8 de fevereiro de 2016

Canaâ no Brasil ( Madre Basiléia Schlink )


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Canaã é a sede da Irmandade Evangélica de Maria, uma organização internacional e interdenominacional, fundada na Alemanha em 1947, dentro do contexto da Igreja Evangélica (Luterana) 

Madre Basilea (Drª Klara Schlink, abaixo à esquerda, 1904 - 2001), doutorado em Psicologia na Universidade de Hamburgo, 1934 - foi líder do Movimento Cristão das Estudantes Alemãs. Madre Martyria (Erika Madauss, abaixo à direita, 1904 - 1999), Faculdade de Treinamento para Assistência Social, em Hamburgo e Londres.

                 
        Madre Basilea                                                                          Madre Martyria
Muitos anos antes do início da Irmandade, Deus preparou as nossas Madres fundadoras para o seu futuro ministério, orientando-as para viverem sem nenhuma segurança terrena, somente na dependência dEle, o seu Senhor. Ao deixar que Deus fosse o seu único auxílio e refúgio em qualquer situação, elas foram treinadas na confiança e fortalecidas na fé, para mais tarde serem capazes de conduzir toda nossa obra por este mesmo caminho.
Madre Basilea e Madre Martyria tomaram uma corajosa posição cristã, durante o regime de Hitler. Quando era a presidente nacional do "Movimento Cristão das Estudantes Alemãs" (1933-35), Madre Basilea recusou-se a compactuar com a política nazista, que impedia aos judeus cristãos de participarem dos encontros e reuniões. Durante a II Guerra Mundial ela arriscou a vida e a carreira, falando publicamente sobre o destino singular de Israel, o povo de Deus. Convocada duas vezes a comparecer perante a polícia de segurança nazista pelo fato de proclamar o senhorio de Jesus Cristo, permitiram-lhe que saísse ilesa, a despeito de sua firme postura. Madre Martyria mantinha estudos da Bíblia para jovens e também ensinava-lhes o Antigo Testamento, que  era proibido durante o regime de Hitler.
     A busca pela felicidade é tão antiga quanto a raça humana. Se somente soubéssemos que a felicidade está ao alcance de todos! Felicidade é conhecer o coração de Deus, que nos criou e que deseja somente o melhor para nós. Descobrimos isto como uma comunidade que surgiu das cinzas da Segunda Guerra Mundial. Semelhantemente aos filhos de Israel em dias passados, chegamos a conhecer o Seu coração, quando Ele nos conduziu através do deserto até a nossa Terra Prometida, a propriedade que chamamos de Canaã.
Fonte da Bondade do Pai, retratada acima, foi construída em Canaã como símbolo do transbordante amor paternal de Deus. Sete nomes do Pai inscritos em mosaico, adornam a beirada da fonte, proclamando que Ele é assim como diz a Sua Palavra: compassivo e clemente, grande em amor constante e fidelidade (Êxodo 34.6). Convidamos você a descobrir, por si mesmo, o amoroso coração de Deus.
    Nosso ministério é uma obra de fé, inspirada na confiança em um Deus que realiza milagres ainda hoje como nos tempos bíblicos. Conquistada, pedaço por pedaço pela fé, diante de tremendos obstáculos, nossa propriedade é chamada Canaã, como referência à Terra Prometida.
Um pedaço especial do terreno de Canaã foi reservado para um jardim de oração, com relevos esculpidos, descrevendo os sofrimentos de Jesus em Seu caminho do Getsêmani até o Calvário, pois conforme diz a Madre Basilea:
"Em parte alguma, o amor de Deus se aproxima tanto de nós, como nos sofrimentos de Jesus.


Quando Jesus é retratado como o Homem de Dores, isto não é nenhum quadro corriqueiro. Por trás dele há uma realidade. Aqui está Aquele que realmente sofreu, perseverou e emergiu como o Vencedor sobre o pecado e aflição. Aqui estamos diante do mais formoso dentre todos os homens, do qual resplandece - em meio a sofrimentos, humilhações, decepções e escárnios indescritíveis - a nobreza do amor. O Seu amor é o poder mais forte e triunfante, o qual pode e quer ajudar-nos a todos em qualquer aflição - e inflamar-nos ao amor a Deus e às pessoas." O Senhor ressuscitou, Ele realmente ressuscitou, e está em nosso meio como o Amor que vence tudo!


