28 de abril de 2013

Esses Cristãos Extraordinários



Os cristãos não se diferenciam de outros povos por sua língua, costumes ou nacionalidade. Eles não habitam cidades próprias nem falam algum dialeto estranho, nem mesmo possuem um estilo de vida peculiar.

O ensinamento deles não é fruto da imaginação ou da especulação da mente de homens; eles também não propagam mero ensinamento humano, como é costume de alguns.

Eles vivem tanto em cidades gregas quanto em cidades de outros países, onde quer que o destino os tenha colocado. Eles seguem os hábitos locais no que concerne a vestimentas, alimentação e a outros aspectos da vida. Contudo, ao mesmo tempo, eles nos demonstram a forma maravilhosa, e certamente incomum, de sua própria cidadania.


Eles habitam em sua terra natal como se fossem estrangeiros; mas, como cidadãos, eles compartilham todas as coisas com os outros; todavia, sofrem como se fossem estrangeiros. Todos os países são para eles como sua terra natal, e a terra natal como um país estranho.

Eles casam e têm filhos da mesma forma como outras pessoas, mas eles não matam os bebês indesejados. Eles compartilham sua mesa, mas não o seu leito. No presente eles estão 'na carne', mas eles não andam 'segundo a carne'. Eles passam seus dias na terra, mas são cidadãos dos céus. Eles obedecem às leis locais, e vão além da lei em suas próprias vidas.

Eles amam a todos, embora sejam por todos perseguidos.


Eles são desconhecidos e condenados; mas são levados à morte e ganham a vida.

Eles são pobres, mas enriquecem a muitos.

Eles nada possuem, contudo têm abundância de tudo.

São desonrados, contudo ganham glória através da desonra.

Seus nomes são manchados, mas eles próprios, cada vez mais purificados.



Eles são zombados, mas em resposta abençoam.

Eles são ultrajados, mas respeitam a todos.

Por fazer o bem, são punidos como malfeitores; todavia, mesmo quando punidos, alegram-se como se tivessem obtido nova vida. Os judeus os atacam como se fossem estrangeiros, e os gregos lhes perseguem; contudo, aqueles que os odeiam não podem dar qualquer justificativa para sua hostilidade. A alma é para o corpo como os cristãos são para o mundo. A alma está em todas as partes do corpo, e os cristãos estão em todas as cidades do mundo. A alma está no corpo, contudo ela não é do corpo. Os cristãos estão no mundo, todavia não são do mundo!


-- Extraído de uma carta anônima escrita a Diognetus, o tutor de Marco Aurélio, possivelmente datada do final do sec. II ou início do sec. III