14 de novembro de 2014

SERMÃO DE NATAL SPURGEON PARTE 2

SERMÃO DE NATAL
SPURGEON
PARTE 2

II. Tendo falado da pergunta dos magos, irei notar agora SUA MOTIVAÇÃO. Algo foi o que motivou esses magos a buscarem a Jesus, e foi isso: “temos visto Sua estrela”.
Vejam bem, a maioria de vocês, buscadores de Cristo, possuem uma grande motivação no fato de escutaram Seu Evangelho; vivem em uma terra que possui as Escrituras e na que as ordenanças da casa de Deus são administradas livremente. Essas são, por assim dizer, as estrelas de Cristo; possuem o propósito de conduzi-los para Ele mesmo. Observem aqui que ver Sua estrela era um grande favor. Não foi concedido a todos os moradores no oriente ou no ocidente que vissem Sua estrela. Esses homens, portanto, eram altamente privilegiados. Não é concedido para todos escutar o Evangelho; Jesus não é pregado em todas nossas ruas; Sua cruz não é levantada em alto nem mesmo em cada lugar dedicado a Sua adoração. Você é muito favorecido, oh meu amigo, se tem visto a estrela, o Evangelho, que aponta para Jesus!


Ver a estrela implicou para esses magos uma grande responsabilidade. Suponham que esses sábios tivessem visto Sua estrela, mas que não tivessem se colocado no caminho para adorá-Lo. Então teriam sido muito mais culpáveis que outros indivíduos que, não tendo recebido tal indicação do céu, teriam sido incapazes de prestar-lhe atenção. Oh, pensem na responsabilidade de alguns de vocês que em sua infância ouviram sobre um Salvador e pelos quais uma mãe chorou durante muitos anos; vocês conhecem a verdade, ao menos em sua teoria; vocês tem a responsabilidade de terem visto a estrela.


Os magos não consideram o favor de ver a estrela como um assunto que bastava. Não disseram: “Temos visto sua estrela e isso basta”. Muitos dizem: “Bem, frequentamos um lugar de adoração, isso não basta?”. Há os que dizem: “Nós fomos batizados; o batismo trouxe consigo a regeneração, apelamos ao sacramento, e não alcançamos graça por seu meio?”. Pobres almas! Confundem a estrela que conduz a Cristo com o Cristo mesmo, e adoram a estrela em vez de adorar ao Senhor. Oh, que nenhum de vocês seja tão néscio para confiar nas ordenanças externas! Se dependessem dos sacramentos ou da adoração pública, Deus lhes diria: “Não me tragam mais vãs ofertas; o incenso me é abominável. Quem demanda isso de vossas mãos, quando vocês vem apresentá-los diante de mim para pisar meus átrios?” 


Para Deus, que importância tem as formas e as cerimônias externas? Quando vejo que homens colocam sobre si capas brancas, estolas, manípulos[2], cantam suas orações, fazem referência e se ajoelham, me pergunto que tipo de deus é esse que eles adoram. Certamente deve ter mais afinidade com os deuses dos pagãos do que com o grandioso Jeová, que fez os céus e a terra. 
Observem definidamente a glória excepcional das obras do SENHOR na terra e no mar; contemplem os céus e suas incontáveis hostes de estrelas, escutem o uivo do vento e a fúria do furacão, pensem Naquele que converte as nuvens em Seu carro e cavalga sobre as asas do vento, e logo considerem se esse infinito Deus é parecido a esse ser para quem é um assunto de suma importância que uma copa de vinho seja levantada em adoração até a altura do cabelo do homem ou somente até a altura de seu nariz. Oh néscia geração, que pensa que O SENHOR está contido em seus templos feitos com mãos, e que se preocupa por suas vestes, suas procissões, suas posturas e suas genuflexões. Vocês se guerreiam por seu ritual, e o consideram até nos jotas e nos tils. Certamente não conhecem ao glorioso Jeová, se concebem que essas coisas produzem para Ele algum prazer. E mais, amados, desejamos adorar ao Altíssimo em toda simplicidade e sinceridade de espírito, e não nos determos na forma externa, para não sermos o suficientemente néscios de pensar que basta ver a estrela e, por isso, deixar de encontrar ao Deus encarnado.
Notem bem que esses magos não encontraram satisfação no que eles mesmos tinham feito para chegar ao menino. Como temos observado, é possível que tivessem vindo de centenas de kilômetros de distância, porem, não o mencionaram; não se sentaram para dizer: “Bem, temos viajado através de desertos, sobre montes, e temos atravessados rios, e isso basta.” Não, eles tinham que encontrar ao Rei que acabava de nascer, e nenhuma outra coisa lhes satisfaria. 

