2 de novembro de 2013

ANDREW THOMSON Pregador Reformado Escocês

ANDREW THOMSON



Ensaio
"Alarme aos não convertidos."
Existem dois principais modos de persuadir os homens a se arrependerem e crerem no Evangelho. Um deles consiste em representar para eles o "amor de Deus",  definindo diante deles todas as bênçãos que o amor está pronto para conceder. A outra consiste em dar-lhes uma exposição clara e honesta do "terror do Senhor", em apontar-lhes a ira do Todo-Poderoso contra aqueles que cometem pecado, fazendo-lhes ver as terríveis consequências de  continuar a ser "inimigo de Deus “, criando assim, um alarme em suas consciências para fazê-los abandonar seus maus caminhos, e" fugir para o refúgio que está em Cristo e no seu Evangelho.

Para este último modo, há alguns que têm uma aversão tão forte, que quando alguém fala a respeito da ira de Deus, é tido por um fanático sombrio, cuja imaginação se deleita em meditar sobre as imagens de miséria e desespero, ou por um  impiedoso, que não tem em conta o conforto de seus semelhantes, mas tem prazer em torturá-los com alarme desnecessário.

Estamos dispostos a admitir que é errado dar muita ênfase sobre o terror do Senhor, sem falar também do grande amor que Ele tem pelos homens, admitimos, ainda, que pode haver o perigo de assustar  as mentes de alguns, se este tema não for ministrado com cuidado e clareza, mas como este assunto está na bíblia, precisa ser ensinado, pois não há doutrina dentro da palavra que seja proibida de ser ensinada.

Em primeiro lugar, o terror do Senhor constitui uma parte óbvia e essencial da verdade divina.
Erram aqueles que ensinam que esta  doutrina é uma mera ficção,  criação de uma mente  fantasiosa ou a invenção de um ministério despreparado.
 É claro na bíblia que Deus,
 É justo e zeloso , mas também  ele é bom e compassivo
Que ele odeia os que praticam a iniquidade, como também que ele ama aqueles que o temem e o servem.
Que ele ordenou um inferno para os incrédulos, como também que ele preparou um paraíso para os que creem.
Que, no dia do juízo, ele vai pronunciar uma sentença de condenação sobre os ímpios, como também que ele vai pronunciar uma sentença de absolvição sobre os justos.
Que o primeiro deve ir para o castigo eterno, enquanto que o último deve entrar na vida eterna.
Que a angústia do pecador condenado é absolutamente certa e inconcebivelmente grande, como também que a felicidade dos santos glorificados nunca terá fim. 
Há algumas coisas na Bíblia que não são muito claras  e há outras coisas que parecem ser cheias de mistérios, mas não é o caso da doutrina  do terror do Senhor.
Este ensino se encontra revelado em todas as partes do registro sagrado. Nós não passamos do terceiro capítulo do livro de Gênesis, e já vemos nossos primeiros pais sendo expulsos do Paraíso, e a própria "terra sendo amaldiçoado por causa deles." Quando chegamos à conclusão do. Apocalipse, somos tomados de assalto com um terrível aviso: Que se alguém tirar alguma palavra do livro desta profecia, Deus tirará a  parte dele do livro da vida.
"E desde o início até o final da palavra de Deus há uma série de
AMEAÇAS FORMAIS, IMPOSIÇÕES E MALDIÇÕES para aqueles que são rebeldes e desobedientes.
Em segundo lugar, o evangelho é um esquema de libertação. Seu objetivo é resgatar os homens do império das trevas em que vivem, uma vez que se fizeram reprováveis por transgredirem a lei divina.


Mas quando olhamos a extensão dos males que devem ser removidos do coração do homem, não podemos reprovar os métodos mais severos, pois muitas vezes a alma humana está tão imersa na escuridão que somente um forte impacto pode acordá-la.

Então que o Evangelho seja pregado sem rodeios, sem tentarmos esconder as duras palavras de reprovação que a escritura dá ao pecador que caminha pelo vale da sombra e da morte.
que haja um imagem fiel  da malignidade do pecado e da justiça vingadora de Deus com relação a esse pecado,  da condenação que receberão aqueles que não correrem para a cidade de refúgio, para dentro da arca, para a porta da salvação, que é Jesus.



E como poderia ser diferente? Se Evangelho é fundado no princípio da santidade imaculada de Deus e da justiça retributiva, e no fato de que o homem, como um transgressor da vontade de Deus em sua lei, tornou-se sujeito a grave pena, e de que Deus criou um plano infalível  para tirá-lo do estado de culpa e miséria em que ele está mergulhado,  e que esse plano é o EVANGELHO DE SEU FILHO.
 E se isto é uma descrição correta do Evangelho, como podemos pregá-lo pela metade, sem revelar aos homens o terror do Senhor?  Como vamos alertar as pessoas a fugir da ira vindoura se não pregarmos o evangelho em sua total revelação?
Se os ouvintes não souberem que estão irremediavelmente condenados, separados para sempre da presença de Deus como eles vão temer quando ouvirem que “ terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” ?
Para julgar o valor e a eficácia de qualquer receita médica,  deve ser informado ao paciente sobre a natureza e os efeitos da doença, que se pretende curar, e que se paciente não seguir o orientação médica, o quadro só vai se agravar e as consequências se tornarão irremediáveis.


