de diferente que os novos músicos vêem trazendo para a música cristã, mudanças, ou aquilo que foge à teologia ao longo desses anos?
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ADHEMAR DE CAMPOS: A primeira coisa que observo como compositor, é que existe, digamos, uma certa falta de criatividade e objetividade na maioria das nossas composições. Sinto falta de mais conteúdo, de mais base bíblica, de um texto que tenha a idéia de começo meio e fim. Um bom exemplo disso são os hinos tradicionais. Quem não se lembra do lindo hino RUDE CRUZ? Um dos elementos fortes nesse hino é a letra, que tem uma mensagem clara, profunda, marcante... é disso que estou falando, é disso que sinto falta.. não importa se a letra é longa ou curta (outro bom exemplo de conteudo e base bíblica é a canção PODEROSO DEUS do Pr Cirilo), mas sim que a mensagem fale o que tem de falar. Não conheço melhor fonte de inspiração e criatividade que a Bíblia.

 "BATE BOLA" COM PASTOR ADHEMAR
Nome: Adhemar Gomes de Campos
Nasc.: 01/12/52
Onde mora: S
ão Paulo
O que nao pode faltar em casa:
Amor
Banda nacional: Oficina G3
Banda internacional: Hillsong Church
M
úsica preferida: "Reina sobre mim"
Música preferida (sua autoria): "Bem Supremo"
Um hobby:
Violão
Uma pessoa que não esquece e porque: Meu pai, pela boa influência
Sonho realizado: Ter uma familia
Sonho n
ão realizado: Ver uma igreja unida
Um fato marcante:
A perda da minha filha Raquel
Opinião e frases de Adhemar
Com relação ao mercado musical, o pastor disse que surgiram muitas composições que não tem consistência e essência Bíblica, e que as pessoas usam clichês e chavões e repetem frases já cantadas, não contribuindo para edificação.
“A fonte da qual nós bebemos é Deus e Deus é criativo, Ele tem poder para fazer coisas novas sempre”.
Hoje, com a chamada explosão gospel, ele afirma que só traz benefício funcionando como vitrine, quando usada com responsabilidade. Segundo ele, esta abertura deve ser usada com critérios e cuidados para não seguir o caminho meramente artístico e exibicionista.
Adhemar alerta ao cuidado de se manter conectado com Deus para receber Dele o novo, a fim de que a mensagem tenha coerência bíblica.
“Somos representantes de Deus, não somos meros cantores e artistas, como servos de Deus e testemunhas de Jesus, a música é só uma ferramenta para anunciar a verdade que acreditamos”.
“Jesus deve ser o foco principal da vida cristã, do nosso trabalho, do nosso ministério. Jesus é o cabeça, é o fundamento, o coração da igreja, se todo ministro se dedicar a esse pensamento seu ministério durará bastante tempo, experiência própria”, conclui Adhemar de Campos.
“Ser referência envolve responsabilidade, compromisso, persistência e disposição para enfrentar as lutas e tentações que concorre a vida do cristão”,
 “A vida de uma pessoa é marcada por seus frutos e Deus me deu a condição de fazer algo que marcasse a vida das pessoas”.


É responsabilidade do músico ou ministro de louvor levar a Igreja à adoração?
O processo é simples. Essa função do dirigente à frente da congregação é um trabalho do músico, mas ele está aliado a uma questão de inspiração. A sua função é facilitar. Experiência de quem você está dirigindo com um Deus que está presente no ambiente. Vou dizer para você que isso não é fácil nem dá para ensinar. É uma coisa da sua sintonia com Ele que reflete no rebanho. Tem uma música que diz “do Senhor me vem a inspiração”. Se sou uma pessoa inspirada, quem é inspirado, inspira; quem é triste, entristece. É uma relação de causa e efeito. Minha fonte de inspiração é a Bíblia. Sempre tenho um texto no coração. Quando estou à frente, estou refletindo, autoalimentado, há momentos de um desaguar interior que acaba refletindo no meio do povo.
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Ser músico/a requer alguns cuidados. Há alguma recomendação?

Uma vez conversei com uma pessoa que faz um trabalho parecido com o meu e eu disse:
— De que Igreja você é?
— Sou da igreja “x”, mas não vou muito porque a agenda não permite.
Eu continuei:
— É casado?
Sim, há pouco tempo.
Aí eu respondi:
— Então, você está pedindo para o pecado te arrastar para as profundezas nesse seu ritmo de vida, porque você não vai à igreja, é jovem, recém-casado e bonito.
O conselho que eu dou é: primeiro uma vida diante do Senhor. Jesus chamou para si aqueles que Ele quis. Ninguém pode ser enviado se não esteve com o Senhor. Eu não abro mão disso. Se eu não puder estar com o Senhor eu não quero ministrar; porque Ele é a fonte, a razão e a motivação. Quem não tem isso não tem nada. Tem ativismo, tem música, mas não tem ministério.

Em segundo lugar, precisa ter comunhão com a Igreja. Sou pastor auxiliar na Igreja onde me batizei, casei, a minha história está lá. Sempre fui da mesma Igreja. Meus filhos nasceram e casaram-se lá. Congregar é uma recomendação bíblica. Não existe igreja perfeita, mas não anula o fato de que eu tenha que deixar de congregar. Isso é muito saudável, porque faz falta para todos nós. Não é só frequentar, mas ter uma vida em comunidade junto com os irmãos e irmãs.