 O co-fundador, Paul Riedinger, um pastor da Igreja Metodista, deu à Irmandade o nome de Maria, a mãe de Jesus, que exemplificava a fé e a dedicação à vontade de Deus, seguindo Jesus até à cruz. As primeiras Irmãs eram na maioria da igreja luterana, mas atualmente a Irmandade conta com membros de muitas denominações evangélicas, procedentes de 18 nacionalidades.
Dois anos depois da sua fundação, quando a Casa Steinberg não estava mais cabendo a Irmandade, e com apenas 30 marcos alemães em caixa, a comunidade começou a construir um novo centro que seria chamado de Canaã, aproveitando tijolos resgatados dos escombros da cidade.
Até hoje os visitantes neste centro da Irmandade são recebidos por uma faixa proclamando: “Edificado somente com a ajuda do Senhor, que fez os céus e a terra—pela fé em Jesus Cristo”.
Na época, foi levantada uma tenda ao lado do local da construção, para que a casa de Deus fosse apoiada em oração, além de serviço braçal. As pessoas se revezavam na tenda numa corrente de oração, a fim de apresentar a Deus todas as suas necessidades. E Deus supria todos os materiais, mesmo na dificuldade daquela Alemanha pós-guerra.
Qualquer problema, acidente ou revés durante a construção, levava toda a equipe de irmãs para a tenda para saber por que o Senhor estava retendo sua bênção. À medida que tensões ocultas e irritações eram trazidas à luz, elas pediam perdão umas das outras, e do Senhor. E as coisas voltavam a engrenar. Por longo tempo depois da construção terminada, quando a tenda já não existia mais, as lições de orações respondidas, de como andar na luz, e viver pela fé permaneciam firmes nas vidas dos participantes. Hoje as comunidades da Irmandade, em todos os países onde estão, dependem de Deus não só para ampliação ou estruturação, mas para seu sustento diário. Totalmente dependentes da bondade e fidelidade do Pai celestial, seja em missões de apenas duas pessoas, seja em centros maiores, onde se cozinha para mais de duzentas pessoas, existem abundantes testemunhos de como o Senhor supriu, às vezes de maneiras bem originais.
Uma visita da Madre Basilea ao Monte Sinai em 1963 resultou nos “Preceitos de Canaã”, uma aplicação prática dos Dez Mandamentos e do Sermão da Montanha. Amar, perdoar, compartilhar, dar a outra face, confiar em Deus em todas as situações — estas são as leis que Deus deu para o reino do céu. Elas funcionam. Quando todo um grupo as segue, em amorosa obediência, ele faz ali a sua morada, conforme prometeu (João 14.23).
Entre os preceitos de Canaã estão estes dois fundamentos:
• Arrependa-se diariamente—e você terá cada dia um gostinho do Reino dos Céus. E quanto maior for o seu arrependimento, tanto mais amplamente abrir-se-lhe-ão os portais para o Reino dos Céus. Salmo 51.7,8.
• Dirija-se àquele contra quem você tenha algo em seu coração — ou ele contra você — e reconcilie-se, e a oração alcançará os céus e terá poder. Mateus 5.23,24.
Além de formar irmandades, que fossem lugares onde o mundo pudesse encontrar o reino de amor que só Deus pode gerar, a vida e obra de Basilea Schlink produziu outros frutos importantes.
Depois da Segunda Guerra Mundial, ela procurou identificar-se com a culpa do seu país, visitando os lugares das atrocidades nazistas nos países vizinhos, e buscando reconciliação com os tchecos, os poloneses e outros, especialmente, os judeus. Em vários lugares, placas de reconciliação foram colocadas, expressando tristeza por esses crimes.
Ela cria fortemente que havia uma ligação entre o Holocausto e a divisão do país da Alemanha. Considerava a divisão da nação um castigo pelas atrocidades cometidas pelos alemães contra os judeus. Falava da “maldição da falta de arrependimento pela culpa para com Israel”.
Como cidadã do seu país, ansiava por corrigir os pecados daquele passado, no espírito de Daniel 9, e por encontrar maneiras práticas de expressar o amor pelo povo escolhido de Deus. Isto a levou, em 1961, a inaugurar uma pequena casa para hóspedes, em Jerusalém, para sobreviventes do Holocausto, que continua sob a liderança da Irmandade. O objetivo ali é compartilhar a dor daqueles que talvez jamais consigam se esquecer dos traumas que sofreram, e orar com eles para que se sintam como se estivessem repousando no seio de Abraão, e para que experimentem a paz do Todo-Poderoso. Passagens das Escrituras são lidas, mostrando que Deus jamais se esqueceu do seu povo em todos seus sofrimentos, e que jamais se esquecerá da sua aliança, que é eterna.