Portanto, toda crítica feira a doutrina bíblica do terror do Senhor é como um boicote ao evangelho, uma tentativa de se lhe tirar a força e o poder de persuasão e como está escrito, seja anátema, seja amaldiçoado, todo aquele que tentar pregar outro evangelho ( Gl 1. )

Em terceiro lugar, desde os tempos antigos, homens  cheios do Espírito Santo, trovejam esta doutrina. Temos o exemplo dos profetas inspirados de Israel  para justificar-nos em recorrer ao terror do Senhor. 
os profetas que Deus antigamente comissionados para chamar nações ou indivíduos ao arrependimento, davam muita ênfase sobre o horror do pecado, e nos julgamentos desoladores com a qual ele iria visitar aqueles que obstinadamente persistissem neles.
Eles nunca hesitaram em apresentar o assunto do pecado e das suas terríveis consequências em todas essas ocasiões,  ou tiveram qualquer receio de ofender ou de fazer mal, para aqueles a quem a mensagem foi entregada. Pelo contrário, eles apresentaram a palavra profética sem rodeios, eles vestiram suas palavras com uma linguagem mais forte, com  ilustrações mais impressionantes, e cada vez que o  ímpio ouvia, tremia e fraquejavam as suas pernas.
 É verdade, eles falaram também da misericórdia de Deus e de seu perdão, de sua vontade de salvar,  da ternura e da compaixão que sentia pelo seu povo ingrato e desobediente. Mas em cada comunicação que eles fizeram com os homens, os trovões da indignação divina  ameaçavam a consciência dos filhos de Abraão.
 A mesma coisa é inequivocamente vista na condução dos Apóstolos, e mesmo com eles o terror do Senhor é um tema de recorrência frequente, de momento indispensável, de advertência séria e incessante. Eles estavam ocupados,  divinamente ocupados em publicar as boas novas da salvação
 - Em declarar os propósitos e os planos de Deus,  em "pregar as insondáveis ​​riquezas de Cristo",  em difundir o bálsamo da consolação celestial, mas não se esqueciam de apelar para a consciência de cada pessoa que os ouvia, alertando-as sobre o juízo vindouro e a justiça perfeita de Deus, que só se realiza com a morte expiatória de Cristo.

Mas ainda podemos apelar para aquele que é maior do que os profetas ou os apóstolos. O terror do Senhor foi proclamado pelo próprio Jesus Cristo. - Ele foi  "ungido para pregar boas novas aos mansos, para curar os quebrantados de coração, a consolar todos os que choram", e esse caráter amável e cativante foi por ele plenamente vivido.  Ele falou tranquilamente ao seu povo, e, compassivamente para os seus inimigos, e a misericórdia  adornava a sua vida. Mas ele estava o tempo todo em silêncio no que diz respeito  a ira de Deus contra os ímpios? Será que ele se absteve de dar testemunho da severidade da justiça divina?
Alguém já ouvir falar de Cristo  evitando ou atenuando qualquer parte da verdade, fugindo de temas como  a "perdição dos homens ímpios", cuidando com o que falava para não ofender as mentes mais sensíveis, como ensinam hoje os  críticos polidos e liberais? 
Não meus leitores, nunca foi assim com Jesus,  ele sempre soube que era melhor entrar sem um braço no reino do que com os dois braços ser lançado no fogo do inferno. Ele sempre soube o que significava para o homem os terrores da "segunda morte".
 Nosso bendito Salvador, que também é Mestre e autor da palavra, nunca  cessou de exortar os  homens e a trabalhar com os medos e apreensões do coração humano. E ao fazê-lo, ele fez uso de declarações tão fortes, e de termos tão duros como nenhum de seus apóstolos  ou de seus profetas no Antigo Testamento. 
JESUS nunca deixou de anunciar  sobre "a ira que foi revelada do céu contra toda a injustiça e impiedade dos homens",
- Que Deus "não inocenta o culpado", que "os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus.
 - Que "indignação e ira, tribulação e angústia, cairá sobre toda a alma do homem que desprezar o evangelho e que  os hipócritas, como os escribas e fariseus , não poderão "escapar da condenação do inferno".
- Que aqueles que não estão preparados para o céu, por não crerem na palavra do Senhor “ serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes"
- Que "a ira de Deus permanece sobre eles" que não acreditam, - - Que "a não ser que os pecadores se arrependam, eles devem todos perecer,
-Que, no último dia, os ímpios ressuscitarão para" vergonha e desprezo eterno "
-Que" não subsistirão no juízo ", nem farão parte" na congregação dos justos "
-Que fugirão os descrentes para as montanhas e rochas e elas  cairão sobre eles que tentarão se  esconder da face daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro "
- Que quanto aos que não creem serão enviados para o lugar de castigo ", preparado para o diabo e seus anjos" - que será "lançado no lago que arde com fogo e enxofre" - e que "a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre. " 




Estas declarações são, de fato,  terríveis , e podem muito bem fazer com que o coração rebelde venha a tremer. 