Não diga, querido ouvinte: “estive orando durante meses, estive pesquisando as Escrituras durante semanas para encontrar ao Salvador”. Alegra-me que tenha feito isso, mas não descanse ai; tem que chegar a Cristo, ou do contrário perecerá, apesar de todo teu esforço e de todos seus problemas. Você precisa de Jesus, nada mais que Jesus, mas nada menos que Jesus. Tampouco deve estar satisfeito com viajar no caminho em que a estrela lhe guia, mas você tem que chegar a Ele. Não fiques aquém da vida eterna. Apegue-se a ela, não a busque nem a deseje simplesmente, mas sim que deve se apoderar da vida eterna, e não deve estar contente até que seja um fato confirmado que Jesus Cristo é seu.
Gostaria que notassem como esses magos não ficaram satisfeitos com o simples fatode chegarem a Jerusalém. Poderiam ter dito: “ah, agora estamos na terra onde o Menino nasceu; estamos agradecidos e descansaremos!”. Não, mas antes perguntaram: “Onde ele está?”. 
 Se houvesse um perigo por cima de qualquer outro que o jovem buscador tenha que enfrentar, é o perigo de ficar aquém de uma sólida fé em Jesus Cristo. Enquanto seu coração seja brando como a cera, cuide de que nenhum selo, salvo o de Cristo, seja estampado nele. Agora que está inquieto e desconsolado, faça esse voto: “não serei consolado até que Cristo me console”. Seria melhor para você que jamais fosse despertado do que ser embalado por Satanás até o sono, pois o sonho que sucede a uma convicção parcial é geralmente a letargia mais profunda que pode sobrevir aos filhos dos homens. Minh’alma, eu lhe exorto que vá até o sangue de Cristo, e que seja lavada nele; vai até a vida de Cristo para que essa vida esteja em você, para que seja verdadeiramente um filho de Deus; não aceite suposições, não fique satisfeito com aparências e hipóteses; não descanse em nenhuma parte até que – tendo dado Deus a fé para dizê-lo – tenha dito: “Ele me amou e se entregou por mim; Ele é toda minha salvação e meu desejo”.
Vejam então, como esses magos não foram conduzidos pela visão da estrela a se manterem longe de Cristo, mas que, muito melhor, foram animados por ela a virem a Cristo, e você também, caro buscador, anime-se nessa manhã em vir a Jesus pelo fato de que você é abençoado com o Evangelho. Você tem recebido um convite para vir a Jesus, tem os movimentos do Espírito de Deus em sua consciência que lhe estão despertando; oh, vem, vem e seja bem vindo, e deixe que esse bruto dia de inverno seja um dia de fulgor e de alegria para muitas almas que estão buscando.


III. E agora vamos concluir considerando O EXEMPLO desses magos. Eles vieram até Jesus, e ao chegarem, fizeram três coisas: viram, adoraram e ofertaram. Essas são três coisas que cada crente poderia repetir aqui essa manhã, e cada buscador deveria realizar pela primeira vez.
Primeiro, viram o Menino recém-nascido. Não creio que tenham dito simplesmente: “ali está”, e que assim o assunto estava acabado, mas que se detiveram e olharam. Talvez emudeceram durante alguns minutos. Não me resta dúvida de que em Seu rosto transparecia uma beleza sobrenatural. Se a beleza era evidente a todo olhar, eu não sei, mas para os olhos dos magos certamente havia uma atração sobre-humana. O Deus encarnado! Olharam com muita atenção. Olharam, olharam e olharam repetidamente. Viram Sua mãe, mas detiveram seu olhar Nele. “Viram o menino”. Assim, também, pensemos em Jesus nessa manhã com um pensamento fixo e contínuo. Ele é Deus, Ele é homem, Ele é o substituto dos pecadores; Ele está de acordo em receber a todos os que confiem Nele. Ele salvará, e salvará nessa manhã a todos nós que confiemos Nele. Pensem Nele. Se vocês estiverem em casa nessa tarde, dediquem um tempo para pensar Nele. Visualizem-No com sua mente, considerem e admirem-Lhe. Por acaso não é um prodígio que Deus entre em união com o homem e que venha a esse mundo como um terno infante? Aquele que fez os céus e a terra é estreitado no peito de uma mãe! O verbo se fez carne para nos redimir. Essa verdade gerará a mais refulgente esperança no interior de sua alma. Se vocês seguem a assombrosa vida desse bebê até sua conclusão na cruz, eu confio que ali o olharão de tal maneira que assim como Moisés levantou a serpente no deserto e os que olhavam para ela eram sarados, assim também, se vocês olham, que sejam sarados de todas suas enfermidades espirituais. Ainda que já tenha muitos anos que eu O olhei pela primeira vez, desejo olhar para Jesus de novo. O Deus encarnado! Meus olhos se enchem de lágrimas ao pensar que Aquele que poderia ter me esmagado no inferno para sempre, se converte em uma terna criança por minha causa. Vejam-No, todos vocês, e O vendo, adorem.
O que os sábios fizeram depois? Eles o adoraram. Não podemos adorar apropriadamente a um Cristo que não conhecemos. “Ao Deus desconhecido” como adoravam os pagãos.