De maneira que , depois de sabermos de tudo isso, não mais poderemos afirmar que quem prega essa mensagem sobre o TERROR DO SENHOR está inventando fábulas para assustar as pessoas com pouco conhecimento da palavra ou aterrorizar os leitores mais simples, fazendo-os  sofrer sem necessidade.
Queridos estudantes da palavra de Deus, amados professores da escola dominical e pregadores  do evangelho, o que nós queremos é que se deixe de brincar com a verdade.



. 
- Seria talvez mais  fácil para nós evitar este assunto por completo, ou  tirar de nossa pregação todo tom mais  ameaçadora,e sussurrar palavras suaves no ouvido do mundano descuidado, ou do transgressor endurecido,  para dizer "Paz, paz, para eles, quando não há paz".
- Seria igualmente cômodo falar somente sobre as bênçãos, sobre os direitos e privilégios dos filhos de Deus sem nunca tocar no assunto das penalidades que aguardam o malfeitor, mas como faríamos isso se eles estão caminhando a passos largos até as moradas do inferno, Como poderíamos  lidar mais suavemente com as suas consciências? Se uma cobra está ao  lado de teu amigo para morde-lo, você o avisaria com sussurros ou com grande alarido?
Servos de Cristo, existe o tempo e o lugar de se cantarem "lindas canções  sobre a bondade de Deus”, mas quando uma alma está morta pelo pecado, precisamos tirá-la deste sonho ilusório de que tudo está bem.








Estamos convencidos de que os evangelistas serão sábios se usarem estes dois métodos de persuasão em conjunto, não se esquecendo  nem da bondade, nem da severidade de Deus e com ousadia anunciar-lhes a palavra de Deus, que de muitas maneiras prepara o caminho para a salvação:
 "ouvi, e a vossa almas viverá", e em outro momento, "toda alma que não ouvir a esse profeta, será exterminada dentre o povo"
- E em outro lugar, "Arrependei-vos e convertei , para que os vossos pecados sejam apagados ",
Ou nas próprias palavras de Jesus:" Se não vos arrependerdes, todos pereceremos "
-Ou nas palavras de Marcos," aquele que crê e for batizado, será salvo ", têm a coragem de acrescentar: "quem não crê será condenado"
-Ou nas palavras do apóstolo, dando a entender que, quando "o Senhor Jesus será revelado do céu", ele "vem para ser glorificado nos seus santos e admirado por todos os que acreditam , " não deixando de declarar, que ele virá " em chama de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus, e;. não obedecem ao Evangelho " 
Mas pode-se dizer que, embora não pode haver objeção ao terror o Senhor sendo proclamado para os incrédulos e pecadores, esta doutrina não se aplica aos que creem.
Mas nós mostraremos algumas razões do porque dos crentes também meditarem sobre o terror do Senhor:
-   Essa meditação vai  mostrar-lhes, sob uma luz mais clara, o valor do Evangelho que lhes revelou o método de libertação da culpa e miséria.
-   Vai dar-lhes uma visão mais justa e consistente dos atributos de que Deus , os quais são obrigados a temer, assim como o amor.
-   Vai preenchê-los com uma estima maior para Jesus, percebendo de quão terrível destino eles foram salvos
-   Vai fazê-los ver grandeza do sacrifício de Cristo na cruz e o lugar de onde eles vieram
    Vai servir para mantê-los humildes, lembrando-os do poço de onde foram tirados, e a rocha da qual eles foram assentados
-   Vai enchê-los de gratidão, ao verem a punição que eles mereciam, e a graça ao qual foram destinados
-   Vai fazê-los ver a sutileza do diabo em enganar as pessoas, tentando falar de paz, onde nçao há paz
-    Vai dar mais calor e mais na atividade evangelística, pois trataremos com mais seriedade a nossa missão de evangelizar.
Portanto, amados irmãos, exposto isto, agora nada mais me resta a não ser exortar a todos os ensinam ,que o façam de forma honesta e verdadeira, sem nada a esconder dos ouvintes, pois não pregamos para agradar as pessoas, mas para salvá-las e edificá-las, fazendo qualquer coisa para levar todos ao pleno conhecimento de Cristo.

Andrew Thomson Edimburgo maio 1823.