Nós adoramos a Jesus. Nossa fé O vê ir da manjedoura à cruz, e da cruz diretamente ao trono, e ali onde Jeová habita, em meio da esmagadora glória da presença divina está o Homem, o preciso Homem que dormiu na manjedoura em Belém; ali reina como Senhor dos senhores. Nossas almas lhe adoram outra vez. Tu és nosso Profeta: cada palavra que dizes, Jesus, a cremos e desejamos segui-la. Tu és nosso Sacerdote: Teu sacrifício nos limpou, temos sido lavados em Teu sangue. Tu és nosso Rei: ordena e nós obedeceremos, guia-nos e nós lhe seguiremos. Nós te adoramos. Deveríamos passar muito tempo adorando ao Cristo, e Ele deveria ter sempre o lugar mais proeminente em nossa reverência.
Depois de adorar, os magos apresentaram suas ofertas. Um abriu seu cofre de ouro e colocou aos pés do Rei recém-nascido. Outro apresentou incenso, um dos produtos preciosos do país de onde vinham; e outro depositou mirra aos pés do Redentor; todas essas coisas as ofereceram para demonstrar a realidade genuína de sua adoração. Apresentaram ofertas substanciais com mãos generosas, e agora, depois de que tenham adorado a Cristo no interior de sua alma, e de que o tenham visto com o olho da fé, não será necessário que lhes diga que se entreguem vocês mesmo, que doem seus corações a Cristo, que Lhe ofereçam suas riquezas. Vamos, vocês não poderiam evitar fazer isso. Aquele que realmente ama ao Salvador em seu coração não pode evitar entregar-lhe sua vida, suas forças, seu tudo. Para algumas pessoas, quando dão algo a Cristo, ou fazem qualquer coisa para Ele, se trata de um trabalho terrivelmente forçado. Dizem: “o amor de Cristo deveria nos constranger”. No entanto, eu não creio que exista um texto assim na Bíblia. Eu recordo de um texto que diz assim: “O amor de Cristo nos constrange”. Se não nos constrange, é porque não está em nós. Não é meramente algo que deveria ser, mas sim algo que tem que ser. Se alguém ama a Cristo, logo estará encontrando formas e meio de demonstrar seu amor por seus sacrifícios. Volte para casa, Maria, e toma o frasco de alabastro, e derrama o unguento sobre Sua cabeça, e se alguém lhe disser: “Por que esse desperdício?” você terá uma boa resposta, que é: a ti se lhe há dado muito, portanto, ama muito. Se você tem ouro, dá; se tem incenso, dá; se possui mirra, dá a Jesus; se não possui nenhuma dessas coisas, dê-lhe seu amor, todo seu amor, e isso será ouro e especiarias, tudo em um; dê a Ele sua língua, Fale Dele; dê suas mãos, trabalhe para ele; dê-lhe todo seu ser. Eu sei que você o fará, pois Ele o amou e se entregou por você. Que o Senhor os abençoe, e que nessa manhã de domingo de Natal seja um dia muito memorável para muitos que se encontram no meio dessa multidão congregada aqui. Estou surpreendido de ver um número tão vasto aqui presente, e só posso esperar que a benção seja proporcional, por causa de Jesus. Amém.


Sermão nº 967 — Volume 16 do The Metropolitan Tabernacle Pulpit,

sermão de natal C.H.SPURGEON
Postado por Gelson Lara às 07:24 http://img2.blogblog.com/img/icon18_edit_allbkg.gif